Translate

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Seia Cultural

Há espaços que, pelas suas características particulares, estão, desde o início, destinados a serem únicos entre os demais.
Mal a avistei, fui invadida por uma sensação ímpar de tranquilidade, de calma, como se o tempo ficasse suspenso, hipnotizado pela beleza da paisagem envolvente, adormecido pelo movimento cadenciado das folhas das árvores que baloiçavam ao sabor do vento.
Incrustada, na encosta verdejante da Serra da Estrela, Seia, longe dos grandes centros citadinos e na periferia da modernidade, é uma cidade que sabe apostar na divulgação da cultura, na partilha do saber.
Já há alguns anos que esta cidade serrana acolhe as Jornadas Históricas, – XIV, precisamente – tornando-se um ponto de encontro propiciador do debate e do conhecimento, aliciante, sem dúvida, para todos os que consideram que o saber não ocupa lugar.
Justamente por isso, eis -me aqui, mais uma vez, nesta acolhedora cidade, aguardando o início da sessão de abertura dos trabalhos.
Comodamente sentada, na sala multimédia da Casa Municipal da Cultura, escrevo este texto, inspirada pela paisagem bucólica, visível de uma das muitas rasgadas janelas desta sala circular que a tornam apetecível e especial.
Cidade simpática, esta, em que o clima agreste não resfriou o modo de ser da sua gente, sempre cordial, afável e amistosa com os forasteiros.
Tanto, ainda, por descobrir, neste meu Portugal!



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pedido

Escreves um texto por mim? - peço-te eu quase a dormir.
Estou cansada, estou exausta, tenho pressa em me deitar.
Escreves um texto por mim? - pergunto-te eu a sorrir com a certeza da resposta que não tardará a surgir.
Escrever um texto por ti?! - exclamas tu admirado, com o desejo formulado.
Não! Impossível de o fazer, pois a escrita de cada um reflecte o seu modo de ser.  

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mondego

O post de hoje é uma outra maneira de enaltecer a minha cidade.
A imagem e o som, momentaneamente, tomam a primazia, neste meu espaço, através do documentário sobre o rio que atravessa e autentica a cidade de Coimbra: o Mondego, também chamado, carinhosamente, de Basófias.
Este trabalho pretende dar a conhecer o rio, a região que atravessa e a vida que dele acontece.
Cliquem no link, apreciem a beleza e a tranquilidade  deste portento da Natureza.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Naturalmente

O que nos faz pertencer a algum lugar? Talvez as raízes que nele criamos, os laços que estabelecemos, as emoções que aí vivemos.
Não sendo Coimbra a minha cidade da infância e adolescência, foi aquela que os ditames da vida me destinaram há muitos anos atrás.
Habituada aos caprichos da capital, parti rumo ao desconhecido, aventurei-me na incógnita de um presente já passado, sem saber que cada passo que dava ia desenhando, indelevelmente, um projecto de vida futuro: o meu.
Coimbra surgiu naturalmente na sequência dos acontecimentos.
A cidade acolheu-me nos seus braços, enfeitiçou-me com a sua áurea mística, seduziu-me com a sua beleza, cativou-me no romantismo de um passado cheio de história.
Hoje, tantos anos volvidos, Coimbra é a minha cidade. Sinto-a como se sempre tivesse estado à minha espera, pacientemente, sabendo que cada passo que eu ia dando me traria até si.



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Esta Crise

Caros leitores, esta crise, que nos assola e persegue, desperta-nos potencialidades criativas que nem imaginávamos possuir.
Lá diz o ditado que a necessidade faz o engenho e é bem certo!
Tempos novos, leia-se crise, costumes diferentes.
O restaurante e a cantina cederam o lugar à marmita. Dos restos, nascem pitéus divinais. As boleias, mesmo para curtas distâncias, voltam a estar na moda e até já se contabiliza o tempo dos banhos!
É todo um modo de vida que se altera numa adaptação, mais que lógica, às circunstâncias particulares deste contexto bem específico.
É o instinto da sobrevivência da espécie a actuar, é o lado natural a gritar mais alto! 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Compasso de espera

