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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Uma outra visão

E porque a merecida pausa, na actividade profissional, aproxima-se rapidamente, é tempo de reordenar, reorganizar, (re) arrumar uma série de assuntos pendentes, adiados, aparentemente, esquecidos que este período possibilita, dada a disponibilidade temporal que o caracteriza.
Férias nem sempre será sinónimo de novos locais, espaços diferentes, ambientes desconhecidos, paisagens exuberantes.
Ir de férias também pode significar a diversificação dos momentos do quotidiano, de modo a quebrar as rotinas diárias do resto do ano; a busca de uma pausa regeneradora, a possibilidade de reencontro interior, e algumas vezes, a reestruturação do modo de vida, sem se sair do refúgio pessoal do resto do ano.
Ir de férias é, acima de tudo, perder-nos e reencontrar-nos num tempo sem horas; é deixar-nos ser invadidos por sensações de plenitude; é sentir a alma crescer em estados de espírito que conduzam à pacificação e bem-estar interior!
Este ano, ir de férias será, certamente, um espaço temporal muito preciso,numa aventura única e plena de expectativas que se pretendem concretizadas.
Para todos vós, o desejo de umas óptimas férias!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Constatações

Terminada uma curta e intensa acção de dois dias e meio, num espaço cujas características físicas não foram as mais adequadas para o efeito, face às elevadíssimas temperaturas que se fizeram sentir, reflicto sobre o trabalho desenvolvido e a sua utilidade em termos profissionais.
A noção de que, em quase duas décadas, o conhecimento humano, com as descobertas que o mesmo permitiu, evoluiu numa progressão quase geométrica, é um facto incontestável; a dificuldade em gerir o manancial de informação e de materiais colocado ao dispor de cada um é notória, a atracção dos mais jovens pela utilização destes novos recursos é, sobejamente, conhecida.
Não obstante estas constatações uma certeza inequívoca : a imprescindibilidade do ser humano em todo este processo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ser-se livre?

A liberdade, é um conceito, associado a ideologias político - filosóficas, pelo qual os Homens fazem revoluções, agitam massas, alteram percursos de vida, reconstroem a História, alteram o rumo e influenciam o futuro, quando, no presente, lutam pela sua instauração ou manutenção.
A liberdade, esse ilusório conceito, não passa disso mesmo, pois nenhum ser é nem consegue alcançar, na plenitude, a liberdade total. Há sempre "amarras" que prendem os movimentos, impedem as acções e alteram-nas em prol de valores que se sobrepõem.
Um ser para se sentir e afirmar completamente livre necessitaria de viver só, isolado de tudo e de todos e ser autónomo.
Num contexto deste género, a liberdade ganharia contornos bem definidos e aproximar-se-ia da idealização que os povos ocidentais construíram acerca dos primeiros indígenas com que contactaram no Novo Mundo, disseminando a ideia do bom selvagem, aquele que vivia sem regras, "sem lei nem grei", num estado o mais aproximado possível da Natureza, quase em comunhão de sentires e pertença.
Ideia falsa, como mais tarde se veio a comprovar.
Afirmo que a liberdade não passa de uma utopia na mente do Homem. O que existe são momentos em que as pessoas se sentem menos direccionadas, influenciadas, coagidas, levadas a fazer e tomar opções, numa encenação em mise, impelidas a acreditar que a sua decisão é inteiramente da sua responsabilidade.
Porque o ser humano carrega consigo a sede do poder, e cada vez mais revela enorme dificuldade na comunicação, devido ao ruído que, frequentemente, se instala, a consciência de que a liberdade começa a não ser mais do que uma ilusão vai ganhando força na grande massa social deste país.
Tempos conturbados avizinham-se, em que a luta pela sobrevivência começa a marcar, negativamente e veementemente, as relações de trabalho que se estabelecem entre pares.
A competitividade aumenta, a solidariedade diminui e a liberdade recua!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Fim de tarde

