O Homem é um ser, eminentemente, social na medida em que depende do Outro para a formação da sua própria identidade.
A consciência do ser individual nasce da dialéctica do Eu em oposição ao Tu.
A relação do Eu com os Outro é um processo dinâmico, com reflexos na realidade, que permite perceber a identidade na unicidade do ser.
Desafioos é já por si um desafio lançado em forma de repto: "Andas muito filosófica, tens de criar um blogue!". Porque gosto de desafios, aceitei o desafio e criei este blogue.
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segunda-feira, 1 de março de 2010
A Linguagem da Alma do Mundo
A vida é surpreendente, oferece-nos ensinamentos, muitas vezes, não percebidos por desatenção e falta de intuição.
Entender a linguagem da alma do mundo, que se exprime através das lições de vida, implica saber abrir o coração aos outros, purificá-lo dos poluentes da comunicação e aceitar a génese da condição humana.
Esta linguagem universal ensina-nos a importância da partilha, da entreajuda, da solidariedade e, acima de tudo, da simplicidade de ser-se entre os demais.
Todo aquele que, erguido no pedestal da vida, compreende a importância do gesto solidário de estender a mão ao seu semelhante, quando a vida o derrubou, ajudando-o a levantar-se, tomando-o como um igual, esse ser conseguiu quebrar as grilhetas do coração e perceber a linguagem da alma do Mundo.
“ Nenhum homem tem o direito de altear-se perante um outro, a não ser para o ajudar a erguer-se. “
Entender a linguagem da alma do mundo, que se exprime através das lições de vida, implica saber abrir o coração aos outros, purificá-lo dos poluentes da comunicação e aceitar a génese da condição humana.
Esta linguagem universal ensina-nos a importância da partilha, da entreajuda, da solidariedade e, acima de tudo, da simplicidade de ser-se entre os demais.
Todo aquele que, erguido no pedestal da vida, compreende a importância do gesto solidário de estender a mão ao seu semelhante, quando a vida o derrubou, ajudando-o a levantar-se, tomando-o como um igual, esse ser conseguiu quebrar as grilhetas do coração e perceber a linguagem da alma do Mundo.
“ Nenhum homem tem o direito de altear-se perante um outro, a não ser para o ajudar a erguer-se. “
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Silêncios Premonitórios
Passados quase dois meses da criação deste blog, o espírito desafiador, que o alicerçou, não esmoreceu.
A escrita sempre fora uma paixão, demasiadas vezes adiada. O acto de passar para o papel as ideias, que germinavam no coração e pululavam no pensamento, necessitou de ganhar segurança e um pouco de coragem por parte de quem, há muito, fazia da leitura um refúgio do rebuliço do final de dia.
A leitura continua a possibilitar momentos de evasão, num tempo exclusivamente só, de reencontro e comunhão do Eu: serão sempre momentos de pura magia, encantamento, inebriação, geradores de conhecimento.
A paixão pela leitura fez crescer, em silêncios premonitórios, o gosto pela escrita.
A escrita sempre fora uma paixão, demasiadas vezes adiada. O acto de passar para o papel as ideias, que germinavam no coração e pululavam no pensamento, necessitou de ganhar segurança e um pouco de coragem por parte de quem, há muito, fazia da leitura um refúgio do rebuliço do final de dia.
A leitura continua a possibilitar momentos de evasão, num tempo exclusivamente só, de reencontro e comunhão do Eu: serão sempre momentos de pura magia, encantamento, inebriação, geradores de conhecimento.
A paixão pela leitura fez crescer, em silêncios premonitórios, o gosto pela escrita.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Homenagem
Na sequência do assunto do post anterior, lembrei-me de alguém que, apesar de estrangeiro, dignificou a côr da camisola que envergava.
Apesar de saber que as vitórias são sempre fruto de um trabalho de e em equipa, não posso deixar de homenagear um jogador que se destacou de todos os outros.
