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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Rosa Lobato Faria

Quando editei o post anterior, nunca supus que este pudessse estar tão interligado com o assunto do presente post: a homenagem à escritora Rosa Lobato Faria.
Confesso que pouco conhecia desta senhora, a não ser no papel de actriz, na sua breve passagem pela televisão, através das telenovelas em que participou e num ou outro programa de entreternimento.
Como leitora devoradora que sou,o nunca ter incluído livros desta autora nas minhas opções de leitura, não é mais que uma gafe literária cometida.
A consciência deste facto foi despertada através de um mail recebido que me possibilitou, de um modo breve, um contacto com uma identidade literária que desconhecia.
Pela maneira como se posicionou perante os desafios da vida, pelas escolhas feitas, pela integridade e defesa das escolhas de vida, Rosa Lobato Faria morreu de pé, como as árvores.
Ofereço, em jeito de sugestão, a sua autobiografia, escrita para o JL e publicada há cerca de 2 anos.
É um texto longo, mas com uma fluência de ideias, esculpidas em palavras, que delícia o espírito.

"Autobiografia
Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance."
Rosa Lobato Faria

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Monumentos Humanos

O tempo passa demasiado rápido e só nos apercebemos disso, quando olhamos para o espelho e não reconhecemos a imagem reflectida.
Nessa passagem do tempo, espraiando-se num percurso de vida, de quase cinquenta anos, muitas têm sido as pessoas que conheci e com quem contactei. Umas, rápido de mais, como fumo esgueirando-se pela chaminé da vida; outras, num compasso mais lento,como as águas de um rio perto da foz: ficaram, permaneceram em imagens nítidas, que o tempo não consegue esbater; marcaram pela importância que tiveram no enredo da vida, pelo modo íntegro, vertical e corajoso com que enfrentaram os desafios que se lhes depararam, agindo sempre de acordo com os seus ideais, mesmos em contextos desfavoráveis, sem nunca desistirem dos sonhos almejados, tal como o marinheiro, que no alto da sua gávea, em pleno oceano,busca, na infinitude do horizonte, uma porção de terra, onde possa amarar e disfrutar do descanso merecido.
Este tipo de pessoas,com quem tive o privilégio de me relacionar, assemelho-as a árvores potentes, fortes, de raízes bem seguras no solo, que nenhuma tempestade consegue derrubar, mesmo que os elementos do tempo se conjuguem em frentes de baixas pressões,acompanhadas de furacões e chuvas torrenciais de pensamentos e palavras, empurradas pelo uivo do vento que parece gritar, sussurrando num murmúrio « desistam».
Este tipo de pessoas, são monumentos humanos e, tal como as árvores, também morrrerão de pé!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"(...)Os contraditórios(...)"in M.C

2 de Fevereiro de 2010, a notícia explodiu em todos os Orgãos da Comunicação Social: Mário Crespo, conceituado jornalista, colaborador do Jornal de Notícias, viu um artigo seu, ser impedido de sair na edição de hoje.
Nesse artigo, de opinião, o jornalista fazia referência a um almoço havido, num conceituado hotel, da capital, entre o Primeiro Ministro, José Sócrates e alguns membros do seu staf, no qual participava, também, um executivo da televisão.
Mário Crespo descrevia o teor da conversa que, pelo tom e intensidade de voz dos interlocutores, fora audível a quem se encontrava nas mesas em redor.
Nessa conversa, segundo fontes fidedignas, que o jornalista afirma possuir,discutia-se o incómodo que as críticas dos seus artigos têm vindo a provocar ao visado: José Sócrates.
É do conhecimento público, a opinião que este jornalista sempre defendeu em relação às políticas do Primeiro Ministro. Hoje, seria mais uma de entre muitas, mas foi silenciada por motivos que escondem-se na razão.Medo?
E este episódio fez-me recordar um tempo em que, também, era proíbido opinar-se de maneira diferente.
Um tempo, em que as palavras consentidas eram propriedade só de alguns.
Um tempo, em que as diferenças de opinião e de pensamento eram sonegadas a qualquer preço e de qualquer modo: os meios justificavam os fins.
Um tempo, em que a diferença de pensamento resistia a todos os ataques, em que os discursos impróprios e indesejados, pelo poder, nasciam de partos difíceis, pelas mãos dos que, sempre, fizeram da palavra a única arma capaz de vencer o autoritarismo, a arrogância, a falta de visão. Aqueles que, contra a força do poder, responderam com a força das palavras, com a força do querer, com a força de um sonho...
Hoje, dia 2 de Fevereiro de 2010, mais um contraditório foi silenciado!
Hoje, 2 de fevereiro de 2010, os ideais de Abril distanciaram-se um pouco mais.