Uma aragem morna, que se sente no final de tarde, corta e suaviza a canícula sufocante do início de Julho. É uma aragem apaziguadora das temperaturas infernais que se fizeram sentir.
Recosto-me, saboreando o ar que penetra pela janela entreaberta enquanto, lá fora, no alpendre fronteiriço, os ramos verdejantes, de uma ameixoeira, enfeitada de roxos frutos, parecem balouçar ao sabor da música ambiente que invade o espaço e solta-se na brisa em claves de Sol poente.
Absorta nos meus pensamentos, revivo o dia em flashes de memória: gestos, palavras, acções, emoções que transbordam e galvanizam-se em torrente avassaladora: nas antípodas do dia sempre o calor como elemento constante e catalisador de sensações: na Natureza e nos sentires.
Soltam-se emoções reprimidas em hipérboles de afectos, tempestades que antecedem a bonança.
Recostada, acompanho a despedida do dia, na partida da claridade que se começa a intensificar.
Solto o pensamento e vagueio nas memórias de mim numa viagem solitária.
Lá fora, o ritmo da Natureza segue o seu curso.
Deixo-me invadir pela serenidade envolvente da paisagem; saboreio a paz que este final de tarde tranquilo me proporciona e recordo…

sábado, 3 de julho de 2010

Dualidades de mim

Sou como um rio de águas calmas na imensidão da foz; sou a serenidade pressentida na melancolia de um crepúsculo. Sou águas revoltas e turvas agitadas pela tempestade. Sou vendavais e torrentes em dias invernosos!
Sou a dualidade na unicidade!
Sou passado e presente com a certeza de um futuro.
Sou caminhos percorridos, algumas vezes tropeçados; sou itinerários não sabidos, pressentidos, em trajectos a desbravar.
Eu sou o todo e sou as partes!
Sou mistérios por desvendar, enigmas por descobrir; sou as arestas e as faces de um prisma irregular, os vértices pontiagudos de partida ou de chegada! Sou a dúvida e a certeza no caleidoscópio da vida. Sou emoção e sou razão; sou sonho e realidade.
Sou o barro trabalhado, mas com imperfeições moldado. Eu sou o Eu que se reconstrói numa tarefa inacabada!
Eu sou energia concentrada em matéria criada.
Eu sou Luz!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A saga continua: Cumpra-se Portugal

Confrontei-me com a seguinte realidade: Tendo eu necessitado dos serviços camarários para obter duas fotocópias de uma planta de um prédio urbano, estes aprimorados serviços tiveram o desplante de me pedirem a módica quantida de 60 euros pelas ditas duas folhinhas de uma fotocopiadora que em qualquer lado custam cerca de 20 cêntimos, e como se não bastasse este " ir ao bolso" de um contribuinte, com o seu IMI em dia, ainda previram um prazo de entrega de 30 a 45 dias para o respectivo levantamento.
Digam lá se isto não é um roubo declarado e uma espera digna da desorganização de um país com " planos tecnológicos", " energias alternativas", "modernização da função pública" e " pretensões a transportes de alta velocidade", quando afinal não passamos de um país com a morosidade,"roubalheira" e desorganização de um qualquer país de terceiro mundo?
Ricas fotocópias!
Nota: A justificação para tão elevado preço prende-se com o facto de alguns munícipes pedirem fotocópias e não fazerem o respectivo levantamento, mas para colmatar tal situação, a Câmara deveria impôr uma caução e não pagar o justo pelo pecador!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Cumpra-se Portugal

