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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Bem e mal ou a relatividade de verdades tidas absolutas


O estado islâmico destruiu mais uma estrutura de mais um outro templo na cidade de Palmira, como se sabe, património da humanidade.
Como é possível, em pleno século XXI, a Humanidade parir seres humanos com mentalidades tão retrógradas e limitadas, pessoas tão incultas, tão fanáticas, tão ao estilo Idade Média?
Como pode um grupo de extremistas ousar destruir um património milenar que é de todos nós e não apenas deles?
Como querem que o resto do mundo os considere e os respeite ou leve a sério, quando todas as suas acções, espelho de maldade, frieza e tacanhez de espírito, provocam, naqueles que não são os seus, sofrimento, dor, humilhação e espalham à sua volta morte e devastação?
Como é que alguém se endeusa (legitimando as suas acções por deturpação dos princípios ideológicos de uma religião) e se promove, como detentor de uma vontade divina, impingindo aos outros – os hereges- uma razão castradora da diferença e da pluralidade de pensamento?
São tempos perigosos, muito conturbados, estes que vivemos e o mundo democrático tem obrigação de travar o avanço do mal, qualquer que seja a forma com que este se revista. Devemo-lo aos inocentes, tombados e imolados às mãos de uma minoria fanática e cruel de modo a que a paixão e morte de todos eles ecoe, para sempre, nas ruínas dos templos destruídos, na  consciência de todos nós e nos anais da Humanidade.  










sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O lado negro de


Um destes dias ouvi, com uma certa perplexidade e algum receio, um dirigente religioso do auto-proclamado Estado Islâmico defender, veementemente, a ideia de expansão territorial para os países do Ocidente, com vista à difusão e posterior implantação do Islamismo ou melhor, do fundamentalismo islâmico, cego e déspota - como todos os fundamentalismos - a fazer lembrar o que sucedeu no século VII, aquando da expansão muçulmana.
Se este querer não for contrariado, torna-se poder e fazer e corremos o risco dos paladins desta ideologia ainda nos invadirem!  Não afirmaram já ser a Espanha berço seu por direito histórico (o reino de Granada perdurou na Península Ibérica até ao ano de 1492, finais do século XV)? Tal como no passado, voltarão a querer dominar toda a Al Andalus.
Como não me vejo de burka, nem privada da minha liberdade individual, nem anulada como ser humano só porque nasci mulher (entre muitas outras razões), peço: alguém detenha estes fanáticos perigosos que por onde passam só sabem deixar um rasto de terror, destruição e maldade!
Que o Deus (independentemente do nome pelo qual é invocado) nos proteja de semelhante sorte!










quarta-feira, 3 de setembro de 2014

As incertezas do presente


O Homem, desde que inventou as religiões, tem-se servido delas e dos deuses de cada qual para justificar algumas tomadas de decisão e consequentes acções contra os seus irmãos.
A História demonstra-nos a veracidade desta realidade.
Como podem os seres humanos invocar um deus – Aquele em que acreditam - para legitimar atitudes: vis, brutais, frias, desprovidas de positividade, contra os seus semelhantes e criar um clima de terror e instabilidade, escondendo-se do exterior, dos outros, envoltos em trajes negros - sempre as vestes negras-  (assim eram as dos Jesuítas, assim são as dos Jihadistas, como a negritude da sua alma)?
De repente, parece que o Homem desencadeou um processo de negação dos valores humanistas e, com as suas acções, se encaminha para um tempo caracterizado pelo retorno à barbárie, à lei do mais forte (física e socialmente, entenda-se), baseada na força das armas, na posição e estatuto sociais, no desencadear de um clima de medo e de pavor, em que a justiça, a inteligibilidade e a palavra, como forma de entendimento, como veículo de comunicação, perderam importância.
Para onde caminhamos?










sexta-feira, 11 de julho de 2014

Regresso ao passado


Já não nos bastava o buraco no BPN (muito mal tapado e à custa do erário público) e eis que surge logo outro de nome BES. Espero que desta vez não ousem sequer pensar em usar o Estado como escudo protector da má gerência de uns tantos. Já chega de cobrir buracos!
Como não há duas sem três, qual será a próxima instituição bancária a colapsar? Isto vai de mal a pior!
Um dia destes, com tanta buracada, perde-se de vez a confiança e adoptamos o velhinho método dos nossos antepassados: esconder o dinheiro (os que ainda o tiverem) debaixo do colchão. Talvez assim consigamos dormir, descansadamente, sobre este assunto!











