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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Reaparição

Eis que de súbito, decide romper com o silêncio a que se remetera, desde que procurara, na Cidade Luz, o refúgio perfeito para fazer a pausa necessária, a reflexão obrigatória, logo após a derrota que obteve nas eleições legislativas.
É compreensível, é aceitável, era preciso, quase inevitável, depois de uma governação desastrosa!
Quase já nem nos lembraríamos da sua existência, não fora o caos económico em que nos deixou, não fora o comprometimento do futuro que originou.
Anteontem, ao ouvi-lo afirmar, convictamente, perante jovens estudantes, numa universidade francesa, que os países pequenos, como o nosso, não têm de pagar as suas dívidas e que pensar isso é como uma brincadeira de criança, percebi, finalmente, os contornos ideológicos que comandaram a sua acção política, enquanto governou, como Primeiro-Ministro, a gente deste pequeno território.
Na sequência da primeira intervenção pública, após o afastamento assumido, na cidade dos amantes e numa campanha de marketing – cultiva o afastamento, mas não o esquecimento – o seu discurso inflamou o meio político e social, tal a calinada proferida perante uma vasta assembleia e prontamente divulgada pelos órgãos de comunicação social.
Raríssimos, são os momentos em que sinto vergonha de ser portuguesa.
Infelizmente, este foi um deles!



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Por fim

Que maratona!
Vinte e quatro horas depois de ter iniciado a realização do trabalho a apresentar no âmbito das XIV Jornadas Históricas, subordinado ao tema “A História e o Corpo”, dou por concluído aquele que irá ser o meu relatório.
O início custou, parecia que as ideias me tinham abandonado, mas a partir do momento em que delineei o assunto a contemplar, tudo se tornou mais fácil e a escrita fluiu serenamente.
Gostei do que produzi. 
Deu-me um prazer e um gozo incrível superar este desafio, numa luta contra o tempo. Consegui com qualidade e precisão. Confirmei a ideia de que funciono melhor sob pressão.
Não foi em vão que durante três dias percorri quilómetros de estrada entre Coimbra e Seia.
Citando o nosso poeta, tudo vale a pena quando a alma não é pequena.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Às voltas com "O Corpo"

Impreterivelmente, tenho de acabar um trabalho cujo prazo de entrega é dia 9, sexta-feira (é o pior das acções de formação…).
Que maneira mais agradável de passar um feriado! - comento eu. Ainda por cima vai ser extinto por decreto governamental, o que significa que é o último ano em que se pode desfrutar deste dia de lazer.
Imaginava-o cheio de “não tempo”, rodeado de calma e sossego.
Em vez disso, eis-me aqui, lutando contra os demoníacos ponteiros do relógio que conspiram contra mim!
E as ideias que teimam em não surgir e a inspiração que teima em não ajudar e eu que teimo em não desistir!
Não é  “A História e o Corpo” que me vai derrotar e vencer. Nunca!
Persistência, sempre e até ao fim!

Adenda: Aceitam-se sugestões e parcerias no âmbito do trabalho a apresentar.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eternamente

Termino o dia abraçando a mansidão da noite na companhia do som calmo e melódico de You Were always On My Mind.
O pensamento liberta-se.
Eternamente bela, eternamente única, eternamente minha.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Burocracia


Não imaginam a pilha de testes que, de súbito, se amontoou na minha secretária. 
De um dia para o outro, o monte de papéis disparou. 
A aproximação do final de um período escolar é sempre uma correria, uma azáfama, uma carga de trabalho que gira à volta dos papéis e mais papéis: são os testes para corrigir e cotar; as grelhas para preencher; as faltas para lançar; as estatísticas para elaborar; a auto-avaliação para realizar; a proposta de notas a apresentar; as informações para fazer chegar aos encarregados de educação; os relatórios de mil e umas coisas a completar; os planos a efectuar; outros a avaliar; medidas a inventar para alunos que nalguns casos não querem estudar (perdi-me nesta enumeração, sinto que algo me escapa). 
O mar da burocracia que galgou as nossas escolas, invadiu os serviços e aprisionou-nos na teia de malha apertada, não é mais que um reflexo da nossa própria sociedade. 
Como profissionais, enquanto continuarmos a dar primazia à burocracia assente na obrigatoriedade do preenchimento da papelada, com o consequente desgaste, desperdício de tempo e recursos, dificilmente conseguiremos aumentar a nossa produtividade que tanto é necessário. 
Ah, Portugal, Portugal, perdeste a racionalidade e a objectividade quando te deixaste dominar pela insegurança disfarçada de certezas inquestionáveis dos mangas-de-alpaca que te seduziram!