Sentada, na penumbra de um espaço acolhedor, aguardo que chegue a hora de uma reunião.
 Em tantas horas de espera, há que saber ocupar o tempo da melhor maneira, ou melhor, há que saber rentabilizar o tempo, o que não é difícil nos dias de hoje,  uma vez que a carga burocrática, associada ao ensino, agigantou-se de uma maneira tão assustadora que quase já não há tempo para haver tempo (confuso? Não!)
Bem, aqui, em compasso de espera, adiantei uma série de assuntos pendentes: preenchi uma resma de fichas (tanta papelada para ser arquivada…); preparei aulas; fiz um teste (sim, foi muito tempo a aguardar, acreditem!), sempre acompanhada pela “minha música” inspiradora e calma, num despertar de memórias adormecidas, carregadas de emoções e afectos.
Aqui, neste espaço repleto de silêncio e vazio, debruço o olhar pela vidraça salpicada de minúsculas gotículas da água da chuva.
 Lá fora, o dia continua sorumbático, triste e choroso, pintado em tons frios, quase gélidos.
Aqui, resguardada na penumbra de um espaço simpático, recolho-me em pensamentos e imagens, escutando a voz do silêncio.
Em dias assim, amargurados e cinzentos, eu sou solidão e melancolia!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Caminhada Solitária

Hoje é Dia de Todos os Santos, um dia celebrado no mundo ocidental e por todas as pessoas que seguem o Cristianismo. É um dos vários feriados religiosos do nosso calendário. É o dia em que se veneram todos aqueles que fizeram das suas vidas um caminho de santidade no anonimato.
Como é da tradição, o nosso povo aproveita este dia para homenagear os seus entes queridos, já partidos. Assim, Dia de Todos os Santos e Dia de Finados quase se confundem.
Este dia traz-me à memória um tempo que não volta, um tempo perdido no passado, um tempo não esquecido no presente.
Há muitos anos atrás, religiosamente, neste dia do ano, o meu pai saía bem cedo de casa, em Sintra e visitava todos os espaços onde enterrara a memória física de quem lhe fora querido. Neste dia preciso, o meu pai foi, desde que me lembro, anos sucessivos, de Sintra a Lisboa e daí a Setúbal, numa caminhada solitária, em honra dos que amara.
 Hoje, passado tanto tempo, ainda recordo aquele dia em que meu pai saía de manhã e só regressava à noite. Era uma ausência que, na altura, não significava nada para mim. Foi uma ausência decifrada muitos anos depois…
Hoje, gostaria de o ter acompanhado nesse percurso que o transportava às recordações da sua infância, da sua adolescência, em imagens só dele.
Hoje, gostaria de, naquele passado, ter tido a maturidade que me permitisse perceber a importância daquela caminhada solitária.
Hoje, quando por fim percebi, é tarde!
Fica a lembrança, fica a saudade, fica a memória de meu pai em mim. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pensamento

Recolho-me nos braços apaziguadores da noite com uma simples constatação: a sociedade é composta por três grupos de pessoas: o grupo das que trabalham, o grupo das que fingem que trabalham e, por fim, o grupo das que não fazem a ponta de um corno.
Sempre pensei pertencer ao primeiro! 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Contraste


Lá fora, o vento ruge e brame num acesso de raiva e zanga. Com ele leva as folhas pálidas das árvores, num frenético rodopio, num temporal de chuva e ventania.
Cá dentro, nasce uma vontade imensa de me enroscar no sofá e embrulhar-me no calor de uma manta, escutando,  tranquilamente, o desassossego da Natureza inquieta, agitada, revolta, em contraste com a música calma e suave que me embala e me preenche.
Lá fora e cá dentro, a vida acontece.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

As Serviçais


Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver.


                                                                                           Martin Luther King


No domingo passado fui ao cinema ver “ As Serviçais”. Um filme cuja temática da desigualdade de direitos entre brancos e negros, na América dos anos 50/60, é tratada de um modo subtil e irónico. Um filme a duas cores e a duas vivências opostas: o branco e o negro. Um filme que mostra o quanto no meio da mesquinhez, da futilidade e da banalidade de um estilo de vida, é possível encontrar alguém que marca a diferença, alguém que luta pelos seus ideais, alguém que, mesmo só, se agiganta em defesa dos fracos e oprimidos.
Um filme cheio de solidariedade, amizade e fraternidade.  


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dias Assim

A chuva por fim chegou, com ímpeto, com vontade de lavar a secura do Verão.
Em dias assim apetece o espaço acolhedor e aconchegante de uma sala de cinema.
Em dias cinzentos e chorosos, sabe bem a cúmplice partilha de um filme que se vê.
E, no final, uma pecaminosa fatia de pizza.
Touché 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Ousadia



Sempre considerei os ditados populares uma fonte inesgotável de sabedoria empírica, nascida da experiência de gente simples.
De repente, eis que me envolveu uma súbita vontade de escrever, uma urgência em me cumpliciar com as palavras, com os sentidos, comprovando a veracidade do ditado que proclama “não há fome que não dê em fartura”.
PS: Se o Português é uma língua viva, porque não utilizar as ainda não-palavras que, não obstante, fazem todo o sentido, exprimem completamente a ideia que se quer transmitir?
Eu gosto de criar novas palavras sempre que não encontro, no léxico da minha língua, maneira de expressar o meu pensamento, as minhas emoções,
“Cumpliciemos-nos”, então, numa ousadia linguística, num acto de criação!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Retrato

