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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Agosto quente


De novo, o mês de Agosto foi marcado, infelizmente, pelo flagelo dos incêndios que, por insensatez de alguns, maldade de outros e fortes interesses económicos à mistura, abrasou, ainda mais, o intenso calor que se sentiu.
Incêndios que reduziram a cinzas hectares e hectares de floresta, onde o verde se pintou de escuro, onde a vida foi tragada pela destruição e pela morte, qual Inferno de Dante.
Todos os anos o cenário se repete. Todos os anos se ouve afirmar que é importante a prevenção com a limpeza das florestas, com a justiça a ter uma mão mais pesada para os incendiários, muitos deles meros fantoches manejados na sombra da sede do poder de quem nunca é apanhado. Todos os anos este cenário dantesco inunda os noticiários, dia após dia, até que as altas temperaturas baixem, o país regresse de férias, a polícia faça as primeiras detenções, os soldados da paz retornem ao descanso mais que merecido e a calmaria se instale, manhosa e vigilante, aguardando pela chegada de mais um Verão.
E as vidas humanas – autênticos actos de altruísmo e abnegação - que se perderam para que outros se salvassem? Essas merecerão uma homenagem em forma de lápide, serão lembradas com os próximos fogos, mas a dor imensa de quem os amava nunca se apagará, arderá eternamente no coração dos que ficaram.
Para eles e todos os que, ano após ano, estoicamente, se esquecem da própria vida em prol da dos outros, uma pequena homenagem em forma de texto.







terça-feira, 30 de julho de 2013

Manifesto


O desvario que tomou conta da classe política portuguesa, principalmente dos políticos que governam este país, é assustador. Medidas avulsas - golpes profundos em sectores fulcrais da sociedade que num futuro próximo trarão consequências catastróficas para o desenvolvimento do país - com o único objectivo de cortar nas despesas, numa razia completa ao bom senso e ponderação.
Falta de respeito pelo trabalho de quem corre o risco de ficar sem ele porque os senhores, no alto da sua cátedra, tudo podem e tudo determinam: mesmo as mais insanas directrizes, fora de horas, ou melhor em cima da hora, em tempo de férias, para confundir, baralhar e cumprir na íntegra.
Exigem-nos rigor, competência no exercício da profissão, mas eles escusam-se ao que impõem aos outros.
Depois das turmas feitas, quase no momento de serem afixadas, o processo é revertido através de um Despacho da DGESTE que chumba as propostas apresentadas e obriga a uma reformulação do que fora feito.
A informação que foi dada de manhã sobre a saída das turmas remetia-a para a tarde. De tarde, quando passei por lá, fiquei a saber que deixara de haver data provável, pois voltara tudo à estaca zero porque a Direcção recebera ordens, no sentido de reduzir o número de turmas, ou seja aumentar o número de alunos por turma para cortar no número de docentes por escolas.
Tudo feito em cima do joelho, de um dia para o outro, com um fim-de-semana pelo meio.
Estes senhores perderam a noção da correcção e jogam com a vida das pessoas como se fossem marionetes de um qualquer teatro de rua!
Para eles, em forma de resposta, palavras anteriormente escritas que gritam a revolta e a repulsa que as suas acções nos incutem: a parte final daquele que é o manifesto dos manifestos literários, escrito pelo grande Almada Negreiros.

“Morra o Dantas, morra! PIM!
Portugal, que com todos estes senhores, conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degradados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável -  e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
Morra o Dantas, morra! PIM!"

 Adenda: Dantas, neste contexto, simboliza toda a classe política que nos tem governado nos últimos anos.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O ontem e o hoje


