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domingo, 12 de janeiro de 2014

Acasos


 As Letras e as Humanidades sempre me fascinaram, tanto que, quando, no antigo 6º ano do Liceu, tive de decidir acerca da área a seguir, no que, naquele tempo, correspondia ao actual 10º ano, optei por estas, em detrimento da área das Ciências.
A subjectividade do saber, inerente a todas as ciências que envolvem o Homem ou os produtos da sua acção, como objecto de estudo, sempre me apaixonou, atraiu e acabou por determinar os percursos que trilhei, os momentos que abracei, influenciar a profissão que hoje exerço, orientar a rota do mapa traçado na palma da vida.
Às vezes, os frutos do acaso, afinal, não são assim tão do acaso como pudéramos supor…
Hoje, nas certezas possíveis de uma vida aprendida, percebo que os acasos são, apenas, uma, das várias maneiras, mais que sub-reptícias, de Deus nos trocar as voltas, nas contravoltas da vida.
Perdi-me no fio condutor do raciocínio? Não, apesar de o poder parecer.
verbum nem sempre faz transparecer todo o pensamento e, muitas vezes, resguarda tímidas ideias.
As palavras são como as cerejas e os pensamentos também!











sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A irresistível tentação ou o karma de um político que nunca acerta nas datas



Não há qualquer dúvida que, esporadicamente surgem personagens, na sociedade portuguesa (a maior parte nascida no seio da política), que parecem, mesmo, saídas de uma qualquer banda desenhada, de tão irreais se afiguram.
Dadas como certas são determinadas características, tão marcantes, na personalidade que as formam que, por mais que o tempo passe, elas persistem e persistem e persistem…
Há muito que não escrevia sobre José Sócrates!
Não é que me dê particular satisfação fazê-lo, mas o senhor põe-se a jeito… Assim, não há blogger que resista!
Aquele que, num passado recente, tanto me exasperou, hoje, já me fez soltar umas boas gargalhadas.
Enfim, Sócrates igual a si mesmo!
(Para os mais distraídos, é favor clicar na azulinha).



 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Comunicar ou a arte dos sentidos


Para os frequentadores assíduos do Facebook, eis um artigo deveras interessante que foi publicado, hoje, no jornal  Público.
É incrível como os “meme” – termo inventado, por Richard Dawkins, para designar um produto iminentemente cultural – se reproduzem, do mesmo modo que os genes. O mesmo padrão de reprodução para fenómenos de áreas completamente díspares: biologia e cultura, aparentemente, sem pontos em comum.
O fenómeno descrito, no artigo referido, e as conclusões a que o estudo chegou, levam a pertinentes reflexões sobre a comunicação humana.
Quantas vezes não surgem conflitos provocados pelo ruído, pela distorção da mensagem gerados no canal de comunicação?
Quantas vezes não ocorrem mal entendidos porque as interpretações, feitas pelo receptor da mensagem emitida, não se coadunam com as intenções do emissor?
Comunicar, através da linguagem, tem tanto de mel como de fel. É um processo desafiante, pois cada um de nós, sendo um mundo de vivências únicas, apropria-se das palavras – dos outros – e imbui-as de sentidos - dos nossos - não racionalizados, mas influenciados pelas suas próprias experiências de vida, pelo modo como interpreta o mundo que o rodeia. E cada um de nós é mesmo um mundo.
Neste contexto, tem toda a pertinência o ditado popular que afirma “O silêncio é de ouro”, o que não é mais que outra forma de, também, se comunicar e dependentemente de quem a adopta, assim o significado atribuído.





 
 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A queda do argumento


Estou confusa!
Após ter sido posta recentemente à venda, a PlayStation 4 esgotou, rapidamente, em Portugal.
A menina dos olhos da Sony, no campo das consolas, custa, nada mais, nada menos, a módica quantia de 400 euros, não incluindo nem acessórios nem jogos.
Ando eu, há tanto tempo, a escrever, aqui, sobre a crise, sobre as dificuldades económicas derivadas da política dos cortes dos últimos anos, sobre a desesperança que nos desassossega o espírito, esgrimindo argumentos e mais argumentos, em tom plangente, sobre o triste fado que nos é cantado, desde o reinado socratiano e, num instante, uma simples notícia derruba o maior e o melhor argumento tecido.
Das quatro hipóteses, uma será: ou o povo português perdeu, por completo, o bom senso, do género, "perdido por cem, perdido por mil", ou a noção das prioridades desvaneceu-se, de vez, ou a recuperação económica sempre se verifica, ou, então, ainda há muita boa gente que não foi afectada pela desconsolada crise.