Muitos dos assuntos abordados neste blog baseiam-se em episódios do quotidiano que me fazem reflectir, dissertar sobre eles.
E hoje, de novo, não fujo à regra. Aproveitando uma situação caricata e insólita, eis-me a reflectir sobre o meu querido Portugal, as suas gentes e o futuro que se pretende.
A nossa entrada no espaço europeu abriu-nos de vez as portas à globalização, à mundialização da economia: a assinatura do tratado de Schengen e dos acordos de Xangai e de Pequim permitiram a circulação de bens e pessoas e a abertura dos mercados a produtos estrangeiros, numa notória perda para a economia nacional, cujo exemplo mais marcante é o encerramento de grande parte do sector têxtil, a Norte, e o aumento crescente do desemprego. A crise que se instalou, em quase todo o mundo, só veio agravar os problemas internos com que o país se debate.
Num contexto deste urge, e se queremos continuar a fazer-nos ouvir, modernizarmo-nos de modo a discutirmos de igual para igual com os nossos parceiros europeus e não sermos de vez ultrapassados. É impensável continuarmos a utilizar os mesmos métodos antiquíssimos de trabalho, numa quase escravidão, esquecendo os direitos basilares de quem trabalha.
A crise não pode servir de trampolim para “engordar” empresários gananciosos, de vistas curtas e mentalidades estrábicas que esmagam, sem qualquer problema de consciência, os valores que deveriam pautar as relações humanas: respeito, integridade, hombridade, verticalidade, veracidade.
Em pleno século XXI assiste-se a uma outra forma de escravatura, cujos alicerces fundeiam-se no excesso de procura em detrimento da parca oferta. Valendo-se disso, alguns pequenos (em todos os sentidos) donos de empresas abusam da mão-de-obra, quase escrava, que excede as necessidades existentes.
Estes senhorecos, de mentalidade pequenina e visão empalada, não entendem que a concorrência, na prestação de serviços, permite a livre escolha, opções diferentes por parte do cliente e que facilmente poderão ficar para trás, perdendo assim a ilusória sensação de segurança.
Hoje revoltou-me ver 2 jovens empregados a terem de transportar, em peso de braços, dois electrodomésticos de grande porte, porque o dono da empresa para quem trabalham, numa total falta de respeito, civismo e olhar empreendedor, considera desnecessário o investimento na sua empresa, e a compra de acessórios facilitadores para a função a que a mesma se destina.
Com um gesto simples, a compra de carrinhos transportadores de mercadorias (em 40 veículos da firma, destinados a entrega, apenas 14 possuem esse acessório) rentabilizava o tempo, aumentava o Q.E dos seus funcionários, modernizava a empresa, vendia uma imagem simpática ao cliente, apostava no futuro!
Se queremos que Portugal se cumpra, é urgente alterar mentalidades!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O sentir de um povo

O silêncio espalhou-se, alastrou-se, inundou espaços. Um silêncio imperativo, reflexo do desalento e tristeza que atingiram e invadiram cada um de nós, após a derrota por 1-0 com a Espanha.
E nesse enorme silêncio o sentir de um povo que vê na sua selecção um símbolo da unicidade, da identidade, do orgulho de se ser, de se sentir português!
Nunca a ausência de palavras, ruído, movimento expressaram tão bem a linguagem profunda da alma lusa!
O silêncio brotou, de novo, do mais profundo de nós e com ele a consciência da importância dos símbolos que nos permitem individualizarmo-nos, tornando-nos unos face aos outros.
É por essa unicidade que nos reconhecemos, nos identificamos e nos distinguimos dos restantes. E quando, neste caso particular, os símbolos, que nos permitiriam alcançar tudo isso, falharam, perderam, não foi uma mera derrota desportiva que foi questionada, sentida, foi antes o orgulho de uma nação, em peso, que vergou aos pés dos “mais antigos vizinhos que a História nos concedeu”.
Desta vez mereceram a vitória, com honra e hombridade!
Resta-nos, suavizar a dormência que nos invadiu, erguer a cabeça e pensar no futuro que é já amanhã, com outras lutas, outros desafios, outros confrontos e nos quais devemos mostrar a fibra de que somos feitos! Tenhamos força de vontade e coragem para esses combates que se avizinham!
Tudo vale a pena quando a alma não é pequena! E a nossa é enorme!

terça-feira, 29 de junho de 2010

"Dúvida Metódica"