Adenda: Olhando, corajosamente, para a resma que me aguarda e me chama, neste domingo cinzento e sorumbático, suspiro de resignação, perdida no meio de tanto papel.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Frio e leituras

Nesta noite tão gélida, só mesmo doces recordações para aquecer.
O doodle da página de hoje do Google recorda o nascimento do escritor e jornalista Samuel Clemens, eternizado como Mark Twain.
Ao ver a imagem, tão sugestiva, de imediato, recordei o tempo, lá no passado, em que li, pela primeira vez, “As Aventuras de Tom Sawyer”.
 Foi numas das férias grandes, passadas na aldeia, em Formilo, que o descobri, despercebido entre os restantes livros empoeirados da modesta biblioteca.
Li-o intensamente, página após página, devorando cada frase, cada acção, cada trama que se adivinhava.
Com Tom Sawyer, soltei a rebeldia própria da adolescência: fugi e voltei, recriminei e percebi, errei e aprendi. 
Tom é o personagem que retrata fielmente as convulsões da meninice adolescente sem nunca perder a pureza da idade.
Hoje, ao ver aquela imagem, catapultei uma imensidão de lembranças prenhes de afectos.
Hoje, continuo a não perceber por que razão a maior parte dos jovens fogem dos livros, evitam a leitura.
Infelizmente, desconhecem o quanto perdem, cada vez que negam um livro.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A velha arca

No fim-de-semana que passou, aproveitando o sorriso rasgado do sol e a preguiça do tempo, decidi meter mãos à obra e dedicar-me às arrumações!
Cirandando por entre as inúmeras tarefas, “redescobri” uma velha arca guardada na penumbra de um espaço pouco visitado.
Uma arca que me acompanha há já bastante tempo, cheia de peças, algumas há muito arrecadadas, carinhosamente acomodadas por mãos cheias de saber, afecto e amor.
Este fim-de-semana, da velha e enferrujada arca, soltaram-se memórias ternurentas e bem-dispostas que me souberam tão bem!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Eis a razão

Finalmente veio a lume o verdadeiro motivo que originou o aceso e acalorado incidente  ocorrido no passado fim-de-semana, no final do jogo entre o Sport Lisboa e Benfica e o Sporting Clube de Portugal.  
Tudo explicado em  http://imprensafalsa.com/319313.html

domingo, 27 de novembro de 2011

Fado

No dia em que o fado – o de Lisboa – foi considerado Património Imaterial da Humanidade, recordo uma ideia, muito vaga que alguém adiantou sobre as origens deste estilo musical tão português (não consigo lembrar-me nem quando nem quem foi).
As características melódicas que o tornam único no espectro musical são as que o identificam e individualizam.
A melancolia, a tristeza, a saudade, cantadas na voz pungente do fado, teriam tido a sua origem nos cânticos amargurados e nostálgicos dos negros escravos que foram trazidos para Portugal a partir do século XV.
Saber que um aspecto bem preciso da cultura do meu país tornou-se um tesouro da humanidade, enche-me de orgulho, envaidece-me.
Afinal, outrora, já demos novos mundos ao mundo!

sábado, 26 de novembro de 2011

A arte do gamanço

A actual crise gera situações nunca antes imaginadas.
Cada vez mais os meios justificam os fins para pessoas em que a moralidade e o respeito pelo bem comum são meras palavras de significado desconhecido.
Para as bandas dos concelhos de Mira e Cantanhede, os amigos do alheio, imunes ao simbolismo que os bustos e as estátuas da região encerram, deram-lhes sumiço.
Em Mira, o busto do Visconde da Corujeira e em Cantanhede, a estátua do Arcebispo João Crisóstomo, desapareceram, sem deixarem rasto…
Vendo o que ocorrera nos concelhos vizinhos, em Tocha, o Presidente da Junta de Freguesia resolveu precaver-se, não fosse dar-se o caso da sua localidade ser a seguinte na lista e nas intenções dos larápios.
Numa jogada de antecipação, reveladora de um espírito arguto, o autarca trocou as voltas aos meliantes e, antes que estes se apaixonassem pelas três estatuetas do largo da igreja, (figuras ilustres da zona: Santos Silva, José Gomes da Cruz e Francisco Lucas Pires) mandou protegê-las com uma grade de eliaco.
É caso para dizer que autarca prevenido vale por dois!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Este fado que é o nosso

