Numa das minhas inúmeras navegações pela Net aportei num lugar aprazível, um arquipélago de informação, constituído por inúmeras ilhotas do saber.
Numa dessas ilhas deparei-me com uma proposta de desafio que me pareceu bastante aliciante sob várias perspectivas e decidi aceitá-la. Era um desafio relacionado com a escrita e a sua participação proporcionou-me agradáveis momentos de criação.
Apesar de à partida me ter mentalizado de que não iria alcançar o objectivo primordial, a tarefa que era proposta deu-me um imenso gozo interior realizá-la: foi como se, perante as desordenadas peças de um puzzle, me visse obrigada a dares-lhe forma, encaixando cada peça na sua correspondente de modo a produzir uma sequência, um esboço inacabado, pronto a ser retomado por mentes alheias. Mas o mais pitoresco deste puzzle é que a responsabilidade da construção e da escolha das peças a utilizar, de modo a moldarem-se umas nas outras, era exclusivamente minha. Bastaria ter encaixado as peças de um outro modo e o desenho final surgiria com outros contornos!
Gostei do desafio e porque sou uma pessoa persistente, decidi voltar a participar, pelo simples prazer que me proporciona o exercício da escrita aliado à imaginação.
Como diz o dito popular" Não há duas sem três."
Nunca se sabe!
Desafioos é já por si um desafio lançado em forma de repto: "Andas muito filosófica, tens de criar um blogue!". Porque gosto de desafios, aceitei o desafio e criei este blogue.
sábado, 14 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Outros filmes
Cada ser humano, no tempo que lhe é concedido para o crescimento integral como pessoa, desempenha um papel no seu filme de vida, diferente de todos os outros filmes existentes e que não são mais do que curtas ou longas metragens de histórias individuais de vida. Por vezes quer actores quer figurantes acabam por participar em diferentes filmes ao mesmo tempo, alternando de papeis e contribuindo para o sucesso da história com graus de importância diferentes.
Estudar o papel que nos é atribuído, encarnar a personagem que nos foi destinada implica uma constante observação, atenção e muito conhecimento de si próprio. E são todas estas exigências que contribuem para o contínuo crescimento do ser humano. O crescimento interior que o acompanha até ao partir da fita, completamente distinto do físico. Um crescimento onde as constatações visíveis que o testemunham não existem, pelo menos no momento imediato.
O crescimento de que vos falo é aquele que leva o ser humano a percepcionar o mundo que o rodeia com um outro olhar, que o faz perspectivar as múltiplas vivências por que passa de uma outra maneira. É um crescimento que matura o espírito e advém sempre que o Homem for capaz de interpretar, " à la lettre", as legendas do filme da vida.
Às vezes não é fácil: confunde-se o sentido, baralha-se a ideia, erra-se a tradução. Outras vezes nem sequer se conseguem ler as legendas de tão rápido que passam e ficam apenas vagas ideias das imagens observadas. Mas o maior problema é quando, no decorrer desse filme e sem se esperar, o realizador resolve proceder a alterações no enredo, mudar as personagens, modificar os diálogos: a confusão total!
Nesta situação como fazer? O que fazer? Quando fazer?
Não existem respostas definidas e prontas a servir. Cada ser humano deverá descobrir, em si próprio, as respostas adequadas ao seu filme.
Dúvidas? Medos? Indecisões?
Inevitável! Indispensável para quebrar a monotonia monocórdica do enredo.
E uma certeza (pelo menos uma): independentemente do desempenho dos actores, o filme prossegue, a bobine continua o seu movimento rotativo enquanto a fita vai projectando, no ecrã, cada uma das imagens em si aprisionadas.
E haverá alguém que não aspire, como corolário da sua carreira na sétima arte da vida, à estatueta dourada?
And the winner is...
Cada um de nós!
Estudar o papel que nos é atribuído, encarnar a personagem que nos foi destinada implica uma constante observação, atenção e muito conhecimento de si próprio. E são todas estas exigências que contribuem para o contínuo crescimento do ser humano. O crescimento interior que o acompanha até ao partir da fita, completamente distinto do físico. Um crescimento onde as constatações visíveis que o testemunham não existem, pelo menos no momento imediato.
