2 de Outubro: O dia despertou e Coimbra espreguiçou-se, enquanto se aquecia com os reflexos dourados dos primeiros raios de sol.
3 de Outubro: A cidade acordou fustigada pelas primeiras chuvadas de Outono que vieram saudar a Natureza.
Ronceiramente um movimento invulgar envolveu a cidade. A cadência das rotinas quotidianas foi quebrada e, de súbito, a urbe fervilhou, desperta pela turba, gente anónima, unida pela mesma paixão: a música.
A “minha” cidade abraçou, num gesto de ternura, todos os que vieram assistir ao concerto dos U2.
A vida, a luz e a cores que contagiaram a cidade, desde as primeiras horas do dia, tornaram-na ainda mais bela e sedutora.
Coimbra, enfeitada para os espectáculos, dançou e vibrou ao som dos acordes musicais que a embalaram. Extasiada, quedou-se, seduzida pelo ritmo e pelo som.
Por fim, desperta pela presença da madrugada, despediu-se da noite e aninhou-se nos braços protectores do Mondego, adormecendo, enfeitiçada pelos reflexos prateados das águas do rio.
Desafioos é já por si um desafio lançado em forma de repto: "Andas muito filosófica, tens de criar um blogue!". Porque gosto de desafios, aceitei o desafio e criei este blogue.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
Amor é síntese
Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
Mário Quintana
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
Mário Quintana
sábado, 2 de outubro de 2010
Há dias
Há dias em que sorrimos para a vida, brilhamos em reflexos de cores fortes, espelhamos a alegria que irradia de dentro.
Há dias em que as palavras tristeza e desânimo,só existem no dicionário.
Nesses dias, em que as emoções e os afectos se entregam na cumplicidade consentida, desejada, procurada, compreendemos a importância da presença e sentimos a saudade na ausência.
Há dias em que as palavras tristeza e desânimo,só existem no dicionário.
Nesses dias, em que as emoções e os afectos se entregam na cumplicidade consentida, desejada, procurada, compreendemos a importância da presença e sentimos a saudade na ausência.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Mera sugestão
Ainda a propósito do mesmo assunto, quando ouvia as notícias na TVI, a certa altura, o jornalista convidado, Nicolau Santos, do Expresso, comentava que" No próximo ano, todos os ministérios vão fazer praticamente de mortos" a propósito das medidas anunciadas e do objectivo a que se propunham.
Já agora e face ao rigor na contenção das despesas por parte do Estado, que implicará um poder de decisão nulo por parte dos outros ministérios, logo passarão a uma situação de existirem mas não servirem para nada, do género ministérios fantasmas, lanço o seguinte repto ao Senhor Primeiro-Ministro:
De fantasmas está o país farto, acabe-se então com eles todos, já que só existirão de corpo presente, porque impedidos de tomarem qualquer decisão e assim o erário público amealhava uns bons milhares de euros com menos ministros, subsecretários de estado, secretárias, moços de frete, carrões, futuras pensões chorudas, e toda a panóplia inerente à sua existência.
Diga lá senhor Primeiro-Ministro se não seria uma forma do governo dar o exemplo e tomar ele medidas que demonstrassem a todos os portugueses o quanto está interessado em contribuir para ajudar a suavizar a grave situação em que nos encontramos por culpa de Vossa Excelência e da equipa com que se rodeou.
Uma mera sugestão, senhor Primeiro-Ministro!
Já agora e face ao rigor na contenção das despesas por parte do Estado, que implicará um poder de decisão nulo por parte dos outros ministérios, logo passarão a uma situação de existirem mas não servirem para nada, do género ministérios fantasmas, lanço o seguinte repto ao Senhor Primeiro-Ministro:
De fantasmas está o país farto, acabe-se então com eles todos, já que só existirão de corpo presente, porque impedidos de tomarem qualquer decisão e assim o erário público amealhava uns bons milhares de euros com menos ministros, subsecretários de estado, secretárias, moços de frete, carrões, futuras pensões chorudas, e toda a panóplia inerente à sua existência.
