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quinta-feira, 11 de março de 2010

A Dança

A dança é a libertação do espírito, no soltar do corpo, simbiose perfeita de movimentos ritmados em compassos bem marcados.
Dançar é sentir o ritmo da música penetrar no mais fundo do ser, é deixar-se levar pelos acordes em tempos e contra-tempos, é desafiar o espaço em movimentos desenhados.
A dança, linguagem corporal de expressão universal, traduz, em discursos do sentir, sensações aprisionadas e em rotinas geradas.
A dança é uma de entre as várias paixões que me seduzem. Conjuntamente com a leitura e a escrita, a dança permite-me alcançar, em pedacinhos de tempo, a plenitude espiritual, num desprendimento do corpo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Desânimo

Nos últimos tempos temos sido assolados de notícias que informam de condutas pouco claras por parte de pessoas que, devido aos cargos que ocupam e à influência que estes lhes proporcionam, servem-se do poder para alcançar benefícios que, de outro modo, nunca conseguiriam.
Na internet, são cada vez mais os emails que circulam denunciando pretensas irregularidades, regalias de quem ocupa, por nomeação, altos cargos em empresas estatais, pagamento de pensões exorbitantes a gestores reformados ou chorudas indemnizações por demissão de cargos ocupados, entre muitos outros assuntos que servem de notícia e relacionados com casos da vida social e política do nosso país.
Nunca foi tão notório o cansaço da opinião pública que vê, por um lado os responsáveis políticos, que nos governam, a pedir sacrifícios para o bem do país e por outro, esses mesmos senhores serem alvo de supostas acções e condutas pouco clarificadoras, não se sabendo bem em quem acreditar.
Estas reflexões fizeram-me pensar que, ou a História não tem sido completamente correcta no que nos ensinou, ou os portugueses mudaram muito ao longo destes séculos de existência que Fomos.
Onde está a coragem, o espírito empreendedor que norteou a acção dos nossos primeiros reis? Que aconteceu à força de um povo que, nos momentos cruciais de ruptura, soube enfrentar, com destreza e coragem, os desafios que, à partida, pareciam perdidos? Onde pára a firmeza e a convicção dos que se lançaram ao mar, enfrentando perigos, lutando contra o poder da ignorância e o medo do desconhecido? Que aconteceu a Portugal? Morreu? Desistiu? Entregou-se às mãos dos «inimigos da mesma fé?». Tantos acrifícios, no passado, para um presente enublado, triste, duvidoso?
Só as palavras de um grande homem, que por mero acaso era português, para homenagear um grande país que parece ter-se esquecido da sua grandeza e força na determinação de um povo.

"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

Fernando Pessoa, in Mensagem

terça-feira, 9 de março de 2010

Esboço de um retrato

De pele escurecida, pelo sol da vida deambulante que cedo o moldou, de olhos e cabelos castanhos, num rosto bolachudo, com ar bonacheirão, num corpo alargado de gente ainda por amadurecer...
De semblante exclamativo, perante as interrogações não percebidas das obrigações impostas, impermeabiliza-se à absorção cultural gerada no convívio quotidiano.
O aparente desinteresse pelo que o rodeia, é a forma, mais conseguida, de comunicar, aos estranhos, a renúncia e a incompreensão do meio que não é o seu, numa batalha diária entre o ter de ser e o não querer, em constante negação, na incompreensão das diferenças, desencontro de opostos, diálogos surdos de uma língua não sabida, de uma cultura não entendida, de valores não percebidos.
A recusa aos outros, na não-aceitação das regras estabelecidas, é a arma privilegiada para defender a identidade que sente ameaçada, no medo de esquecer as referências ancestrais que o moldaram como o Ser que é.