O crescimento de que vos falo é aquele que leva o ser humano a percepcionar o mundo que o rodeia com um outro olhar, que o faz perspectivar as múltiplas vivências por que passa de uma outra maneira. É um crescimento que matura o espírito e advém sempre que o Homem for capaz de interpretar, " à la lettre", as legendas do filme da vida.
Às vezes não é fácil: confunde-se o sentido, baralha-se a ideia, erra-se a tradução. Outras vezes nem sequer se conseguem ler as legendas de tão rápido que passam e ficam apenas vagas ideias das imagens observadas. Mas o maior problema é quando, no decorrer desse filme e sem se esperar, o realizador resolve proceder a alterações no enredo, mudar as personagens, modificar os diálogos: a confusão total!
Nesta situação como fazer? O que fazer? Quando fazer?
Não existem respostas definidas e prontas a servir. Cada ser humano deverá descobrir, em si próprio, as respostas adequadas ao seu filme.
Dúvidas? Medos? Indecisões?
Inevitável! Indispensável para quebrar a monotonia monocórdica do enredo.
E uma certeza (pelo menos uma): independentemente do desempenho dos actores, o filme prossegue, a bobine continua o seu movimento rotativo enquanto a fita vai projectando, no ecrã, cada uma das imagens em si aprisionadas.
E haverá alguém que não aspire, como corolário da sua carreira na sétima arte da vida, à estatueta dourada?
And the winner is...
Cada um de nós!
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Os larápios roedores II
Da janela, observava a cena atentamente, apercebendo-me que a presença destes dois “larápios” roedores fizera com que o meu pensamento destrancasse a arca da memória e despertasse lembranças adormecidas que se soltaram em imagens amarelecidas pelos anos.
Parada na quietude da madrugada e debruçada no parapeito da janela do tempo, a viagem ao passado levou-me à minha secundária (na época liceu) e relembrei a cena da chegada ao moinho e as primeiras impressões, tão bem descritas por Alphonse Daudet, no primeiro capítulo do livro “Lettres de Mon Moulin”, leitura obrigatória na disciplina de Francês.
O escritor, referindo-se ao que encontrara no interior do seu moinho descreve o primeiro contacto entre ele e os seus amigos: « Ce sont les lapins qui ont été étonnés !... Depuis si longtemps qu'ils voyaient la porte du moulin fermée, les murs et la plate-forme envahis par les herbes, ils avaient fini par croire que la race des meuniers était éteinte, et, trouvant la place bonne, ils en avaient fait quelque chose comme un quartier général, un centre d'opérations stratégiques : le moulin de Jemmapes des lapins... La nuit de mon arrivée, il y en avait bien, sans mentir, une vingtaine assis en rond sur la plate-forme, en train de se chauffer les pattes à un rayon de lune... Le temps d'entrouvrir une lucarne, frrt !voilà le bivouac en déroute, et tous ces petits derrières blancs qui détalent, la queue en l'air, dans le fourré.
J'espère bien qu'ils reviendront. »
Embalada nas asas da recordação apercebi-me, com admiração, de como, durante tantos anos, retivera, num canto escondido da memória, a vaga lembrança deste episódio, lido há muito tempo atrás, mas que por um qualquer motivo não esquecera.
E tal como Alphonse Daudet o desejou há dois séculos atrás, também eu, nessa madrugada, desejei que eles aparecessem de novo!
Assustados pelo roncar de um carro, embrenharam-se no meio da vegetação.
Desapareceram!
Refrescada pela junção da brisa da madrugada com a da lembrança, deslizei por entre os lençóis.
Adormeci!
Parada na quietude da madrugada e debruçada no parapeito da janela do tempo, a viagem ao passado levou-me à minha secundária (na época liceu) e relembrei a cena da chegada ao moinho e as primeiras impressões, tão bem descritas por Alphonse Daudet, no primeiro capítulo do livro “Lettres de Mon Moulin”, leitura obrigatória na disciplina de Francês.
O escritor, referindo-se ao que encontrara no interior do seu moinho descreve o primeiro contacto entre ele e os seus amigos: « Ce sont les lapins qui ont été étonnés !... Depuis si longtemps qu'ils voyaient la porte du moulin fermée, les murs et la plate-forme envahis par les herbes, ils avaient fini par croire que la race des meuniers était éteinte, et, trouvant la place bonne, ils en avaient fait quelque chose comme un quartier général, un centre d'opérations stratégiques : le moulin de Jemmapes des lapins... La nuit de mon arrivée, il y en avait bien, sans mentir, une vingtaine assis en rond sur la plate-forme, en train de se chauffer les pattes à un rayon de lune... Le temps d'entrouvrir une lucarne, frrt !voilà le bivouac en déroute, et tous ces petits derrières blancs qui détalent, la queue en l'air, dans le fourré.