Relembro, com um sorriso nos lábios e um misto de dupla saudade, a disputa do campeonato nacional naquele ano de 1973/1974 em que Hector Casimiro Yazalde, o Chirola, era o motor da equipa, levando todos à sua passagem, como locomotiva desgovernada, tendo contribuindo para as vitórias alcançadas pelo Sporting nesse ano.
O Chirola era um ser humano simples e humilde, marcou 46 golos em 30 jogos e conquistou a Bota de Ouro europeia. Esta faceta demonstra bem a qualidade do jogador e a contribuição que deu para a valorização da equipa Sportinguista.
Em 19 de Maio de 1974, Yazalde estabeleceu um novo recorde europeu de golos batendo o recorde do húngaro Skoblar. Como prémio, recebeu um carro, que vendeu e dividiu o dinheiro com os companheiros de equipa. Gesto de uma nobreza ímpar, pleno de solidariedade e altruísmo.
Ainda recordo Yazalde e as noites de competição europeia, em que já deitada, ligava muito em surdina, o transístor, enfiado debaixo da almofada, não fossem os meus pais ouvir, e ficava muito sossegada a ouvir o relato das façanhas de uma equipa que me foi conquistando aos bocadinhos.
Apesar de saber que as vitórias são sempre fruto de um trabalho de e em equipa, não posso deixar de homenagear um jogador que se destacou de todos os outros.
Relembro, com um sorriso nos lábios e um misto de dupla saudade, a disputa do campeonato nacional naquele ano de 1973/1974 em que Hector Casimiro Yazalde, o Chirola, era o motor da equipa, levando todos à sua passagem, como locomotiva desgovernada, tendo contribuindo para as vitórias alcançadas pelo Sporting nesse ano.
O Chirola era um ser humano simples e humilde, marcou 46 golos em 30 jogos e conquistou a Bota de Ouro europeia. Esta faceta demonstra bem a qualidade do jogador e a contribuição que deu para a valorização da equipa Sportinguista.
Em 19 de Maio de 1974, Yazalde estabeleceu um novo recorde europeu de golos batendo o recorde do húngaro Skoblar. Como prémio, recebeu um carro, que vendeu e dividiu o dinheiro com os companheiros de equipa. Gesto de uma nobreza ímpar, pleno de solidariedade e altruísmo.
Ainda recordo Yazalde e as noites de competição europeia, em que já deitada, ligava muito em surdina, o transístor, enfiado debaixo da almofada, não fossem os meus pais ouvir, e ficava muito sossegada a ouvir o relato das façanhas de uma equipa que me foi conquistando aos bocadinhos.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Emoções
O meu amor ao Sporting é bem conhecido por todos os que comigo privam.
Se me perguntarem desde quando é que o namoro começou, não vos sei dizer ao certo. Lembro-me, nitidamente, teria cerca de onze anos, de ter assumido esta paixão, contrariando a onda vermelha do momento(não tenho nada contra as diferenças).
Assim, já que todos torciam pela equipa da família Accipitridae, decidi, num gesto de solidariedade, tornar-me leoa por inteiro. Esta opção fez de mim uma adepta sofredora (porque ser-se do Sporting é isso mesmo, sofrer, sempre, até ao fim) que sente e partilha, no mais fundo do seu ser, as alegrias, as tristezas, as vitórias, as derrotas de juba ao vento e pronta para a luta!
Hoje vibrei, torci, gritei, pulei, saltei cada vez que a minha equipa marcava um golo. A emoção sentida fez-me reflectir e concluir que, ser-se leoa é um estado de alma, é partilhar a esperança da cor que nos distingue, é apoiar a equipa nas derrotas, festejar as vitórias e acreditar sempre que o novo ano será O Ano!
Ser-se leoa é assumir o gosto, por um desporto eminentemente masculino, de cabeça erguida e orgulho na paixão defendida, contra os olhares esguios de velada censura.
Ser-se leoa é, acima de tudo, perceber os defeitos, aceitar as críticas, rir com as próprias desgraças e não apagar os emails, de humor duvidoso, que os adeptos das equipas adversárias, prontamente, fazem chegar à caixa de correio!
