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domingo, 24 de janeiro de 2010

Bucólico




retirada de um power point recebido

Resgate

Hoje, foi um daqueles dias em que acordei com uma vontade imensa de concretizar inúmeras tarefas e quando, no final da noite, fiz o balanço do que realmente fora feito, cheguei à conclusão que a quantidade de tarefas terminadas ou mesmo iniciadas, não corresponderam à intensidade da força de vontade.
As horas correram e com elas a azáfama inerente ao trabalho, no confronto entre o compromisso e o merecido descanso do fim-de-semana.
Sempre que me sento, com a intenção de começar a trabalhar e ligo o portátil, com a certeza, pouco convicente,que vou seguir uma linha condutora, sem quaisquer devios, dou comigo a abrir variadissimas páginas, a explorar sites que, por sua vez ,levam a outros sites que se desdobram em links infindáveis, qual autoestrada repleta de vias que se cruzam e descruzam, se emaranham, numa complexa desorganização organizada, que me permitem abrir as janelas do mundo e alargar os horizontes do meu conhecimento.
Iniciada a madrugada, prometo a mim própria que da próxima vez será diferente.
E, confiante pela intenção formulada,fico imóvel, enfeitiçada pelo compasso cadenciado das mornas de Cesária Évora,que me embalam o espírito,enquanto o pensamento voa,idealizando cenários de águas cálidas, areias finas, céu azul, vegetação exuberante. Entrego-me!
E encantada, pelas sensações emanadas do pensamento, resgato o meu espírito,prenho de paz, da alma da música.
Adormeço.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sei Tu

http://www.youtube.com/watch?v=wWHDj28aZTc

(tentativa de tradução da letra )

Empurraste-me para além dos meus limites
e eu me sinto totalmente vivo, a minha própria vida,
Eu encontrei-me em ti e
olhei além dos limites inimagináveis.
Eu olhei dentro dos teus olhos
tentando entender,
mas eu nunca quis ver.
Eu vi a minha fraqueza e a insegurança,
a minha culpa e o meu complexo,
os meus medos e a minha impaciência.
Vi a minha escuridão e os meus demónios.
Então, eu olhei ainda mais
e no fundo do meu coração, um mar tempestuoso,
um vasto oceano,
onde tu podes mergulhar e perder-te,
lá no fundo da minha alma eu entendo!
Senti prazer e orgulho.
Eu tento entender o que hoje
Hoje, no saber, quem são realmente
agora eu sei que eu amo as coisas belas
Eu sei que eu amo tudo o que a vida me oferece
e uma delas és tu.

Paulo Coelho

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Eclipse

Acordo, para mais um dia de trabalho, o último da semana, com uma disposição que rivaliza o tempo: cinzento, chuvoso, sombrio.
O estado de espírito ressente-se da negritude, presenteada pelo dia.
A perspectiva do fim de semana surge como o sol que espreita, timidamente, por entre as nuvens sorumbáticas e sizudas, em raios dourados, alentando a Natureza.
Enquanto percorro a distância da viagem, solto o pensamento e este desprende-se livremente, em vagas sucessivas, desafiando, qual inevitabilidade, a reflexão.
No desenrolar temporal do exercício, por vezes, as conclusões daí retiradas, não são as mais favoráveis, de modo a contribuirem para o fim da disputa.
Tal como o tempo, que teima em continuar rezingão, vociferando ventanias de má disposição e aguaceiros de negatividade assim, o estado de espírito acompanha este dia de um Inverno, que parece infindável!
A não presença do Sol, eclipsando-se com a saudade, gera um vazio imenso, pela ausência do calor irradiado e da sensação regeneradora de um bem estar interior.

Reflexos

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estilhaços

Há alturas na vida, em que parece que todos os elementos, pessoas, acontecimentos, do dia-a-dia, se juntam numa conspiração, com o propósito de nos derrubarem.
São aqueles dias em que, por mais que se faça ou diga, nada resulta, tudo parece querer acontecer, despolutando o sentir, que toca no mais fundo da alma e fere, qual estocada final num duelo de esgrima.
São pedaços de tempo descoordenados, desorientados, desfragmentados em múltiplas emoções, fragilizando o ser que há, o ser que É! São emoções que fervilham, por mais que se teime em ignorá-las.
Há dias na vida em que o sentir é sinónimo de desânimo, não compreensão, desilusão e muita reflexão.
Nesses dias, enquanto espero a poção mágica que tudo soluciona, refugio-me em mim, em pensamentos mudos, em gritos surdos, em estilhaços de incompreensão.

