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segunda-feira, 18 de junho de 2012

A pergunta

Agora que as aulas terminaram e o trabalho a desenvolver tem características muito próprias, retomei o hábito de ler por puro prazer.
Já desde o Natal que repousava, na mesinha de cabeceira, o “Último Papa" – temos bons autores portugueses. Na semana passada terminei a sua leitura e peguei na “Dama de Espadas”.
Com que delícia de escrita nos presenteia Mário Zambujal neste seu livro!
De uma ironia e um sentido de humor incríveis, como já nos habituara anteriormente, o autor diverte-nos com uma história a lembrar um pouco os ingredientes de certos romances de Eça de Queirós. Até o cenário nos remete para o paradisíaco e romântico ambiente natural de Sintra, tão querido a este autor realista do século XIX.
Cada livro que eu leio faz aumentar em mim a estranheza de haver pessoas que não gostam de ler.
Como é possível?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Reinterpretar

Desde o Natal que repousava, discretamente, num sossego absoluto, escondido no meio de outros.
O tempo – pretexto invariável para o não acontecer – ou melhor, a falta dele, remetera-o para a estante daquela prateleira e ali ficara, aguardando ser lido.
Numa destas noites, em que o sono tardava, peguei-o por companhia e libertei-o do silêncio.
No sossego discreto da noite, apropriei-me de palavras, deliciosamente trabalhadas, urdidas pela imaginação do autor e reinterpretei-as num outro olhar:  o meu olhar.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Especialização

Os finais de período e, particularmente, os de ano lectivo, com a carga burocrática a eles associada – cada vez aumenta mais -  provocam uma  angústia crescente que sufoca e manieta. São tantos os documentos a preencher, é tamanha a burocracia exigida que, por vezes, sinto-me perdida entre o papel e o digital, tragada pelas vagas de celulose virtual obrigatórias. Relatórios de Apoio, de Direcção de Turma, Tutorias, FICA, PIA, ACTA, PCT e a lista continua, infindável, irritável.
Cada vez mais, para além de professores, vamo-nos transformando nuns tecnocratas da documentação/papel.
Até quando?


sábado, 9 de junho de 2012

Acordar

O vendaval intensificou-se e, num redemoinho em espiral, sorveu tudo por onde passou, aniquilando, sem piedade nem remorsos, vidas, esperanças, sonhos.
Há muito que os indícios – despercebidos para a maior parte - apontavam para o desfecho que ninguém ousava sequer pensar, tal a força devastadora que ameaçava emergir da tempestade.
Na ignorância de muitos e no fingimento de poucos, vivia-se na abundância, mera quimera, utopia enganadora com prazo marcado.
Teciam-se planos, rendilhavam-se ilusões e o futuro imaginava-se tranquilo e risonho.
Sem mais, a realidade impôs-se: dura, preocupante, desesperante. O acordar para a verdade tragou, na força da enxurrada, vontades, certezas, quereres.  
Nos rostos marcados, nos espíritos doridos, vincados de rugas, dormentes de raiva, a angústia do devir, a incerteza do amanhã. 
Porém, uma réstia trémula de luz esbate as sombras escuras do presente, entreabrindo um rasgo de esperança.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Fim de tarde

Mais um dia que termina na sucessão infindável do tempo. Um dia feriado que deixará de o ser durante uns bons anos.
Sabe sempre bem, principalmente nesta recta tão atarefada de final de ano, um dia de descanso no trabalho obrigatório.
Por entre testes e mais testes, quebrando momentaneamente a azáfama de tanta correcção, aproveitei uma nesga de tempo e deliciei-me com um pratito de caracóis e um fino por entre dois dedos de conversa que se estendeu pelo final da tarde.
São momentos de descanso que retemperam as forças e acalentam a vontade para o que ainda falta acontecer.