Ainda, no último texto, escrevi, aqui, sobre a zona em que resido: erigida no espaço de uma enorme quinta, situada na zona de campo que confinava com a cidade.
Alguns desses vestígios ainda se mantêm e podem-se encontrar apesar da urbanidade se ter estendido e dominado quase toda a área envolvente.
O casario antigo, quase despercebido por entre as construções que o circundam, testemunha a simplicidade da ancestralidade das suas raízes.
Aqui e ali, pequenas raridades, que perduraram no tempo e reagiram ao avanço do progresso, continuam a sobreviver na cidade grande: a mercearia, uma resistente ao poder das grandes superfícies comerciais que a rodeiam e que, com a crise que se instalou, tem vindo a ganhar cada vez mais clientela pelas facilidades de pagamento que possibilita – o caderno, onde se apontam as despesas que serão pagas no final do mês, voltou a ter significado; a tabacaria – papelaria onde se pode ir a pé, evitando as filas intermináveis e a dificuldade de estacionamento; as três associações recreativas e culturais (Areeiro, Casa Branca e Calhabé) – mais recreativas que culturais - pontos de encontro das gerações mais velhas, nos finais de tarde, à volta de um copo de tinto e de um baralho de cartas.
Outro dia, quando decidi recuperar uma bicicleta que se enchia de pó e teias de aranha num canto da garagem, encontrei, escondida num beco, passatempo do dono de uma daquelas quase tabernas com traços de cafés, uma oficina artesanal, especializada nestes veículos de duas rodas.
Aí, descobri algumas curiosidades sobre "pedaleiras" – fiquei a saber que a minha primeira bicicleta fora uma pasteleira – numa amena conversa de quem se especializou nesta área levado pela curiosidade, pelo gosto e pela paciência.
O procedimento foi simples. A confiança na palavra bastou – vestígios de um tempo passado em que a honra da palavra era prova mais que suficiente.
Passados dois dias, a minha bicicleta estava como nova e ainda recebi, gratuitamente, umas liçõezinhas sobre a nobre arte de pedalar em todo o selim.
Estreei-a ontem, nas minhas primeiras pedaladas deste Verão: voa como um alazão, num movimento suave, levando-me à plenitude da liberdade.

 

 

terça-feira, 23 de julho de 2013

O novo inquilino


O local onde se construiu a urbanização em que resido fora, outrora, uma enorme quinta nos arrabaldes da cidade.
Pertença de uma abastada e influente família da região sofreu, com o passar das gerações, uma desagregação do seu território.
Da quinta inicial sobrou, lá no topo, o solar antigo, hoje, habitado por um dos inúmeros descendentes que se enraizou.
Aos poucos, a quinta foi sendo vendida para construção. Entre vivendas amplas e arejadas, sobranceira ao núcleo que a viu nascer, surgiu a primeira urbanização, num espaço rodeado de uma frondosa vegetação e muita água que brotava das inúmeras fontes incrustadas no terreno.
A tocar a urbanidade, manteve a sua origem rural que se desvenda na simplicidade das relações que se estabelecem entre os residentes deste espaço. Como se a cidade acolhesse nos seus limites este último reduto de traça campesina.
Quando o silêncio impera e a noite se alteia, a vida, abrigada dos olhares rotineiros, sai do seu esconderijo, desventra-se da terra e apodera-se do seu domínio: coelhos e lebres, salteiam aqui e ali de orelhas em escuta ao mínimo ruído.
Há pouco vim lá de baixo. A noite erguia-se serena e pacata, iluminada por um luar prateado de Agosto temporão. O barulho ritmado da água da fonte que caía imperava no silêncio e fez-me recordar outra fonte, outro lugar, outro tempo.
Com a chegada do Verão, a urbanização acolheu um novo hóspede que se passou a fazer ouvir, marcando a sua presença.
Não sei determinar com rigor a altura precisa em que me apercebi da sua existência. Foi como se tivesse surgido do nada. De um momento para o outro, na sucessão das noites, aquele som impôs-se: croac, croac, croac, numa onomatopeia perfeita.
A rã-sapo - não sei distinguir – atraída pela frescura da água da piscina de uma das vivendas próximas, apropriou-se daquele jardim e, agora, todas as noites, enamora a madrugada, encantando-a com o seu cântico ritualizado e ancestral.

 

 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

E os alunos?


Reagindo aos resultados alcançados pelos alunos nos exames dos 6º e 9º anos, Nuno Crato afirmou que os mesmos indiciam dificuldades permanentes a Português e Matemática – uma realidade que há muito é sentida por quem está no terreno.
Face aos maus resultados, o Ministro da Educação declarou “obviamente que não estamos contentes com isso. Temos de fazer, todos, um esforço para melhorar. É um esforço que não é só nosso, é um esforço que é dos pais, dos professores, das escolas, estamos todos a trabalhar para que estes resultados melhorem”.
Tal como diz o senhor ministro, também eu concordo que é urgente e necessário um esforço conjunto para reverter a situação. (O que seria de esperar com tantos anos a insistir no eduquês? Só não via quem não queria!)
Na sua declaração à comunicação social, Nuno Crato nomeou de quem esperava esse esforço: ministério, pais, professores, escolas, todos, segundo afirma. Parece-me que o Senhor Ministro se esqueceu de nomear um dos elemento, talvez o mais importante neste processo de esforço e mudança: os alunos, como é óbvio!
De que vale o esforço dos pais, das escolas, dos professores, do próprio ministério, se os alunos não intervierem no processo e não realizarem, também eles, um esforço que passará, sem dúvida, por uma alteração de comportamento na sala de aula, um estudo regular, uma valorização social da escola e do estudo? De nada, afianço-vos!
A minha admiração maior não reside nos resultados, como já deu para entender, mas antes no esquecimento dos alunos no discurso do ministro!
É que fazer omeletes sem ovos, é impraticável, impensável e, sobretudo, impossível!