J'espère bien qu'ils reviendront. »
Embalada nas asas da recordação apercebi-me, com admiração, de como, durante tantos anos, retivera, num canto escondido da memória, a vaga lembrança deste episódio, lido há muito tempo atrás, mas que por um qualquer motivo não esquecera.
E tal como Alphonse Daudet o desejou há dois séculos atrás, também eu, nessa madrugada, desejei que eles aparecessem de novo!
Assustados pelo roncar de um carro, embrenharam-se no meio da vegetação.
Desapareceram!
Refrescada pela junção da brisa da madrugada com a da lembrança, deslizei por entre os lençóis.
Adormeci!
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Os larápios roedores I
Numa destas noites de intenso calor e temperaturas elevadíssimas, o sono sobressaltado, pelo desconforto sufocante do ambiente interior, levou-me a procurar, na janela completamente aberta, um pouco de "frescura" que amenizasse o ar abafado que se instalara.
Ao mesmo tempo que saboreava a brisa suave que fluía, olhava distraidamente para o escuro da paisagem, de mente vazia, apenas deixando que o corpo fosse invadido pela sensação de frescura .
De repente, o meu olhar foi desperto por um movimento rápido e ligeiro, quase imperceptível. Focalizando o local onde detectara a acção, descobri por entre as giestas, quase secas, o recorte de uma figura escura, pequena, mas muito ligeira nos avanços e recuos com que explorava o território. De orelhas sempre espetadas, vigiava, atento aos mínimos sinais que pudessem indiciar a existência de perigo, as movimentações em seu redor. Por entre a vegetação seca e amarelada, corria e parava, à procura de alimento e sempre de orelhitas espetadas, olhando para todos os lados. Sim, era um coelhito bravo, traquina que, numa cumplicidade com a madrugada, lutava pela sua sobrevivência, com o instinto sempre alerta.
Imóvel, sustive a respiração, receando que o mais pequeno ruído provocasse a fuga do solitário roedor (pensava eu).
Eis que, de súbito, ainda mais célere que o “batedor”, surgiu uma segunda figura, mais pequena, mais nervosa nos movimentos, mas também de orelhas espetadas num vaivém instintivo de quem busca mantimentos. Afinal eram dois coelhos que, na calada da madrugada e encobertos pelo silêncio da noite, procuravam ervas frescas para se refrescarem do calor insuportável que assolara o dia.
(continua)
Ao mesmo tempo que saboreava a brisa suave que fluía, olhava distraidamente para o escuro da paisagem, de mente vazia, apenas deixando que o corpo fosse invadido pela sensação de frescura .
De repente, o meu olhar foi desperto por um movimento rápido e ligeiro, quase imperceptível. Focalizando o local onde detectara a acção, descobri por entre as giestas, quase secas, o recorte de uma figura escura, pequena, mas muito ligeira nos avanços e recuos com que explorava o território. De orelhas sempre espetadas, vigiava, atento aos mínimos sinais que pudessem indiciar a existência de perigo, as movimentações em seu redor. Por entre a vegetação seca e amarelada, corria e parava, à procura de alimento e sempre de orelhitas espetadas, olhando para todos os lados. Sim, era um coelhito bravo, traquina que, numa cumplicidade com a madrugada, lutava pela sua sobrevivência, com o instinto sempre alerta.
Imóvel, sustive a respiração, receando que o mais pequeno ruído provocasse a fuga do solitário roedor (pensava eu).
Eis que, de súbito, ainda mais célere que o “batedor”, surgiu uma segunda figura, mais pequena, mais nervosa nos movimentos, mas também de orelhas espetadas num vaivém instintivo de quem busca mantimentos. Afinal eram dois coelhos que, na calada da madrugada e encobertos pelo silêncio da noite, procuravam ervas frescas para se refrescarem do calor insuportável que assolara o dia.
(continua)
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Relatividade Cultural I
A Mesquita de Lisboa é uma construção imponente mesmo no coração de uma das zonas nobres de Lisboa, situada em frente à escola básica 2º e 3º Ciclos da Marquesa da Alorna, (que saudade!!!).
