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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Lenda pessoal

Naquelas noites em que o sono parece não ter pressa, aquieto-me, imóvel, desprendendo o fio do pensamento que se desenrola em sucessivas fiadas, enquanto o silêncio, prenhe de paz, me acompanha na madrugada.
No momento de maior quietude, a mente, contrariando o ambiente que a inspira, agita-se numa sucessão de imagens, formulando, conscientemente, reflexões de final de dia.
Algures, num recôndito canto do pensamento, um eu reflexivo e verdadeiro repassa, pelo crivo da consciência, todos os bocadinhos de tempo que foram vivenciados até ao momento: processo necessário para a veracidade imprescindivel à concretização da lenda pessoal.
É nessa altura que a verdade ganha força face às artimanhas manhosas com que o eu quotidiano e social insiste em utilizar.
No silêncio apaziguador da noite, os problemas do dia são questionados, as atitudes repensadas, os diálogos reinterpretados, os actores reavaliados, as opções ponderadas, as decisões tomadas.
É nesta catarse, simbiose da dualidade dos egos, que Eu me reavalio, reformulo, reconstruo.
É no silêncio pacificador da madrugada que me encontro e me conheço.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

(In) veritas

Hoje, enquanto “folheava” a edição on line do Público, a minha atenção direccionou-se para um curto vídeo relativo à entrevista que a senhora Ministra da Educação, professora Isabel Alçada, deu a este jornal diário, divulgando as Metas Educativas de cada Ciclo de Ensino.
Após ouvir atentamente as palavras de tão simpática senhora, passei à leitura, mais pormenorizada, quer do desenvolvimento de cada subtítulo quer dos comentários dos leitores.
No final, a ideia, (pré) concebida, de que, neste pequeno país, continua a haver quem seja mestre na arte da ilusão, das não verdades e prefira ver o que mais ninguém vê e interpretar, de um modo muito sui generis, o que mais ninguém interpreta, confirmou-se!
Mas o pior de tudo é quando tal sintomatologia atinge preferencialmente certa casta que ocupa lugares cimeiros e cujas decisões terão repercussões nas estruturas basilares da sociedade!
Tal como numa charge política de há uns anos atrás, também eu digo:” Sim, senhora ministra!”

Post-scriptum: Entre outras (in) veritas, gostei, em particular, da parte em que a senhora ministra afirma que não são 30 km, mas sim 15 km para cá e 15 para lá!
Hilariante!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Estado de espírito

Uma sensação de bem-estar pleno invade-me nesta noite calma e tranquila de um Setembro bem-disposto, queimado pelo Sol de Verão que, pausadamente, continua o seu percurso na elíptica do caminho a percorrer.
Lá fora, os elementos naturais, indiferentes ao tempo, soltam-se no espaço na cumplicidade da noite que os abraça.
Atraída pela brisa morna que me chama, olho a noite escura, enfeitada pelo cintilar prateado das estrelas do céu, fecho os olhos, inspiro o ar que me enleia e agradeço - Lhe a serenidade envolvente que me tranquiliza o espírito. Sinto-me transportada nos braços agitados do vento, que em tropelias marotas, desperta a ramagem sonolenta das árvores ancestrais: solto, bravio, livre.
Não sou mais que um microcosmo, uma minúscula partícula no conjunto do Universo, sou nada e sou tudo, sou a parte de um todo.
Nesta noite quente e calma, eu sou a aragem traquina, eu sou espírito, sou alma, sou afecto, sensações, sou murmúrios, sussurros de mim própria.
Nesta noite amena e tranquila quero ser o vento solto, a brisa morna, o fascínio da noite, o brilho das estrelas, a elíptica do Sol.
Eu quero perder-me para me encontrar e, na imensidão do Universo, descobrir o meu lugar.