 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Até quando?

Será impressão minha ou este final de ano lectivo parece mais infindável, mais complicado que os anteriores? 
Desde que as aulas terminaram que não me consigo ver livre de papéis: PCT, exames, relatórios disto e daquilo, grelhas, actas, uma panóplia de documentos...
Se alguma dúvida ainda me assolasse, a realidade circundante grita-me que não é impressão minha.
A esta hora da noite, de volta da conclusão de um PCT, sinto-me no epicentro da burocracia, aquela que foi sendo, sucessivamente, introduzida, decretada pela vaga de políticos que vão ocupando o pedestal da governação. Burocracia não implica, necessariamente, qualidade ou grau de exigência. Parece-me que os políticos ainda não o perceberam. Geralmente, quando há insegurança no exercício do cargo desempenhado, os tecnocratas do poder refugiam-se na obrigatoriedade da papelada, procurando disfarçar a segurança que não sentem. Ilusões!
São estes políticos que impõem medidas - algumas completamente desnecessárias pois não acrescentam nada à qualidade do ensino e à resolução de alguns dos graves problemas que invadem as nossas escolas -que, na sua vida particular, servem-se dos conhecimentos e dos cargos partidários que desempenham, para ludibriarem o sistema, em proveito próprio e conseguirem obter, por meios muito dúbios – não lhe quero chamar outro nome - em tempo reduzidissímo, as qualificações académicas que têm tudo menos rigor, veracidade, transparência nos trâmites do processo.
Quando é que se começou a perder a vergonha, se fez da mentira, da trafulhice, do jogo baixo, do vale tudo, os valores morais de alguns?
A bola de neve ainda agora começou a rolar!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Para se cumprir

Esta tarde, bem perto da minha escola, ocorreu mais uma tragédia, semelhante a tantas outras que, ultimamente, fazem título de manchete.
Em Portugal, os crimes passionais têm vindo a aumentar a um ritmo demasiado rápido proporcionalmente ao número de habitantes que temos.
Não sei se é este tempo conturbado que atravessamos, se é uma espécie de delírio provocado pelas dificuldades crescentes que enubla o presente e, de certo modo, silencia o futuro, que provoca nas pessoas impaciência, irritabilidade, incompreensão e as leva a agir impetuosamente, sem se aperceberem da gravidade e consequências dos seus actos.
Quando a emoção se sobrepõem à razão e se age “de cabeça quente”, geralmente, dá mau resultado.
A vida é feita de derrotas e vitórias.
O passado é importante quando ajuda o presente e prepara o futuro.
Por muito difícil que seja, é imprescindível saber-se lidar com as emoções que os ganhos e as perdas afectivos geram em cada qual.
“Ninguém é de ninguém” e cumprir-se como ser implica, também, saber aceitar a partida-ausência de quem escolheu um outro caminho para trilhar.

sábado, 9 de junho de 2012

Acordar

O vendaval intensificou-se e, num redemoinho em espiral, sorveu tudo por onde passou, aniquilando, sem piedade nem remorsos, vidas, esperanças, sonhos.
Há muito que os indícios – despercebidos para a maior parte - apontavam para o desfecho que ninguém ousava sequer pensar, tal a força devastadora que ameaçava emergir da tempestade.
Na ignorância de muitos e no fingimento de poucos, vivia-se na abundância, mera quimera, utopia enganadora com prazo marcado.
Teciam-se planos, rendilhavam-se ilusões e o futuro imaginava-se tranquilo e risonho.
Sem mais, a realidade impôs-se: dura, preocupante, desesperante. O acordar para a verdade tragou, na força da enxurrada, vontades, certezas, quereres.  
Nos rostos marcados, nos espíritos doridos, vincados de rugas, dormentes de raiva, a angústia do devir, a incerteza do amanhã. 
Porém, uma réstia trémula de luz esbate as sombras escuras do presente, entreabrindo um rasgo de esperança.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