Ser-se Leoa é um desafio permanente e um amor quase inexplicável!
VIVA O MEU SPORTING, SEMPRE!
Se me perguntarem desde quando é que o namoro começou, não vos sei dizer ao certo. Lembro-me, nitidamente, teria cerca de onze anos, de ter assumido esta paixão, contrariando a onda vermelha do momento(não tenho nada contra as diferenças).
Assim, já que todos torciam pela equipa da família Accipitridae, decidi, num gesto de solidariedade, tornar-me leoa por inteiro. Esta opção fez de mim uma adepta sofredora (porque ser-se do Sporting é isso mesmo, sofrer, sempre, até ao fim) que sente e partilha, no mais fundo do seu ser, as alegrias, as tristezas, as vitórias, as derrotas de juba ao vento e pronta para a luta!
Hoje vibrei, torci, gritei, pulei, saltei cada vez que a minha equipa marcava um golo. A emoção sentida fez-me reflectir e concluir que, ser-se leoa é um estado de alma, é partilhar a esperança da cor que nos distingue, é apoiar a equipa nas derrotas, festejar as vitórias e acreditar sempre que o novo ano será O Ano!
Ser-se leoa é assumir o gosto, por um desporto eminentemente masculino, de cabeça erguida e orgulho na paixão defendida, contra os olhares esguios de velada censura.
Ser-se leoa é, acima de tudo, perceber os defeitos, aceitar as críticas, rir com as próprias desgraças e não apagar os emails, de humor duvidoso, que os adeptos das equipas adversárias, prontamente, fazem chegar à caixa de correio!
Ser-se Leoa é um desafio permanente e um amor quase inexplicável!
VIVA O MEU SPORTING, SEMPRE!
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
De Novo
De novo!
A minha inspiração teima em não aceder aos apelos insistentes que lhe faço.
Demonstro-lhe, com argumentos válidos, a necessidade que tenho em voltar a escrever. Não me ouve! Recusa a responsabilidade.
Perante a atitude assumida, mergulho no vazio de ideias, naufrago no mar dos temas: nenhum me fascina de modo a tentar o exercício da escrita.
Adio a vontade.
A minha inspiração teima em não aceder aos apelos insistentes que lhe faço.
Demonstro-lhe, com argumentos válidos, a necessidade que tenho em voltar a escrever. Não me ouve! Recusa a responsabilidade.
Perante a atitude assumida, mergulho no vazio de ideias, naufrago no mar dos temas: nenhum me fascina de modo a tentar o exercício da escrita.
Adio a vontade.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Curia
Apesar da beleza que a vida encerra, há momentos que impelem ao isolamento, numa introspecção precisa, solidão procurada.
Estes momentos desempenham papel importante no trilhar de caminhos pessoais, pois ajudam a perceber, a distinguir, a reflectir.
E nesses momentos, de procura interior de respostas, o recurso a ambientes tranquilos, em contacto com a Natureza, torna-se um bálsamo que ajuda a ordenar o emaranhado de premissas.
Situada na região da Bairrada, a Curia, oásis de beleza e tranquilidade, no meio do rebuliço agitado do quotidiano, é o ambiente, por excelência, purificador e clarificador do espírito.
A beleza ímpar que a caracteriza, Natureza de contornos românticos, deve-se à exuberância do verde circundante e à cristalinidade das suas águas.
O parque, aberto ao público, permite o deambular ao acaso, sem pressas, num contacto perfeito com a mãe Natureza.
Transpostos os largos portões de ferro, que dão acesso à imensidão paradisíaca de um espaço único, é-se invadido por uma onda de sensações que percorrem todo o ser: o cheiro da terra e das árvores, a calma encerrada nas águas do lago, ladeado de recantos misteriosos, o fascínio das cores envolventes, o som do silêncio, entrecortado pelo chilreio dos pássaros.
Um conjunto harmonioso e belo de tanta simplicidade.
A Curia com o seu parque, permitem o reencontro pessoal e individual, catalisador de energias, em momentos, necessariamente sós, de procura e pacificação do Eu.