sábado, 6 de março de 2010

Termas de São Pedro do Sul

A vila de São Pedro do Sul, estância termal, tranporta-nos aos primórdios da Humanidade, através da beleza contrastante da sua paisagem e dos vestígios históricos aí descobertos.
Perde-se no tempo o conhecimento do poder curativo das águas sulfatosas e quentes da vila.
Foram os romanos que desenvolveram a região, aproveitando a dádiva da Natureza para benefício do Homem. Estes construíram o " Balneum Romanum" e difundiram os benefícios das suas águas a todo o mundo ocidental.
No século XII, D. Afonso Henriques, reconhecendo a importância da região, concede-lhe carta de foral e cria o concelho de Vila do Banho.
A importância da terra acompanhou a passagem do tempo, ao longo da nossa história, testemunha das alterações políticas do país, mantendo sempre o seu prestígio entre Monarquia e República .
A alteração de "Caldas da Rainha Dona Amélia" para o nome actual, " Termas de São Pedro do Sul", foi a continuação natural da política republicana na substituição de todos os símbolos monárquicos.
Indiferente aos conflitos do Homem, São Pedro do Sul sobreviveu, palatinamente, às conturbações da História.

São Pedro do Sul

Amizade

"A firme decisão inicial, de não alongar o texto deste post, esfumou-se mal o comecei a redigir. No meu íntimo sabia que seria assim..."

O dia acordara enublado e chuvoso, cobrindo, com o seu manto cinzento, a Natureza, pincelando-a de cores frias.
Com a decisão tomada na véspera e o destino sabido, parti.
O tempo esgotou-se em reflexões, inspiradas na exuberância do verde e na beleza da paisagem, matizada pela neblina que a envolvia.
As sensações despertas, pelo ambiente, acordaram as emoções e hipnotizaram o lado físico do Eu, enquanto o espírito absorvia a tranquilidade da beleza exterior: dei-me!
Ladeada de verdes prados, enfeitados de penedos e fragas, a estrada encurvava-se nos desníveis do terreno.
De repente, no final de uma apertada curva, abrindo-se ao forasteiro, resplandeceu, em todo o seu esplendor, um cenário de contornos românticos, entre o casario e o verde molhado da vegetação, embalado pelo som ritmado das águas agitadas do rio Vouga, emprenhado pelas chuvas intensas do Inverno.
A paisagem, de uma beleza estonteante, inebriou os sentidos.
A razão da viagem aconteceu: reencontro calmo, sereno, envolto em olhares que se percebem, sem recurso a muitas palavras; abrimo-nos numa amizade partilhada, alicerçada no tempo; demo-nos na compreensão das diferenças; entendi uma verdade pura: numa amizade, cada amigo é único, importante. A amizade não se esgota na distância, no silêncio. A amizade respeita os tempos de cada uma das partes e dá-se sem exigências, apenas acontece!


"As ironias da vida acontecem: a lonjura da distância, gerada por um acaso da vida, permitiu o que a proximidade quotidiana adiava."

quarta-feira, 3 de março de 2010

Pensamento

Receamos expôr o lado mais humano de nós mesmos, quando assumimos, perante os outros, o choro verdadeiro da saudade na perda, como se chorar pudesse, de alguma maneira, ser considerada uma fraqueza, um diminutivo de carácter.
Assumir o choro, sem vergonha de o confessar, é um acto corajoso, de todos os que fazem das lágrimas a tinta que caligrafa a linguagem gestual do coração, comunicando, em discurso não falado, a dor sentida, mas quase sempre adormecida para o exterior.
Chorar é esbater, em suaves nuances, a intensidade da dor na incompreensão, é abrir as comportas interiores e deixar fluir o caudal da saudade, na naturalidade de se Ser, no momento, apenas, corpo e alma, emoção e, quase nada de, razão!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Dialéctica

O Homem é um ser, eminentemente, social na medida em que depende do Outro para a formação da sua própria identidade.
A consciência do ser individual nasce da dialéctica do Eu em oposição ao Tu.
A relação do Eu com os Outro é um processo dinâmico, com reflexos na realidade, que permite perceber a identidade na unicidade do ser.