A povoação, onde a minha escola se enraizou, é um lugarejo simples e antigo. A presença de uma casa quinhentista será porventura o testemunho mais envelhecido da história da localidade.
Nascida dum núcleo central, congregado em redor da capela altaneira, expandiu-se para oeste e formou a denominada parte nova do lugar que se desenvolveu com a chegada do caminho-de-ferro. O antigo e o novo coexistem, tranquilamente, numa mistura de paisagem rural e urbana. 
Ritualmente, gosto de me perder no tempo e percorrer aquele espaço a lembrar os antigos caminhos da aldeia, cheirando a terra e a lavoura, engalanados pelas cores atrevidas das árvores, das flores e das plantas que os ladeiam. 
Uma vez por semana, rendo-me ao sossego balsâmico que brota naturalmente daquele sítio tornado meu e busco, no despertar das sensações, a força apaziguadora que me toma e me conquista.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

À Deriva


Ainda sobre a comunicação ao país pelo primeiro-ministro, Doutor Passos Coelho.
Como a maior parte dos portugueses, também eu ouvi, num silêncio confuso de emoções, a enumeração das principais medidas a implementar nos próximos dois anos.
Também eu, como a maior parte dos portugueses, explodi numa reacção de consternação, preocupação e indignação.  
Ora, como eu não acredito que tenhamos um primeiro-ministro mórbido e masoquista, com tendências autodestrutivas, resta-me uma outra explicação. Isto é, mesmo sabendo que se tornaria o alvo certeiro de todas as críticas, raivas e revoltas, mesmo ciente do risco de poder estar a hipotecar o seu futuro político, Passos Coelho tomou medidas impopulares, mas, pelos vistos,   imprescindíveis para a resolução do problema económico que o país enfrenta.  
Devido à minha profissão sou considerada funcionária pública. Ainda pertenço à designada classe média (em vias de extinção, acreditem). As medidas anunciadas atingem-me directamente. Desde 2005 que ando a pagar a crise que é de todos. Desde 2005 que vejo a progressão na carreira e o salário congeladas. Desde 2005 que me recrutam para ajudar a pagar os devaneios de governos que não souberam governar; de governos que arrastaram o país para a deriva económica actual; de governos que tomaram medidas à toa, sem se preocuparem com as consequências futuras das suas decisões; de políticos que nunca souberam, verdadeiramente, honrar a democracia conquistada pela geração anterior; de governos compostos por políticos que se julgam ser o Estado; que se revelaram inaptos, inadequados e impróprios para os cargos que ocuparam.  
Não me furto às minhas responsabilidades. Tenho a noção das enormes dificuldades que enfrentamos e da dura realidade que vão ser os próximos dois anos (apenas?).  
De uma vez por todas apelo aos políticos do meu país para que ajam com integridade, com honradez, que coloquem os interesses da Nação acima dos pessoais e partidários e que não sejam em vão os sacrifícios que me (nos) pedem.
É tempo de avistarmos terra, correndo o risco de ficarmos eternamente náufragos de nós próprios!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Reality show da ignorância

Ter uma filha tennager implica, entre outras coisas, assistir a programas televisivos que em circunstâncias diferentes passariam despercebidos.
Ontem, ao serão, com a atenção repartida entre o trabalho que fazia no portátil e o olhar na televisão, ia vendo o desenrolar da “casa dos segredos”.
Interrogada, uma concorrente, rindo-se da sua ignorância, abanava a cabeça às perguntas da apresentadora.
- Qual a capital de Espanha? – Silêncio e risos.
- África fica para cima ou para baixo de Portugal? (já que Norte e Sul nada significavam)
– Para cima ? - responde com uma interrogação hesitante e insegura.
- O nome de um país da América do Sul? – Mais silêncio e risos.
- Meu Deus, como é possível? - Dei comigo a pensar!
Claro que é possível! Tudo é possível num país cuja política educativa, há largos anos, se tem preocupado com a estatística, tem investido mais nos que não querem estudar, nos mal comportados, nos desinteressados, tem desautorizado os professores, tem poupado, a todo o custo, nos recursos educativos, tem avaliado os profissionais com modelos importados do estrangeiro, tem tido como ministros e secretários de estado, na melhor das hipóteses, meros teóricos da educação, tem entupido a vida das escolas com papéis, tem inundado o dia-a-dia dos docentes com burocracias acéfalas, tem feito tudo para não ficarmos admirados com a ignorância que grassa em muitos dos nossos jovens.
Haja esperança...