Estes momentos desempenham papel importante no trilhar de caminhos pessoais, pois ajudam a perceber, a distinguir, a reflectir.
E nesses momentos, de procura interior de respostas, o recurso a ambientes tranquilos, em contacto com a Natureza, torna-se um bálsamo que ajuda a ordenar o emaranhado de premissas.
Situada na região da Bairrada, a Curia, oásis de beleza e tranquilidade, no meio do rebuliço agitado do quotidiano, é o ambiente, por excelência, purificador e clarificador do espírito.
A beleza ímpar que a caracteriza, Natureza de contornos românticos, deve-se à exuberância do verde circundante e à cristalinidade das suas águas.
O parque, aberto ao público, permite o deambular ao acaso, sem pressas, num contacto perfeito com a mãe Natureza.
Transpostos os largos portões de ferro, que dão acesso à imensidão paradisíaca de um espaço único, é-se invadido por uma onda de sensações que percorrem todo o ser: o cheiro da terra e das árvores, a calma encerrada nas águas do lago, ladeado de recantos misteriosos, o fascínio das cores envolventes, o som do silêncio, entrecortado pelo chilreio dos pássaros.
Um conjunto harmonioso e belo de tanta simplicidade.
A Curia com o seu parque, permitem o reencontro pessoal e individual, catalisador de energias, em momentos, necessariamente sós, de procura e pacificação do Eu.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Hino à Amizade
Dizes que o dia nasce, em rituais já gastos, de tanto teimarmos em usá-los.
Reafirmas, num lamento sentido, a falta de coragem em mudarmos rumos, trilharmos novos caminhos, enfrentarmos desafios com a força do querer e, chegarmos ao final, com a certeza que valeu a pena, mesmo que não tenhamos conseguido.
Apelas, de um modo simples e singelo, à coragem da mudança, à inutilidade de decisões adiadas, à importância da caminhada em busca do que desejamos, do que pretendemos, do que precisamos para sermos, simplesmente, felizes.
A ansiedade, que encerras nas ideias, irrompe em gritos de palavras, na urgência do tempo que se escoa.
Desafias a acção na concretização de sonhos a alcançar, ideais a defender.
Percebemo-nos no diálogo do silêncio que estabelecemos.
E a amizade, também, é isso mesmo!
Citando alguém que ambas tão bem conhecemos(sorrindo de saudade com a lembrança):
- «És única!»
Reafirmas, num lamento sentido, a falta de coragem em mudarmos rumos, trilharmos novos caminhos, enfrentarmos desafios com a força do querer e, chegarmos ao final, com a certeza que valeu a pena, mesmo que não tenhamos conseguido.
Apelas, de um modo simples e singelo, à coragem da mudança, à inutilidade de decisões adiadas, à importância da caminhada em busca do que desejamos, do que pretendemos, do que precisamos para sermos, simplesmente, felizes.
A ansiedade, que encerras nas ideias, irrompe em gritos de palavras, na urgência do tempo que se escoa.
Desafias a acção na concretização de sonhos a alcançar, ideais a defender.
Percebemo-nos no diálogo do silêncio que estabelecemos.
E a amizade, também, é isso mesmo!
Citando alguém que ambas tão bem conhecemos(sorrindo de saudade com a lembrança):
- «És única!»
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Puzzle de Palavras
Hoje apeteceu-me brincar com as palavras! Desenhar esboços de letras, em sílabas encaixadas num puzzle de significados.
Servi-me do alfabeto: vogais, consoantes, esculpi-o em forma de signos!
As palavras guerra, dor, sofrimento, declarei-as erro ortográfico!
Interditei a formação das suas áreas vocabulares!
Os antónimos de belo, paz e amor, retirei-os do dicionário!
Defendi a sinonímia da alegria e da amizade! Completamente, totalmente, escrupulosamente, com certezas adverbiais.
Exausta da traquinice ortográfica, terminei a brincadeira, redigindo a semântica num esguio ponto de exclamação.
