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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Desenvolver a cidadania


Ainda sobre o tema dos refugiados, o Observador publica na sua edição de hoje um artigo interessantíssimo sobre o assunto e fornece informação para quem, de alguma forma, estiver interessado em ajudar.
Atenção a todos os professores: na mesma publicação há uma hiperligação, directa e rápida, à página da UNHCR onde se disponibiliza um conjunto de ferramentas criado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, em várias línguas, que pode ser trabalhado em contexto escolar e adequado a diferentes faixas etárias.
Há muitas formas de ajudar: o despertar as consciências, o desenvolver o sentido de cidadania, o informar sem demagogias ou juízos de valor são algumas possíveis e não menos importantes e nós, Escola e professores, somos um veículo, por excelência, para alcançar este objectivo.











 

 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Improbabilidade ou a dificuldade em desnudar o pensamento


Contextualização (espacial, temporal e situacional): sala de aula; final da primeira semana do ano lectivo; avaliação diagnóstica no domínio da escrita em que se solicitava a redacção de um texto narrativo, no qual o aluno tinha de relatar um episódio inesquecível da sua vida escolar, real ou imaginado, passado numa determinada zona da escola, na companhia de colegas e/ou de professores.
Era este o tema pedido para a composição. O que se seguiu é o assunto da minha reflexão.
A primeira dificuldade dos alunos residiu em encontrarem, nalgum momento das suas memórias, um episódio marcante, digno de ser relembrado. Logo de imediato, para aqueles que não o tinham (ainda eram bastantes) surgiu o segundo grande obstáculo: imaginar, voar com o pensamento, reconstruir a partir do real, esculpir as ideias e modelá-las em palavras.
Estou a falar de jovens com onze, doze anos, a entrarem no sexto ano de escolaridade, com a frequência de cinco anos lectivos, o equivalente a cerca de quarenta e cinco meses de convívio, quase diário, mil trezentos e cinquenta dias de vivências partilhadas, dentro e fora de salas de aula, em contexto escolar e não conseguirem seleccionar, de entre tantas situações ocorridas, nenhuma especial que lhes tivesse tocado? Como se a Escola lhes passasse pela vida, em bicos dos pés, despercebidamente, deixando ténues pegadas neste percurso.
E o convívio? E as brincadeiras geradoras de laços vinculadores da amizade e do companheirismo, essência de relações que perduram para o resto da vida? Restam apenas memórias esbatidas desses momentos, sem significado afectivo, despejados de emoções?
E a capacidade de idealizar a partir do concreto, tão própria desta faixa etária? Onde se encontra? Perdeu-se? Não me parece, continua a existir em cada criança, em cada jovem, apenas se diluiu porque não é exercitada.
Esta geração nasceu e cresceu num tempo em que tudo, para além de ser dado, já vem formatado (os brinquedos; os entretenimentos; as situações; os rituais; os modelos; as manifestações das emoções; a vida, menos a capacidade de imaginar!).
Há muitos anos, num outro contexto, o poeta bradava “Não há machado que corte a raiz ao pensamento (…) ”. Caro poeta, quando o exercício (deveria sentir-se como simples, fácil e natural) de libertar as ideias e recriar novas formas, livres, genuínas, se converte num tormento incorpóreo, então, o improvável, o inimaginável, o impossível, parece ter sido conseguido.










sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sexta-feira, dia 13

Hoje termina o prazo para as escolas informarem os professores se, no próximo ano lectivo, têm lugar –independentemente de pertencerem ou não ao quadro – ou se são “contemplados” com os denominados horários zero.
No meu agrupamento foram muitos os profissionais - alguns com mais de trinta anos de serviço - a receberem a triste notícia que tanto temiam.
A minha solidariedade com todos estes colegas é tanto maior quanto a certeza que um destes dias, também eu poderei vir a engrossar a lista dos futuros disponíveis. Para isso não é preciso muito: basta apertar-se um pouco mais o cerco, basta a população escolar diminuir, basta legislar-se mais medidas de contenção, basta alterar-se o processo de escolha, basta mudar as regras do jogo, basta... basta... basta tão pouco! Sem dúvida, vivem-se tempos muitos difíceis e o mais preocupante é que a esperança num futuro, pelo menos com condições semelhantes às do presente, é cada vez mais débil!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mais do mesmo

Sempre considerei o actual modelo de gestão das escolas muito pouco democrático.
Recordo com saudade os antigos Conselhos Executivos ou Conselhos Directivos eleitos pelos principais intervenientes na vida da escola: professores, funcionários, um representante dos encarregados de educação por turma e, no ensino secundário, um representante dos alunos, também por turma.
O modelo podia não ser perfeito, mas pelo menos resultava da vontade de uma maioria, obtida pelo método mais simples: uma pessoa, uma escolha, um voto. Era sem dúvida um modelo mais convergente e consensual que o vigente.
Tudo isto num tempo em que a política ainda não tinha invadido as escolas.
A decisão do Ministério em propor uma alteração ao decreto-lei que define o Regime de Autonomia, Administração e Gestão Escolar, de modo a retirar poderes ao director, vem de encontro ao sentir da maioria dos professores e funcionários e dar razão a todos os que preconizavam defeitos e falhas nesta forma de gestão e organização escolar. 
Agora que o Ministério acordou em fazer alterações, há que ter a coragem em mudar o que já se constatou estar menos certo.
O papel dos sindicatos, nas negociações, vai ser muito importante, pois só eles poderão evitar que, apesar das mexidas, fique tudo na mesma, perigo real se se atentar no que foi noticiado na tvi24.

 Adenda: para quem não conhece a realidade, a notícia faz crer que as mudanças resultarão mesmo numa perda de poderes, o que é ilusório, mas esse assunto ficará para um próximo post. 





domingo, 11 de setembro de 2011

Desafios

O início deste ano lectivo seria igual a tantos outros, guardados na memória do passado, se não fossem as alterações introduzidas no Ensino.
O primeiro dia de aulas traz consigo grandes inovações e mudanças estruturais: nova ortografia, novos programas de Língua Portuguesa, novo modelo de avaliação docente, nova organização curricular.
É um ano de arranque, um ano de adaptação às novidades, às diferenças.
Os desafios são grandes e há que os vencer.
Confesso que a minha maior dificuldade será adaptar-me às alterações consignadas no Novo Acordo Ortográfico. Não vai ser fácil!
Aqui, neste espaço muito meu, continuarei a escrever da forma que aprendi há quarenta e três anos atrás.
Aqui, os acordos ficam do lado de fora!
Aqui, quem decide sou eu!





sábado, 10 de setembro de 2011

Está quase

Quando chega esta altura, poucos dias antes do arranque oficial do ano lectivo, pareço uma daquelas adolescentes entusiasmadas com a preparação do material necessário para as aulas: dossiers, cadernetas, estojo, entre muitos outros objectos.  
Tudo tem de estar direitinho para este início de mais um ano: planificações, grelhas e, acima de tudo, uma grande vontade em começar a trabalhar. Um gosto especial pelo que se faz e a noção da enorme responsabilidade que é ensinar e educar pequenos seres humanos que têm pela frente um futuro a construir. 
A minha actuação, como professora e educadora, influenciará, de algum modo, a vida destes jovens!