Diga lá senhor Primeiro-Ministro se não seria uma forma do governo dar o exemplo e tomar ele medidas que demonstrassem a todos os portugueses o quanto está interessado em contribuir para ajudar a suavizar a grave situação em que nos encontramos por culpa de Vossa Excelência e da equipa com que se rodeou.
Uma mera sugestão, senhor Primeiro-Ministro!
Responsabilidades
Inevitavelmente o assunto do post de hoje prende-se com a actualidade política portuguesa e com o anúncio feito pelo Primeiro-Ministro à saída da reunião do Conselho de Ministros.
Poderia redigir um texto que espelhasse todo o desânimo, desalento, raiva que me inunda face à inoperância de quem, nos últimos anos, nos tem governado e mal!
Para o desempenho de um cargo é necessário ter-se o perfil adequado, caso contrário corre-se o risco de se cometerem demasiados erros e comprometerem-se os objectivos que se pretendiam alcançar, com as nefastas implicações que o mau exercício do cargo acarreta.
A ideia de que na vida política a punição pelos desaires se paga no sentido de voto nas eleições seguintes, como solução para a responsabilização do mau desempenho dos maus profissionais já não chega!
Quando a economia de um país chega ao estado em que nos encontramos, após anos de medidas de contenção, a recaírem sempre sobre os mesmos por tomadas de decisão erradas, por dinheiros mal empregues, por políticas económicas desastrosas, não basta esperar pelas próximas eleições para demonstramos o nosso desagrado e pedirmos responsabilidades a quem de direito.
Na Irlanda o Estado meteu em tribunal o Primeiro-Ministro que exercia o cargo aquando da falência da sua economia.
Será que o Estado português não tem fibra suficiente para enfrentar os pseudo políticos que em cerca de 5 anos conseguiram piorar toda a estrutura de um país?
A paciência esgotou-se!
Poderia redigir um texto que espelhasse todo o desânimo, desalento, raiva que me inunda face à inoperância de quem, nos últimos anos, nos tem governado e mal!
Para o desempenho de um cargo é necessário ter-se o perfil adequado, caso contrário corre-se o risco de se cometerem demasiados erros e comprometerem-se os objectivos que se pretendiam alcançar, com as nefastas implicações que o mau exercício do cargo acarreta.
A ideia de que na vida política a punição pelos desaires se paga no sentido de voto nas eleições seguintes, como solução para a responsabilização do mau desempenho dos maus profissionais já não chega!
Quando a economia de um país chega ao estado em que nos encontramos, após anos de medidas de contenção, a recaírem sempre sobre os mesmos por tomadas de decisão erradas, por dinheiros mal empregues, por políticas económicas desastrosas, não basta esperar pelas próximas eleições para demonstramos o nosso desagrado e pedirmos responsabilidades a quem de direito.
Na Irlanda o Estado meteu em tribunal o Primeiro-Ministro que exercia o cargo aquando da falência da sua economia.
Será que o Estado português não tem fibra suficiente para enfrentar os pseudo políticos que em cerca de 5 anos conseguiram piorar toda a estrutura de um país?
A paciência esgotou-se!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Emoções
Tal como o sol que coloriu o dia com os seus raios dourados em tons de Outono, assim o meu eu, emotivo, inspirado pelas tonalidades dos afectos, resplandeceu em raios de sentires.
Entre o espaço que separa um descanso quase a terminar, e o trabalho prestes a recomeçar, fundo-me com o tempo, abandono-me às recordações: é o momento da noite em que a noção temporal perde importância. O tempo abre-se num hiato em espiral onde os afectos e as emoções constituem as memórias mais importantes do dia que finda: olhares que se entendem, silêncios que comunicam, gestos que traduzem sensações.
No final deste hiato temporal, uma hipérbole de sentires toca-me o todo: sinto-me elevada a um plano superior, onde a serenidade e a tranquilidade invadem-me o ser e calmamente, prenhe de uma paz interior, abandono-me nos braços de Morfeu e entrego-me aos deleites do sono, vigiado pelas ninfas inspiradoras que o guardam pela noite dentro.
A serenidade invadiu-me, sinto-a percorrer cada bocadinho meu, enquanto, vencida pelo cansaço, abandono-me na inconsciência do sono.
Adormeço, repleta de um bem-estar interior, pacificador de mim!