A parte exterior do edifício sobressai das construções circundantes pela estrutura arquitectónica que a compõe e pelos “arabescos”, inscrições bem visíveis no frontal da entrada, em árabe.
Transposto o limite que separa o sagrado do profano, o puro do impuro, o visitante depara-se com um ambiente calmo, silencioso, pleno de tranquilidade, características necessárias para quem encontra naquele espaço as condições ideais destinadas ao exercício espiritual, reencontro interior do ser com o Criador.
A parte exterior do edifício sobressai das construções circundantes pela estrutura arquitectónica que a compõe e pelos “arabescos”, inscrições bem visíveis no frontal da entrada, em árabe.
Transposto o limite que separa o sagrado do profano, o puro do impuro, o visitante depara-se com um ambiente calmo, silencioso, pleno de tranquilidade, características necessárias para quem encontra naquele espaço as condições ideais destinadas ao exercício espiritual, reencontro interior do ser com o Criador.
O ser-se “estrangeiro” em território “inimigo” não implicou a não-aceitação, pelo contrário, sugerida a hipótese de uma visita às várias dependências que compunham o edifício, esta foi, imediatamente, permitida com toda a simpatia e disponibilidade por parte de quem se encarregava, entre outras coisas, das relações públicas do local do culto.
Com uma postura simples, mas ao mesmo tempo assertiva, informaram-nos de que poderíamos entrar na sala destinada à práctica do culto sob duas condições: 1ª, teríamos de nos descalçar, 2ª, porque pertencíamos ao sexo feminino, seríamos obrigadas a ocultar o cabelo.
Aceitámos as regras estipuladas e preparámo-nos. A visita ia começar.
(continua)
(continua)
Relatividade Cultural II
De lenços na cabeça (passavam a vida a escorregar e era mais o tempo em que se via o cabelo do que o que estava tapado) e descalças pudemos, enfim, transpor o acesso que nos conduziu ao local sagrado.
Após uns bons minutos de amena conversa, numa troca de impressões sobre o Islamismo versus Cristianismo, o ancião, guardador do templo, ao saber da profissão que eu exercia, não conseguiu deixar de rematar o diálogo proferindo com ar sério:” para se ensinar o islamismo é preciso sabê-lo, caso contrário arrisca-se a dar uma informação errada".
Quando lhe respondi que, em relação ao assunto, apenas se ensinavam os princípios básicos dessa religião, o semblante serenou e despediu-se tranquilo.
Lá dentro imperava o silêncio e a paz, a hora e o dia não eram de muita afluência. Deliciámo-nos com a decoração do interior, com a disposição dos símbolos religiosos no espaço. Uma sala enorme, alta, decorada com uma extensa tapeçaria que cobria todo o chão, no tecto, um grande lustre e rodeando a sala rectangular, umas inscrições alusivas a excertos do Alcorão com a respectiva tradução em português.
Numa sala contígua, o local de purificação do corpo feito através de abluções que seguem um ritual tão antigo como o início do Islamismo. Aí dois jovens tratavam dos procedimentos necessários para poderem ser considerados dignos de se dirigirem em oração ao seu deus, Alá.
Como todas as mesquitas, o interior estava enfeitado com formas geométricas sendo total a ausência de formas humanas, nem de cenas representativas de episódios do livro sagrado, apenas e só arabescos e desenhos geométricos.
Já à saída fomos interpeladas por um muçulmano, idoso, que travou diálogo connosco, movido pela curiosidade do que nos levara ali.
Quando lhe respondi que, em relação ao assunto, apenas se ensinavam os princípios básicos dessa religião, o semblante serenou e despediu-se tranquilo.
A visita a este espaço, por breves momentos, originou uma intersecção cultural e inseriu-se no que em Antropologia se chama a “relatividade cultural”.
Que ambas as partes a saibam aceitar e respeitar!
domingo, 8 de agosto de 2010
Impressões II
Sem dúvida que sair da "província" e descer, em passeio, até à capital sabe bem, faz bem, é necessário: alarga -se o conhecimento, renova-se o saber,enriquece-se o espírito, renasce-se!
Mas, após uns dias de "banho cultural", a saudade da pacatez ronceira da terra, que se fez nossa, começa a invadir cada bocadinho do ser e a vontade em regressar torna-se uma necessidade.