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ideia luminosa

Na Venezuela, o Partido Socialista Unido (PSU), de Hugo Chávez, decidiu pedir aos seus militantes e simpatizantes que doassem um dia de salário para a revolução.
Excelente ideia, com umas pequeninas alterações e podia-se aplicá-la em Portugal -  pensei logo.
E que tal se os políticos, os gestores de cargos públicos, os administradores e os governantes seguissem a ideia do PSU – desde Sócrates que nos especializámos em copiar modelos oriundos do estrangeiro – e doassem um dia dos seus salário para ajudar todos aqueles que se encontram sem alternativa de vida: reformados com pensões mínimas; desempregados sem subsídios e outros tantos que vão sufocando de dia para dia?
O primeiro a dar o exemplo até poderia ser o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, já que considera que os salários dos portugueses são demasiado elevados – está confuso, o senhor, talvez por se encontrar há muito tempo afastado do país!
Sim, porque fica sempre bem a um "verdadeiro" político uma saison numa capital europeia: Paris, Bruxelas…
Concordam?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Escola voluntária

Quando li a notícia sobre o programa Escola Voluntária, senti uma certa desconfiança ,  confesso.
De pensamento em pensamento, num jogo de associação de ideias, saltei, imediatamente, deste conceito para o de gratuidade, não remuneração, borla e outros termos de igual valor semântico.
A crise é tão profunda e a necessidade do Estado poupar é tão premente que não me admirava nada que, um destes dias, alguém, num rasgo iluminado, encarasse o voluntariado como um meio viável para alcançar esse fim – não, não estou a delirar! Em Portugal, actualmente, tudo é possível... até o inverosímil!
O espírito do voluntariado já há muito tempo que, feliz ou infelizmente (é sempre subjectivo) existe nas nossas escolas!


terça-feira, 29 de maio de 2012

Ideias desnatadas

Esta manhã, mal sintonizei a Antena 1 e ouvi a notícia que os municípios iam receber um montante do Estado para poderem saldar as suas dívidas a curto prazo, mas em contrapartida aumentariam os impostos municipais, enublou-se-me, logo, o dia.
Pensei” Mas estes políticos querem-nos pôr de tanga? Será possível que não vejam o empobrecimento das pessoas a acentuar-se e as dificuldades a aumentarem, sufocando o dia-a-dia do pobre português?”
Depois, mais tarde, lendo o Público, fiquei a saber que “às vezes, as ideias disparatadas são as que têm mais sucesso” e que a Misse Mundo não só conhece, mas também é uma grande apreciadora do nosso pastel de nata!
Ah, grande homem de visão! Afinal o Primeiro-ministro tinha razão!
O pastel de nata, ainda, vai ser a nata da nossa exportação, a salvação national!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Blog

Dizem, alguns, que o tempo da blogosfera passou, que esta perdeu importância face ao surgimento das redes sociais.
Na perspectiva da interacção comunicativa, tenho de admitir que o Blogger perde pontos quando comparado com um Facebook ou um Twitter, já para não citar outras redes sociais semelhantes.
Digamos que o blog é uma forma muito peculiar de comunicar: abrangente, democrática, mas também individualista e, acima de tudo, mais exigente em termos da utilização da língua. 
Talvez seja, também, por isso, que as gerações mais novas, pouco predispostas para o esforço e o tempo que a correcção da escrita exige, prefiram outras formas mais aligeiradas e simplificadas de comunicação.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Amargo e doce


Ontem, foi difícil conter as emoções: se de um lado incentivava e sofria com o meu Sporting, do outro admirava a tenacidade da Académica que, duas semanas antes, lutara aflita para não descer de divisão - vi-a a jogar com o Benfica e com o Olhanense e nunca percebi por que se encontrava nesta posição. Ironias do futebol!
A equipa dos estudantes, fortemente acarinhada pelos conimbricenses e toda a academia, fez a festa merecida. 
A cidade saiu à rua e, pela madrugada adentro, festejou, meia entontecida pela alegria inebriante e contagiante da vitória, o triunfo dignamente alcançado.
Parabéns, Briosa!