A Linguagem da Alma do Mundo

A vida é surpreendente, oferece-nos ensinamentos, muitas vezes, não percebidos por desatenção e falta de intuição.
Entender a linguagem da alma do mundo, que se exprime através das lições de vida, implica saber abrir o coração aos outros, purificá-lo dos poluentes da comunicação e aceitar a génese da condição humana.
Esta linguagem universal ensina-nos a importância da partilha, da entreajuda, da solidariedade e, acima de tudo, da simplicidade de ser-se entre os demais.
Todo aquele que, erguido no pedestal da vida, compreende a importância do gesto solidário de estender a mão ao seu semelhante, quando a vida o derrubou, ajudando-o a levantar-se, tomando-o como um igual, esse ser conseguiu quebrar as grilhetas do coração e perceber a linguagem da alma do Mundo.
“ Nenhum homem tem o direito de altear-se perante um outro, a não ser para o ajudar a erguer-se. “

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Silêncios Premonitórios

Passados quase dois meses da criação deste blog, o espírito desafiador, que o alicerçou, não esmoreceu.
A escrita sempre fora uma paixão, demasiadas vezes adiada. O acto de passar para o papel as ideias, que germinavam no coração e pululavam no pensamento, necessitou de ganhar segurança e um pouco de coragem por parte de quem, há muito, fazia da leitura um refúgio do rebuliço do final de dia.
A leitura continua a possibilitar momentos de evasão, num tempo exclusivamente só, de reencontro e comunhão do Eu: serão sempre momentos de pura magia, encantamento, inebriação, geradores de conhecimento.
A paixão pela leitura fez crescer, em silêncios premonitórios, o gosto pela escrita.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Homenagem

Na sequência do assunto do post anterior, lembrei-me de alguém que, apesar de estrangeiro, dignificou a côr da camisola que envergava.
Apesar de saber que as vitórias são sempre fruto de um trabalho de e em equipa, não posso deixar de homenagear um jogador que se destacou de todos os outros.
Relembro, com um sorriso nos lábios e um misto de dupla saudade, a disputa do campeonato nacional naquele ano de 1973/1974 em que Hector Casimiro Yazalde, o Chirola, era o motor da equipa, levando todos à sua passagem, como locomotiva desgovernada, tendo contribuindo para as vitórias alcançadas pelo Sporting nesse ano.
O Chirola era um ser humano simples e humilde, marcou 46 golos em 30 jogos e conquistou a Bota de Ouro europeia. Esta faceta demonstra bem a qualidade do jogador e a contribuição que deu para a valorização da equipa Sportinguista.
Em 19 de Maio de 1974, Yazalde estabeleceu um novo recorde europeu de golos batendo o recorde do húngaro Skoblar. Como prémio, recebeu um carro, que vendeu e dividiu o dinheiro com os companheiros de equipa. Gesto de uma nobreza ímpar, pleno de solidariedade e altruísmo.
Ainda recordo Yazalde e as noites de competição europeia, em que já deitada, ligava muito em surdina, o transístor, enfiado debaixo da almofada, não fossem os meus pais ouvir, e ficava muito sossegada a ouvir o relato das façanhas de uma equipa que me foi conquistando aos bocadinhos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Emoções