Entre o espaço que separa um descanso quase a terminar, e o trabalho prestes a recomeçar, fundo-me com o tempo, abandono-me às recordações: é o momento da noite em que a noção temporal perde importância. O tempo abre-se num hiato em espiral onde os afectos e as emoções constituem as memórias mais importantes do dia que finda: olhares que se entendem, silêncios que comunicam, gestos que traduzem sensações.
No final deste hiato temporal, uma hipérbole de sentires toca-me o todo: sinto-me elevada a um plano superior, onde a serenidade e a tranquilidade invadem-me o ser e calmamente, prenhe de uma paz interior, abandono-me nos braços de Morfeu e entrego-me aos deleites do sono, vigiado pelas ninfas inspiradoras que o guardam pela noite dentro.
A serenidade invadiu-me, sinto-a percorrer cada bocadinho meu, enquanto, vencida pelo cansaço, abandono-me na inconsciência do sono.
Adormeço, repleta de um bem-estar interior, pacificador de mim!
domingo, 26 de setembro de 2010
Preservação do eu
Agora, no reencontro de mim própria, silencio os pensamentos que me assaltam, na preservação do ser que sou.
Por entre os sons da noite recuso partilhar, em forma de palavras, as ideias que insistentemente brotam do mais íntimo de mim, recuso desvendar os mais secretos pensamentos que me embalam na noite e me adoçam os sentires.
Na madrugada, num contraste entre o tudo e o nada, contra-sensos da vida, oculto um outro lado de mim: inacessível, desconhecido, conscientemente, resguardado do exterior - tentativa assumida de preservar a individualidade do que sou -.
No momento do dia mais propício à descoberta da minha identidade, tranco as portas da intimidade na defesa do que sou, quero e posso. Egoisticamente, fecho-me sobre mim própria, num diálogo interior.
Hoje e agora, a faceta intimista, que caracterizou algumas das minhas publicações anteriores, transformou-se numa recusa em desvendar-me, desnudar a alma, na perda da privacidade emocional, para poder continuar a ser eu própria.
Nenhum ser humano é completamente transparente, pois caso isso acontecesse a pessoa tornar-se-ia frágil e dependente dos outros.
Cada um de nós transporta em si mistérios indesvendáveis, não porque sejam eticamente incorrectos, mas porque são necessários assim continuarem para a sobrevivência da nossa própria personalidade, do Eu que somos!
Recuso desnudar os pensamentos que me acompanharam nesta noite tranquila!
Por entre os sons da noite recuso partilhar, em forma de palavras, as ideias que insistentemente brotam do mais íntimo de mim, recuso desvendar os mais secretos pensamentos que me embalam na noite e me adoçam os sentires.
Na madrugada, num contraste entre o tudo e o nada, contra-sensos da vida, oculto um outro lado de mim: inacessível, desconhecido, conscientemente, resguardado do exterior - tentativa assumida de preservar a individualidade do que sou -.
No momento do dia mais propício à descoberta da minha identidade, tranco as portas da intimidade na defesa do que sou, quero e posso. Egoisticamente, fecho-me sobre mim própria, num diálogo interior.
Hoje e agora, a faceta intimista, que caracterizou algumas das minhas publicações anteriores, transformou-se numa recusa em desvendar-me, desnudar a alma, na perda da privacidade emocional, para poder continuar a ser eu própria.
Nenhum ser humano é completamente transparente, pois caso isso acontecesse a pessoa tornar-se-ia frágil e dependente dos outros.
Cada um de nós transporta em si mistérios indesvendáveis, não porque sejam eticamente incorrectos, mas porque são necessários assim continuarem para a sobrevivência da nossa própria personalidade, do Eu que somos!
Recuso desnudar os pensamentos que me acompanharam nesta noite tranquila!
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Haja vergonha
Ao redigir este post transporto, para o papel virtual, a imensa perplexidade que sinto face a um conjunto de situações que, aparentemente, nada têm de comum, mas que me obrigam a reflectir e a concluir inevitabilidades sobre o carácter de quem detém e exerce o poder neste país. E isso entristece-me! Revolta-me!