 

 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Lembranças


O calor abafado e quase irrespirável destes últimos dias transportou-me para um tempo, bem lá atrás, já tornado acervo das minhas memórias, que me fez relembrar Formilo. Sempre Formilo recordado com carinho e muita ternura e muita saudade.
A canícula abrasadora que preguiça a vontade, outrora e agora, faz apetecer o nada fazer, na procura de um abrigo fresco e revigorante que amenize a soalheira dos dias.
Nesse tempo, em que as férias eram passadas na pacatez aldeã, as tardes de Agosto, quando o calor apertava e a moleza despertava, eram passadas na penumbra fresca e saborosa do casarão beirão erguido num granítico baluarte.
Lá fora, apenas o cri cri das cigarras cortava o silêncio da vida que parecia suspensa, quase adormecida nas tardes preguiçosas e tranquilas que se estendiam sem tempo, sem pressa.
O casarão permanece lá, implantado no coração da aldeia, não esquecido, mas distante, perdido na beleza da paisagem serrania que embala os meus sonhos acordados.
Sempre Formilo: intocável, firme e altivo, guardião de inúmeras histórias de vida que se sucedem através de gerações.



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Personificação



Não foram os discursos institucionais e esquecia-me, por completo, que o descanso de hoje não se deveu a ser um domingo, igual a tantos outros, mas antes uma segunda-feira de feriado.
Um feriado borralhento prestes a lacrimejar, deslembrado do Verão ou então baralhado com a confusão em que o país mergulhou.
Em dias assim, em que o lá fora é apenas vislumbrado através da vidraça do escritório onde me encafuo, não me importo que o dia se entristeça de cinzento e ameace chorar.
Deixá-lo calado e amuado, de costas voltadas ao Verão. De novo há-de sorrir, irradiar felicidade, perder-se por entre as traquinices da infantilidade da idade e desafiar-me a sonhar com as férias e o descanso.
Por ora, volto-lhe as costas e finjo não o ouvir rezingar.
 

quarta-feira, 27 de março de 2013

Pro bono


Enquanto vou ouvindo a entrevista, as ideias atropelam-se e conduzem o meu pensamento para campos que parecem nada ter a ver com o que passa na RTP 1.
Do nada, avivo o conceito de “área vocabular” ou “campo lexical”, conteúdo que é trabalhado em Português, e, de repente, vejo-me a construir uma área vocabular em redor do que ouço e vejo: raposa; artimanha, falácia; esperteza; estratégia, falsidade; incongruência; incredulidade, embuste…
Estes dois anos não alteraram em nada a personalidade de José Sócrates: mantém-se igual a si próprio.
Por que será que não consigo acreditar na magnificência de carácter que pretende transmitir?




Regresso


Ei-lo que volta, não por entre a sombra de um dia de nevoeiro, mas antes esgueirando-se por entre os pingos de chuva (e pelas críticas), imune à controversa que o seu regresso gerou.
Quando há dois anos se afastou do governo, do partido, do país e rumou até Paris, mantendo-se num mutismo absoluto, afirmei que se tratava de uma retirada estratégica e que, mais cedo ou mais tarde, voltaria. Não me enganei!
Na altura, Sócrates percebeu que perdera uma batalha, mas não a guerra. Fez do silêncio o seu maior aliado, e deixou que a conjuntura económica mundial, associada às directrizes de uma Europa a duas velocidades, se encarregasse de piorar a situação económica, política e social que deixara quando se afastou de Portugal.
Não teve pressa, soube esperar o momento oportuno para reaparecer. Foram dois anos minuciosamente pensados, ponderadamente planeados, detalhadamente arquitectados na não desistência do poder.
Hoje, é o grande dia. A campanha política para o futuro cargo, que nega pretender, inicia-se com esta entrevista.
Estou curiosa em ver como é que se vai esgrimir das perguntas incómodas que lhe irão colocar. Uma certeza, eu tenho: ir-se-á escusar da melhor maneira, pois “lábia” foi arte que nunca lhe faltou!
Oiçamo-lo, então!