Reflexão

Ser-se novo, em algo, é mais um, de entre os inúmeros desafios,com que a vida nos presenteia.
O chegar ao desconhecido, impõe que nos ambientemos às pessoas, às regras, aos hábitos: rotinas do tempo, consequências de permanências espraiadas no tempo.
O chegar ao desconhecido é um processo de adaptação, dupla simbiose entre as duas partes: os que chegam e os que já são, estão.
Mas o ser-se novo no desconhecido, também implica novas ideias, diferentes visões, partilha: génese de renovação, motor de desenvolvimento, de reformulações, mudanças, reflexões.
Não é um processo fácil para quem chega, pois as suas intenções, as suas actuações, porque se é novo no desconhecido, podem, por vezes, ser mal interpretadas.
Quando isso acontece, o diálogo é sem dúvida a melhor maneira de limar as agudas arestas dos conflitos, que o deixam de ser, devido à força das palavra.
Ser-se novo no desconhecido é um grande desafio, muitas vezes assente em desapontamento, desânimo, desilusão, tristeza, quase desistência.
Ser-se novo no desconhecido é deixar a vida acontecer e, com firmeza, persistir e acreditar!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Estado de Espírito

Quando decidi concretizar a ideia, que originou a materialização deste blog, nunca pressupus que o título escolhido pudesse corresponder às dificuldades sentidas num ou outro momento.
Apesar da tarefa basear-se numa grande vontade e gosto pela escrita, percebi que escrever é, sem dúvida, um estado de espírito. Se há alturas em que as palavras brotam, como cascatas, para o ecrã, numa sucessão de ideias, em que o que se pretende dizer torna-se fácil, normal, quase banal na sua técnica, outras há em que, por muito que se tente, o esforço é inglório e as ideias teimam em não se deixarem expressar por palavras, como se tivessem vida própria, independente do ser que as pensa. E nestes momentos, o exercício da expressão escrita é desnecessário porque, por mais palavras escritas e reescritas, as frases não surgem, as ideias não se materializam, o texto não se formaliza. E fica apenas um ecrã em branco por muito esforço que se faça em enfeitá-lo de letras.
Quando isto ocorre, escrever não é mais que um desafio, muitas vezes não vencido. No entanto, o desânimo do momento, é passageiro, pois há a profunda convicção de que o gosto pela escrita vencerá qualquer estado de espírito menos bom e, de novo, as palavras ganharão vida, as ideias despreender-se-ão do emaranhado de pensamentos e o texto surge, com a naturalidade própria de quem faz, da escrita, um espelho dos pensamentos, emoções, numa individualização do Ser.

domingo, 17 de janeiro de 2010

A Outra Parte de Mim

O dia termina. A noite chega de mansinho, sem pressas, dona de tudo e com ela o tempo parece não ter pressa, espreguiçando as suas esbeltas horas em longos e lentos minutos. Á noite, o tempo não tem pressa. Anoitece lá fora e dentro de mim.
Mais uma noite. Em redor, o silêncio estende-se à Natureza e embala os meus pensamentos. Ligo a música: calma, tranquila, apropriada ao momento.
Recosto-me, suavemente, e deixo o pensamento voar ao acaso, sem rédeas, sem pressas, sem metas. Dou-lhe total liberdade para poder viajar até onde o seu desejo o levar. Longe , perto, não me interessa. Hoje, agora não quero saber! Não é importante.
Eu, o eu consciente, o de todos os dias, padronizado, pensado, formatado, finda ao chegar a noite, quando, calmamente, me recosto e deixo o pensamento vaguear e levar-me para mundos interiores onde não há limites, tudo é possível.
No fascínio da noite, o silêncio esculpe-me em contornos perfeitos e passo a ser apenas éter, volátil,levada em espirais de ideias, que se atropelam e se misturam, em quadros de pensamentos surrealistas.
No silêncio da noite,deixo o pensamento apoderar-se de mim e fujo com ele em aventuras impensáveis, procurando a outra parte de mim...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sexta-Feira