Ah! Oh! ,reajo, ao reler o texto, numa explosão de interjeições!
Servi-me do alfabeto: vogais, consoantes, esculpi-o em forma de signos!
As palavras guerra, dor, sofrimento, declarei-as erro ortográfico!
Interditei a formação das suas áreas vocabulares!
Os antónimos de belo, paz e amor, retirei-os do dicionário!
Defendi a sinonímia da alegria e da amizade! Completamente, totalmente, escrupulosamente, com certezas adverbiais.
Exausta da traquinice ortográfica, terminei a brincadeira, redigindo a semântica num esguio ponto de exclamação.
Ah! Oh! ,reajo, ao reler o texto, numa explosão de interjeições!
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Um Sorriso
A interrupção de Carnaval terminou.
Esta pausa de três dias, no calendário escolar, foi óptima para retemperar forças e recarregar energias.
O regresso ao local de trabalho implica, nuns casos, uma continuidade, noutros, um iniciar de percursos que desafiam e põem à prova a arte, o engenho, a partilha e a solidariedade.
Se um sorriso aflorar em cada gesto, em cada entrega, o caminho a percorrer não custará tanto e os desafios colocados serão superados.
Um sorriso!
Esta pausa de três dias, no calendário escolar, foi óptima para retemperar forças e recarregar energias.
O regresso ao local de trabalho implica, nuns casos, uma continuidade, noutros, um iniciar de percursos que desafiam e põem à prova a arte, o engenho, a partilha e a solidariedade.
Se um sorriso aflorar em cada gesto, em cada entrega, o caminho a percorrer não custará tanto e os desafios colocados serão superados.
Um sorriso!
Bocadinhos de sonhos meus...

Fernando Pessoa era um génio, ele conseguia, com uma facilidade
desconcertante, dar forma aos pensamentos, transmitir ideias, pois teve a arte suficiente para, realmente, sonhar os seus próprios sonhos e dá-los a conhecer, com uma simplicidade estonteante, em poesia e prosa.
Enquanto não consigo sonhar os meus próprios sonhos (será que alguma vez o conseguirei?) recorro à leitura dos sonhos de outros.
Não são meus, sem dúvida, mas encontro neles, muitas vezes,bocadinhos de sonhos meus!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Silêncios
O reflexo do silêncio espalha-se, inundando palavras mudas, em vagas sucessivas de marés sem sentido.
O silêncio espraia-se no som do seu eco, banhando, com águas revoltas, a incompreensão do saber em reflexões afundadas no sentir.
As não palavras agitadas, espumam do pensamento: são como ondas rebeldes, numa praia de emoções, sob um pôr-do-sol do querer. A luz, emanada dos seus raios, torna-se ténue, difusa, como farol apagado no meio de tempestade.
Os uivos do pensamento soltam-se em vendavais de desilusão, agigantam-se em ondas de silêncio, desfazendo castelos de sonhos, nas dunas do sentir, num combate entre a terra e o mar.
O silêncio, trazido pelo equinócio do nada, compõe, em semi- breves de tempo, claves de solidão em partituras de vida, diálogos mudos em legendas não percebidas.
O silêncio espraia-se no som do seu eco, banhando, com águas revoltas, a incompreensão do saber em reflexões afundadas no sentir.
As não palavras agitadas, espumam do pensamento: são como ondas rebeldes, numa praia de emoções, sob um pôr-do-sol do querer. A luz, emanada dos seus raios, torna-se ténue, difusa, como farol apagado no meio de tempestade.
Os uivos do pensamento soltam-se em vendavais de desilusão, agigantam-se em ondas de silêncio, desfazendo castelos de sonhos, nas dunas do sentir, num combate entre a terra e o mar.
O silêncio, trazido pelo equinócio do nada, compõe, em semi- breves de tempo, claves de solidão em partituras de vida, diálogos mudos em legendas não percebidas.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
A Alma do Mundo
A metereologia anunciava a chegada de uma massa de ar frio vindo do Pólo Norte que faria descer as temperaturas nos próximos dias.