A capital permite uma abertura de espírito, uma visão diferente, um manancial de experiências sem igual, mas a "província", por outro lado, oferece vivências quotidianas mais calmas, com tempo para o tempo, onde os rostos ainda têm nomes e os nomes concretizam-se em acções, sentimentos, emoções, afectos, características que, nas grandes cidades, já quase foram esquecidas, senão mesmo perdidas.
São as belas sem senão do século XXI!
É bom regressar ao aconchego reconfortante da província!
Mas, após uns dias de "banho cultural", a saudade da pacatez ronceira da terra, que se fez nossa, começa a invadir cada bocadinho do ser e a vontade em regressar torna-se uma necessidade.
A capital permite uma abertura de espírito, uma visão diferente, um manancial de experiências sem igual, mas a "província", por outro lado, oferece vivências quotidianas mais calmas, com tempo para o tempo, onde os rostos ainda têm nomes e os nomes concretizam-se em acções, sentimentos, emoções, afectos, características que, nas grandes cidades, já quase foram esquecidas, senão mesmo perdidas.
São as belas sem senão do século XXI!
É bom regressar ao aconchego reconfortante da província!
sábado, 7 de agosto de 2010
Quinta da Regaleira
Termino esta série de publicações, subordinadas ao mesmo assunto, com a referência a um dos locais que mais me fascinou e impressionou na visita que fiz à Quinta da Regaleira: refiro-me ao extenso parque que rodeia os edifícios da quinta.
A área ajardinada apresenta-se repleta de lugares imbuídos de magia e mistério. O traçado do jardim foi concretizado de modo a simbolizar o cosmos. Aliás todo ele é uma simbologia constante: o poço iniciático, as grutas, os subterrâneos, os corredores, simbolizam um mundo inferior que qualquer ser teria de percorrer para poder ascender ao paraíso, o exterior.
A entrada nesse mundo subterrâneo é feita através do poço iniciático que não é mais que uma torre invertida que se afunda cerca de 27 metros no interior da terra, por uma escadaria em espiral, remetendo todo o conjunto para rituais e simbologia maçónicos, herméticos e alquímicos.
Sem dúvida a procura da harmonia na relação entre a Terra e o Céu.
Recomendo, como um dos locais a visitar, pelo fascínio que transmite, pela beleza contagiante, pela tranquilidade envolvente.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Perspectiva histórica
Em 1840 a baronesa da Regaleira adquire o espaço, composto por palacete, capela e jardim, como refúgio estival. Desde então passa a ser denominada de Quinta da Torre da Regaleira.
Nos finais do século XIX é vendida em haste pública e rematada por António Augusto de Carvalho Monteiro que lhe junta outras parcelas de terreno, tomando a forma actual.
Entre 1895 e 1911, a quinta é alvo de várias intervenções com o intuito de reformular e embelezar os interiores e construir o parque envolvente, sob a tutela do arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini.
Em 1946 é comprada por Waldemar Jara d’Orey e permanece na família até ser vendida à empresa japonesa Aoki Corporation em 1987.
Finalmente em 1997, a Câmara Municipal de Sintra adquire a propriedade que passa a ser gerida, um ano depois, pela Fundação Cultursintra com o intuito de recuperar o património.
Em 27 de Junho de 1998, a Quinta da Regaleira abre ao público quer em visitas guiadas quer em visitas livres e constitui "um dos mais surpreendentes e enigmáticos monumentos da Paisagem Cultural de Sintra, situado no elegante percurso que ligava o Paço Real ao Palácio e Campo de Seteias."
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
A rota do romantismo
O percurso pela “rota do romantismo” deverá ser feito a pé, por entre a estrada antiga, que serpenteia a serra. Entre curvas e contracurvas, repletas das mais variadíssimas espécies de árvores, sobressaem diferentes tonalidades de verde, num quadro policromático. As copas largas, frondosas, de uma densa vegetação, oferecem sombras apetecíveis para quem ousa percorrer, a pé, os caminhos que conduzem a locais paradisíacos, despercebidos a olhares menos atentos.