Há já alguns anos que o poder central tem vindo, sucessivamente, a pedir aos portugueses - e com um maior enfoque à função pública - compreensão para um conjunto de medidas que, por causa da crise económica internacional, se viu obrigado a tomar: congelamento de progressão nas carreiras, aumentos abaixo do nível real da inflação, redução do número de pessoal, aumento da idade da reforma, aumento dos impostos, entre outras.
As últimas notícias sobre o estado da economia portuguesa falam do enorme montante da nossa dívida externa, da necessidade urgente de se tomarem medidas que travem a subida do deficit público, da coragem política em o fazerem e da probabilidade de intervenção do FMI para solucionar o grave problema que nos afecta.
No recente mega-agrupamento escolar a que pertenço, o número de auxiliares de acção educativa, no presente ano lectivo, sofreu uma redução significativa, apesar das exigências laborais terem aumentado.
Entretanto, a Câmara Municipal, responsável pela contratação destes funcionários, não renovou o contrato com um, o qual há alguns anos vinha a prestar um excelente serviço ao estabelecimento onde exercia a sua actividade, pois, para além de outras mais-valias, era uma pessoa multifacetada em termos da abrangência, género “chega a tudo”. Por outro lado, alguns dos restantes funcionários, com a abertura do novo Centro Educativo, foram recolocados de modo a suprirem as novas necessidades.
Nos últimos anos tem sido pedido aos portugueses uma enorme dose de compreensão para com: a grave crise económica que nos assola; as medidas que, como sempre, acabam por recair em cima dos mesmos; os despedimentos; a diminuição dos postos de trabalho (por motivos que não se prendem com a falta do mesmo); a não solução e o agravamento do problema não obstante as medidas já tomadas.
Face a este panorama calcule-se o espanto, acompanhado de revolta, ao ouvir, esta manhã, a notícia de que o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, nomeou mais um assessor de imprensa, para o seu gabinete, e que irá trabalhar em parceria com os outros dois já existentes.
Com que autoridade moral pode um ministro pedir contenção, compreensão e anunciar novas medidas, quando o exemplo que dá contraria toda a prática subjacente ao seu discurso?
Haja vergonha!
Há já alguns anos que o poder central tem vindo, sucessivamente, a pedir aos portugueses - e com um maior enfoque à função pública - compreensão para um conjunto de medidas que, por causa da crise económica internacional, se viu obrigado a tomar: congelamento de progressão nas carreiras, aumentos abaixo do nível real da inflação, redução do número de pessoal, aumento da idade da reforma, aumento dos impostos, entre outras.
As últimas notícias sobre o estado da economia portuguesa falam do enorme montante da nossa dívida externa, da necessidade urgente de se tomarem medidas que travem a subida do deficit público, da coragem política em o fazerem e da probabilidade de intervenção do FMI para solucionar o grave problema que nos afecta.
No recente mega-agrupamento escolar a que pertenço, o número de auxiliares de acção educativa, no presente ano lectivo, sofreu uma redução significativa, apesar das exigências laborais terem aumentado.
Entretanto, a Câmara Municipal, responsável pela contratação destes funcionários, não renovou o contrato com um, o qual há alguns anos vinha a prestar um excelente serviço ao estabelecimento onde exercia a sua actividade, pois, para além de outras mais-valias, era uma pessoa multifacetada em termos da abrangência, género “chega a tudo”. Por outro lado, alguns dos restantes funcionários, com a abertura do novo Centro Educativo, foram recolocados de modo a suprirem as novas necessidades.
Nos últimos anos tem sido pedido aos portugueses uma enorme dose de compreensão para com: a grave crise económica que nos assola; as medidas que, como sempre, acabam por recair em cima dos mesmos; os despedimentos; a diminuição dos postos de trabalho (por motivos que não se prendem com a falta do mesmo); a não solução e o agravamento do problema não obstante as medidas já tomadas.
Face a este panorama calcule-se o espanto, acompanhado de revolta, ao ouvir, esta manhã, a notícia de que o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, nomeou mais um assessor de imprensa, para o seu gabinete, e que irá trabalhar em parceria com os outros dois já existentes.
Com que autoridade moral pode um ministro pedir contenção, compreensão e anunciar novas medidas, quando o exemplo que dá contraria toda a prática subjacente ao seu discurso?
