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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Virtualismos

A Internet revelou-se, nos últimos anos, como sendo uma das invenções que maiores alterações veio provocar nos hábitos de vida, nas rotinas diárias das pessoas.
Surgindo, como consequência da capacidade humana em vencer desafios, é um exemplo, entre outros, de como o Homem, quando se despe de preconceitos, eleva o seu pensamento a horizontes não imaginados e abre o seu coração à alma do Mundo, faz emergir o lado divino que em si habita.
Com a Internet, as cortinas cerradas das janelas do Mundo rasgaram-se, permitindo vislumbrar cenários desconhecidos, enquanto as fronteiras diluíam-se e a noção do tempo redefinia-se.
Hoje em dia, a Net é o vapor da Web que encurta distâncias, navegando nas águas profundas do mar virtual.
A capacidade do Homem em redescobrir -se e reinventar-se não tem limites: os desafios vencidos são, imediatamente, substituídos por outros a vencer. A senda do desenvolvimento é infinita.
O Futuro é pensado hoje.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Inevitabilidade

Hoje, enquanto limpava a secretária, fui dar com uma pen, já antiga, que se perdera pelas profundezas de uma das gavetas.
Olhando-a, tentava lembrar-me que conteúdos encerraria, numa ansiedade, natural, de quem tem pressa em desvendar segredos pressentidos.
Era uma pen, há muito, não utilizada por ter esgotado a sua capacidade. Abri-a e perdi-me na infinidade de pastas, documentos e imagens. Explorei cada um dos materiais nela guardados. Saboreei, em recordações avivadas, momentos passados, emoções sentidas, ideias defendidas, verbalizações do pensamento.
Cada texto que relia, cada imagem que o olhar percorria, projectava-me para o passado, numa viagem pela rota da memória, trilhada, muitas vezes, em caminhos, sinuosos e difíceis de percorrer, ladeados de recordações de saudade.
E percebi a inevitabilidade do passado no Ser do presente.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Calmaria


Caravela Vera Cruz

Porquê?

Sábado, 02:13 h, a noite mergulha no silêncio.
Lá fora, um carro solitário aventura-se na madrugada.
Olho para o ecrã! Desorientação, vazio: duelo entre o querer e a falta de inspiração.
Começo a ficar preocupada. De repente, a fonte do pensamento cessou de jorrar. Penso « é passageiro». Esta reflexão em nada contribui para a sensação que me invade. Interrogo-me « Porquê?», não obtenho respostas.
Olho, de novo, para o ecrã, reparo na desorientação do seu olhar. Não entende esta crise de palavras. Percebo, no olhar devolvido, a dúvida a nascer. Questiona-me das razões, sente-se tímido na sua nudez, culpa-me!
Não tenho respostas. Sinto o vazio, o nada: invadem o meu pensamento, desnudam-me a razão, esvaziam-me os sentimentos.
Procuro o seu olhar: parado, ausente. Cruzo-o no meu. Intuímo-nos na cumplicidade do nada.
Murmuro « o vazio das ideias cessará».
Acalma-se. Confia. Acredita.

Serenidade



Montemor

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

(Des) inspiração

Sento-me, abro o portátil, acedo ao blog, decidida a desabafar, para o papel,a linguagem do espírito: sentimentos e ideias tornadas verbum.
Olho para o ecrã, cúmplice dos meus pensamentos e, perante a sua nudez, aventuro-me a desvirginá-lo de novo.
Sinto-me como um pintor que, perante o branco da tela,decide ousar manchar a sua alvura,de modo a conseguir a obra imaginada, num exercício de criação autêntica e individual.
Olho para o ecrã e o vazio, que o preenche, contagia a minha inspiração.
Tal como o nada do ecrã, que teima em permanecer vazio, assim o nada do meu pensamento que recusa abrir-se em palavras esculpidas pelo escopro do artista.
E perante a candura do vazio, venereio a beleza do nada, que me contagia o espírito.
Fecho-me às ideias, numa recusa da escrita.