domingo, 12 de setembro de 2010

Conto

A ironia da vida juntara-os num acaso do momento.
Passados tantos anos, ainda recorda, com a mesma intensidade de então, o dia em que a conheceu. Naquela fracção de segundos em que as mãos se apertam e os olhares se cruzam, pela primeira vez, sentiu uma doce e suave sensação percorrendo-o, enquanto estremecia por dentro.
Eram dois seres estranhos que cobardemente ousavam viver.
E aquele acaso transformou-se em rotina repetida vezes sem fim.
Ao longo do tempo foram-se construindo no dia-a-dia, num conhecimento partilhado a dois: sedimentou-os a amizade baseada na cumplicidade e na junção dos quereres.
Juntos iam edificando um futuro adiado na esperança do presente.
Eram vidas diferentes, personalidades opostas que a paixão ligara e o amor unira.
Por entre os dias de um tempo com tempo viviam convulsões, emoções, sentires bem despertos.
Os anos voaram e de novo a ironia da vida delineou-lhes o rumo da sua história: Ele, intenso no amor que lhe dedicara, sufocava-a de tanto querer, ela, sentindo-se aprisionada, perdia-se na tristeza da clausura, adormecendo o amor por que tanto lutara!
Partiram, flagelados pela dor que ambos sentiam.
E no momento da despedida ficaram retalhos despedaçados de vidas vividas: intensamente vividas, sofridas, amadas, ousadas, reinventadas em emoções despertas.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A verdade

Um destes dias, numa conversa informal, falava-se da verdade e da coragem em assumir, presencialmente, aspectos do outro que se consideram menos bons. Defendia que ouvir a verdade doía, isto quando a mesma se refere a aspectos negativos da personalidade ou a acções que possam ser criticadas por condutas menos próprias.
Por entre dissertações e explanações da ideia apresentada, um dos interlocutores lançou para a conversa uma outra ideia que inflamou a discussão, reacendendo o debate:"a verdade não dói" - afirmava ele - "as pessoas é que não estão preparadas para a ouvirem" - acrescentou em tom conclusivo.
De facto o que nos provoca a dor não é a verdade, (cada um de nós sabe-a no mais profundo de si mesmo) mas antes a sua verbalização, por alguém exterior a nós, provocando brechas na imagem que criamos e, acerrimamente, defendemos na nossa vida social.
E isso, meus caros, é que dói!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O silêncio

“Estão todos com medo. Todos eles vão mergulhar no silêncio, nas profundezas das suas próprias mentes e almas.”
In, “Comer, orar, amar”, Gilbert, Elizabeth

A frase citada foi retirada do livro que me tem feito companhia nos últimos tempos.
Ao chegar a esta parte da acção, decidi fazer uma pausa na leitura e reflectir na ideia veiculada pela personagem e que lhe está subjacente.
De facto o silêncio incomoda a maioria das pessoas. Não gostamos de o ouvir. Para isso, rodeamo-nos de tudo que consiga anular a sua acção. E por que razão evitamos momentos de silêncio puro? Talvez porque seja através do silêncio que escutamos o mais profundo de nós, que comungamos com o eu verdadeiro, amordaçado, aprisionado nas rotinas do quotidiano, na anulação do que verdadeiramente somos.
É fundamentalmente pelo silêncio que alcançamos o conhecimento de nós próprios, tomamos consciência do que somos, de como somos e nos abrimos à verdade. E porque somos humanos e imperfeitos, a descoberta dos defeitos, que nos formam e condicionam, amedronta-nos.
O barulho distrai o pensamento em manobras de diversão que impedem o diálogo interior.
O silêncio conduz à reflexão, ao conhecimento, à aceitação e à mudança.
Saibamos ouvir o silêncio do coração!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A brincar, a brincar...

Quando pensamos em rotinas substantivamo-las, quase de imediato, com aborrecimento, tédio. No entanto existem certos tipos de rotinas que de tédio nada têm, são pequeno oásis no deserto inóspito de outras rotinas diárias. Essas sim, aborrecidas, entediantes!
O momento do dia dedicado à leitura do Diário de Coimbra é sem dúvida uma fonte de água fresca que sacia a sede de notícias da região.
De vez em quando, para suavizar a seriedade dos assuntos noticiados, eis que surge uma ou outra notícia que, devido ao caricato do relatado, faz sorrir ou mesmo rir com vontade.
Na edição de hoje, logo na primeira página, um título a negrito destacava-se dos restantes: anunciava o repórter que o jogo amigável entre a Académica e o Feirense tinha terminado aos 80 minutos devido a uma estalada dada por um jogador da equipa visitante ao da Briosa.
Ao ler o sucedido não pude deixar de rir com gosto. O sentido de humor colocado na descrição do episódio e a imagem demonstrativa do sururu contribuíram para dar asas à imaginação: De imediato, consegui imaginar o ar atarantado de quem levou o tabefe e a estupefacção de quem assistia ao jogo.
E era um jogo amigável!
Ora se não o fosse...