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=161453

Virtualismos

A Internet revelou-se, nos últimos anos, como sendo uma das invenções que maiores alterações veio provocar nos hábitos de vida, nas rotinas diárias das pessoas.
Surgindo, como consequência da capacidade humana em vencer desafios, é um exemplo, entre outros, de como o Homem, quando se despe de preconceitos, eleva o seu pensamento a horizontes não imaginados e abre o seu coração à alma do Mundo, faz emergir o lado divino que em si habita.
Com a Internet, as cortinas cerradas das janelas do Mundo rasgaram-se, permitindo vislumbrar cenários desconhecidos, enquanto as fronteiras diluíam-se e a noção do tempo redefinia-se.
Hoje em dia, a Net é o vapor da Web que encurta distâncias, navegando nas águas profundas do mar virtual.
A capacidade do Homem em redescobrir -se e reinventar-se não tem limites: os desafios vencidos são, imediatamente, substituídos por outros a vencer. A senda do desenvolvimento é infinita.
O Futuro é pensado hoje.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Inevitabilidade

Hoje, enquanto limpava a secretária, fui dar com uma pen, já antiga, que se perdera pelas profundezas de uma das gavetas.
Olhando-a, tentava lembrar-me que conteúdos encerraria, numa ansiedade, natural, de quem tem pressa em desvendar segredos pressentidos.
Era uma pen, há muito, não utilizada por ter esgotado a sua capacidade. Abri-a e perdi-me na infinidade de pastas, documentos e imagens. Explorei cada um dos materiais nela guardados. Saboreei, em recordações avivadas, momentos passados, emoções sentidas, ideias defendidas, verbalizações do pensamento.
Cada texto que relia, cada imagem que o olhar percorria, projectava-me para o passado, numa viagem pela rota da memória, trilhada, muitas vezes, em caminhos, sinuosos e difíceis de percorrer, ladeados de recordações de saudade.
E percebi a inevitabilidade do passado no Ser do presente.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Calmaria


Caravela Vera Cruz

Porquê?

Sábado, 02:13 h, a noite mergulha no silêncio.
Lá fora, um carro solitário aventura-se na madrugada.
Olho para o ecrã! Desorientação, vazio: duelo entre o querer e a falta de inspiração.
Começo a ficar preocupada. De repente, a fonte do pensamento cessou de jorrar. Penso « é passageiro». Esta reflexão em nada contribui para a sensação que me invade. Interrogo-me « Porquê?», não obtenho respostas.
Olho, de novo, para o ecrã, reparo na desorientação do seu olhar. Não entende esta crise de palavras. Percebo, no olhar devolvido, a dúvida a nascer. Questiona-me das razões, sente-se tímido na sua nudez, culpa-me!
Não tenho respostas. Sinto o vazio, o nada: invadem o meu pensamento, desnudam-me a razão, esvaziam-me os sentimentos.
Procuro o seu olhar: parado, ausente. Cruzo-o no meu. Intuímo-nos na cumplicidade do nada.
Murmuro « o vazio das ideias cessará».
Acalma-se. Confia. Acredita.

Serenidade



Montemor

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

(Des) inspiração

Sento-me, abro o portátil, acedo ao blog, decidida a desabafar, para o papel,a linguagem do espírito: sentimentos e ideias tornadas verbum.
Olho para o ecrã, cúmplice dos meus pensamentos e, perante a sua nudez, aventuro-me a desvirginá-lo de novo.
Sinto-me como um pintor que, perante o branco da tela,decide ousar manchar a sua alvura,de modo a conseguir a obra imaginada, num exercício de criação autêntica e individual.
Olho para o ecrã e o vazio, que o preenche, contagia a minha inspiração.
Tal como o nada do ecrã, que teima em permanecer vazio, assim o nada do meu pensamento que recusa abrir-se em palavras esculpidas pelo escopro do artista.
E perante a candura do vazio, venereio a beleza do nada, que me contagia o espírito.
Fecho-me às ideias, numa recusa da escrita.

