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sábado, 31 de julho de 2010

Poder

Poder dormir
Poder morar
Poder sair
Poder chegar
Poder viver
Bem devagar
E depois de partir poder voltar
E dizer: este aqui é o meu lugar
E poder assistir ao entardecer
E saber que vai ver o sol raiar
E ter amor e dar amor
E receber amor até não poder mais
E sem querer nenhum poder
Poder viver feliz, para se morrer em paz

Vinicius de Moraes
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro
"

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Tempestades...

LEMBRA-TE:
A vida é algo surpreendente. Quando menos se espera ela desafia e põe à prova a força do carácter e a solidez da matéria que molda cada ser.
É nos momentos mais conturbados e problemáticos da existência que o Homem se revela, se mostra, e se reencontra com o mais íntimo de si próprio numa viagem às profundezas do seu ser, descobrindo forças e fraquezas que o impelem à acção.
É nos momentos de maior vulnerabilidade e nas soluções arquitectadas para os ultrapassar que o ser se engrandece e enaltece, por isso tão necessários para o crescimento e a formação integral do indivíduo.
As tempestades da vida assemelham-se às tempestades do mar. Tal como, lá longe, perdido no meio do nada, por entre a solidão da Natureza, o frágil farol resiste à fúria enraivecida das ondas do mar, qual cenário dantesco, também, aqui, o ser frágil aguenta as intempéries da vida, mostrando a solidez da estrutura em que se ergue.
Ambos tão frágeis, perante o espectáculo sublime da força possante da Vida, mas ao mesmo tempo tão fortes e resistentes.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Entre o ser e o parecer

Não basta ser, é preciso parecer”.
Quase seis anos após o início de um processo, que ficará para sempre conhecido como o “ Processo Freeport”, chega ao fim a investigação levada a cabo pelo DCIAP.
“O processo Freeport teve na sua origem suspeitas de corrupção e tráfico de influências na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo e licenciamento do espaço comercial em Alcochete quando era ministro do Ambiente José Sócrates, actual primeiro-ministro.” (in Público)
Com o fim da investigação e o apurar da verdade, as suspeitas iniciais que envolviam o nome do actual 1º Ministro, Engenheiro José Sócrates, quando ocupava a pasta do Ambiente, dissipam-se e este, finalmente, vê o seu nome “limpo” das culpas que lhe eram atribuídas.
Esta poderia e deveria ser a conclusão a que qualquer pessoa chegaria quando leu a notícia ou ouviu a intervenção ao país do, directamente, interessado no caso.
Entre o dever e o ser existe uma grande diferença. A diferença entre as conclusões apresentadas como produto final da investigação e a convicção na veracidade das mesmas para a opinião pública.
E, em termos de opinião pública, basta ler os comentários on-line da notícia publicada pelos vários jornais nacionais para se perceber quão esclarecida esta ficou no encerrar do processo.
Uma decisão baseada na verdade não pode, porque factual e contra factos não há argumentos, deixar que a dúvida fique a pairar.
A História encarregar-se-á de apurar a verdade dos factos que envolveram este processo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Bailado da noite

Sem querer parecer repetitiva, eis que, mal acabara de publicar o assunto do post anterior, se levantou uma brisa suave que aos poucos se transformou num vento agitado, morno, cortando o calor sufocante que se sentira até há bem pouco tempo, quase parecendo que o dia ouvira o que acabara de escrever sobre a sua performance e resolvera redimir-se dos desaires provocados pela intensidade da temperatura com que nos presenteou.
De um momento para o outro, sem que nada o previsse, a brisa fez-se sentir, acompanhada do seu amigo vento. Juntos abraçaram-se e, no bailado da noite, rodopiaram em passos e contrapassos agitando, com o ar que movimentavam à sua passagem, tudo o que os rodeasse. Soltos, improvisavam coreografias a dois, deslizando pelo palco do ar para deleite de todos os que sentiam a sua presença.
Deliciadas, pela frescura com que, lá fora, os dançarinos presenteavam a noite, as pessoas puderam, enfim, adormecer tranquilamente, enquanto a brisa e o vento, inspirados pela música que os seus próprios passos orquestravam, entregavam-se nos braços um do outro numa dança que se prolongou pela madrugada.
Embalada pelas carícias suaves da brisa que entrava pela janela e me refrescava o corpo, adormeci, rendendo-me ao bailado natural que vislumbrava na noite escura com cheiro a madeira queimada.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Coimbra merece!