domingo, 5 de setembro de 2010

Setembro

De todos os meses do ano, Setembro é o que mais me enternece: raiado de amarelos acastanhados e vermelhos alaranjados, embriaga-se com os vapores das uvas vindimadas e, estonteado pelo néctar dos deuses, aconchega-se na Natureza para um descanso reparador.
Setembro dos dias solarengos, do cheiro a terra seca, após as primeiras chuvadas passageiras, da brisa morna que se solta no espaço e nos abraça, acarinha e afaga, despedindo-se do Verão.
Setembro da minha meninice, das férias grandes, vivências adocicadas, dos aromas e dos sentires, embala-me nos teus braços, enfeitiça-me com os teus encantos, adormece-me na tranquilidade que brota de ti.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ao acaso

Escrevo!
E no acto assumido, desvirgino a alvura do ecrã, emprenhando-o de palavras geradas na fecundidade do pensamento.
Escrevo, em palavras pensadas, silêncios de mim!
Abro-me, desvendando ecos interiores.
Esculpo-me em palavras,
Dou-me!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os Mega

Depois de reler o assunto explanado no post de ontem, resolvi proceder a algumas modificações, pois a ideia que pretendia transmitir ficou-se muito aquém do desejado(há alturas em que isso acontece). Assim, relendo o que escrevera, decidi alterar, acrescentar, suprimir, ideias transformadas em frases, de modo a que a ideia que formei sobre esta última medida do nosso mui iluminado Ministério da Educação ficasse bem explícita para todos os que fazem deste meu cantinho um ponto de paragem e leitura: a formação dos Mega-Agrupamentos.
Já de si a palavra pressupõe algo gigantesco, porque um mega, qualquer que seja o contexto em que se insira ou refira, mete sempre respeito, quanto mais não seja pela associação do significado/significante que o signo linguístico transmite.
Pela perspectiva do ambiente deste primeiro dia, as partes parecem ainda não terem conseguido alcançar o todo coeso, coerente, faltando acertar, limar aspectos simples, mas tão necessários a um bom arranque de mais um ano lectivo que agora se inicia.
Geralmente( a maturidade aliada à experiência de vida já o mostraram) tudo o que nasce de partos anti naturais, impostos, com objectivos meramente economicistas nunca resultou bem.
Com tantos megas, esperemos, desejamos, para o bem de todos e principalmente dos alunos, que os percalços, a existir nesta nova experiência ministerial, sejam apenas micros!
Nem sempre grandeza é sinónimo de bom desempenho!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Recomeçar

Na vida, a sucessão ininterrupta de ciclos que se renovam e refazem num vaivém do tempo, é uma constante.
O carácter cíclico da vida não deverá contudo ser entendido como mera repetição do passado. Se repetição houver ela reside no factor temporal em que os acontecimentos ocorrem, quanto ao resto tudo é diferente. Claro que há momentos em que as diferenças são menores, mais ténues, quase imperceptíveis, mal se dando por elas, criando a ilusão óptica de que nada se alterou.
A renovação anual das cerimónias cíclicas da vida implica, quase sempre, o começo de outras, de novas, de diferentes etapas, muitas delas decisivas nos percursos a traçar para o ciclo que começa.
Amanhã, ou melhor hoje, reinicia-se um ciclo que se repete há já bastantes anos. Aparentemente nada de novo: os mesmos rituais já decorados pela repetição de gestos automáticos.
Aparentemente tudo recomeça com os mesmos rituais de há um ano, dois, todos os que ficaram para trás e que deram início a um novo calendário escolar. Quanto muito pequenas nuances, mas a peça é a mesma, o enredo pouco se alterou e o final terminará sempre com um”The End”.
Aparentemente e só mesmo aparentemente….
Este ano, por uma conjugação de vários factores, intrínsecos e extrínsecos aos actores, e inexistentes em anos anteriores, nunca o carácter cíclico se diluiu tanto, dando lugar à expectativa dos próximos tempos.
No final o “The End” continuará a aparecer, independentemente dos enredos, das tramas a urdir.
Resta esperar, sempre com o espírito desperto e aberto para as mudanças que se aguardam.
Para o bem de todos que seja um de “The End” sereno, tranquilo, feliz e, que no final do percurso, se alcancem "megas", não dos obrigatórios,não dos institucionais,não dos nascidos de partos políticos e baseados em permissas economicistas, mas antes dos conquistados pela força da entrega, do trabalho, do esforço e do interesse de todos os que trabalham e vêem a Escola como um investimento no futuro, com vista ao objectivo primordial de quem se empenha no seu estudo: o sucesso efectivo, real que terá de passar pela entrega, pelo estudo, pela atenção, pelo querer de todos os intervenientes e principalmente dos alunos que são o Futuro deste país!
Neste e só neste contexto ergo a minha voz e digo com toda a convicção " Viva a Mega Escola"!