Sexta-feira, fim de um dia de trabalho, de volta para casa, envolta numa sensação de leveza, de paz interior, de reencontro com o meu eu verdadeiro, enebriada pela perspectiva de dois dias de descanso, a antevisão do nada fazer, apenas descansar a alma, o corpo, a mente.
Sexta-feira,fim de um dia de trabalho, meto-me no carro, música ligada e deixo-me embalar pelo som que brota do rádio. Lá fora a chuva teima em cair, pling, pling, numa sinfonia da Natureza. As gotas de água jorram do alto, num ritmo compassado, misturando-se com o verde e a terra, nesta paisagem rural, envolta por pinhais, num lugar recôndido, resguardado da pressa e das certezas da civilização.
Sexta-feira, fim de um dia de trabalho, com a certeza do nada saber, do tudo possível, e do muito querer.
Sexta-feira, fim de um dia de trabalho, a pacatez desejada e, numa pequena fracção de tempo, a certeza de que tudo é efémero, nada é seguro e que a vida acontece, desenrola-se, manietando-nos como tontas marionetas, presas eternamente ao fio que lhes dá a vida.
Sexta-feira, fim de um dia de trabalho que, repentinamente, explode em contornos frios, sombrios, quase trágicos!
Sexta-feira, fim de um dia de trabalho, que poderia ter sido o início de um fim de tudo, e a redescoberta da importância de nos darmos aos outros, perpetuando a valorização no relacionamento humano.
Sexta-feira, final de um dia de trabalho,e, gravado na memória, fica a imagem de dois semblante distintos: num, um olhar amedrontado, de ser encurralado pelas incongruências da vida, noutro, a magia irradeada do olhar de uma criança, sôfrega de atenção, dedicação, amor,ambos envolvidos num abraço de solidariedade, partilha, entrega.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A Bela Dama e o Pássaro

A Bela Dama passava os seus dias sem nada que a entusiasmasse. Era uma Bela Dama igual a tantas outras belas damas que passavam os seus dias sempre iguais, numa cansativa monotonia.
A Bela Dama sonhava um dia conseguir fazer que os seus dias se abrissem de novo ao Dia, tão diferente dos outros dias pequenos e insignificantes.
O Pássaro passava os seus dias empoleirado no ramo de uma árvore, fazendo dela o seu Mundo.
Era um mundo pequeno, mas aconchegante, tranquilo e acolhedor. Mas o Pássaro sentia que havia outros mundos para descobrir, outros mundos que o aguardavam, tivesse ele coragem para levantar vôo.
Certo dia, desses pequeninos e insignificantes, que se repetem numa teimosa sucessão do tempo, a Bela Dama reparou na frondosa árvore que se erguia mesmo em frente a seus olhos. Olhou, num olhar atento, e reparou num pequeno pássaro que, pousado num dos seus ramos, chilreava, tristemente, melodias repletas de dor, saudade e desesperança, como se o seu chilrear fosse um grito de revolta, um grito de anseio, uma procura do que ainda não encontrara, mas sabia existir, pressentia estar tão perto.
O Pássaro, saltitando de ramo em ramo, foi pousar no mais alto da árvore e reparou na Bela Dama, no seu olhar meigo, triste, nos seus modos graciosos e sentiu uma alegria crescente, inebriante a invadi-lo, como se de repente, todas as minúsculas folhas do seu refúgio, desabrochassem, enfeitando os braços esguios e rugosos da frondosa árvore.
À Bela Dama, não foi indiferente a reacção do Pássaro. Ao Pássaro, o enlevo do olhar, com que a Bela Dama o envolveu, desde logo fez nascer nele o sonho de voar bem alto, de atingir limites nunca antes alcançados.
Desde então, a Bela Dama e o Pássaro, numa cumplicidade não falada, mas pressentida, roubavam ao Tempo minúsculos fragmentos que transformavam em momentos de partilha, deslumbramento, momentos mágicos, únicos que lhes permitiam acreditar, sonhar…
A Bela Dama mostrara ao Pássaro que podia, sem medos, aventurar-se em novos desafios feitos coragem, sem limites, sem fronteiras, bastava acreditar nas suas capacidades, no seu querer, bastava fazer acontecer e voar bem alto!
O Pássaro ensinara à Bela Dama que os seus dias se podiam abrir ao Dia.
E desde então, a Bela Dama e o Pássaro, cada qual no seu pequeno mundo, partilhavam um pouco de si, numa dádiva ao outro, que lhes permitiam viver o Dia e o Voar bem alto.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