A constatação da veracidade da notícia não se demorou a fazer sentir.
De facto, o frio anunciou-se: estendeu-nos o seu manto debruado de geada e orvalho e envolveu-nos num abraço gélido, cortante.
Com esta descida rápida da temperatura, o quentinho da lareira tornou-se apetecido, aquecendo corpo e espírito.
As labaredas que se desprendem, de um tronco de carvalho a arder , aquecem o ambiente circundante, amenizando- o.
Sentada em frente à lareira, fixo o olhar nos tons fortes que irradiam dos troncos a arder e esvazio o pensamento. O nada conquista-me as ideias e deixo-me transportar para o coração da chama tremeluzindo, seduzida pelo som do crepitar da lenha seca. De repente, já não sou eu, o espírito vagueia, hipnotizado pela magia da dança do fogo. Deixo-me ficar, inebriada pela sensação de bem estar que me invade o ser.
O fogo, em chamas cada vez mais ténues, despede-se da noite e, lentamente, apaga-se, numa mornice apetecida. As brasas incandescentes convidam-me a despertar do sono acordado em que mergulhara.
Por momentos, percepcionei a alma do Mundo e a harmonia unificadora dos seus elementos.
A constatação da veracidade da notícia não se demorou a fazer sentir.
De facto, o frio anunciou-se: estendeu-nos o seu manto debruado de geada e orvalho e envolveu-nos num abraço gélido, cortante.
Com esta descida rápida da temperatura, o quentinho da lareira tornou-se apetecido, aquecendo corpo e espírito.
As labaredas que se desprendem, de um tronco de carvalho a arder , aquecem o ambiente circundante, amenizando- o.
Sentada em frente à lareira, fixo o olhar nos tons fortes que irradiam dos troncos a arder e esvazio o pensamento. O nada conquista-me as ideias e deixo-me transportar para o coração da chama tremeluzindo, seduzida pelo som do crepitar da lenha seca. De repente, já não sou eu, o espírito vagueia, hipnotizado pela magia da dança do fogo. Deixo-me ficar, inebriada pela sensação de bem estar que me invade o ser.
O fogo, em chamas cada vez mais ténues, despede-se da noite e, lentamente, apaga-se, numa mornice apetecida. As brasas incandescentes convidam-me a despertar do sono acordado em que mergulhara.
Por momentos, percepcionei a alma do Mundo e a harmonia unificadora dos seus elementos.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Verdade de La Palisse
Um fim-de-semana que começa e, com ele, uma interrupção breve, com cheirinho a férias, e sabor a descanso, óptima para retemperar forças e concluir projectos em aberto.
Sem preocupações com o “timing”, recostei-me no sofá e presenteei-me com um momento de nada fazer, numa dádiva completa ao prazer de saborear aquele fragmento de tempo.
Um cheirinho a comida apetitosa fluía pelo ar e despertava-me os sentidos, enquanto assistia ao decorrer das notícias, um pouco distraída.
À inactividade do corpo, contrapunha-se a actividade da mente, num turbilhão de pensamentos e reflexões, entre o que ouvia e o que relembrava.
De repente, uma frase destaca-se no meio de tantas outras. A atenção direcciona-se para o ecrã. As imagens remetiam-se ao ano de 2004, e transmitiam uma intervenção de José Sócrates, ainda na oposição, em que o mesmo pedia explicações ao governo, presidido na altura por Santana Lopes, sobre o afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa, como comentador político, da TVI, insinuando que teria havido pressões por parte do poder político. E acrescentava “ O governo que não é capaz de aceitar a livre crítica, não é um governo democrático. “
Sorri! E recordei, lembrei-me dos contraditórios de Mário Crespo, do afastamento de Manuela Moura Guedes e da saída de José Eduardo Moniz da TVI, do caso do jornal Sol e da quase impossibilidade de ser publicado, devido a uma providência cautelar.
E conclui que o Engenheiro José Sócrates nunca falou tão verdade quando, em 2004, dissera que “O governo que não é capaz de aceitar a livre crítica, não é um governo democrático."