domingo, 24 de janeiro de 2010

A Magia da Leitura

A leitura e o prazer de «sentir» o livro,sempre me seduziram, tornando-me prisioneira dos seus signos.
Se há recordações de vida, que ficarão para sempre gravadas nas memórias do meu percurso de vida, serão os dias calmos e palatinos das férias grandes, em que ficava suspensa da leitura de um livro, enquanto, lá fora, na calícula do dia, as horas sucediam-se, numa lentidão preguiçosa, própria da moleza gerada pelos dias quentes desta altura do ano.
Neste exercício de memória, todos os pormenores do passado vêem ao de cima com uma nitidez surpreendente: cada traço, cada gesto, cada rosto, cada situação permanecem em mim como um espelho do passado, no qual as imagens aí reflectidas não se esmoreceram com a patine do tempo.
Na casa de férias, implantada na beleza de uma Natureza generosa, nas pessoas e na paisagem, após o almoço familiar, presidido pela avó, lembro-me que, com um livro na mão, dirigia-me para um dos quartos da ala oeste e deitando-me, em cima da cama, iniciava a minha aventura literária.
No exterior, os sons do campo embalavam a preguiça dos seres. As cigarras cantavam a despique, o ar quente entrava pela fresta da janela, acariciando a face e adormecendo os sentidos para o exterior. Era eu e o livro. Cada palavra, cada frase eram lidas sofregamente. Na minha mente, conseguia imaginar os personagens, os ambientes , as paisagens.
E ali, naquele fim de mundo, de uma aldeia perdida nos confins do espaço, onde a quietude do lugar era bálsamo revigorador para o corpo e, sobretudo, para o espírito, rodeada de verde e de serras, eu vivia aventuras ímpares, conhecia lugares exóticos, tornava-me heroína, aniquilava vilões, viajava com a mente, permanecia com o corpo.
Lá fora, a água da fonte continuava o seu percurso ritmado, brotando em jorros ténues, saciando animais e pessoas que ousassem aventurar-se na tarde tórrida.
Lá dentro, eu continuava a viver o livro, cada bocadinho das folhas preenchidas de letras mágicas que me permitiam ir a locais longínquos sem sair de onde estava, hipnotizada pela magia das palavras,numa envolvência magnífica e majestosa.
Foram dias de felicidade, foram momentos únicos que ficarão para sempre guardados na arca da memória.

Bucólico




retirada de um power point recebido

Resgate

Hoje, foi um daqueles dias em que acordei com uma vontade imensa de concretizar inúmeras tarefas e quando, no final da noite, fiz o balanço do que realmente fora feito, cheguei à conclusão que a quantidade de tarefas terminadas ou mesmo iniciadas, não corresponderam à intensidade da força de vontade.
As horas correram e com elas a azáfama inerente ao trabalho, no confronto entre o compromisso e o merecido descanso do fim-de-semana.
Sempre que me sento, com a intenção de começar a trabalhar e ligo o portátil, com a certeza, pouco convicente,que vou seguir uma linha condutora, sem quaisquer devios, dou comigo a abrir variadissimas páginas, a explorar sites que, por sua vez ,levam a outros sites que se desdobram em links infindáveis, qual autoestrada repleta de vias que se cruzam e descruzam, se emaranham, numa complexa desorganização organizada, que me permitem abrir as janelas do mundo e alargar os horizontes do meu conhecimento.
Iniciada a madrugada, prometo a mim própria que da próxima vez será diferente.
E, confiante pela intenção formulada,fico imóvel, enfeitiçada pelo compasso cadenciado das mornas de Cesária Évora,que me embalam o espírito,enquanto o pensamento voa,idealizando cenários de águas cálidas, areias finas, céu azul, vegetação exuberante. Entrego-me!
E encantada, pelas sensações emanadas do pensamento, resgato o meu espírito,prenho de paz, da alma da música.
Adormeço.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Sei Tu

http://www.youtube.com/watch?v=wWHDj28aZTc

(tentativa de tradução da letra )

Empurraste-me para além dos meus limites
e eu me sinto totalmente vivo, a minha própria vida,
Eu encontrei-me em ti e
olhei além dos limites inimagináveis.
Eu olhei dentro dos teus olhos
tentando entender,
mas eu nunca quis ver.
Eu vi a minha fraqueza e a insegurança,
a minha culpa e o meu complexo,
os meus medos e a minha impaciência.
Vi a minha escuridão e os meus demónios.
Então, eu olhei ainda mais
e no fundo do meu coração, um mar tempestuoso,
um vasto oceano,
onde tu podes mergulhar e perder-te,
lá no fundo da minha alma eu entendo!
Senti prazer e orgulho.
Eu tento entender o que hoje
Hoje, no saber, quem são realmente
agora eu sei que eu amo as coisas belas
Eu sei que eu amo tudo o que a vida me oferece
e uma delas és tu.

Paulo Coelho

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Eclipse

Acordo, para mais um dia de trabalho, o último da semana, com uma disposição que rivaliza o tempo: cinzento, chuvoso, sombrio.
O estado de espírito ressente-se da negritude, presenteada pelo dia.
A perspectiva do fim de semana surge como o sol que espreita, timidamente, por entre as nuvens sorumbáticas e sizudas, em raios dourados, alentando a Natureza.
Enquanto percorro a distância da viagem, solto o pensamento e este desprende-se livremente, em vagas sucessivas, desafiando, qual inevitabilidade, a reflexão.
No desenrolar temporal do exercício, por vezes, as conclusões daí retiradas, não são as mais favoráveis, de modo a contribuirem para o fim da disputa.
Tal como o tempo, que teima em continuar rezingão, vociferando ventanias de má disposição e aguaceiros de negatividade assim, o estado de espírito acompanha este dia de um Inverno, que parece infindável!
A não presença do Sol, eclipsando-se com a saudade, gera um vazio imenso, pela ausência do calor irradiado e da sensação regeneradora de um bem estar interior.

Reflexos