Haja vergonha!
domingo, 19 de setembro de 2010
Lição de democracia
A Câmara Municipal de Miranda do Corvo, a partir do próximo ano, passará a cobrar menos pelo Imposto Municipal sobre Imóveis.
Tal medida deve-se ao facto de, na última reunião da Assembleia Municipal, este órgão ter aprovado, por unanimidade, uma proposta no sentido de se procederem a alterações nos valores do IMI.
Consciente das dificuldades por que passam as famílias da região, a edilidade fez história ao tomar a decisão de diminuir o valor deste imposto municipal contribuindo, na medida das suas possibilidades, para suavizar os encargos financeiros dos seus munícipes.
Ao tomar esta decisão, a Câmara Municipal de Miranda do Corvo ensina, a todos os que ocupam cargos políticos, uma lição de Democracia no sentido mais puro do termo: o poder só se cumpre, só tem sentido, quando colocado ao serviço e pelos interesses de quem o delega.
Tal medida deve-se ao facto de, na última reunião da Assembleia Municipal, este órgão ter aprovado, por unanimidade, uma proposta no sentido de se procederem a alterações nos valores do IMI.
Consciente das dificuldades por que passam as famílias da região, a edilidade fez história ao tomar a decisão de diminuir o valor deste imposto municipal contribuindo, na medida das suas possibilidades, para suavizar os encargos financeiros dos seus munícipes.
Ao tomar esta decisão, a Câmara Municipal de Miranda do Corvo ensina, a todos os que ocupam cargos políticos, uma lição de Democracia no sentido mais puro do termo: o poder só se cumpre, só tem sentido, quando colocado ao serviço e pelos interesses de quem o delega.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
De ideia em ideia
A nossa mente é um dos mecanismos mais surpreendentes devido à perfeição e à precisão do seu funcionamento.
A maneira subtil de saltar e rodopiar de memórias em memórias, retratos temporais diversos, convergindo, num mesmo momento, ecos do passado despertos por pormenores do presente, delicia-me.
Hoje, quando abri a página principal do Google derreti-me com o desenho inserido na página inicial deste motor de busca que pretende homenagear o 120º aniversário da célebre escritora Agatha Christie. Ao ver as letrinhas “Google” retratando, com minúcia, personagens e cenários sobejamente conhecidas de todos os amantes deste género literário, sorri, maravilhada com a combinação da imaginação associada à perícia na fidelidade dos contextos em que a narração se desenrola.
E deliciada com as recordações que tal logótipo me despertou, recuei no tempo e viajei até à aldeia onde era habitual passar as férias grandes. Foram tempos que deixaram saudade e ficaram gravados no pensamento e no coração pela intensidade das vivências experienciadas, pelo convívio amigável, pela salutar amizade partilhada por um grupo de adolescentes ávidos de liberdade e de aprendizagens. Umas das nossas brincadeiras preferidas nas férias grandes, durante as noites cálidas e serenas de uma aldeia perdida nos confins de um Portugal rural, era o jogo do assassino.
Este jogo implicava, para além do divertimento em si, ter-se uma perícia na arte da dedução, de modo a que o jogador, incumbido do papel de detective, conseguisse, através de um intenso inquérito às personagens presentes na cena do crime, deslindar os trâmites do enredo e descobrir o terrível assassino.
Ao olhar para o logótipo do Google, as minhas memórias da época emergiram repentinamente e sorri, com muita saudade, relembrando, com carinho, aquele tempo em que a pureza e a simplicidade que nos caracterizava marcaram para sempre este período delicioso da minha juventude.
Felizmente este ano tive a grande alegria de poder rever, in loco, a aldeia e o casarão que ficarão para sempre como o sítio onde sei que fui feliz!
Resta a saudade, sempre!
A maneira subtil de saltar e rodopiar de memórias em memórias, retratos temporais diversos, convergindo, num mesmo momento, ecos do passado despertos por pormenores do presente, delicia-me.
Hoje, quando abri a página principal do Google derreti-me com o desenho inserido na página inicial deste motor de busca que pretende homenagear o 120º aniversário da célebre escritora Agatha Christie. Ao ver as letrinhas “Google” retratando, com minúcia, personagens e cenários sobejamente conhecidas de todos os amantes deste género literário, sorri, maravilhada com a combinação da imaginação associada à perícia na fidelidade dos contextos em que a narração se desenrola.