Ainda mal despontavam os primeiros raios de sol e o dia já se anunciava abrasador. Com temperaturas superiores a 40 graus e sem a presença da mais pequena brisa, que pudesse, de algum modo, suavizar o calor sufocante, a descoberta de espaços refrescantes, tornou-se uma missão quase impossível. Nem a penumbra forçada das casas impediu o aquecimento dos ambientes interiores.
E é em momentos destes que, mesmo sem se querer, sentimo-nos a ser invadidos por uma inveja (zinha) da piscina maravilhosa (com temperaturas destas todos os adjectivos são poucos para descrever locais que permitam dar um mergulho e refrescar o corpo) que vemos ali, mesmo à nossa frente, na vivenda fronteiriça.
Como não possuímos piscina, restou-nos uma boa chuveirada de água fria na banheira(transformada, momentaneamente, em piscina, graças ao poder imaginativo e à força da mente).
Coimbra necesssita de um complexo municipal ao ar livre que contemple uma zona ampla de lazer com várias piscinas e que possa substituir as antigas piscinas municipais que se situavam entre o antigo parque de campismo da cidade e o estádio da Académica.
A cidade e os seus habitantes merecem um espaço de lazer condigno dentro deste âmbito e com esta ambivalência!
Haja espírito de iniciativa e vontade política(digo eu).

sábado, 24 de julho de 2010

Dever de Sonhar

"Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre, pois, sendo mais do que um espectáculo de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espectáculo que posso. E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis."


in "Livro do Desassosego", Fernando Pessoa

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Cheiro de uma noite de Verão

A todos vós, que por aqui passais, deixo-vos estas perguntas: Acaso já se aperceberam do cheiro que tem uma noite de Verão? Alguma vez já sentiram a intensidade do aroma que se desprende da serena magia de uma amena noite de Verão?
Se nunca sentiram o encanto inebriante daquele cheiro, mistura de terra e plantas, estrelas e luar, mar e areia, serras e casarios, ruídos silenciosos, intemporais (como se o tempo parasse para não perturbar o descanso da Natureza) que se mistura na brisa suave e se espalha por entre a noite; se nunca sentiram o êxtase de uma noite de Verão, é-vos difícil compreender a linguagem mais universal de todas: a linguagem da Natureza, dos elementos simples, a linguagem que não se traduz em palavras, pela impossibilidade de expressarem as sensações só sentidas quando se abre o espírito à humildade perante os mais pequenos elementos, insignificantes aos olhares desatentos com que os vislumbramos.
Se nunca sentiram esta magia que paira no ar e contagia emoções e sensações, então, a todos vós que me lerdes, numa próxima noite, deixem-se enfeitiçar pela beleza singela que encerra uma noite de Verão e descobrirão, dentro de vós, a serenidade e a tranquilidade que vos fará relaxar e encarar a vida de outras perspectivas. Verão que a experiência vos transportará a estádios de plenitude suprema em que sentirão o regenerar interior numa comunhão de sentires, só possível pelo cheiro único que brota das cálidas ou frescas noites de Verão!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Fim de dia

Naquela altura do dia em que o Sol, cansado de tanto brilhar, inicia a sua despedida para ceder o lugar à noite, não resisti à beleza singela, com que enfeitou a paisagem, e decidi captar o momento, aprisionando-o na memória de uma fotografia.
Gosto desta foto.
Gosto do efeito de áurea provocado pelos raios solares.
Gosto dos tons quentes e das cores fortes; gosto do amarelo alaranjado e do laranja amarelado que sobressaem por entre as restantes cores: inspiram sensações de plenitude, alegram, fazem vontade de viver.
Gosto do clarão irradiado por entre as árvores e projectado em múltiplos raios de luz.
Nas árvores, o verde das folhagens ilumina-se antes que o silêncio da noite invada o espaço. E os pássaros, pressentindo a partida do astro-rei, despedem-se em trinados melodiosos, num bailado da Natureza.
Sim, gosto desta foto, simplesmente porque gosto!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Fénix

Surgiste…

Foste plano não traçado, ideia não pensada, sonho não sonhado.
Aconteceste por entre tempestades e naufrágios.
Surgiste de entre o nada e resgataste pedaços desfeitos pela fúria da vida.
Transformaste o desalento em ânimo, a desistência em esperança, a fraqueza em força.
Ensinaste a importância do re…
Juntos, abrimo-nos em silêncio para o mundo,
Partilhámos segredos, sussurrámos afectos, perdemo-nos ao encontrarmo-nos.
Em horas encantadas, soltámo-nos no tempo, cansámo-lo, adormeceu.
E no seu sono, de um tempo parado, esquecido, de horas fugazes,
Partilhámos ideias em palavras não esgotadas, renovadas, saboreadas.
Surpreendemo-nos com a descoberta da plenitude,

Reinventámo-nos!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Por entre rissóis e pataniscas...

