Translate

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Talvez


Talvez eu sinta saudade do que foi.
Tu, que partiste de repente, onde estás?
Talvez, quem sabe, um dia te perceba.
Tu e eu, unicidade desfeita sem razão.
Talvez já não sinta saudade de ti.
Tu e eu, separados, esquecidos do outro.
Talvez, apenas da imagem do que foste.
Tu disseste que me amavas.
Talvez fosse verdade, quando mo sussurraste docemente.
Tu, cativo, no mais profundo de mim,
Talvez reflectisses apenas o que eu sou.
Talvez, tu! 

(desafio das 77 palavras, talvez/tu)








quinta-feira, 27 de abril de 2017

Entre ditos e populismos



Eu sei que o país está em crise, a produtividade é importantíssima, todos devemos contribuir de forma consciente para o aumento do PIB, mas isto de ter duas semanas seguidas com um feriado pelo meio, sabe tão bem, principalmente se os mesmos coincidirem com os dias de trabalho mais sobrecarregados!
Ora, deliciava-me eu com esta dádiva do calendário, quando, eis que não, o nosso primeiro decidiu presentear-nos com uma tolerância de ponto, aumentando de duas para três as semanas seguidas com um feriado
Não irei a Fátima, verei as cerimónias pela televisão e trabalharei para a escola, aproveitando assim esta benesse do chefe do governo, que por acaso é do PS, o partido que defende e apregoa aos sete ventos que Portugal é um país laico e republicano.
Se somos laicos não devia ser dada tolerância de ponto, se esta é dada é porque afinal temos pouco de laico(sempre considerei esta premissa a mais fiel ao sentir do povo português),  apesar dos discursos dos detentores do poder.  
Entre o dizer e o acontecer, a bota não condiz com a perdigota...













terça-feira, 25 de abril de 2017

Abril revisitado




Quarenta e três anos! Voaram, dissiparam-se, esfumaram-se a galope no tempo.
Um tempo que se mistura entre o ontem e o hoje. Um tempo de fronteiras esbatidas na memória dos momentos.
Passaram: os anos, as pessoas, os acontecimentos na caminhada da vida. E em cada passo dado, em cada decisão firmada, em cada acção tomada, as marcas indeléveis, cinzeladas na história do que foi.
 Quase um século de democracia, tantas vezes destratada por quem não merece que o onírico Abril despisse as suas vestes de utopia e nu se impusesse, sem medos nem pudor. 










sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Esperança




Colégio Militar tem novo regulamento e alunos gay já não são discriminados, elucidam as parangonas do Público de ontem.
Senhores, não sabeis vós que as mentalidades, logo comportamentos, acções, atitudes, não se alteram com mudanças de regulamentos e leis (com laivos de autoritarismo) decretadas?
Haverá, sim, um tempo em que essa e tantas outras discriminações desaparecerão, não porque impostas superiormente, mas antes por convicção, por crença, por mudança de ser, de estar e pensar a vida em sociedade, de cada um de nós.
Haverá um tempo… 










quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Ad eternum




Lida algures, numa das muitas páginas que pululam no Facebook, uma frase que de factual se torna completamente verdadeira (pelo menos para todos os que tiveram a sorte de conviver com os avós): Os avós nunca morrem, tornam-se invisíveis e dormem para sempre nas profundezas do nosso coração.
Neste fascinante exercício dialéctico entre o sentir (sujeito emotivo), o pensar, na acepção de tomar consciência de (sujeito racional) e o verbalizar – materialização de emoções e ideias encorpadas em palavras – (sujeito linguístico), generalizaria a reflexão dizendo que não são apenas e só os avós os que se tornam invisíveis nas profundezas do nosso coração e por isso nunca esquecidos e por isso sempre presentes, mas todos aqueles que trilharam, em determinados momentos da vida, os mesmos caminhos que nós ou que, em caminhos diferentes, algures no trajecto percorrido, se cruzaram connosco e deixaram ad eternum a sua marca indelével.