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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Curiosidade em tom de verde

Sob a inspiração da musa lusitana e ainda eufórica com a redundante vitória desta noite sob a Bósnia, lembrei-me de partilhar convosco uma curiosidade, aprendida nas XIV Jornadas Históricas, sobre o verde da camisola do Sporting Clube de Portugal.
O Clube foi formado em 1906 e o seu equipamento inicial era todo branco, feito de lã.
Caros leitores, não é muito difícil imaginar o incómodo que provocaria o uso de tal equipamento para quem era obrigado a correr atrás de uma bola durante 90 minutos, principalmente no Verão – era uma tortura, sem dúvida!
Um dos seus fundadores, José de Alvalade, neto do Visconde de Alvalade, teve uma ideia luminosa: porque não utilizar o pano das mesas de snooker em vez da lã? Se assim pensou, melhor o fez.
A partir de então, o verde e o branco passaram a ser as cores emblemáticas deste grande e prestigiado clube português.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Dignidade nacional

Publico este texto antes do jogo decisivo para o apuramento do Euro 2012 entre a nossa selecção de futebol e a da Bósnia, ao qual não irei assistir pois gosto muito da minha dança …
Depois de ter visto e ouvido o modo como os nossos jogadores foram recebidos pelos adeptos da Bósnia, desejo, convictamente, que possamos eliminá-los não só para podermos participar nesta competição europeia do mais alto nível, mas também como forma de respondermos, inteligentemente, às provocações que nos foram dirigidas.
Apesar do ditado dizer que “amor com amor se paga” considero que a melhor resposta é sempre aquela que é dada com uma bofetada de luva branca.   
Para isso, basta ganharmos. 
Força, Portugal! 

A arte da coscuvilhice

Se há verbo mais utilizado pelas gentes deste espaço, quase rectângulo, na pontinha da Europa, é sem dúvida o verbo coscuvilhar.
Coscuvilham os colegas no local de trabalho, coscuvilham os empregados na ausência dos patrões, coscuvilham os estadistas nos meandros da política, coscuvilha o país inteiro numa mentalidade muito própria deste Sul que nos diferenciou.
A coscuvilhice tornou-se o dia-a-dia natural da preocupação nacional.
Com tanta coscuvilhice, tanta energia desperdiçada, tanta força deslocada neste país periférico, não é para admirar que Merkel e Sarkozy nos queiram atirar para o esquecimento ibérico.
Com este coscuvilheiro texto, a pensar em português, não me livro também eu de me coscuvilharem vocês!
Ah, nação imortal, que da coscuvilhice primordial, nasceste tu, ó Portugal! 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Fim de percurso


Somos corpo, somos espírito, somos vontade e razão, consciência e inteligência.
O Homem não morre só quando o seu corpo deixa de funcionar, mas também quando se fecha para as aprendizagens da vida.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Seia Cultural

Há espaços que, pelas suas características particulares, estão, desde o início, destinados a serem únicos entre os demais.
Mal a avistei, fui invadida por uma sensação ímpar de tranquilidade, de calma, como se o tempo ficasse suspenso, hipnotizado pela beleza da paisagem envolvente, adormecido pelo movimento cadenciado das folhas das árvores que baloiçavam ao sabor do vento.
Incrustada, na encosta verdejante da Serra da Estrela, Seia, longe dos grandes centros citadinos e na periferia da modernidade, é uma cidade que sabe apostar na divulgação da cultura, na partilha do saber.
Já há alguns anos que esta cidade serrana acolhe as Jornadas Históricas, – XIV, precisamente – tornando-se um ponto de encontro propiciador do debate e do conhecimento, aliciante, sem dúvida, para todos os que consideram que o saber não ocupa lugar.
Justamente por isso, eis -me aqui, mais uma vez, nesta acolhedora cidade, aguardando o início da sessão de abertura dos trabalhos.
Comodamente sentada, na sala multimédia da Casa Municipal da Cultura, escrevo este texto, inspirada pela paisagem bucólica, visível de uma das muitas rasgadas janelas desta sala circular que a tornam apetecível e especial.
Cidade simpática, esta, em que o clima agreste não resfriou o modo de ser da sua gente, sempre cordial, afável e amistosa com os forasteiros.
Tanto, ainda, por descobrir, neste meu Portugal!