E deliciada com as recordações que tal logótipo me despertou, recuei no tempo e viajei até à aldeia onde era habitual passar as férias grandes. Foram tempos que deixaram saudade e ficaram gravados no pensamento e no coração pela intensidade das vivências experienciadas, pelo convívio amigável, pela salutar amizade partilhada por um grupo de adolescentes ávidos de liberdade e de aprendizagens. Umas das nossas brincadeiras preferidas nas férias grandes, durante as noites cálidas e serenas de uma aldeia perdida nos confins de um Portugal rural, era o jogo do assassino.
Este jogo implicava, para além do divertimento em si, ter-se uma perícia na arte da dedução, de modo a que o jogador, incumbido do papel de detective, conseguisse, através de um intenso inquérito às personagens presentes na cena do crime, deslindar os trâmites do enredo e descobrir o terrível assassino.
Ao olhar para o logótipo do Google, as minhas memórias da época emergiram repentinamente e sorri, com muita saudade, relembrando, com carinho, aquele tempo em que a pureza e a simplicidade que nos caracterizava marcaram para sempre este período delicioso da minha juventude.
Felizmente este ano tive a grande alegria de poder rever, in loco, a aldeia e o casarão que ficarão para sempre como o sítio onde sei que fui feliz!
Resta a saudade, sempre!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Lenda pessoal
Naquelas noites em que o sono parece não ter pressa, aquieto-me, imóvel, desprendendo o fio do pensamento que se desenrola em sucessivas fiadas, enquanto o silêncio, prenhe de paz, me acompanha na madrugada.
No momento de maior quietude, a mente, contrariando o ambiente que a inspira, agita-se numa sucessão de imagens, formulando, conscientemente, reflexões de final de dia.
Algures, num recôndito canto do pensamento, um eu reflexivo e verdadeiro repassa, pelo crivo da consciência, todos os bocadinhos de tempo que foram vivenciados até ao momento: processo necessário para a veracidade imprescindivel à concretização da lenda pessoal.
É nessa altura que a verdade ganha força face às artimanhas manhosas com que o eu quotidiano e social insiste em utilizar.
No silêncio apaziguador da noite, os problemas do dia são questionados, as atitudes repensadas, os diálogos reinterpretados, os actores reavaliados, as opções ponderadas, as decisões tomadas.
É nesta catarse, simbiose da dualidade dos egos, que Eu me reavalio, reformulo, reconstruo.
É no silêncio pacificador da madrugada que me encontro e me conheço.
No momento de maior quietude, a mente, contrariando o ambiente que a inspira, agita-se numa sucessão de imagens, formulando, conscientemente, reflexões de final de dia.
Algures, num recôndito canto do pensamento, um eu reflexivo e verdadeiro repassa, pelo crivo da consciência, todos os bocadinhos de tempo que foram vivenciados até ao momento: processo necessário para a veracidade imprescindivel à concretização da lenda pessoal.
É nessa altura que a verdade ganha força face às artimanhas manhosas com que o eu quotidiano e social insiste em utilizar.
No silêncio apaziguador da noite, os problemas do dia são questionados, as atitudes repensadas, os diálogos reinterpretados, os actores reavaliados, as opções ponderadas, as decisões tomadas.
É nesta catarse, simbiose da dualidade dos egos, que Eu me reavalio, reformulo, reconstruo.
É no silêncio pacificador da madrugada que me encontro e me conheço.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
(In) veritas
Hoje, enquanto “folheava” a edição on line do Público, a minha atenção direccionou-se para um curto vídeo relativo à entrevista que a senhora Ministra da Educação, professora Isabel Alçada, deu a este jornal diário, divulgando as Metas Educativas de cada Ciclo de Ensino.
Após ouvir atentamente as palavras de tão simpática senhora, passei à leitura, mais pormenorizada, quer do desenvolvimento de cada subtítulo quer dos comentários dos leitores.
