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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vida

Quantas vezes erramos o olhar com que perscrutamos o que nos rodeia? Quantas vezes defendemos convictamente veracidades que mais tarde se desfazem em dúvidas? Quantas vezes afirmamos realidades que nos escapam?
A idade da vida ensinou-me os quão erróneos podem ser os julgamentos que fazemos, as conclusões a que chegamos, quando alicerçados em suposições que tomamos como certezas inabaláveis.
Vem isto a propósito da execução do afro-americano Troy Davis, condenado, nos EUA, à pena de morte por suposto homicídio de um polícia branco.
Nenhum ser humano tem o direito de tirar o que não pode restituir. A vida é um dom de Deus e apenas Ele a pode tirar.
Orgulha-me os nossos estadistas de visão que anteciparam a defesa dos direitos humanos nas decisões que tomaram.
Orgulha-me termos sido os primeiros a abolir a escravatura, a proibir a pena de morte.
O Homem mede-se pela coragem nos combates decisivos da vida, pela firmeza das convicções, pelo perseguir dos sonhos, pela não desistência no que acredita, no que  almeja.
A História não é dos fracos!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Insólito humorístico

Cumprindo o ritual, abri a página on-line do jornal Público e comecei por ver os títulos: devagar, com atenção, saboreando o prazer da leitura, não totalmente completo pela falta do cheiro e do toque do papel!
Dos títulos saltei para as notícias e destas para o corpus textual.
O desenvolvimento de cada notícia é sempre acompanhado da possibilidade de interacção dos leitores através dos comentários feitos. E é aí, nesse espaço, que, muitas vezes, apesar do drama narrado, surgem momentos hilariantes, com autêntico sentido de humor. Outras vezes é o próprio título que faz sorrir pelo disparate que encerra.
Hoje, ri sim, quando li a notícia encabeçada pelo seguinte título: “Homem recebe primeiro duplo transplante mundial de pernas”.
Sem dúvida que a ciência está muito avançada, quer em termos de conhecimento quer em termos de técnicas, mas conseguir transplantar 4 pernas na mesma pessoa?!
Fantástico, senhor jornalista!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Carisma

Dois anos de recessão profunda, prevê o Banco de Portugal”,  “Sem a ajuda do Estado, 43% dos portugueses estariam em risco de pobreza”,são dois dos títulos que se podem  ler na edição digital do Público de hoje.

Os cenários económico e social, para 20011/2012, mais que desanimadores, são completamente preocupantes e frustrantes. Entre outros indicadores – quase todos a diminuírem – o do emprego regista um decréscimo, já este ano de 1,1% e no próximo de 0,9%. Dito assim parece não ser muito significante.
Contudo, as percentagens indicadas traduzem-se numa perda de cerca de 100 mil postos de trabalho, 100 mil portugueses que nos próximos meses irão ficar sem meios de subsistência o que irá fazer aumentar os 43% de portugueses que se encontrariam no limiar da pobreza,  não fosse a ajuda do Estado.
Portugal terá de ter muita força de vontade, fazer muitos sacrifícios e apostar na solidariedade de modo a minimizar os efeitos devastadores que esta crise nos reserva.
É em momentos assim que se vê o carisma de um povo!

sábado, 21 de maio de 2011

Um Sábio Conselho


Nas alegações finais do debate entre os candidatos José Sócrates, do PS e Pedro Passos Coelho do PSD, o ainda Primeiro-Ministro afirmou, com ar circunstancial: ”Portugal precisa de um governo forte e responsável”.
Nunca José Sócrates falou tão verdade! Concordei em absoluto com ele!
Assim, no dia 5 de Junho, sigam este conselho tão sábio e votem em todos os partidos, mas no PS "Socrático" JAMAIS

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Irlanda (foi) do Norte

Foto do Público, 18/05/2011

Esta noite, em Dublin, falou-se português.
Qualquer que fosse a equipa vencedora, só pelo facto de ser uma final portuguesa já seria motivo suficiente para nos encher de orgulho
No entanto, fiquei contente pela vitória do FCP. Uma vitória em tons de azul e branco sobre um vermelho esbatido.
 Pelo menos haja algo que nos alegre o espírito!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Este meu País