Sem preocupações com o “timing”, recostei-me no sofá e presenteei-me com um momento de nada fazer, numa dádiva completa ao prazer de saborear aquele fragmento de tempo.
Um cheirinho a comida apetitosa fluía pelo ar e despertava-me os sentidos, enquanto assistia ao decorrer das notícias, um pouco distraída.
À inactividade do corpo, contrapunha-se a actividade da mente, num turbilhão de pensamentos e reflexões, entre o que ouvia e o que relembrava.
De repente, uma frase destaca-se no meio de tantas outras. A atenção direcciona-se para o ecrã. As imagens remetiam-se ao ano de 2004, e transmitiam uma intervenção de José Sócrates, ainda na oposição, em que o mesmo pedia explicações ao governo, presidido na altura por Santana Lopes, sobre o afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa, como comentador político, da TVI, insinuando que teria havido pressões por parte do poder político. E acrescentava “ O governo que não é capaz de aceitar a livre crítica, não é um governo democrático. “
Sorri! E recordei, lembrei-me dos contraditórios de Mário Crespo, do afastamento de Manuela Moura Guedes e da saída de José Eduardo Moniz da TVI, do caso do jornal Sol e da quase impossibilidade de ser publicado, devido a uma providência cautelar.
E conclui que o Engenheiro José Sócrates nunca falou tão verdade quando, em 2004, dissera que “O governo que não é capaz de aceitar a livre crítica, não é um governo democrático."
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Bocadinhos do Tempo
Viajar à infância, é voltar a ser menina, de sorriso aberto, prenha de inocência e a certeza de tudo.
Reviver a infância, é saborear, outra vez, o suco adocicado das maçãs colhidas das árvores; é sentir o roçar da brisa, acariciando o rosto; é correr livremente com os cabelos soltos ao vento, num final de tarde sereno e tranquilo, emoldurado pelo alaranjado, de um pôr - de Sol soberbo, com cheiro a terra e a campo.
Relembrar a infância, é sentir o feitiço do brilho cintilante das luzes perdidas, no escuro da serrania, como um negro manto incrustado de diamantes; é cheirar o quente do ar, ou a brisa amena da noite; é ser embalada pela melodia emanada da água que brota da fonte; é olhar o céu imenso, espelhando o luar prateado de Agosto.
Recordar a infância é rever, à distância, o salto por entre as poças de água e o cheiro a terra seca, após uma breve, mas intensa chuvada de Verão; é o inebriar com a magia irradiada de uma explosão de cores, de um arco-íris maravilhoso e acreditar que, no seu fim, há um tesouro a descobrir.
Viajar à infância, é relembrar a pureza de uma criança moldada mulher, pela vontade do tempo e as congruências da vida.
Viajar à infância é reaver bocadinhos de um tempo passado, numa pausa do presente.
Reviver a infância, é saborear, outra vez, o suco adocicado das maçãs colhidas das árvores; é sentir o roçar da brisa, acariciando o rosto; é correr livremente com os cabelos soltos ao vento, num final de tarde sereno e tranquilo, emoldurado pelo alaranjado, de um pôr - de Sol soberbo, com cheiro a terra e a campo.
Relembrar a infância, é sentir o feitiço do brilho cintilante das luzes perdidas, no escuro da serrania, como um negro manto incrustado de diamantes; é cheirar o quente do ar, ou a brisa amena da noite; é ser embalada pela melodia emanada da água que brota da fonte; é olhar o céu imenso, espelhando o luar prateado de Agosto.
Recordar a infância é rever, à distância, o salto por entre as poças de água e o cheiro a terra seca, após uma breve, mas intensa chuvada de Verão; é o inebriar com a magia irradiada de uma explosão de cores, de um arco-íris maravilhoso e acreditar que, no seu fim, há um tesouro a descobrir.
Viajar à infância, é relembrar a pureza de uma criança moldada mulher, pela vontade do tempo e as congruências da vida.
Viajar à infância é reaver bocadinhos de um tempo passado, numa pausa do presente.
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