No final, a ideia, (pré) concebida, de que, neste pequeno país, continua a haver quem seja mestre na arte da ilusão, das não verdades e prefira ver o que mais ninguém vê e interpretar, de um modo muito sui generis, o que mais ninguém interpreta, confirmou-se!
Mas o pior de tudo é quando tal sintomatologia atinge preferencialmente certa casta que ocupa lugares cimeiros e cujas decisões terão repercussões nas estruturas basilares da sociedade!
Tal como numa charge política de há uns anos atrás, também eu digo:” Sim, senhora ministra!”
Post-scriptum: Entre outras (in) veritas, gostei, em particular, da parte em que a senhora ministra afirma que não são 30 km, mas sim 15 km para cá e 15 para lá!
Hilariante!
Após ouvir atentamente as palavras de tão simpática senhora, passei à leitura, mais pormenorizada, quer do desenvolvimento de cada subtítulo quer dos comentários dos leitores.
No final, a ideia, (pré) concebida, de que, neste pequeno país, continua a haver quem seja mestre na arte da ilusão, das não verdades e prefira ver o que mais ninguém vê e interpretar, de um modo muito sui generis, o que mais ninguém interpreta, confirmou-se!
Mas o pior de tudo é quando tal sintomatologia atinge preferencialmente certa casta que ocupa lugares cimeiros e cujas decisões terão repercussões nas estruturas basilares da sociedade!
Tal como numa charge política de há uns anos atrás, também eu digo:” Sim, senhora ministra!”
Post-scriptum: Entre outras (in) veritas, gostei, em particular, da parte em que a senhora ministra afirma que não são 30 km, mas sim 15 km para cá e 15 para lá!
Hilariante!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Estado de espírito
Uma sensação de bem-estar pleno invade-me nesta noite calma e tranquila de um Setembro bem-disposto, queimado pelo Sol de Verão que, pausadamente, continua o seu percurso na elíptica do caminho a percorrer.
Lá fora, os elementos naturais, indiferentes ao tempo, soltam-se no espaço na cumplicidade da noite que os abraça.
Atraída pela brisa morna que me chama, olho a noite escura, enfeitada pelo cintilar prateado das estrelas do céu, fecho os olhos, inspiro o ar que me enleia e agradeço - Lhe a serenidade envolvente que me tranquiliza o espírito. Sinto-me transportada nos braços agitados do vento, que em tropelias marotas, desperta a ramagem sonolenta das árvores ancestrais: solto, bravio, livre.
Não sou mais que um microcosmo, uma minúscula partícula no conjunto do Universo, sou nada e sou tudo, sou a parte de um todo.
Nesta noite quente e calma, eu sou a aragem traquina, eu sou espírito, sou alma, sou afecto, sensações, sou murmúrios, sussurros de mim própria.
Nesta noite amena e tranquila quero ser o vento solto, a brisa morna, o fascínio da noite, o brilho das estrelas, a elíptica do Sol.
Eu quero perder-me para me encontrar e, na imensidão do Universo, descobrir o meu lugar.
Lá fora, os elementos naturais, indiferentes ao tempo, soltam-se no espaço na cumplicidade da noite que os abraça.
Atraída pela brisa morna que me chama, olho a noite escura, enfeitada pelo cintilar prateado das estrelas do céu, fecho os olhos, inspiro o ar que me enleia e agradeço - Lhe a serenidade envolvente que me tranquiliza o espírito. Sinto-me transportada nos braços agitados do vento, que em tropelias marotas, desperta a ramagem sonolenta das árvores ancestrais: solto, bravio, livre.
Não sou mais que um microcosmo, uma minúscula partícula no conjunto do Universo, sou nada e sou tudo, sou a parte de um todo.
Nesta noite quente e calma, eu sou a aragem traquina, eu sou espírito, sou alma, sou afecto, sensações, sou murmúrios, sussurros de mim própria.
Nesta noite amena e tranquila quero ser o vento solto, a brisa morna, o fascínio da noite, o brilho das estrelas, a elíptica do Sol.
Eu quero perder-me para me encontrar e, na imensidão do Universo, descobrir o meu lugar.
domingo, 12 de setembro de 2010
Conto
A ironia da vida juntara-os num acaso do momento.
