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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Inteiro



  Para analisar, interpretar e desassossegar (exercício perfeito para um momento de reflexão individual e solitária de cada qual...)


Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milénio. As relações afectivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projecto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficarem sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fracção, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O ser humano é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

                                                                                                                              Flávio Gikovate









 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Bem e mal ou a relatividade de verdades tidas absolutas


O estado islâmico destruiu mais uma estrutura de mais um outro templo na cidade de Palmira, como se sabe, património da humanidade.
Como é possível, em pleno século XXI, a Humanidade parir seres humanos com mentalidades tão retrógradas e limitadas, pessoas tão incultas, tão fanáticas, tão ao estilo Idade Média?
Como pode um grupo de extremistas ousar destruir um património milenar que é de todos nós e não apenas deles?
Como querem que o resto do mundo os considere e os respeite ou leve a sério, quando todas as suas acções, espelho de maldade, frieza e tacanhez de espírito, provocam, naqueles que não são os seus, sofrimento, dor, humilhação e espalham à sua volta morte e devastação?
Como é que alguém se endeusa (legitimando as suas acções por deturpação dos princípios ideológicos de uma religião) e se promove, como detentor de uma vontade divina, impingindo aos outros – os hereges- uma razão castradora da diferença e da pluralidade de pensamento?
São tempos perigosos, muito conturbados, estes que vivemos e o mundo democrático tem obrigação de travar o avanço do mal, qualquer que seja a forma com que este se revista. Devemo-lo aos inocentes, tombados e imolados às mãos de uma minoria fanática e cruel de modo a que a paixão e morte de todos eles ecoe, para sempre, nas ruínas dos templos destruídos, na  consciência de todos nós e nos anais da Humanidade.  










domingo, 23 de agosto de 2015

A brincar, a brincar...



Síntese da 2ª jornada.

Final dos jogos Sporting-Paços de Ferreira (1-1) e Marítimo- Porto (1-1):





Águia antevendo a liderança...







enquanto o humor do leão e do dragão…








                                     



Final do jogo Arouca-Benfica (1-0), volta-face nos estados de espírito...





                              



Isto promete...!!!









sábado, 18 de abril de 2015

Antípodas


O dia está tristonho, daqueles que acordam rezingões e espalham o mau feitio em seu redor.
É sabida a ascendência dos estados do tempo no humor. De que maneira o influenciam!...
Em dias assim, o olhar com que visualizamos o que nos envolve parece escurecer e ensombrar as imagens que captamos, as emoções que intuímos, nós próprios.
Pode a Natureza ter mais força que a vontade? Não! Pode condicionar, nunca determinar!
Vai-te embora mau tempo! Para lá do Equador, há um hemisfério que clama por ti, um calendário que urge cumprir-se, um ritual a acontecer.
Liberta-nos da tristeza que transmites e deixa-nos sonhar com a harmonia da Primavera, com a doçura do Verão.
Deixa-te de protagonismos e parte para o outro lado do mundo. Embrulha-te no manto frio que anuncias, leva contigo as galochas ensopadas, resguarda-te debaixo do chapéu-de-chuva e abala, para que a vida floresça, com ela o sol a sorrir e nós de novo a existir (não será talvez a palavra mais apropriada para concluir a ideia, mas, na ausência "daquela", ao menos, a musicalidade na rima.).










quinta-feira, 16 de abril de 2015

Paisagem

 

Vila Velha do Rodão
16/04/2015


Entre o céu e a terra, a poesia da Criação.




 
 
 
 
 







quarta-feira, 15 de abril de 2015

Contrastes



Portas do Rodão
 15/04/2015


A imponência da Natureza na beleza da paisagem.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Mero detalhe


O fundador e presidente honorário do partido de extrema-direita francês, Frente Nacional, afirmou que as câmaras de gás nazis constituíram um detalhe na história do Homem, nomeadamente da 2ª Grande Guerra.
Um dos defeitos ou virtudes trazidos pela idade é dizer o que se pensa, independentemente das reações que as palavras proferidas possam gerar nos outros. Jean Marie Le Pen é a prova concreta, o argumento indiscutível, a validação da afirmação.
Não pretendendo desrespeitar os seus oitenta e seis anos, mas, ao lê-lo, é-me impossível travar um pensamento que se autonomiza e irrompe para além do meu querer “Le Pen, pai, é um detalhe da humanidade”!  










quinta-feira, 19 de março de 2015

A crise da República




Hoje em dia, em Portugal, quando existir um período temporal curto em que não surja um escândalo qualquer relacionado com os detentores do poder, figuras públicas eminentes, começa a ser estranho, aliás, muito estranho!!!
Ele é "PPP (s)", ele é "Parque Escolar", ele é cadeiras concluidas a domingos, ele é “Relvas”, ele é “Freeport”, ele é “Vistos Gold”, ele é “submarinos”, ele é fuga ao fisco, ele é “Bes e Ges”, ele é peculato e afins, ele é listas Vip: enumeração demasiado longa para um país democrata que pugna pela transparência e pela igualdade de direitos, perante a lei, para todos os cidadãos.
O que se seguirá? Já tudo é possível e nada me espanta.
Penso que o problema já não é da Democracia, é antes uma crise profunda da República que abraçámos desde 1910. 