 


 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Boas recordações


Estava eu muito sossegadinha, na tranquilidade de um espaço muito meu, quando o som estridente do tlm cortou o silêncio envolvente e me assustou.
Do outro lado, uma voz, que não sendo estranha, há muito não ouvia, questionou-me” Stora?”
Que agradável e inesperada surpresa!
Há tanto que não conversávamos! Com ele e com tantos outros que fizeram parte de um percurso da minha vida que nunca será esquecido, que me marcou e me traz doces recordações.
O tempo passou, numa agradável cavaqueira, em que avivámos memórias, boas lembranças de momentos marcantes, perdidos lá atrás, no passado, mas jamais esquecidos.
Sim, os anos amadureceram, os meninos cresceram, a “stora” acompanhou a corrida imparável do tempo, mas, depois de tanto tempo, pressentir a ternura naquela palavra que nem palavra é, acarinhou, aqueceu um dia, um estado de espírito entristecido e relembrou que, afinal, tudo vale a pena, mesmo que, aparentemente, pareça que não. 




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Rituais


Uma das peculiaridades da Humanidade assenta na particularidade de culturas, na diversidade de usos e costumes em que o Homem se desvenda.
Enquanto os nossos hermanos comemoram, hoje, num feriado que é nacional, o Dia dos Reis, com o tradicional convívio familiar e a troca de presentes, simbolizando a chegada dos três reis magos a Belém e a adoração do Menino, nós, os portugueses, cantamos as Janeiras, comemos romã e desmanchamos o Presépio e a Árvore de Natal, empacotando todos os enfeites que emolduraram esta quadra que termina, oficialmente, hoje, dia seis. 
Em termos de trabalho, é um recomeço, é um voltar às rotinas madrugadoras e aos dias desgastantes que parecem eternos, mas que se escoam por entre a noção de passagem de tempo, a um ritmo alucinante.
As figurinhas do Presépio e os enfeites da Árvore regressam aos sacos, de onde saíram não há muito, e voltam a ser guardadas, no sótão, até ao próximo ano.
Ciclos que se repetem, ritualmente, ano após ano.
É a vida que prossegue no seu ritmo natural, inadiável.
Recomecemos, pois!




domingo, 5 de janeiro de 2014

Ad aeternum


Se um blogue é um espaço pessoal de memórias, de opiniões, de reflexões, simultaneamente, também se constitui como um documento histórico, na medida em que testemunha, em termos de registo, acontecimentos que ocorrem num tempo e num espaço determinados e que ficam gravados em palavras ad aeternum.
A grandeza de um homem (ser humano) reside na simplicidade, na humildade, na verticalidade, na veracidade, na honestidade com que se entrega à vida, com que se dá aos outros.
Hoje, morreu um grande homem.
Ao longo do dia, muito se tem dito e escrito: simples homenagens anónimas a quem é nosso e é do mundo.
Citando alguém que me é querido” mais uma estrelinha no céu a brilhar…”e têm sido tantas ultimamente...
Até um dia, Eusébio!




sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A urgência (dos dias sem fim)


Janeiro despertou para o novo ano bastante escuro e chuvoso, quase a adivinhar as dificuldades que nos esperam e continuam a fustigar.
Não será pois de admirar as conclusões a que um estudo, subordinado ao tema “Uma década de sorriso em Portugal”, chegou, baseado na análise de 400 mil fotografias publicadas, na imprensa, entre 2003 e o final de 2013, no qual se conclui que os portugueses sorriem cada vez menos: em frequência e em intensidade.
Sorrir não condiz com preocupações, problemas, dificuldades, dilemas, desesperança.
E o mais irónico de tudo é que os mais ricos conseguiram a proeza de aumentar as suas riquezas neste mundo cada vez mais problemático, mais empobrecido, mais desigual!
Por isso, talvez esta tristeza do tempo que nos ensombra e influencia, por muitas e boas intenções que se formulem.
Quando a angústia dos dias nos tiraniza o humor, resta esperar pelo sol que se oculta para lá das nuvens. Encobertos pelo mau feitio do tempo, os seus raios rasgarão o céu e iluminarão a vida que se estende sob o seu olhar.
É urgente acreditar!