A noção de que o meu país anda à deriva, desencontrado, perdido nas mãos de políticos que da arte de governar pouco ou nada percebem, é cada vez mais evidente.
Tomam-se decisões que pecam pela falta de congruência. A lógica que as preside varia consoante os interesses a atingir (e geralmente são sempre políticos ou económicos).
Neste meu país, parece que tudo funciona ao contrário, tal como uma imagem devolvida por um espelho: o normal passa a anormal e o insólito já não admira.
Os exemplos são mais que muitos e rodeiam-nos. Basta estar-se atento.
Neste meu país, o Estado, dirigido pelas mãos de políticos “imberbes”, tudo pode: legaliza quase tudo, paga quase tudo, até as/das coisas mais inacreditáveis: casamentos homossexuais, interrupção voluntária da gravidez, toxicodependência, preservativos nas cadeias, não há entraves de qualquer espécie!
No entanto, experimentem tentar comprar os habituais comprimidos para dormir sem receita médica e verão os entraves que logo, aí, se levantam: olham-vos com ar suspeito, duvidam da razão da compra e aconselham-vos a dirigirem-se às urgências de um qualquer hospital onde, após várias horas de espera – porque afinal não é um caso urgente – são recebidos por um médico estagiário que, depois de ouvir o discurso, já gasto de tanto ser dito, acaba por passar a bendita receita.
Entre muitas ilações a fazer, realço esta: A lei permite que qualquer mulher possa impedir o acontecer do destino de um ser humano indefeso, abortando, mas não permite que um ser humano adulto, consciente e lúcido se responsabilize pela compra de uns simples comprimidos para dormir!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mentalidade

A propósito do convite de Passos Coelho a  Fernando Nobre para, como independente, ingressar nas listas do PSD para as próximas legislativas, não faltaram, desde logo, criticas e piadas sobre o assunto.
O facto do senhor ter aceite o convite não o torna militante do PSD.
Quantos independentes não concorreram já em listas de partidos a que não pertenciam?
As piadinhas, que põem em causa as convicções ideológicos do senhor e o seu  carácter, não têm razão de ser, uma vez que o cargo para que foi convidado - Presidente da Assembleia da Republica -  requer, acima de tudo, um distanciamento e uma descolagem de qualquer partido. E quem melhor reúne essas condições? Um independente, sem dúvida! Assim sendo, não entendo a polémica levantada  e o alarido que foi feito acerca  deste assunto, quando há questões tão mais graves e importantes a serem discutidas e resolvidas.
O nosso povo sempre teve  muita facilidade em julgar os outros sem estar por dentro dos conhecimentos e sem saber os factos.
Já dizia o professor Vitorino Magalhães Godinho que " o que demora mais tempo a mudar, numa sociedade, são as mentalidades".
Portugal, nos últimos 37 anos, sofreu profundas alterações conjunturais, mas estruturalmente pouco se alterou. A diversidade merece tanto respeito como a unicidade.
Quem não defende as mesmas ideias , não tem de ser, forçosamente, inimigo e muito menos ser alvo de gozo e chacota.
No campo da ética, Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer e muito a aprender!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Paradoxo- Parte II

Há determinadas actuações que, por mais que sejam aclaradas e argumentadas, nunca conseguirei entendê-las.
Mais concretamente, refiro-me ao modo como o nosso primeiro-ministro conduziu o processo relativamente à divulgação das medidas constantes no PEC IV.
O não ter informado, com antecedência, quer a presidência da república, quer os partidos políticos com assento na Assembleia, só denota falta de respeito pelas instituições, sede do poder e ausência de espírito democrático.
E quando criticado por todos os lados, acaba por se ver quase obrigado a ter de prestar explicações ao país (não esqueçamos que a manifestação “geração à rasca” ocorrera três dias antes), os argumentos que apresenta são tão fracos - cerimónia de tomada de posse do Presidente da República e moção de censura apresentada no Parlamento - que é impossível acreditar na boa fé do nosso primeiro-ministro.
Para quem tanta ênfase deu ao designado Plano Tecnológico - um dos estandartes da sua governação - é de estranhar que não tenha enviado um simples mail, evitando deste modo o mal estar institucional e a consequente crise política que desencadeou. .

terça-feira, 8 de março de 2011

Paradoxo

Hoje, no primeiro programa da segunda série de “Príncipes do Nada”, transmitido pela RTP1, numa das histórias de vida apresentadas, um menino caboverdeano, da ilha de São Vicente, respondia à jornalista, com uma firmeza no olhar e uma certeza no tom, que o seu sonho era poder estudar.
Por entre a pobreza, a carência e as dificuldades que preenchem a sua vida, este menino, com nove anos apenas, sem apoios, nem subsídios ou escalões, sem cantina e material quase dado, revela um respeito, uma maturidade e uma sabedoria na valorização do estudo e da Escola como garante para o futuro que quer risonho.
Ouvindo-o, não pude deixar de pensar noutros meninos que, tendo quase tudo, desvalorizam o estudo e a Escola nas suas vidas e impedem, com a sua postura, que os restantes usufruam, em pleno, das aprendizagens a que têm direito.
Paradoxo de uma dormência social!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os "des"