Com a chegada do Verão e a perspectiva das idas à praia, os ginásios enchem-se de pessoas determinadas em conseguirem obter a forma física perfeita associada a um corpo escultural, livre de acumulações inestéticas. Pretendem obter, num curto espaço de tempo, o que durante o resto do ano se esqueceram de investir. Não há milagres que proporcionem, em tão pouco tempo, adquirir a forma física perfeita. Esta resulta de um treino constante, adequado e sistemático.
Como em tudo na vida, para se conseguir alcançar o pretendido, é necessário investimento e esforço. Pouco ou quase nada se obtém sem persistência e determinação. Muitas vezes, o cansaço, aliado à demora na obtenção de resultados visíveis, pode conduzir ao desânimo e consequentemente à desistência. Neste caso só mesmo uma grande força de vontade e muita paciência para ultrapassar o problema. Mas tudo se consegue, mesmo que nos momentos mais críticos não se resista a umas deliciosas pataniscas de bacalhau ou a uns saborosos rissóis de leitão, tais pecados gustativos: meros acidentes de percurso que ajudam a dar sabor ao objectivo inicial.
Viva o Verão!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Pelo sonho é que vamos"

Um destes dias, por mero acaso, soube de algo que, apesar de não me surpreender, vindo de quem veio,conseguiu causar-me um certo aborrecimento.
O quanto alguém nos magoa depende do quanto esse alguém nos diz. Mas, independentemente de dizer muito ou pouco, a sensação que paira e invade o nosso ser, quando sabemos que determinado acto, atitude ou palavra são movidos por sentimentos vis, é de um enorme desconforto que, numa primeira reacção, gera sentimentos menos bons (somos humanos).
Depois de um certo compasso de espera (propositado), necessário para que a razão se sobreponha à emoção, o espírito abre-se à reflexão e compreende-se que há determinadas pessoas com as quais, por mais que se tente, nunca se conseguirá hastear a bandeira branca, porque a guerra que travam é interior e o inimigo são os seus próprios fantasmas que povoam o inconsciente.
Nestas situações, a sabedoria aconselha o silêncio das palavras como a resposta mais sensata e inteligente. E de seguida, continuar a caminhada na linha orientadora que sempre norteou os projectos sonhados e realizados.
“Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”, escrevia o poeta.
Para certas pessoas as asas do sonho nunca se abrem, concluo eu!

domingo, 18 de julho de 2010

Uma verdade

Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

Antoine de Saint-Exupery

sexta-feira, 16 de julho de 2010

As histórias da História

Coincidência ou não, os dois últimos livros que li abordavam as origens de Cristóvão Colombo e toda a problemática relacionada com a descoberta das Antilhas. Em ambos os casos, os autores basearam-se em documentos históricos verosímeis e actuais.
Durante anos aprendi e ensinei que Cristóvão Colombo teria ido oferecer os seus préstimos aos reis católicos, nossos “arqui-inimigos” na demanda da Índia, navegando para Ocidente, como despeito pela recusa que a mesma oferta teria tido, quando apresentada a El-Rei D. João II.
À luz das últimas investigações históricas, sabe-se, hoje, que esse período da História de Portugal, contado e recontado, durante muitas gerações da mesma maneira carece de veracidade.
Na realidade, tudo indicia que a ida de Cristóvão Colombo para Castela e a sua disponibilidade face ao reino vizinho não terá passado de um plano, muito bem arquitectado, uma armadilha, cuidadosamente planeada, uma estratégia evasiva, inteligentemente montada, pelo monarca português, não só para desviar as atenções dos castelhanos, do que realmente lhe interessava, mas também para garantir que os seus desígnios, como representante dos interesses de uma Nação, se concretizariam: a navegação, o domínio e o monopólio no Atlântico Sul como ponte para a Índia.
Mais do que uma História factual fascina-me a História “motivacional”. Mais do que relatar os feitos, atraem-me as razões subjacentes às acções, o lado humano dos estadistas que influenciaram e determinaram o rumo dos acontecimentos na construção de um presente/ passado que é nosso.
O fascínio da História está nas histórias que ela esconde!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

"Aquela Imagem"

Se fizeram deste meu espaço um vosso espaço de passagem e paragem, já devem ter-se apercebido que, de vez em quando, altero as cores e a imagem de fundo.
Na verdade, o fundo do blog tem vindo a sofrer, ultimamente, modificações que não são mais do que o resultado de tentativas cujo objectivo único é o encontrar, para determinados momentos do quotidiano, "aquela imagem" que, em complementaridade com as palavras escritas, espelhe um outro lado de mim, num desnudar do pensamento e da alma.
Até um próximo fundo!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

"Os Palhaços de Deus"

“ Os Palhaços de Deus”, de Morris West, foi um dos livros lidos há muitos anos atrás quando, ainda, andava na faculdade.
Nessa altura, não apreendi bem a ideia que o título pretendia transmitir, contudo pareceu-me encerrar em si bastante ironia.
Desde então, alguns anos já se passaram e o tempo encarregou-se de esbater, na memória, os pormenores da narrativa, preservando, apenas, a ideia geral que permaneceu.
Apesar dos pormenores se terem diluído pela patine do tempo, as sensações provocadas pelo enredo ficaram, para sempre, gravadas na memória pessoal dos afectos literários.
“Os Palhaços de Deus” ,“As Sandálias do Pescador” e “ O Milagre de Lázaro” constituem uma trilogia papal na qual o autor retratou bem a vida interna do Vaticano e a problemática da religião.
Não sendo o mais conhecido, pessoalmente é o meu preferido.
“Os Palhaços de Deus”, uma sugestão de (re)leitura para as férias.