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Coisas do tempo


A seguir a uma tempestade revolta, inundada e ventosa, surge sempre a bonança em forma de quietude e calma.
Depois de um período bem alagado, com estragos pelo meio, eis que o tempo meteorológico parece querer dar tréguas e despir as vestes das últimas semanas.
Ainda bem, pois a continuar assim, o verdete invadia-nos até a alma!
Hoje, lá no alto, cintilante e escuro, uma lua prateada e bem redonda parecia querer proclamar o fim da tristeza do tempo.
Algures, aqui em baixo, olhei para o céu, cravejado de minúsculos pontos luzentes, prateados, iluminados pelo brilho intenso de uma lua avantajada e saboreei a serenidade da noite que se abria, por fim, numa alegoria de saudade, há muito desejada.




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Os desígnios de um país




Parece-me que, nos últimos tempos, andamos todos um pouco baralhados, confusos, descrentes: com os nossos políticos; com os especialistas e as suas avalizadas opiniões; com os resultados dos estudos técnicos encomendados; com as medidas neles apontadas, mas disfarçadas de sugestões; com a variedade de opiniões que se cruzam e se gladiam em fervorosas discussões; com a informação veiculada pelos órgãos de comunicação social; com a constatação de que a realidade, independentemente, da cor partidária, do génio discursivo ou da eloquência do orador, é difícil, é dura, é a nossa.
Os tempos são incertos, imprevisíveis, inconstantes: deita-se adormecido num contexto económico, político e social com determinados contornos e, em escassas horas de sono, tudo se pode alterar, numa reviravolta, qual passe de mágico que azurzia qualquer um.
Como planear o que quer que seja? Como pensar em soluções? Como encontrar estratégias? Como gerir uma casa? Como administrar um pecúlio se os pressupostos se alteram em fracções de tempo? Que angústia, quase impotência!
Este velho e venerável continente foi, no passado, o centro estratégico de decisões que influenciaram o mundo, que escreveram a História.
Europa, outrora estratega arguta e resoluta, adormeceu no reflexo narcisista de si. Sonhou por demasiado tempo. Quando acordou, apercebeu-se de quão ilusório fora o seu longo sono. A vida passara-lhe ao lado: disfarçada, silenciosa, matreira, arquitectando novos donos e senhores com a sua própria complacência e anuência.
Agora, corre e, com ela, todos nós, numa corrida desenfreada, quase perdendo o fôlego, com o esforço da passada, ora meios perdidos ora meios encontrados, com muitas dúvidas e um senão: deixarmo-nos vencer pelo cansaço, mas, acima de tudo, a certeza de que é proibido desistir.  



 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Breves segundos

Último dia do ano!
O limite entre o que terminou e o que está prestes a iniciar-se, entre o conhecido, sobejamente sabido e a esperança que se renova na incógnita do amanhã, no ainda tanto para se viver.
No entanto, no momento exacto em que se iniciar a contagem decrescente que findará com ano velho e receberá o novo ano, decorrerão apenas uns segundos, uns breves segundos na sucessão da contagem do tempo. Uns segundos que parecem influenciar a vida de cada um de nós, um pouco por esse mundo fora.
Como se nesses derradeiros segundos a consciência das decisões irremediavelmente adiadas, das decisões irremediavelmente tomadas, ecoasse no silêncio de cada ser. Também os sonhos, alguns tornados quimeras de tanto sonhados, mas nunca concretizados.
Nesses segundos mágicos, ao som de cada uma das doze badaladas, marteladas pelo relógio do tempo, caberão as lembranças de todos os que foram importantes, de todos os que me marcaram, de todos os que significaram, neste ou naquele momento da vida.
Para eles e para todos os que me lerem, o desejo de um Bom 2013!
 