As Raízes de Um Povo

Sou uma ouvinte assídua de rádio. Quer em casa quer no carro sintonizo, quase sempre, a Antena 1.
Esta opção pela rádio prende-se com a característica da mesma: pode ser ouvida em qualquer lugar e não obriga a pessoa a ficar parada em frente a ela, impossibilitando-a de fazer as suas obrigações.
E como ouvinte assídua que sou, posso afirmar que as nossas estações de rádio esquecem-se de bons compositores que existiram e outros que existem, remetendo para o silêncio, músicas, que pela mensagem em forma de letra, associada a belas melodias, fizeram delas êxitos intemporais.
Poderia citar, entre muitos, nomes como Adriano Correia de Oliveira, Hugo Maia de Loureiro, Sérgio Borges , Tonicha, cantores que deram voz a grandes sucessos, lembrados no tempo, devido à qualidade que os caracterizavam.
No youtube há sempre a possibilidade de rever as músicas que são do nosso agrado, mas que caíram no esquecimento.
E, navegando eu pelo youtube, de vídeo em vídeo, acabei por me fixar num cantor, que já há muito tempo não ouço e possui uma voz potente, forte, segura, daquelas que, uma vez ouvidas, nunca mais se esquecem. Refiro-me a Pedro Barroso, cantor trovador, compositor.
As suas canções, belas, profundas, de e com qualidade, fazem-me sentir bem, dão-me paz,transportam-me numa viagem interior em que o pensamento voa de encontro a um passado comum, às raízes de um povo, independentemente do tema cantado.
Pedro Barroso é sem dúvida um senhor da música portuguesa como muitos outros o foram.
Para bem da qualidade e do que é genuinamente português, no campo musical, é importante que cantores e compositores, com estas características, não caiam no esquecimento e sejam divulgados às gerações mais novas.
São elas que, no futuro, darão continuidade às nossas raízes como povo.


Poema sem título

Numa tela, desenhados
Pela mão de um artista,
Corpos, de gente, deformados
Num cenário surrealista.

Numa tela desenhados
Pela mão de um pintor,
Corpos, de gente, imaginados,
Numa expressão de horror.

Numa tela desenhados,
Pelo querer de um pintor,
Os seres nela retratados
São imagens feitas dor.


Corpos contorcidos,
Traços delineados,
Vidas (des) vividas,
Em segredos bem guardados.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Era uma vez...

Era uma vez...
Não era assim que começavam todas as histórias da nossa infância? Era uma vez... e extasiados ficávamos muito silenciosos à espera de saber se era uma triste, mas bela princesa que procurava o seu príncipe, transformado num qualquer animal por uma bruxa feia, com enormes borbulhas e afiadas unhas, riso agudo e estridente, fazendo prever, com antecedência, a eminência de pérfidas e malévolas acções ou se era o lindo e belo príncipe, jovem, senhor de um enorme reino, próspero e muito bem governado, que ansiava pela sua bela amada, que naquela altura da história, não era mais que uma pobre menina, mal tratada sempre a trabalhar, sem quaisquer perspectivas de um futuro risonho. Mas, qualquer que fosse a direcção que o enredo tomasse, continuávamos extasiados, presos pelas palavras, suspensos da acção, narrada geralmente por um avô ou avó, que tinha o condão de nos fazer sonhar, viajar por terras longínquas, explorar territórios bravios e inóspitos, contactar com seres nunca vistos. E a magia tomava conta de nós, como que saída da história, vinha encher os nossos pensamentos, as nossas memórias.
Eram momentos mágicos, sem dúvida, e que ainda hoje me lembro.
Era um espaço de reencontro de gerações.
Eram momentos que se perderam, mas que eu tive a sorte, como muitos da minha geração, de os ter vivido.
Era uma vez…