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O desafio


A leitura do romance “A verdade sobre o caso Harry Quebert” prossegue a um ritmo alucinante. A trama é bastante empolgante, diria mesmo viciante e que maneira de escrever tão diferente do habitual! Joel Dicker é, sem dúvida, uma agradável revelação.
Depois de a vida adormecer e do silêncio imperar, - condição essencial para o que o raciocínio lógico-dedutivo se desenvolva- enfio-me no quentinho acolhedor da cama, puxo do livro e embrenho-me na sua leitura. Página após página, a dúvida persiste: quem terá matado Nora Kellergan e porquê?
A minha faceta detectivesca, espicaçada pelo desafio da descoberta da verdade sobre o que terá acontecido naquele misterioso dia 30 de Agosto de 1975, desperta para a história num duelo entre a evidência dos factos narrados pelo autor e a minha capacidade de antecipar os acontecimentos, até chegar ao que, verdadeiramente, se passou, antes de o livro o revelar.
É este “passar a perna” ao autor, o deduzir, o intuir antes que ele se decida a desvendar o enigma ao leitor, que me alicia, há já muito tempo, para este género literário, misto de mistério, suspense e policial.
Eu vou descobrir…




quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Recomeço


Primeiro dia de mais um ano que não se avizinha fácil.
Em termos de tempo, este começou choroso: um pinga lágrimas, piegas e sorumbático! Nem convida a pôr um pezinho na rua para se saudar o seu início. Está-se bem é no aconchego do lar.
Pessoalmente, iniciei a leitura do tão publicitado romance “A verdade sobre o caso Harry Quebert”. Como diriam os meus alunos: “tantas páginas com letras pequeninas”, um calhamaço de tirar o fôlego para quem não lidar muito bem com a leitura. O início promete…
Para além disso, decidi elaborar uma lista de intenções para 2014, (a tomar ou não tomar, no fundo outra forma de tomar) que pretendo realizar em cada dia vivido, porque a vida não é mais do que um dia de cada vez – o velhinho ano que ontem se despediu, confirmou-o, no seu decorrer, da maneira mais dura, triste e inesperada - e, para não a remeter ao esquecimento, vou afixá-la, num lugar bem visível, para não me poder desculpar.
Aos poucos, as rotinas instalam-se perdendo de vista a quadra que se viveu.
Agora, na contagem decrescente para o reinício, há que aproveitar mais uns diazinhos de descanso e começar a preparar o novo período que se apresenta.
Bom ano para todos!


INTENÇÕES PARA 2014
(IMPORTANTE NÃO ESQUECER E PRATICAR)
1ª Nunca desistir de procurar ser feliz (por mais tristezas que nos rodeiem e nos queiram incutir);
2ª Nunca esperar muito dos outros, pois assim o que se receber será sempre uma dádiva;
3ª Colocar as expectativas sempre no campo do possível, para não haver grandes desilusões;
4ª Não esquecer que somos humanos e que errar é humano;
5ª Lembrar que não se sendo perfeito, se pode e se deve tentar melhorar;
6ª Nunca adiar o que quer que seja, nem enfiar a cabeça na areia, como a avestruz ;
7ª Viver cada dia como se fosse o último, com paixão em tudo o que se faz;
8ª Nunca esquecer que somos sempre importantes para alguém;
9ª No final de cada dia, há que fazer um balanço;
10ª Iluminar o dia (uma palavra, uma visita, um miminho) dos que perderam a autonomia e a liberdade e nos são queridos;
11ª Lembrar que um dia podemos estar nas mesmas condições, por isso viver a vida com intensidade, alegria e muita veracidade;
12ª Rodearmo-nos de quem nos faça sentir bem, de quem seja positivo e nos ajude a melhorar;
13ª Manter a calma, a serenidade e ver o lado positivo de tudo;
14ª Ser-se grato pelo que se tem;
15ª Lutar, com dignidade, para se alcançar o que se deseja;
16ª Nunca deixar de sonhar, nunca desistir;
17ª Rir, mas nunca dos outros, antes com os outros;
18ª Não lamentar, não lamuriar escusadamente, há quem esteja bem pior;
19ª Todas as que também são importantes, mas de momento não me ocorrem;
20ª Não esquecer as intenções formuladas e praticá-las.





sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A viagem







Ó Nuvem, leva-me contigo nessa viagem incessante de andarilha do tempo.
Existes desde o princípio de tudo, completas um sentido, és parte de uma resposta.