O que é nacional é bom

 Os momentos de crise, quanto mais não seja, servem para “tomar o pulso” de um povo.
Nós, os portugueses, defensores e praticantes dos brandos costumes, – teremos sido sempre assim? – diferenciamo-nos dos outros povos pelo modo como reagimos às contrariedades da vida: com serenidade e espírito de sacrifício. Temos a nossa marca muito genuína que nos distingue dos demais: a compreensão, a aceitação, a condescendência, o “esquecimento”. Até mesmo quando contestamos, fazemo-lo com arte: refilamos cortesmente.  Também é em momentos de crise que evidenciamos uma outra característica muito nossa: a solidariedade e o espírito de entreajuda para com os mais fracos.  
Nesse seguimento, não é de estranhar que, face ao contexto socioeconómico que vivemos - o sonho da globalização tornou-se o nosso pesadelo - se venha a assistir a uma campanha em prol da defesa do que é nacional, de modo a  incentivarmos a produção que conduzirá à sobrevivência das empresas e à segurança dos postos de trabalho.  
O vídeo que se segue é um exemplo, com uma certa dose de humor, – negro? – de uma dessas campanhas.







quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Orogénese

Vivemos um tempo de grandes incertezas, enormes indeterminações, muita turbulência.
O ritmo e a sucessão dos acontecimentos ultrapassam-nos, atarantam-nos, atordoam-nos. 
Como vivemos, o que temos, o que nos rodeia, tremem na fragilidade de um presente, aparentemente, seguro.
Entre o adormecer e o acordar, num piscar de tempo, a incógnita do amanhã.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ilógico

Ao ler a notícia, no Público de hoje, sobre a comparticipação do SNS na remoção dos implantes mamários de silicone de uma certa marca, para todas as mulheres que se submeteram a esta operação, independentemente do motivo que as norteou, baralhou-me. Então, uma parte dos meus impostos vai ser aplicada não para ajudar os mais carenciados na prestação dos cuidados primários de saúde, mas antes para subsidiar a remoção de implantes mamários de quem não tem qualquer dificuldade económica? Não faz sentido!
Um implante mamário, quando a razão é meramente estética e não resultante de uma intervenção oncológica, é um luxo, um mimo que só tem quem pode. Assim sendo, o SNS não tem de comparticipar nada!
Poupa-se por um lado, desbarata-se por outro e depois pede-se compreensão e espírito de sacrifício…


sábado, 17 de dezembro de 2011

O voo da águia

Fonte fidedigna, que pediu anonimato, adiantou as razões para o incidente ocorrido durante o jantar de Natal da família benfiquista, entre a águia Vitória e o presidente deste clube.
Ao que parece, vários foram os motivos para tão tresloucado acto da mascote do Benfica.
Farta de ouvir os discursos repetitivos de Luís Filipe Vieira contra o seu rival nortenho, contra a arbitragem, contra os apitos multicolores, contra o seu rival do lado, contra a fraca iluminação dos túneis e duvidosos acessos, contra os stewart, contra os aspersores de rega, contra o verde da relva e a forma esférica da bola, enfim, contra tudo e contra todos, a pobre águia aproveitou a presença deste alto responsável e atacou-o com as suas potentes garras.
Se não era rapidamente dominada, lá ficava o Benfica sem presidente e sem mascote.

Adenda: A mesma fonte fidedigna (que continua a querer manter o anonimato) informou, em segredo, que Luís Filipe Vieira, mal saíram os últimos convivas do almoço, mandou vendar a águia e diminuir-lhe a ração.
Como retaliação, parece que a Vitória recusa-se a voltar a voar sob o céu do estádio dos lampiões.
Impasse! 
Quem ganhará este braço de ferro?
Não percam o desenvolvimento num próximo repasto.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nem mais!