Oservação: A repetição do "ele" é proporcional aos factos que enuncia e à indignação que os mesmos provocam!










sábado, 7 de março de 2015

Como ele me compreende




Acordas, vais à janela, olhas para a rua, vês que está um dia lindo, soberbo, chama por ti, mas depois lembras-te que tens de trabalhar:



...









terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Ainda o Meco



 O caso do Meco continua longe de estar resolvido. Por tudo o que se ouve, parece-me estranho determinadas decisões do juiz de instrução, nomeadamente na recusa em ouvir técnicos especialistas e os inspectores da PJ que poderiam elucidar dúvidas que pairam no ar.
Quem não deve não teme, e, numa situação destas, em que a verdade aparece muito embrulhada na incerteza, seria moralmente correcto proporcionar a maior transparência ao processo, para que se chegue a uma conclusão e assim serenar o espírito daqueles pais que necessitam, urgentemente, de concluir o luto iniciado em Dezembro de 2013.
Se eu estivesse no lugar de qualquer um deles, também não descansaria enquanto a verdade dos factos não fosse apurada e as incertezas dissipadas. Acho que têm direito a isso e não há nada nem ninguém que o impeça! 
Enquanto as dúvidas permanecerem suspensas em enormes pontos de interrogação e as respostas não convencerem, o processo nunca terá fim, mesmo que, institucionalmente, este venha a ser concluído e encerrado!
Sinceramente, é importante que o simbolismo patente na imagem de uma justiça cega, surda e muda, garante da imparcialidade na luta pela verdade, se alicerce, cada vez mais, nesta democracia que, por vezes, se fantasia de tudo menos do que, efectivamente, é.
Afinal de contas só se pretende a verdade: não a deste ou daquele, mas a verdade, a única, a genuína, do que sucedeu naquela fatídica madrugada independentemente de culpas e responsabilidades.









  

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Ás de trunfo


Acabei de ouvir a entrevista dada pelo advogado do engenheiro José Sócrates a José Alberto Carvalho.
Não há dúvida de que o domínio correcto da língua mãe aliado a uma maneira de ser geradora de empatia e a uma facilidade comunicacional são trunfos valiosíssimos!
A telenovela continua numa próxima excursão a Évora, numa próxima visita de amigos, numa próxima entrevista sorridente, numa estratégia delineada no gerúndio.










quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Auschwuitz - ontem e hoje


Fez ontem setenta anos que o exército russo entrou num dos mais conhecidos campos de concentração alemão (polaco) construído durante a Segunda Grande Guerra, Auschwuitz e testemunhou os vestígios da enorme atrocidade aí cometida contra a Humanidade: o Holocausto, o genocídio em massa de milhões judeus!
Passaram setenta anos, a memória dos homens é curta, por vezes deturpadora, alienada da realidade. Por isso, é importante relembrar, é imprescindível recordar, é peremptório dar a conhecer, às gerações mais jovens, um dos capítulos negros da nossa história, para que não se volte a repetir.
Os trezentos sobreviventes do mais famoso campo de morte nazi constituem o documento histórico vivo, o legado de gerações, a voz fidedigna de um passado tantas vezes já presente.
Desde então, quantos Auschwuitz replicados na intenção, na acção, na concretização…










domingo, 11 de janeiro de 2015

Palavras intemporais


 
Hoje, em Paris, no silêncio da multidão que se manifesta, no sentir e no pulsar de uma nação, de um povo, de uma herança civizacional,  há um pouco de todos nós, os que defendem o respeito pela pluralidade e relatividade de culturas e pela liberdade de expressão, próprias das democracias.
Neste momento, por este mundo fora, milhões de pessoas fazem dos gestos, das acções e das intenções dos que desfilam pelas ruas da Cidade Luz os seus, solidarizando-se e unindo-se com e a todos os que defendem os ideais liberais, herdados da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
É preciso demonstrar a quem defende o fundamentalismo, o radicalismo e a linguagem da violência, onde quer que surja, que as palavras são mais fortes do que as balas, sempre.
A História ensina-nos que estas permanecem na memória dos povos, legado intemporal, enquanto aquelas se esfumam e se esvaziam de conteúdo na destruição e no caos que geram momentaneamente.
Hoje, mais do que franceses ou europeus, somos, sobretudo, cidadãos do mundo, pessoas!

LIF (e)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Eu sou Charlie

 

Quando eu flor…
Quando tu flores…
E ele flor…
Nós flores seremos,
e o mundo florescerá!
 
                         Blog Flor da Ju