Numa abordagem à primeira página do Público on-line, deparei-me com um inquérito que pretende avaliar o grau do interesse dos leitores deste diário relativamente ao modo como a campanha das eleições presidenciais está a ser seguida.
Perante a afirmação “Está a seguir a campanha das eleições presidenciais com:”, o leitor pode optar por três respostas diferentes que variam entre “muito interesse”, “pouco interesse” e “não estou interessado”.
Despertada a curiosidade sobre o sentido de voto dos leitores, quis verificar se a suposição que fizera, antes de ter acesso aos resultados, se confirmaria ou, pelo contrário, desmentiria as minhas previsões.
De facto não me enganara: num universo de 1557 votos, número contabilizado até ao momento em que redijo este post, 7,2% das pessoas responderam que tinham muito interesse, 28% afirmaram que o faziam com pouco interesse e 64,8% dos leitores sustentaram que não estavam interessados.
Admiração com este resultado? De modo algum!
A leitura que faço situa-se em dois campos interpretativos possíveis: ou os leitores, neste momento, já estão bem convictos do candidato da sua preferência e, deste modo, tudo o que rodeia a campanha perde importância ou então é apenas e só a consequência imediata da invasão dos “des” na opinião de uma grande parte dos cidadãos portugueses relativamente à vida política do país, face a todos os casos e escândalos económicos e políticos que se têm sucedido nos últimos tempos: o desinteresse, a desmotivação e o descrédito nos nossos políticos!
No dia vinte e três de Janeiro, a dúvida cessará!

sábado, 20 de novembro de 2010

Civilização e cultura

Quando criei o "Desafioos" imaginei-o como uma versão moderna e actualizada do velhinho diário. Era o meu blog, o meu espaço virtual, muito pessoal, de encontro de mim própria, daí o seu carácter intimista em muitos dos textos publicados.
Há que saber acompanhar a evolução dos tempos e apropriarmo-nos, para nosso benefício, das consequências positivas que a mesma comporta. As novas tecnologias de informação abriram as portas do mundo ao mundo, em fracções de tempo nunca antes imaginadas, anulando, definitivamente, o isolamento e o desconhecimento.
Por esta razão, defendo que um blog poderá também servir como veículo transmissor de cultura.
Como dizia Almada Negreiros "Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura."
E o nosso país tem um acervo cultural tão rico!
Divulguemo-lo!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Os (in)amigos

Quando se ocupam determinados cargos de chefia, há que ter bom senso, clareza de espírito, argúcia, inteligência e, acima de tudo, ser-se um bom estratega. O desempenho das funções inerentes a um cargo e a responsabilidade a ele subjacente deverão ser modelares para a defesa dos interesses da empresa e ou instituição e para a confiança que é desejável transmitir-se ao exterior.
Este preâmbulo surge a propósito da intervenção do governador do Banco de Portugal, Doutor Carlos Costa, durante um almoço com empresários na Câmara de Comércio Luso-Espanhola, quando defendeu que os mercados financeiros internacionais têm razões para ter dúvidas em relação a Portugal, devido ao desempenho orçamental do país e aos elevados níveis do défice e da dívida pública do país.
O que se questiona não é a veracidade de tais palavras, mas antes a falta de sentido de oportunidade demonstrada por alguém que deveria pesar as consequências que determinadas afirmações e tomadas de posição podem provocar. Há contextos e contextos e há que saber distinguir a altura ideal para as palavras certas.
Dada a instabilidade económica de Portugal e a desconfiança dos mercados internacionais que em nós recai, parece-me que este discurso peca por ser inoportuno.
Só faltava mesmo acrescentar que não vale a pena investir no nosso país pois está falido, desacreditado e não oferece qualquer segurança e confiança económica.
Convenhamos, há que se ter bom senso e perceber que o peso das palavras e as consequências que elas provocam variam consoante os contextos políticos e económicos em que são proferidas.
Parece-me que esta afirmação, vinda do responsável máximo pela instituição que encima o sistema bancário português, deixa muito a desejar e denota uma certa dose de ingenuidade.
Com "amigos" assim, os de “Peniche” ou da “Onça” são meros aprendizes!