domingo, 22 de agosto de 2010

Frutificação

Desde a publicação do meu último post que já decorreu quase uma semana.
Uma semana de olhar insistentemente para tantas "Amoras"! Não é que não as ache deliciosas, principalmente se se converterem em doce, mas confesso que o excesso daquele fruto silvestre já me enjoa.
Quase uma semana, cerca de sete dias sucessivos de pausas, silêncios, de vazios de pensamento!
Umas férias da e na inspiração!
Tal como na vida, também na escrita ocorrem momentos de recolhimento, de pausa, de descanso necessários. São momentos excelentes para "podar" as ideias. E com o tempo a imaginação e a inspiração frutificarão!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

As Amoras

O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.


Eugénio de Andrade ("O Outro Nome da Terra")

domingo, 15 de agosto de 2010

Ritual Cíclico ou Mais do Mesmo

Num ritual de carácter cíclico iniciou-se hoje mais uma época de futebol, Liga Zon Sagres 2010 / 2011.
Entre outras oito equipas, estreou-se a do meu Sporting que se deslocou a Paços de Ferreira para aí disputar o 1º jogo do calendário, infelizmente perdido.
Equipa “nova”, treinador novo, os mesmos dirigentes e acima de tudo a massa associativa e os adeptos, gente anónima que vibra com o verde da esperança, que nos distingue, e depositam nela a expectativa de um melhor desempenho e resultados favoráveis para a equipa que elegeram, no coração e na alma, como a sua!
Neste início de temporada, o desejo que o campeonato seja pautado por uma ética e uma conduta desportivas baseadas no respeito e fair play entre todos os intervenientes.
Que vença o melhor e que esse melhor se projecte em tons de verde!

sábado, 14 de agosto de 2010

Continuação...

Numa das minhas inúmeras navegações pela Net aportei num lugar aprazível, um arquipélago de informação, constituído por inúmeras ilhotas do saber.
Numa dessas ilhas deparei-me com uma proposta de desafio que me pareceu bastante aliciante sob várias perspectivas e decidi aceitá-la. Era um desafio relacionado com a escrita e a sua participação proporcionou-me agradáveis momentos de criação.
Apesar de à partida me ter mentalizado de que não iria alcançar o objectivo primordial, a tarefa que era proposta deu-me um imenso gozo interior realizá-la: foi como se, perante as desordenadas peças de um puzzle, me visse obrigada a dares-lhe forma, encaixando cada peça na sua correspondente de modo a produzir uma sequência, um esboço inacabado, pronto a ser retomado por mentes alheias. Mas o mais pitoresco deste puzzle é que a responsabilidade da construção e da escolha das peças a utilizar, de modo a moldarem-se umas nas outras, era exclusivamente minha. Bastaria ter encaixado as peças de um outro modo e o desenho final surgiria com outros contornos!
Gostei do desafio e porque sou uma pessoa persistente, decidi voltar a participar, pelo simples prazer que me proporciona o exercício da escrita aliado à imaginação.
Como diz o dito popular" Não há duas sem três."
Nunca se sabe!