Companheira de viagem, espera por mim, no caminho do horizonte que trilhas, desde os tempos imemoráveis do mundo.
Invade-me, com a serenidade do teu movimento, com a leveza dos teus passos e leva-me contigo até lugares longínquos, desconhecidos, nos confins do mundo.
Quero vaguear, inspirar a liberdade que alcanças lá no alto, deslizando, de mansinho, sob a cúpula do que avistas quando passas, sem pressa nem destino.
És senhora do infinito que se abre e se estende à tua passagem.
Sim, quero ir contigo, deambular pelo céu, não pertencer a lado algum para ser parte do universo.

Nuvem, despercebida e silenciosa que observas a vida a saltitar a teus pés, viajante do mundo, em constante movimento, leva-me contigo, nessa viagem solitária.
Quero ser nuvem, ter um corpo leve e voar, voar e passar, passar.
Assim, como o poeta, também eu quero ver Granada, quero ver o mar, mas não sei voar…
Leva-me contigo, ó nuvem!





 


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A César o que é de César


  Hoje sinto-me mais leve, uma vez que a reunião da minha direção de turma já se realizou. A preocupação maior já passou, mas não algumas obrigações profissionais que terei de cumprir nesta breve interrupção lectiva.
Daqui a pouco vou, finalmente, montar o Presépio!
Por isso, dei uma vista de olhos, mais demorada, pela caixa de correio electrónico e atentei num email que me foi enviado, mais concretamente num determinado parágrafo! Mas antes, uma breve contextualização da ideia a desenvolver.
Como sabem, realizou-se, hoje, a prova de acesso à profissão docente para todos os que se encontram em situação de contratados, independentemente do número de anos de serviço que possuam. É uma falácia quando o ministro afirma que estão dispensados os professores com cinco ou mais anos, uma vez que se o espírito fosse esse, tal directiva tinha efeito imediato e não obrigava a que fossem os candidatos a ter de pedir a isenção da realização da prova, como aliás aconteceu.
Há relativamente pouco tempo, anulei a minha sindicalização daquele que foi o meu sindicato desde o primeiro ano de aulas. Fi-lo por um conjunto de razões díspares, mas também porque me comecei a não rever em determinadas tomadas de posição e/ou intervenções dos seus representantes. Continuo, no entanto, a considerar que é a estrutura sindical que mais defende os interesses da classe profissional a que pertenço. Esclarecido este ponto, entro directamente no assunto.
A propósito da greve ao serviço de vigilância à prova de acesso à profissão, de modo a impedir a realização da mesma - se o ministério considera ser aquele o género de prova que testa a capacidade dos candidatos a professores, enfim… -, uma vez que não concorda com ela, o meu ex sindicato emitiu uma nota à comunicação social dando conta do balanço do dia.
No parágrafo em causa, pode ler-se: De registar, negativamente, apesar de em baixo número, os docentes que abdicaram de afirmar a sua solidariedade para com os seus colegas sujeitos à prova e de defender a dignidade da sua profissão. Ao fazê-lo, poderão ter prestado um bom serviço ao governo e um mau serviço a toda uma classe, pondo-se, declaradamente, ao lado de Nuno Crato contra os seus colegas e contra si próprios. E foram estas palavras que me impulsionaram para a escrita deste texto, uma vez não concordar com a tomada de posição de quem as escreveu e critico-as.
Para tal, eis os meus argumentos: cada qual é livre de ter a sua opinião e de agir de acordo com ela; o facto de alguns professores não terem aderido à greve, não significa que estejam de acordo com a prova; os motivos de cada um não têm de ser questionados, já que vivemos numa sociedade democrática, que pugna pela liberdade de pensamento e de posicionamento; o sindicato deve preocupar-se em defender os interesses dos seus associados, fazendo sindicalismo e não imiscuir-se nos meandros da política, como se fosse um partido da oposição; esquece-se que os que não aderiram também são professores e não é, de todo, da sua competência ajudar a dividir o que já não tem muita união; ao escrever aquelas palavras passa para a opinião pública uma má imagem, não ajudando, em nada, a classe!
Por esta situação e por outras similares é que me afastei, demarquei e tomei a decisão de “rasgar o cartão”.
Esclareço desde já que, se a minha escola tivesse sido seleccionada para a realização da tal prova, hoje, teria feito greve, o que não acontece há já muitos anos pois, sinceramente, não me ia sentir nada bem no papel de vigilante de pessoas que são meus colegas.
Para isso, não contem comigo!




segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A poesia





Praia da Tocha
foto de J.B.Aguiar Câmara


A poesia não vive apenas nas palavras!
Quando esta brota naturalmente, então os olhos captam a realidade de um outro prisma, despercebido à maioria das pessoas que abandonou o poeta que abriga em si.
A poesia repousa, também, na música que se compõe, na dança que se executa ou mesmo nos silêncios que se abraçam, porque poesia é criação, é amor, é entrega, é paixão ao que se quer, ao que se faz, com prazer, com devoção.
A poesia solta-se no ar e liberta-se do poeta, porque a poesia é de todos, é do mundo, é pertença de ninguém!
Levada pelo vento, percorre o infinito dos sentidos, desnuda os sonhos adormecidos da alma e torna possível o maior dos impossíveis, porque a poesia é querer, é poder, é a descoberta da verdade escondida na subtileza do ser-se.
Poesia é perder o olhar na imensidão do horizonte, é alcançar o inalcançável permanecendo, ali, entre o tudo e o nada, é esculpir, no sossego dos silêncios,  momentos procurados para, por fim, ser cantada ou apenas murmurada.
Poesia seremos tu e eu, seres de luz e de esperança,  nas manhãs cálidas de Outono, na paz que nos entrelaça e serena, no eco perdido dos risos, nas lágrimas salgadas dos sonhos incertos!
A poesia é a essência do Criador no seu mais belo poema de amor: o da Criação!




 
 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Transparência


Estava eu muito quieta e sossegadinha, preparando a reunião da minha direcção de turma, quando sou surpreendida pelo toque estridente do tlm. Do outro lado, alguém que há muito não ouvia e, confesso, não esperava, de todo, ouvir.
Digamos que foi um Domingo surpreendente e veio demonstrar que nada na vida é definitivo e certo: existem palavras que deveriam ser proibidas de se colarem a determinadas intenções .
Tal como o título de um dos filmes do agente secreto mais conhecido do mundo, James Bond, “Never Say Never Again”!
A vida é muito mais sábia do que nós e, quando menos esperamos, demonstra-nos o quão ínfimos somos perante o universo a que pertencemos!
Inúmeros são os percursos que ainda temos que trilhar para compreendermos o que, sendo transparente como um cristal, dos mais puro e fino, distraidamente ou teimosamente não vemos, não percebemos ou não estamos, ainda, preparados para entender!
Tanto para aprender: cair, erguer, caminhar, na demanda que não termina nunca!





sábado, 14 de dezembro de 2013

Bailado perfeito


Hoje, a minha faneca (termo utilizado pelo pai que encerrava em si todo o carinho e amor que por ela sentia) participa, com o restante grupo da Secção de Patinagem Artística da Associação Académica de Coimbra, numa apresentação em três localidades diferentes, da Região Centro.
A crise que se vive por todo o país, há muito que chegou a esta Associação Académica.
No campo do desporto, as várias modalidades amadoras só sobrevivem graças ao empenho e boa vontade dos pais e encarregados de educação. São eles que suportam todos os encargos, entenda-se despesas, sem qualquer ajuda por parte do clube em que os filhos/educandos estão filiados, quando participam nas variadas provas em que defendem o nome da instituição desportiva a que pertencem.
A participação em cada apresentação implica muitas despesas: deslocação, por vezes a grandes distâncias, inscrição nas provas, alimentação, fato, adereços. Acreditem que não sai barato.
Ora, se os miúdos vão em representação do clube não seria natural esse mesmo clube contribuir, mesmo que simbolicamente, de algum modo?
Tudo se esquece e faz valer a pena quando iniciam as provas, patinando pelo recinto, numa leveza e numa beleza que enchem de orgulho qualquer pai.
Quando as vejo deslizar sobre os patins, recriando, em cada movimento, interpretações muito próprias, recordo-me sempre dos cisnes e dos pavões com a dança das suas plumagens, num bailado perfeito de cores, formas e movimentos exuberantes.
(E agora tenho de me retirar, pois vou vê-las actuar daqui a pouco).