Continuando na senda do percurso romântico, a pouco mais que uns quinhentos metros da vila, incrustada na paisagem da encosta, é-se surpreendido por um conjunto paisagístico que constitui uma das mais belas e enigmáticas quintas que rodeiam a vila: a quinta da Regaleira. Um espaço de uma subtileza sem igual, a quinta, hoje património da Câmara Municipal, constitui um ex-líbris da região. O visitante é surpreendido pelo magnífico conjunto que a constitui, misto de natural com muita intervenção humana. A quinta na sua concepção foi, toda ela, pensada aos mais ínfimos pormenores, nada tendo sido descurado pelos mentores de tão audacioso projecto.
A Regaleira pode-se considerar um hino à Natureza, uma homenagem ao Romantismo de quem intuiu a importância subtil dos pequenos grandes pormenores que marcam a diferença do resto banal e déjà-vu.
Vale a pena incluir este espaço proporcionador de êxtase afectivo, inundado de calma, relaxe e muita tranquilidade em perfeita comunhão com a Natureza no roteiro turístico de umas próximas férias.
(continua)
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Sintra em imagens
Sintra, a exuberância da Natureza
Nestas férias, um dos locais de passagem obrigatória foi a formosa vila de Sintra. A decisão de incluir a vila nos locais a visitar prendeu-se com um saudosismo, próprio da idade , de quem quis relembrar momentos de juventude, para sempre gravados na memória das emoções e dos afectos.
Revisitar Sintra é sempre recuar no tempo, numa viagem ao coração do Romantismo; é (re) descobrir locais magníficos e sumptuosos, repletos de cor e beleza; é ser-se surpreendido em cada recanto e curva pela exuberância que caracteriza todo o conjunto paisagístico onde a vila se implanta. É relembrar, com surpresa, que os cheiros, os sons, os silêncios da Natureza continuam entranhados nas memórias de momentos passados, jamais esquecidos!
Sintra, de Eça, que com a arte da escrita tão bem descreveu o que a Natureza fez brotar espontaneamente. Sintra, cenário de Carlos da Maia, de Ega e de um mistério por desvendar.
Sintra, testemunha silenciosa de tramas e enredos, amores e ódios.
Escondidas por entre o emaranhado da vegetação, as quintas e os palácios veraneiam o castelo altivo e sobranceiro que, no cume do monte, continua a vigiar a paisagem esplendorosa que se estende a seus pés.
Sintra é um hino à beleza, à paz, à harmonia: confluência, por excelência, entre a Natureza e o homem, entre a sabedoria e o sonho, entre a naturalidade espontânea e a força do querer.
Sintra local obrigatório a (re)visitar, sempre!
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Ericeira
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Descentralização(?!)
É sobejamente sabido que a capital está servida de infra-estruturas e serviços que possibilitam uma oferta cultural diferente da do resto do país.
Assim não é de estranhar a atracção e o fascínio que Lisboa exerce em todos os que procuram pólos culturais, catalisadores de conhecimentos e momentos nas mais variadíssimas áreas do saber e do lazer.
Lisboa e arredores concentram em si uma variadíssima gama de ofertas culturais, educativas e lúdicas, que apenas beneficia quem vive na grande metrópole ou quem tem hipótese de a ela se deslocar. O resto da população continua a sentir-se isolada culturalmente e a ser tratada como português de segunda.
A tão discutida descentralização parece não passar de teoria. Se dúvidas houver, perguntem a quem vive fora da capital o que pensa e o que sente sobre o assunto.
Como se questiona a minha filha (com ar desolado):”Oh mãe, mas porque é que tudo o que acontece é sempre em Lisboa?”
Resta pôr em prática o ditado que diz: "Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha ".
E viva a capital!
Assim não é de estranhar a atracção e o fascínio que Lisboa exerce em todos os que procuram pólos culturais, catalisadores de conhecimentos e momentos nas mais variadíssimas áreas do saber e do lazer.
Lisboa e arredores concentram em si uma variadíssima gama de ofertas culturais, educativas e lúdicas, que apenas beneficia quem vive na grande metrópole ou quem tem hipótese de a ela se deslocar. O resto da população continua a sentir-se isolada culturalmente e a ser tratada como português de segunda.
A tão discutida descentralização parece não passar de teoria. Se dúvidas houver, perguntem a quem vive fora da capital o que pensa e o que sente sobre o assunto.
Como se questiona a minha filha (com ar desolado):”Oh mãe, mas porque é que tudo o que acontece é sempre em Lisboa?”
Resta pôr em prática o ditado que diz: "Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha ".
E viva a capital!
Subscrever:
Mensagens (Atom)