Passados tantos anos, ainda recorda, com a mesma intensidade de então, o dia em que a conheceu. Naquela fracção de segundos em que as mãos se apertam e os olhares se cruzam, pela primeira vez, sentiu uma doce e suave sensação percorrendo-o, enquanto estremecia por dentro.
Eram dois seres estranhos que cobardemente ousavam viver.
E aquele acaso transformou-se em rotina repetida vezes sem fim.
Ao longo do tempo foram-se construindo no dia-a-dia, num conhecimento partilhado a dois: sedimentou-os a amizade baseada na cumplicidade e na junção dos quereres.
Juntos iam edificando um futuro adiado na esperança do presente.
Eram vidas diferentes, personalidades opostas que a paixão ligara e o amor unira.
Por entre os dias de um tempo com tempo viviam convulsões, emoções, sentires bem despertos.
Os anos voaram e de novo a ironia da vida delineou-lhes o rumo da sua história: Ele, intenso no amor que lhe dedicara, sufocava-a de tanto querer, ela, sentindo-se aprisionada, perdia-se na tristeza da clausura, adormecendo o amor por que tanto lutara!
Partiram, flagelados pela dor que ambos sentiam.
E no momento da despedida ficaram retalhos despedaçados de vidas vividas: intensamente vividas, sofridas, amadas, ousadas, reinventadas em emoções despertas.
Passados tantos anos, ainda recorda, com a mesma intensidade de então, o dia em que a conheceu. Naquela fracção de segundos em que as mãos se apertam e os olhares se cruzam, pela primeira vez, sentiu uma doce e suave sensação percorrendo-o, enquanto estremecia por dentro.
Eram dois seres estranhos que cobardemente ousavam viver.
E aquele acaso transformou-se em rotina repetida vezes sem fim.
Ao longo do tempo foram-se construindo no dia-a-dia, num conhecimento partilhado a dois: sedimentou-os a amizade baseada na cumplicidade e na junção dos quereres.
Juntos iam edificando um futuro adiado na esperança do presente.
Eram vidas diferentes, personalidades opostas que a paixão ligara e o amor unira.
Por entre os dias de um tempo com tempo viviam convulsões, emoções, sentires bem despertos.
Os anos voaram e de novo a ironia da vida delineou-lhes o rumo da sua história: Ele, intenso no amor que lhe dedicara, sufocava-a de tanto querer, ela, sentindo-se aprisionada, perdia-se na tristeza da clausura, adormecendo o amor por que tanto lutara!
Partiram, flagelados pela dor que ambos sentiam.
E no momento da despedida ficaram retalhos despedaçados de vidas vividas: intensamente vividas, sofridas, amadas, ousadas, reinventadas em emoções despertas.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
A verdade
Um destes dias, numa conversa informal, falava-se da verdade e da coragem em assumir, presencialmente, aspectos do outro que se consideram menos bons. Defendia que ouvir a verdade doía, isto quando a mesma se refere a aspectos negativos da personalidade ou a acções que possam ser criticadas por condutas menos próprias.
Por entre dissertações e explanações da ideia apresentada, um dos interlocutores lançou para a conversa uma outra ideia que inflamou a discussão, reacendendo o debate:"a verdade não dói" - afirmava ele - "as pessoas é que não estão preparadas para a ouvirem" - acrescentou em tom conclusivo.
De facto o que nos provoca a dor não é a verdade, (cada um de nós sabe-a no mais profundo de si mesmo) mas antes a sua verbalização, por alguém exterior a nós, provocando brechas na imagem que criamos e, acerrimamente, defendemos na nossa vida social.
E isso, meus caros, é que dói!
Por entre dissertações e explanações da ideia apresentada, um dos interlocutores lançou para a conversa uma outra ideia que inflamou a discussão, reacendendo o debate:"a verdade não dói" - afirmava ele - "as pessoas é que não estão preparadas para a ouvirem" - acrescentou em tom conclusivo.
De facto o que nos provoca a dor não é a verdade, (cada um de nós sabe-a no mais profundo de si mesmo) mas antes a sua verbalização, por alguém exterior a nós, provocando brechas na imagem que criamos e, acerrimamente, defendemos na nossa vida social.
E isso, meus caros, é que dói!
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