Por motivos pessoais fui forçada a deslocar-me a diferentes espaços, espalhados pela cidade, onde se prestam serviços públicos.
Todos eles evidenciam uma característica comum: um "amontoado" de gente com ar enfastiado, quase desesperado, espera para ser atendido, na maior parte das vezes muito tempo!
E num desses espaços, particularmente, o tempo parece não passar, pelo menos para quem aguarda, de senha na mão e olhar no ecrã informativo, o retinir salvador, indicando o número “mágico” que acaba com a tormenta.
Dirigindo-me ao balcão, todas as questões apresentadas foram, prontamente, esclarecidas por um funcionário que, com voz baixa e olhar desconfiado, zelava pela confidencialidade do que dizia, numa tentativa de resguardar a privacidade do cliente no meio do mar de gente que (des)esperava.
E antes mesmo de todas as dúvidas esclarecidas, uma certeza firme e sólida, de imediato, sobressaiu do meio delas.
À medida que o prestável funcionário me ajudava a diminuir as dúvidas existentes, aumentava em mim uma certeza tornada convicção: o Estado, essa entidade abstracta, impessoal, sem rosto e sem alma, a quem se atribuem culpabilidades (para se fugir das responsabilidades) apenas tem um fim: “sacar” ao pacato e honesto cidadão, o maior valor possível, através de impostos de tudo e de nada.
E à medida que a constatação se tornava cada vez mais evidente,logo uma outra dúvida agigantava-se: Mas afinal para que servem e de que modo estão a ser aplicados todos os impostos que, segundo a segundo, todos os dias, o Estado retira aos cidadãos?
O Estado?????!!!!!!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Para todos os que amam!

Foi, ao longo dos tempos, talvez, um dos temas mais tratado, abordado, dissecado, discutido até à exaustão e a consenso não chegado.
O amor é tanta coisa ... até contradição de sentimentos: alegria e tristeza, dúvida e certeza, mágoa e benevolência, ansiedade e serenidade.
O amor impulsiona decisões, gera acções e, simultaneamente, é capaz de as inibir.
O amor é compreensão na recriminação; é estender a mão e ajudar a erguer quando todos derrubam; é acreditar quando todos duvidam, é defender quando todos caluniam; é ver e ouvir quando os outros apenas olham e escutam; é aceitar quando os outros rejeitam.
O amor é sentir a segurança e a confiança no fundo de um olhar, é saber-se aceite e compreendido, apesar das imperfeições, é sentir-se querido e desejado não obstante as decepções! É partilha, cumplicidade e muito respeito!
O amor gera paixão, dor e sofrimento e é contra-senso na lógica da razão!
Ele é um lago de águas calmas, é uma brisa que sopra de mansinho, é a tranquilidade de um final de tarde ameno em que se repousa, descansa e se reergue das intempéries devastadoras que a vida, por vezes, provoca.
Em momentos destes o saber que, à nossa espera, existe um porto de abrigo acolhedor que aguarda a nossa chegada, é reconfortante e retemperador.
O amor é um todo abrangente, impossível definir de tanta definição que tem.
E, apesar de tudo isto, continua a impor-se a pergunta: o que é o amor, o que gera e o que provoca?
Quem nunca se deixou enfeitiçar pelo poder inebriante do amor, nunca viveu verdadeiramente a maior dádiva da vida!

sábado, 26 de junho de 2010

Caixinha de noz

Não é todos os dias que ocorrem situações daquelas que, inquestionavelmente, pelo pitoresco que encerram, são casos quase únicos.
Hoje aconteceu uma delas.
Um destes dias, a minha mais pequena trouxe para casa uma caixinha de louça, pequena e acastanhada em forma de noz, que lhe saíra numa rifa: um daqueles objectos que são oferecidos, quase por “obrigação”, consequência do consumismo moderno, mas que na realidade ninguém quer para nada e mal surge uma oportunidade desfazemo-nos deles sem pensar duas vezes.
A caixinha chegou e foi logo esquecida num canto qualquer.
Hoje, reapareceu por cima de uma mesa e quando lhe peguei, por entre impropérios e com vontade de a deitar para o lixo, reparo que, numa das partes que a compunha, ainda eram visíveis as palavras que lhe foram gravadas por entre letras quase sumidas: “Vera… João, agrade…, 06/99 “.
Afinal a caixinha, em forma de noz, era uma lembrança de casamento, que é comum oferecer-se aos convidados num gesto de carinho e respeito.
Reformulando o ditado popular, é caso para dizer: "Dão os noivos nozes a quem não tem dentes!..."