domingo, 24 de janeiro de 2010

A Magia da Leitura

A leitura e o prazer de «sentir» o livro,sempre me seduziram, tornando-me prisioneira dos seus signos.
Se há recordações de vida, que ficarão para sempre gravadas nas memórias do meu percurso de vida, serão os dias calmos e palatinos das férias grandes, em que ficava suspensa da leitura de um livro, enquanto, lá fora, na calícula do dia, as horas sucediam-se, numa lentidão preguiçosa, própria da moleza gerada pelos dias quentes desta altura do ano.
Neste exercício de memória, todos os pormenores do passado vêem ao de cima com uma nitidez surpreendente: cada traço, cada gesto, cada rosto, cada situação permanecem em mim como um espelho do passado, no qual as imagens aí reflectidas não se esmoreceram com a patine do tempo.
Na casa de férias, implantada na beleza de uma Natureza generosa, nas pessoas e na paisagem, após o almoço familiar, presidido pela avó, lembro-me que, com um livro na mão, dirigia-me para um dos quartos da ala oeste e deitando-me, em cima da cama, iniciava a minha aventura literária.
No exterior, os sons do campo embalavam a preguiça dos seres. As cigarras cantavam a despique, o ar quente entrava pela fresta da janela, acariciando a face e adormecendo os sentidos para o exterior. Era eu e o livro. Cada palavra, cada frase eram lidas sofregamente. Na minha mente, conseguia imaginar os personagens, os ambientes , as paisagens.
E ali, naquele fim de mundo, de uma aldeia perdida nos confins do espaço, onde a quietude do lugar era bálsamo revigorador para o corpo e, sobretudo, para o espírito, rodeada de verde e de serras, eu vivia aventuras ímpares, conhecia lugares exóticos, tornava-me heroína, aniquilava vilões, viajava com a mente, permanecia com o corpo.
Lá fora, a água da fonte continuava o seu percurso ritmado, brotando em jorros ténues, saciando animais e pessoas que ousassem aventurar-se na tarde tórrida.
Lá dentro, eu continuava a viver o livro, cada bocadinho das folhas preenchidas de letras mágicas que me permitiam ir a locais longínquos sem sair de onde estava, hipnotizada pela magia das palavras,numa envolvência magnífica e majestosa.
Foram dias de felicidade, foram momentos únicos que ficarão para sempre guardados na arca da memória.

Bucólico




retirada de um power point recebido

Resgate

Hoje, foi um daqueles dias em que acordei com uma vontade imensa de concretizar inúmeras tarefas e quando, no final da noite, fiz o balanço do que realmente fora feito, cheguei à conclusão que a quantidade de tarefas terminadas ou mesmo iniciadas, não corresponderam à intensidade da força de vontade.
As horas correram e com elas a azáfama inerente ao trabalho, no confronto entre o compromisso e o merecido descanso do fim-de-semana.
Sempre que me sento, com a intenção de começar a trabalhar e ligo o portátil, com a certeza, pouco convicente,que vou seguir uma linha condutora, sem quaisquer devios, dou comigo a abrir variadissimas páginas, a explorar sites que, por sua vez ,levam a outros sites que se desdobram em links infindáveis, qual autoestrada repleta de vias que se cruzam e descruzam, se emaranham, numa complexa desorganização organizada, que me permitem abrir as janelas do mundo e alargar os horizontes do meu conhecimento.
Iniciada a madrugada, prometo a mim própria que da próxima vez será diferente.
E, confiante pela intenção formulada,fico imóvel, enfeitiçada pelo compasso cadenciado das mornas de Cesária Évora,que me embalam o espírito,enquanto o pensamento voa,idealizando cenários de águas cálidas, areias finas, céu azul, vegetação exuberante. Entrego-me!
E encantada, pelas sensações emanadas do pensamento, resgato o meu espírito,prenho de paz, da alma da música.
Adormeço.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sei Tu

http://www.youtube.com/watch?v=wWHDj28aZTc

(tentativa de tradução da letra )

Empurraste-me para além dos meus limites
e eu me sinto totalmente vivo, a minha própria vida,
Eu encontrei-me em ti e
olhei além dos limites inimagináveis.
Eu olhei dentro dos teus olhos
tentando entender,
mas eu nunca quis ver.
Eu vi a minha fraqueza e a insegurança,
a minha culpa e o meu complexo,
os meus medos e a minha impaciência.
Vi a minha escuridão e os meus demónios.
Então, eu olhei ainda mais
e no fundo do meu coração, um mar tempestuoso,
um vasto oceano,
onde tu podes mergulhar e perder-te,
lá no fundo da minha alma eu entendo!
Senti prazer e orgulho.
Eu tento entender o que hoje
Hoje, no saber, quem são realmente
agora eu sei que eu amo as coisas belas
Eu sei que eu amo tudo o que a vida me oferece
e uma delas és tu.