 
 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal


Natal! Quantos sinónimos brotam de Ti? Nascimento, Renovação, Recomeço, Esperança.
O verdadeiro Natal não é o dos presentes distribuídos sob o fascínio de uma reluzente árvore a lembrar a ancestralidade do homem enraizada em práticas pagãs que se foram diluindo na cultura de séculos e séculos de história.
O genuíno Natal não é o do fascínio dos embrulhos coloridos arrumados sob a copa de uma árvore resplandecente, repleta de luzinhas intermitentes numa explosão de cores, nem o do frenesim do desembrulhar das prendas que se trocam num ritual por vezes esvaziado de sentido.
O puro Natal também não é o do conforto de um espaço aquecido pelo calor de uma lareira com aromas apetitosos a pairarem no ar e a abrirem o apetite para a ceia que se avizinha.
Não, este não é o verdadeiro Natal, aquele que a vinda do Menino veio anunciar.  
O espírito do verdadeiro Natal contempla-se em gestos simples, por vezes esquecidos nas rotinas difíceis de uma vida apressada, dificultada e que por isso não vê os que também não a têm facilitada e se encontram em situações bem mais dramáticas que a nossa.
O Natal, com o verdadeiro espírito que Ele veio anunciar, terá de partir de uma reflexão interior para que se O vivencie em cada dia que se acorda, conscientes que somos seres em constante construção e por isso sujeitos a falhas: nós e cada um dos nossos irmãos.
Façamos com que a semente, que o nascimento do Menino plantou, germine nos nossos corações, nos nossos gestos, nas nossas atitudes, nas nossas acções, nos nossos pensamentos, no olhar com que analisamos o outro e se mature no íntimo de cada um de nós. Por ela, sejamos a centelha de Luz que ajuda a iluminar o caminho de todos os que desistiram, esqueceram, desalentaram-se da vida e adormeceram os seus corações empedernidos pelas agruras da existência.
Que o espírito do verdadeiro Natal nos envolva e, por ele, compreendamos e pratiquemos a mensagem de paz, amor, perdão connosco e com cada um dos nossos irmãos. Depois, façamos então a festa sem distinção de cores, credos, ideias, destituída de preconceitos e mágoas.
Um Feliz e Santo Natal para cada um de vós.

 

 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Outrora


Há pouco, numa nesga de tempo, entre as inúmeras rotinas domésticas, dei um pulito ao café e, enquanto aguardava pelo pão quente que sairia do forno, entretive-me a ver TV. Na RTP 1, passava o Natal dos Hospitais.
Quando eu era pequena, este dia era ansiosamente esperado, antecipadamente saboreado pelo prenúncio da aproximação do Natal, pela certeza de uma tarde bem passada com o entretenimento dos artistas mais acarinhados do público.
Nesse dia, a criançada esquecia-se do bulício das brincadeiras e aquietava-se em frente ao ecrã da televisão a ver desfilar cantores, actores, cómicos, apresentadores envoltos no glamour próprio do mundo dos artistas.
O Natal dos Hospitais atravessou várias gerações na importância que significou.
Hoje, quase se dilui na imensa e apelativa programação oferecida pelas várias estações televisivas da concorrência e já não cativa nem crianças nem adultos. Perdeu a importância que outrora tivera.
Como tudo na vida, a relevância de um dado facto, substância ou ente, é relativa e depende da conjugação de vários factores.  
O passado, quando se veste de presente, jamais se delineará com os contornos de antes.
É uma das certezas da vida.

 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Uma aula diferente



Hoje, aprendi um pouco mais sobre cidadania: responsável, participativa, colaborante e ativa, conjuntamente com os meus alunos.
Aceitando o repto lançado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, abracei o projecto “O Ces vai à Escola” e inscrevi a minha turma na actividade “Orçamento Participativo”.
A curiosidade, a expectativa e a ansiedade eram muitas.
Curiosidade em perceber como um tema, aparentemente tão árido e desmotivador, se poderia tornar atraente e apelativo para alunos do 6º ano de escolaridade; expectativa em poder verificar, in loco, a reacção dos alunos a uma estratégia diferente e aliciante de ensino-aprendizagem; ansiedade por, ao fim de tantos anos, poder dar o meu contributo para a divulgação, em contexto de sala de aula e de uma forma lúdica, o âmbito das Ciências Sociais e Humanas.
Foram 90 minutos que se esfumaram: motivantes, intensos, participados, cooperados.
A turma correspondeu totalmente ao desafio proposto e, a brincar, aprendeu uma lição de Democracia, de Re(s)pública.
Eu terei ajudado a plantar uma semente que, de algum modo, frutificará num amanhã.