domingo, 20 de maio de 2012

Sem título


Ir pela noite dentro, em sintonia com o som do silêncio que se espalha como um eco pela calada madrugada, sabe bem e faz recordar outros tempos, outras pessoas – momentos.  
É mais um fim-de-semana que se quer tranquilo e bem sereno, em busca do bem-estar espiritual, da reflexão e, até mesmo, da compreensão.
O silêncio, quando ascético, ilumina a mente, clarifica o que parece confuso, acalma o coração, apazigua as ideias enroladas que se espraiam na clarividência das palavras. 
Este silêncio revelador, esta ausência de fragor, eleva-nos até Ele, solta em cada um de nós o melhor que temos e podemos e, então, percebemos quão incompletos somos, quão distantes estamos da perfeição, quão longo é o caminho, ainda a percorrer, para ousarmos Ser.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Este país que se quer


Na área do Ensino e Educação, a semana é marcada por duas notícias: fecho dos Centros Novas Oportunidades e o regresso do Ensino Recorrente.
Sendo a aprendizagem ao longo da vida uma mais-valia, principalmente para quem, por razões díspares, não pôde ou não aproveitou quando mais novo e sabendo da repercussão que a aquisição/ actualização de conhecimentos tem no exercer das funções de cada cidadão nos variados papéis que desempenha na sociedade, é do interesse geral que se proporcione a oportunidade e os meios para que tal aprendizagem se concretize e a qualificação de adultos e jovens aconteça.
Formal e informalmente, acabei por contactar com aquelas duas realidades.
Assim, não estranhei a decisão de, em termos de educação de adultos, se voltar a privilegiar e priorizar o Ensino Recorrente.
Há muito que o rei ia quase nu! 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sol e mar

Hoje, o dia acordou o Verão, temporão, mas com um sabor especial, depois de um tempo cinzento, embaciado e muito ensopado!
De tarde, pela aragem morna que corria, os aromas adocicados da Natureza, a despertar para a vida, espalharam-se no ar, entonteceram os sentidos, quase me adormeceram.
Talvez por que hoje o dia acordou alegre, o sol brilhou mais intenso, mais claro, mais radiante.
Com tanto sol e calor não apetece mesmo nada trabalhar – pensava eu, enquanto fazia um teste.
Como podem os alemães, os noruegueses, os finlandeses, os suecos perceber esta tendência tão mediterrânica – o dolce fare niente - que nos embala e nos entorpece, nos particulariza e nos vicia a vontade de trabalhar?
Ah, apenas nós, os do Sul, nascidos do mar e do sol, de olhar perdido na vastidão do horizonte, entendemos esta mornice deliciosa que nos alegra e bem dispõe!
E a crise? E a produtividade?
Ora bolas! Logo tínhamos de nascer mesmo à beirinha do mar, inundados de calor e abraçados pelo sol!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Touché

O grupo Jerónimo Martins, com a promoção que desenvolveu, ontem, na sua cadeia de super-mercados Pingo Doce, conseguiu, numa manobra estrategicamente pensada, totalmente vencedora, alcançar vários objectivos:
  •  Adocicar, por um dia, a vida do público consumidor num país em absoluta crise económica;
  • Alterar, junto da opinião pública, a imagem que criara desde o episódio da transferência do capital social para a Holanda;
  • Anular, temporariamente, a concorrência;
  • Obter a supremacia, com as mais-valias que daí advirão;
  • Publicitar-se, em larga escala, e a um custo zero – esta foi de mestre!
http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=UrVBx5sMB34

Em tudo na vida é crucial ser-se arguto, inteligente e não ter medo de arriscar!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Humor

Sabe tão bem brincar!
Principalmente com as palavras num jogo de duplos sentidos em que o humor, inteligentemente conseguido, desperta em quem ouve o lado mais brincalhão e malicioso de si.
Sabe bem rir, naquele riso traquina, verdadeiro e profundo que nos liberta e pacifica!  
Ter sentido de humor e contagiar os outros, com ele, é uma arte!
E porque rir sabe bem e faz bem, dois momentos de puro humor - a política e o futebol sempre se prestaram a isso  -  deliciosamente conduzidos, completamente alcançados por quem sabe provocar gargalhadas, servindo-se da boa disposição para falar algumas verdades! 
Cliquem e divirtam-se!


http://www.rtp.pt/programa/radio/p2341/c80160  


http://www.youtube.com/watch?v=05jeZii6PiU