Paulo Coelho

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Eclipse

Acordo, para mais um dia de trabalho, o último da semana, com uma disposição que rivaliza o tempo: cinzento, chuvoso, sombrio.
O estado de espírito ressente-se da negritude, presenteada pelo dia.
A perspectiva do fim de semana surge como o sol que espreita, timidamente, por entre as nuvens sorumbáticas e sizudas, em raios dourados, alentando a Natureza.
Enquanto percorro a distância da viagem, solto o pensamento e este desprende-se livremente, em vagas sucessivas, desafiando, qual inevitabilidade, a reflexão.
No desenrolar temporal do exercício, por vezes, as conclusões daí retiradas, não são as mais favoráveis, de modo a contribuirem para o fim da disputa.
Tal como o tempo, que teima em continuar rezingão, vociferando ventanias de má disposição e aguaceiros de negatividade assim, o estado de espírito acompanha este dia de um Inverno, que parece infindável!
A não presença do Sol, eclipsando-se com a saudade, gera um vazio imenso, pela ausência do calor irradiado e da sensação regeneradora de um bem estar interior.

Reflexos

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Estilhaços

Há alturas na vida, em que parece que todos os elementos, pessoas, acontecimentos, do dia-a-dia, se juntam numa conspiração, com o propósito de nos derrubarem.
São aqueles dias em que, por mais que se faça ou diga, nada resulta, tudo parece querer acontecer, despolutando o sentir, que toca no mais fundo da alma e fere, qual estocada final num duelo de esgrima.
São pedaços de tempo descoordenados, desorientados, desfragmentados em múltiplas emoções, fragilizando o ser que há, o ser que É! São emoções que fervilham, por mais que se teime em ignorá-las.
Há dias na vida em que o sentir é sinónimo de desânimo, não compreensão, desilusão e muita reflexão.
Nesses dias, enquanto espero a poção mágica que tudo soluciona, refugio-me em mim, em pensamentos mudos, em gritos surdos, em estilhaços de incompreensão.

Reflexão

Ser-se novo, em algo, é mais um, de entre os inúmeros desafios,com que a vida nos presenteia.
O chegar ao desconhecido, impõe que nos ambientemos às pessoas, às regras, aos hábitos: rotinas do tempo, consequências de permanências espraiadas no tempo.
O chegar ao desconhecido é um processo de adaptação, dupla simbiose entre as duas partes: os que chegam e os que já são, estão.
Mas o ser-se novo no desconhecido, também implica novas ideias, diferentes visões, partilha: génese de renovação, motor de desenvolvimento, de reformulações, mudanças, reflexões.
Não é um processo fácil para quem chega, pois as suas intenções, as suas actuações, porque se é novo no desconhecido, podem, por vezes, ser mal interpretadas.
Quando isso acontece, o diálogo é sem dúvida a melhor maneira de limar as agudas arestas dos conflitos, que o deixam de ser, devido à força das palavra.
Ser-se novo no desconhecido é um grande desafio, muitas vezes assente em desapontamento, desânimo, desilusão, tristeza, quase desistência.
Ser-se novo no desconhecido é deixar a vida acontecer e, com firmeza, persistir e acreditar!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Estado de Espírito

Quando decidi concretizar a ideia, que originou a materialização deste blog, nunca pressupus que o título escolhido pudesse corresponder às dificuldades sentidas num ou outro momento.
Apesar da tarefa basear-se numa grande vontade e gosto pela escrita, percebi que escrever é, sem dúvida, um estado de espírito. Se há alturas em que as palavras brotam, como cascatas, para o ecrã, numa sucessão de ideias, em que o que se pretende dizer torna-se fácil, normal, quase banal na sua técnica, outras há em que, por muito que se tente, o esforço é inglório e as ideias teimam em não se deixarem expressar por palavras, como se tivessem vida própria, independente do ser que as pensa. E nestes momentos, o exercício da expressão escrita é desnecessário porque, por mais palavras escritas e reescritas, as frases não surgem, as ideias não se materializam, o texto não se formaliza. E fica apenas um ecrã em branco por muito esforço que se faça em enfeitá-lo de letras.
Quando isto ocorre, escrever não é mais que um desafio, muitas vezes não vencido. No entanto, o desânimo do momento, é passageiro, pois há a profunda convicção de que o gosto pela escrita vencerá qualquer estado de espírito menos bom e, de novo, as palavras ganharão vida, as ideias despreender-se-ão do emaranhado de pensamentos e o texto surge, com a naturalidade própria de quem faz, da escrita, um espelho dos pensamentos, emoções, numa individualização do Ser.