Pedro Nuno Santos, um dos vice-presidentes do grupo parlamentar do PS, afirmou que se estava a “marimbar para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal nas condições em que emprestou”, sugerindo que o país deve suspender o pagamento da sua dívida para deixar “as pernas dos banqueiros alemães a tremer”.
Público, edição on line de 15 de Dezembro de 2011


Em sintonia com a ideologia defendida pelo deputado do PS, faço constar, para que se saiba, que eu, uma cidadã deste humilde país da União Europeia, deixarei de pagar as contas referentes às despesas mensais do gás, luz, prestação da casa entre outras, uma vez que, após o corte de 5% no vencimento, a anulação dos subsídios de férias e Natal, não possuo rendimento suficiente para fazer face aos inerentes encargos das rotinas diárias.
E mais informo que, se me vierem pedir contas desta minha decisão e reclamar o pagamento das dívidas contraídas, remetê-los-ei à sua insignificância e processá-los-ei, uma vez que NÓS, acima de tudo.
E assim vai este meu Portugal…

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Reaparição

Eis que de súbito, decide romper com o silêncio a que se remetera, desde que procurara, na Cidade Luz, o refúgio perfeito para fazer a pausa necessária, a reflexão obrigatória, logo após a derrota que obteve nas eleições legislativas.
É compreensível, é aceitável, era preciso, quase inevitável, depois de uma governação desastrosa!
Quase já nem nos lembraríamos da sua existência, não fora o caos económico em que nos deixou, não fora o comprometimento do futuro que originou.
Anteontem, ao ouvi-lo afirmar, convictamente, perante jovens estudantes, numa universidade francesa, que os países pequenos, como o nosso, não têm de pagar as suas dívidas e que pensar isso é como uma brincadeira de criança, percebi, finalmente, os contornos ideológicos que comandaram a sua acção política, enquanto governou, como Primeiro-Ministro, a gente deste pequeno território.
Na sequência da primeira intervenção pública, após o afastamento assumido, na cidade dos amantes e numa campanha de marketing – cultiva o afastamento, mas não o esquecimento – o seu discurso inflamou o meio político e social, tal a calinada proferida perante uma vasta assembleia e prontamente divulgada pelos órgãos de comunicação social.
Raríssimos, são os momentos em que sinto vergonha de ser portuguesa.
Infelizmente, este foi um deles!



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Esta Crise

Caros leitores, esta crise, que nos assola e persegue, desperta-nos potencialidades criativas que nem imaginávamos possuir.
Lá diz o ditado que a necessidade faz o engenho e é bem certo!
Tempos novos, leia-se crise, costumes diferentes.
O restaurante e a cantina cederam o lugar à marmita. Dos restos, nascem pitéus divinais. As boleias, mesmo para curtas distâncias, voltam a estar na moda e até já se contabiliza o tempo dos banhos!
É todo um modo de vida que se altera numa adaptação, mais que lógica, às circunstâncias particulares deste contexto bem específico.
É o instinto da sobrevivência da espécie a actuar, é o lado natural a gritar mais alto! 

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Carisma

Dois anos de recessão profunda, prevê o Banco de Portugal”,  “Sem a ajuda do Estado, 43% dos portugueses estariam em risco de pobreza”,são dois dos títulos que se podem  ler na edição digital do Público de hoje.

Os cenários económico e social, para 20011/2012, mais que desanimadores, são completamente preocupantes e frustrantes. Entre outros indicadores – quase todos a diminuírem – o do emprego regista um decréscimo, já este ano de 1,1% e no próximo de 0,9%. Dito assim parece não ser muito significante.
Contudo, as percentagens indicadas traduzem-se numa perda de cerca de 100 mil postos de trabalho, 100 mil portugueses que nos próximos meses irão ficar sem meios de subsistência o que irá fazer aumentar os 43% de portugueses que se encontrariam no limiar da pobreza,  não fosse a ajuda do Estado.
Portugal terá de ter muita força de vontade, fazer muitos sacrifícios e apostar na solidariedade de modo a minimizar os efeitos devastadores que esta crise nos reserva.
É em momentos assim que se vê o carisma de um povo!