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terça-feira, 24 de junho de 2014

Dégradé


Com a chegada do Verão, os dias desnudam-se, quentes, luminosos, em poentes intensos e harmoniosos, aromatizados pela brisa de final de tarde que espalha, ao seu passar, o bulício dos sentidos a despontar.
O Verão e as férias, o calor abrasador e as noites cálidas, enfeitadas de luares prateados, avivam lembranças ternas, edificadas em momentos alegres e risonhos de um outrora que passou muito depressa.
Formilo, sempre Formilo no centro das memórias: um retorno à imponência do casarão, à majestade da escadaria ladeada de hortenses em variações de roxo e lilás; ao sussurro murmurado da água da fonte a cair, límpida e fresca; à paisagem serrana incrustada nas encostas verdejantes, perdida nos horizontes sem fim; ao cheiro agreste das pessoas e dos animais; aos sons melodiosos que encantam as noites e as madrugadas e despertam a poesia inspirada no voo reluzente dos pirilampos e na guizalhada dos grilos; a momentos inesquecíveis!
Formilo e sempre Formilo: um retorno ritualizado e cíclico em busca das raízes da memória afectiva. A saudade forjada no tempo. O passado em dégradé no presente!










quinta-feira, 26 de maio de 2011

Campo

Num momento deste dia, reencontrei-me com as lembranças de Formilo – aldeia situada no distrito de Viseu e relativamente próxima da cidade de Lamego onde, desde pequenina, passava as férias grandes.
Hoje, revivi, de novo, as sensações desse tempo do passado, mas num outro espaço e num contexto diferente.
 Esta tarde, ao sentir, outra vez, o cheiro do campo, o aroma de pinheiros e eucaliptos, a poeira que matizava o ar à passagem por carreiros de terra batida, o calor tórrido de um sol abrasador afagando a face e os braços, a brisa morna que, de mansinho, se insinuava e suavizava a canícula da tarde, os larápios roedores, de orelhas espetadas, por entre as vinhas a saltitar, fez crescer, em mim, uma saudade imensa, uma nostalgia intensa desses dias de felicidade, de risos e brincadeiras próprios de quando se é pequeno e tem-se um mundo a conquistar.
Esta tarde reencontrei-me, mais uma vez, com o meu passado e percebi que a relação de afectividade e de emotividade que estabelecemos com os lugares, as pessoas e os acontecimentos, determina a importância que lhes conferimos e, por isso, tornam-se recordações que guardamos na memória dos afectos.