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Novela do quotidiano: espisódio I

Aproveitando um período de calmaria, por entre a azáfama de um final de ano lectivo, o simples gesto de folhear, com calma, o jornal soube-me, por momentos, a lazer, a férias, a Verão, a tempo sem horas rígidas e apertadas a comandarem as rotinas do quotidiano. Enfim, soube-me bem, fez-me bem!
O local propiciava o ambiente necessário para optimizar o momento: música de fundo calma, suave, tranquila, convidativa à gnose literária num espaço acolhedor e vazio. Apenas eu e o jornal.
Embalada pela agradável sensação que me percorria, lia, sem pressa, as notícias da véspera, num ritual quase esquecido: lia, relia, parava, reflectia, "monologava", comentava, exercícios próprios de quem lê!
No meio de muitas notícias, uma destacou-se pelo insólito que descrevia. E, à medida que ia absorvendo a informação, imaginando o que sucedera, não pude deixar de sorrir, terminando a sua leitura com uma gargalhada que me fez bem à alma e animou o espírito.

Novela do quotidiano: episódio II

O jornalista descrevia um incidente ocorrido durante as festas do São João,no desfile das marchas populares na Figueira da Foz.
Alguém da assistência, incomodado pela falta de visibilidade que a banda de música lhe impunha, decidiu, numa atitude nada cívica, resolver o problema da falta de visão, empurrando os músicos, convencido que, desta maneira, ficava com espaço suficiente para ver, amplamente, o espectáculo. Resultado: os músicos desafinaram os "acordes" e terminaram todos numa sinfonia do " dar e levar", dirigida pela batuta certeira da PSP, que fora chamada a intervir, não escapando a uma mordidela sem " dó menor" num dos seus elementos.
No meio desta confusão figueirense invertem-se os papéis e a marcha pára a sua actuação para assistir, incrédula, ao " espectáculo" da assistência, provocado por alguém com total falta de civismo e respeito, retrato fiel da crise de valores que pauta a sociedade actual!
Não será isto o reflexo de um sistema de ensino onde a Educação, nos últimos tempos, não tem sido mais do que um faz de conta?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Despertar

Amanheceu.
Os sons do despertar da Natureza entram pela fresta da janela e reanimam-me, mais cedo do que o habitual, para o dia que nasce.
Os primeiros raios de Sol, acordado pela partida da madrugada, rompem a neblina matinal e incidem, ainda fracos e ensonados, na paisagem circundante, iluminando formas recortadas pelas sombras da aurora.
O cântico melodioso dos pardalitos, em chilreios de bons dias, ao astro-rei, ecoa e paira pelo ar, enchendo de musicalidade os primeiros instantes da manhã acabada de despontar.
O som do rebuliço exterior, paulatinamente, penetra na fresta da janela que ficara entreaberta para deixar entrar a frescura da noite e chega até mim. Lentamente apercebo-me, muito ao longe, dos acordes exteriores que crescem de intensidade à medida que acordo para o dia.
O cenário, de beleza ímpar, de tão simples e singelo, influencia o estado de espírito. É-se tomado por ímpetos de urgência, quebrando a aparente letargia em que se mergulhara, pois a vontade comanda a vida que (des) espera.
Numa espiral interior, de rodopios de desassossego, a passividade é esmagada, vencida, aniquilada, por ora.
Após uma quarentena de estados de espírito, emoções, sentires, reflexões, sucede-se-lhe a inevitável pressa de agir, fazer, concretizar, na consciencialização interior da (des) importância da dormência, porque o tempo urge, não pára em contemplações de saudade, esgota-se!
Hoje, há tanto a fazer! Há tanto a decidir! Há tanto a mudar, para a vida acontecer, mesmo com:
O receio a pairar…
A solidão a imperar…
O silêncio a esmagar!
A indiferença a magoar!
Hoje esboçam-se, com traços de esperança, as formas do futuro!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

É urgente!

É urgente o riso! É urgente o som aprazível de uma sonora gargalhada e a boa disposição que tudo contagia.

É urgente sentir o Sol escaldante pintado em tons fortes e quentes que aquece corpos e almas!

É urgente vencer medos, não parar, acreditar!

É urgente descobrir o brilho no fundo de um olhar!

É urgente quebrar silêncios ensurdecedores de vazios de palavras!

É urgente redescobrir sentidos, redefinir percursos, reinventar a monotonia dos dias por vir!
É urgente! Sentir! Sorrir! Viver!

É urgente…
A urgência de se Ser!

Recomeçar!