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pedido

Escreves um texto por mim? - peço-te eu quase a dormir.
Estou cansada, estou exausta, tenho pressa em me deitar.
Escreves um texto por mim? - pergunto-te eu a sorrir com a certeza da resposta que não tardará a surgir.
Escrever um texto por ti?! - exclamas tu admirado, com o desejo formulado.
Não! Impossível de o fazer, pois a escrita de cada um reflecte o seu modo de ser.  

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Mondego

O post de hoje é uma outra maneira de enaltecer a minha cidade.
A imagem e o som, momentaneamente, tomam a primazia, neste meu espaço, através do documentário sobre o rio que atravessa e autentica a cidade de Coimbra: o Mondego, também chamado, carinhosamente, de Basófias.
Este trabalho pretende dar a conhecer o rio, a região que atravessa e a vida que dele acontece.
Cliquem no link, apreciem a beleza e a tranquilidade  deste portento da Natureza.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Naturalmente

O que nos faz pertencer a algum lugar? Talvez as raízes que nele criamos, os laços que estabelecemos, as emoções que aí vivemos.
Não sendo Coimbra a minha cidade da infância e adolescência, foi aquela que os ditames da vida me destinaram há muitos anos atrás.
Habituada aos caprichos da capital, parti rumo ao desconhecido, aventurei-me na incógnita de um presente já passado, sem saber que cada passo que dava ia desenhando, indelevelmente, um projecto de vida futuro: o meu.
Coimbra surgiu naturalmente na sequência dos acontecimentos.
A cidade acolheu-me nos seus braços, enfeitiçou-me com a sua áurea mística, seduziu-me com a sua beleza, cativou-me no romantismo de um passado cheio de história.
Hoje, tantos anos volvidos, Coimbra é a minha cidade. Sinto-a como se sempre tivesse estado à minha espera, pacientemente, sabendo que cada passo que eu ia dando me traria até si.



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Esta Crise

Caros leitores, esta crise, que nos assola e persegue, desperta-nos potencialidades criativas que nem imaginávamos possuir.
Lá diz o ditado que a necessidade faz o engenho e é bem certo!
Tempos novos, leia-se crise, costumes diferentes.
O restaurante e a cantina cederam o lugar à marmita. Dos restos, nascem pitéus divinais. As boleias, mesmo para curtas distâncias, voltam a estar na moda e até já se contabiliza o tempo dos banhos!
É todo um modo de vida que se altera numa adaptação, mais que lógica, às circunstâncias particulares deste contexto bem específico.
É o instinto da sobrevivência da espécie a actuar, é o lado natural a gritar mais alto! 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Compasso de espera

Sentada, na penumbra de um espaço acolhedor, aguardo que chegue a hora de uma reunião.
 Em tantas horas de espera, há que saber ocupar o tempo da melhor maneira, ou melhor, há que saber rentabilizar o tempo, o que não é difícil nos dias de hoje,  uma vez que a carga burocrática, associada ao ensino, agigantou-se de uma maneira tão assustadora que quase já não há tempo para haver tempo (confuso? Não!)
Bem, aqui, em compasso de espera, adiantei uma série de assuntos pendentes: preenchi uma resma de fichas (tanta papelada para ser arquivada…); preparei aulas; fiz um teste (sim, foi muito tempo a aguardar, acreditem!), sempre acompanhada pela “minha música” inspiradora e calma, num despertar de memórias adormecidas, carregadas de emoções e afectos.
Aqui, neste espaço repleto de silêncio e vazio, debruço o olhar pela vidraça salpicada de minúsculas gotículas da água da chuva.
 Lá fora, o dia continua sorumbático, triste e choroso, pintado em tons frios, quase gélidos.
Aqui, resguardada na penumbra de um espaço simpático, recolho-me em pensamentos e imagens, escutando a voz do silêncio.
Em dias assim, amargurados e cinzentos, eu sou solidão e melancolia!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Caminhada Solitária