Eu não sei se é karma, se é fado, destino de ser-se português, mas o que é certo é que aqui, neste solarengo território virado para o mar, tudo acontece pela metade, comparativamente com o resto da Europa.
Em Itália, Berlusconi, o ex primeiro-ministro, edita um CD repleto de onze pungentes canções de amor – True Love- cujas letras são da sua autoria em parceria com Mariano Apicella.
Ao sair da cena política, o bilionário italiano, depois de sucessivos escândalos sexuais, parece buscar redenção nesta sua faceta artística, continuando, assim, na boca de todos!
Em Portugal, o nosso ex primeiro-ministro, engenheiro José Sócrates, esvaiu-se no silêncio do esquecimento, rumando até Paris (mais oui, parce que Paris est quelque chose d'autre, beaucoup plus mince) quiçá, buscando a redenção num outro curso universitário (engenharia nunca foi o seu forte), mais ligado às humanidades.
Ironias da vida para quem sempre demonstrou uma certa dificuldade nas relações humanas.
Nos Estados Unidos da América, há o Obama que pugna pela implementação de um Serviço Nacional de Saúde.
Em Inglaterra, uma rainha que já é tradição.
Em Portugal, temos um presidente que, a certa altura, aquando de uma visita oficial aos Açores, afirmou ” Ontem, eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante.”
Esta mania de sermos diferentes!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Porque


Sossega-me, o restolhar das folhas levadas no vento, em rodopio de espirais atapetadas. 
Acalma-me, o sossego da Natureza a acontecer.


Tranquiliza-me, o silêncio das palavras escritas.
Apaziguam-me, os afectos de cada memória avivada em forma de pensamento. 
Porque fui!
Porque sou!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

(Des)esperança

De há uns tempos para cá, a crise anda na boca de todos os portugueses.
Enquanto ela andava na boca não havia problema, mera teoria, falada, não sentida.
Este mês, com as facturas a chegarem, após as medidas implementadas pelo governo, o caso mudou de figura. 
Pela primeira vez senti, realmente, a repercussão da subida do IVA nas minhas rotinas diárias: o preço dos serviços e dos produtos agravaram-se, tudo aumentou. Até o meu desespero! 
As únicas coisas que diminuem são mesmo o consumo e o ânimo no futuro.
A angústia é saber que ainda agora a procissão vai no adro…

sábado, 19 de novembro de 2011

Sê pequeno para seres grande


Cada um de nós, nas relações que mantém com todos aqueles que se vão cruzando nos meandros, por vezes insondáveis e incompreensíveis da vida, tem muito a aprender, a reflectir, a repensar.
Quantas vezes nos recusamos a perceber as razões que norteiam as nossas acções?  Quantas vezes projectamos os nossos medos e angústias, as nossas fraquezas e cobardias no processo conducente à ideia do outro?
Quantos de nós, nos seus sossegos interiores, esmiuçamos os nossos actos, percebemos os motivos que nos impelem, assumimos os erros de conduta?
Quantos de nós somos capazes de humildemente reconhecer as nossas falhas e trilhar de novo um caminho, esquecendo os preconceitos anteriores?
Quantas vezes teremos de tropeçar, para finalmente nos erguermos e caminharmos direitos?
Quando conseguiremos tornarmo-nos pequenos entre os mais pequenos para, enfim, sermos grandes?


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Os primórdios do futebol

Ao encerrar esta trilogia sobre o futebol, relembro a intervenção, ocorrida nas já aqui mencionadas Jornadas Históricas, de Francisco Pinheiro, investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), da Universidade de Coimbra, sobre alguns dos traços estruturais e históricos do futebol português, desde o seu nascimento, em finais do século XIX, até à sua consolidação, em meados do século XX.
Uma comunicação deveras interessante, pois ao narrar a evolução do futebol em Portugal, o orador levou a assistência a reflectir sobre o país que fomos, sobre o país que somos e de como temos vindo a mudar.
Os primeiros registos da existência da prática de futebol em Portugal datam de 1888. Este desporto surge, assim, já no século XIX como um fenómeno tendencialmente de massas, mediático, popular e catalisador de emoções.
Desde que se dá a sua difusão por todo o país, através da movimentação, por motivos profissionais, de ex-casapianos, este passa a fazer parte da vida quotidiana, logo nos inícios do século XX.
O futebol entrou, pois, no nosso dia-a-dia e, por vezes, pode simbolizar muito mais que uma simples modalidade desportiva: um país inteiro, uma identidade, uma união em volta de uma bola e 11 jogadores.

Adenda: Sabendo que o futebol entrou em Portugal por influência dos ingleses que cá viviam, não consigo vislumbrar a razão pela qual o mesmo não sucedeu  na América.
Râguebi? 
Quase como diria Obélix “ Aqueles ingleses eram doidos”.