O meu amor ao Sporting é bem conhecido por todos os que comigo privam.
Se me perguntarem desde quando é que o namoro começou, não vos sei dizer ao certo. Lembro-me, nitidamente, teria cerca de onze anos, de ter assumido esta paixão, contrariando a onda vermelha do momento(não tenho nada contra as diferenças).
Assim, já que todos torciam pela equipa da família Accipitridae, decidi, num gesto de solidariedade, tornar-me leoa por inteiro. Esta opção fez de mim uma adepta sofredora (porque ser-se do Sporting é isso mesmo, sofrer, sempre, até ao fim) que sente e partilha, no mais fundo do seu ser, as alegrias, as tristezas, as vitórias, as derrotas de juba ao vento e pronta para a luta!
Hoje vibrei, torci, gritei, pulei, saltei cada vez que a minha equipa marcava um golo. A emoção sentida fez-me reflectir e concluir que, ser-se leoa é um estado de alma, é partilhar a esperança da cor que nos distingue, é apoiar a equipa nas derrotas, festejar as vitórias e acreditar sempre que o novo ano será O Ano!
Ser-se leoa é assumir o gosto, por um desporto eminentemente masculino, de cabeça erguida e orgulho na paixão defendida, contra os olhares esguios de velada censura.
Ser-se leoa é, acima de tudo, perceber os defeitos, aceitar as críticas, rir com as próprias desgraças e não apagar os emails, de humor duvidoso, que os adeptos das equipas adversárias, prontamente, fazem chegar à caixa de correio!
Ser-se Leoa é um desafio permanente e um amor quase inexplicável!
VIVA O MEU SPORTING, SEMPRE!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

De Novo

De novo!
A minha inspiração teima em não aceder aos apelos insistentes que lhe faço.
Demonstro-lhe, com argumentos válidos, a necessidade que tenho em voltar a escrever. Não me ouve! Recusa a responsabilidade.
Perante a atitude assumida, mergulho no vazio de ideias, naufrago no mar dos temas: nenhum me fascina de modo a tentar o exercício da escrita.
Adio a vontade.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Curia

Apesar da beleza que a vida encerra, há momentos que impelem ao isolamento, numa introspecção precisa, solidão procurada.
Estes momentos desempenham papel importante no trilhar de caminhos pessoais, pois ajudam a perceber, a distinguir, a reflectir.
E nesses momentos, de procura interior de respostas, o recurso a ambientes tranquilos, em contacto com a Natureza, torna-se um bálsamo que ajuda a ordenar o emaranhado de premissas.
Situada na região da Bairrada, a Curia, oásis de beleza e tranquilidade, no meio do rebuliço agitado do quotidiano, é o ambiente, por excelência, purificador e clarificador do espírito.
A beleza ímpar que a caracteriza, Natureza de contornos românticos, deve-se à exuberância do verde circundante e à cristalinidade das suas águas.
O parque, aberto ao público, permite o deambular ao acaso, sem pressas, num contacto perfeito com a mãe Natureza.
Transpostos os largos portões de ferro, que dão acesso à imensidão paradisíaca de um espaço único, é-se invadido por uma onda de sensações que percorrem todo o ser: o cheiro da terra e das árvores, a calma encerrada nas águas do lago, ladeado de recantos misteriosos, o fascínio das cores envolventes, o som do silêncio, entrecortado pelo chilreio dos pássaros.
Um conjunto harmonioso e belo de tanta simplicidade.
A Curia com o seu parque, permitem o reencontro pessoal e individual, catalisador de energias, em momentos, necessariamente sós, de procura e pacificação do Eu.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Hino à Amizade

Dizes que o dia nasce, em rituais já gastos, de tanto teimarmos em usá-los.
Reafirmas, num lamento sentido, a falta de coragem em mudarmos rumos, trilharmos novos caminhos, enfrentarmos desafios com a força do querer e, chegarmos ao final, com a certeza que valeu a pena, mesmo que não tenhamos conseguido.
Apelas, de um modo simples e singelo, à coragem da mudança, à inutilidade de decisões adiadas, à importância da caminhada em busca do que desejamos, do que pretendemos, do que precisamos para sermos, simplesmente, felizes.
A ansiedade, que encerras nas ideias, irrompe em gritos de palavras, na urgência do tempo que se escoa.
Desafias a acção na concretização de sonhos a alcançar, ideais a defender.
Percebemo-nos no diálogo do silêncio que estabelecemos.
E a amizade, também, é isso mesmo!
Citando alguém que ambas tão bem conhecemos(sorrindo de saudade com a lembrança):
- «És única!»