Hoje é Dia de Todos os Santos, um dia celebrado no mundo ocidental e por todas as pessoas que seguem o Cristianismo. É um dos vários feriados religiosos do nosso calendário. É o dia em que se veneram todos aqueles que fizeram das suas vidas um caminho de santidade no anonimato.
Como é da tradição, o nosso povo aproveita este dia para homenagear os seus entes queridos, já partidos. Assim, Dia de Todos os Santos e Dia de Finados quase se confundem.
Este dia traz-me à memória um tempo que não volta, um tempo perdido no passado, um tempo não esquecido no presente.
Há muitos anos atrás, religiosamente, neste dia do ano, o meu pai saía bem cedo de casa, em Sintra e visitava todos os espaços onde enterrara a memória física de quem lhe fora querido. Neste dia preciso, o meu pai foi, desde que me lembro, anos sucessivos, de Sintra a Lisboa e daí a Setúbal, numa caminhada solitária, em honra dos que amara.
 Hoje, passado tanto tempo, ainda recordo aquele dia em que meu pai saía de manhã e só regressava à noite. Era uma ausência que, na altura, não significava nada para mim. Foi uma ausência decifrada muitos anos depois…
Hoje, gostaria de o ter acompanhado nesse percurso que o transportava às recordações da sua infância, da sua adolescência, em imagens só dele.
Hoje, gostaria de, naquele passado, ter tido a maturidade que me permitisse perceber a importância daquela caminhada solitária.
Hoje, quando por fim percebi, é tarde!
Fica a lembrança, fica a saudade, fica a memória de meu pai em mim. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Pensamento

Recolho-me nos braços apaziguadores da noite com uma simples constatação: a sociedade é composta por três grupos de pessoas: o grupo das que trabalham, o grupo das que fingem que trabalham e, por fim, o grupo das que não fazem a ponta de um corno.
Sempre pensei pertencer ao primeiro! 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Contraste


Lá fora, o vento ruge e brame num acesso de raiva e zanga. Com ele leva as folhas pálidas das árvores, num frenético rodopio, num temporal de chuva e ventania.
Cá dentro, nasce uma vontade imensa de me enroscar no sofá e embrulhar-me no calor de uma manta, escutando,  tranquilamente, o desassossego da Natureza inquieta, agitada, revolta, em contraste com a música calma e suave que me embala e me preenche.
Lá fora e cá dentro, a vida acontece.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

As Serviçais


Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver.


                                                                                           Martin Luther King


No domingo passado fui ao cinema ver “ As Serviçais”. Um filme cuja temática da desigualdade de direitos entre brancos e negros, na América dos anos 50/60, é tratada de um modo subtil e irónico. Um filme a duas cores e a duas vivências opostas: o branco e o negro. Um filme que mostra o quanto no meio da mesquinhez, da futilidade e da banalidade de um estilo de vida, é possível encontrar alguém que marca a diferença, alguém que luta pelos seus ideais, alguém que, mesmo só, se agiganta em defesa dos fracos e oprimidos.
Um filme cheio de solidariedade, amizade e fraternidade.  


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Dias Assim

A chuva por fim chegou, com ímpeto, com vontade de lavar a secura do Verão.
Em dias assim apetece o espaço acolhedor e aconchegante de uma sala de cinema.
Em dias cinzentos e chorosos, sabe bem a cúmplice partilha de um filme que se vê.
E, no final, uma pecaminosa fatia de pizza.
Touché