Desafioos é já por si um desafio lançado em forma de repto: "Andas muito filosófica, tens de criar um blogue!". Porque gosto de desafios, aceitei o desafio e criei este blogue.
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Partida
Maria…
Saborear a vida em cada momento do tempo que passa com a consciência da finitude para a eternidade;
Agarrar a vida e prendê-la na palma da mão, domá-la sem receios e do quase nada fazer tudo;
Enfrentar as adversidades com uma força interior, geradora de coragem, confiança e muito querer;
Lutar, acreditar e com a fraqueza fortalecer-se.
Maria, por fim vencida, derrotada, despojo de guerra na batalha perdida.
Maria afundou-se no naufrágio da Vida e, frágil, partiu!
Na lembrança, para sempre, ficará, o sorriso e a força feita esperança
de Maria!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Aniversário
No passado dia três, fez um ano que me iniciei neste espaço virtual com a criação do “Desafioos”. Um ano de escrita imbuída de cumplicidade, de autoconhecimento, de desabafos, de maturação: na pena e nas ideias.
Ao longo deste ano, “Desafioos” acompanhou-me, quase diariamente, nas tempestades e calmarias provocadas pela vida.
Nas tempestades, foi o porto seguro que me abrigou da fúria das intempéries; foi o ventre protector onde, enfraquecida e fragilizada, busquei a força necessária para me reerguer e prosseguir a caminhada; foi a fonte de água pura que saciou a sede da vontade e do querer.
Nas calmarias, foi o espaço aprazível, tranquilo e pacificador, o quarto secreto no sótão das emoções, onde me soltei, floresci e amadureci em reflexos de mim.
No desafio que foi o “Desafioos”, descobri um lado adormecido que me completa e realiza: o prazer da escrita como um acto assumidamente solitário na sua essência, e o prazer da partilha sempre que me lêem.
E tal como no primeiro post, publicado há um ano atrás, a mesma dúvida formulada “e agora?”
Agora, a firme certeza de que o “Desafioos” continuará a ser um espaço pleno de vida, reflexo de mim, com um carácter, muitas vezes, intimista, outras vezes intervencionista, mas acima de tudo um espaço que continuará a privilegiar a paixão pela escrita.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Espírito de Natal
Era a época natalícia. As lojas espelhavam, nas montras enfeitadas, as variadíssimas hipóteses para as prendas procuradas. Num vaivém apressado, as pessoas percorriam atarefadas os corredores daquele centro comercial de olhar distraído aos pormenores em busca do presente ideal.
Um cântico de Natal entoava pelo ar e aquecia os corações de todos os que por ali cirandavam. Os pormenores foram pensados com toda a minúcia para que o espírito do Natal preenchesse os corações e as mentes de quem por ali passasse, contagiando o ambiente envolvente num enorme abraço de paz e tranquilidade.
Por entre a gente anónima que percorria os corredores carregada de sacos e embrulhos, um rapaz, de aspecto simples e humilde, vagueava ao acaso vendendo, a um preço simbólico, os jornais que transportava. Por entre a gente distraída e despreocupada aquele gaiato, de olhar triste e melancólico, destoava do conjunto: era apenas um menino amadurecido pelas agruras da vida que contemplava avidamente as montras repletas de brinquedos que nunca tivera. O seu olhar perdia-se por entre os artefactos desejados como sonhos idealizados numa fuga à realidade dura e fria que era a vida que tinha.
E nesse momento, nesse instante fugaz, por entre a multidão apressada e distraída, houve alguém que reparou naquele petiz e na tristeza que o seu olhar denunciava ao contemplar o que sabia nunca poder ser seu.
E nesse momento, nesse preciso instante, esse alguém anónimo pensou, numa promessa interior, que um dia, se o acaso o bafejasse, compraria todos os presentes daquela loja, de muitas lojas e distribuiria por todos os meninos de olhar triste e aspecto humilde que na véspera de Natal não tinham uma família para se aconchegarem, não tinham miminhos para receberem; meninos que a vida, precocemente, fizera homens, mas que eram apenas gaiatos ávidos de amor e carinho.
O menino partiu, carregando no olhar o sonho de um brinquedo, negado-lhe pelas injustiças da vida, enquanto as pessoas, indiferentes e ausentes, continuavam apressadas à procura dos presentes ideais para oferecerem, preparando-se para celebrarem o espírito de Natal!
Um cântico de Natal entoava pelo ar e aquecia os corações de todos os que por ali cirandavam. Os pormenores foram pensados com toda a minúcia para que o espírito do Natal preenchesse os corações e as mentes de quem por ali passasse, contagiando o ambiente envolvente num enorme abraço de paz e tranquilidade.
Por entre a gente anónima que percorria os corredores carregada de sacos e embrulhos, um rapaz, de aspecto simples e humilde, vagueava ao acaso vendendo, a um preço simbólico, os jornais que transportava. Por entre a gente distraída e despreocupada aquele gaiato, de olhar triste e melancólico, destoava do conjunto: era apenas um menino amadurecido pelas agruras da vida que contemplava avidamente as montras repletas de brinquedos que nunca tivera. O seu olhar perdia-se por entre os artefactos desejados como sonhos idealizados numa fuga à realidade dura e fria que era a vida que tinha.
E nesse momento, nesse instante fugaz, por entre a multidão apressada e distraída, houve alguém que reparou naquele petiz e na tristeza que o seu olhar denunciava ao contemplar o que sabia nunca poder ser seu.
E nesse momento, nesse preciso instante, esse alguém anónimo pensou, numa promessa interior, que um dia, se o acaso o bafejasse, compraria todos os presentes daquela loja, de muitas lojas e distribuiria por todos os meninos de olhar triste e aspecto humilde que na véspera de Natal não tinham uma família para se aconchegarem, não tinham miminhos para receberem; meninos que a vida, precocemente, fizera homens, mas que eram apenas gaiatos ávidos de amor e carinho.
O menino partiu, carregando no olhar o sonho de um brinquedo, negado-lhe pelas injustiças da vida, enquanto as pessoas, indiferentes e ausentes, continuavam apressadas à procura dos presentes ideais para oferecerem, preparando-se para celebrarem o espírito de Natal!
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
O tempo certo
Os pássaros que voam na imensidão do céu dificilmente se adaptam à clausura da gaiola.
Os cavalos que galopam, em sôfrega liberdade, na vastidão da planície, dificilmente obedecem ao comando de uma rédea.
O ser que conquista a liberdade, numa luta de coragem e cobardia, dificilmente repete modelos passados, de vivências marcantes.
As etapas da vida eclodem num tempo certo de existência: nem antes nem depois. Querer, num presente imediato, apressar o ritmo próprio de cada nova etapa, alterarando-lhe o timing subjacente que a diferencia das restantes, poderá comprometer o futuro que se idealiza.
Muitas vezes as maiores, as mais longas e as mais fortes caminhadas só se concretizam e enraizam-se se os seres que nelas participam souberem respeitar a dinâmica inerente a cada uma delas nunca esquecendo o factor tempo: nem antes nem depois. Apenas no tempo certo de acontecer.
A vida é um desafio, há que saber gerir com paciência e inteligência os obstáculos a transpor.
Nem antes nem depois, no momento em que tiver de acontecer.
Os cavalos que galopam, em sôfrega liberdade, na vastidão da planície, dificilmente obedecem ao comando de uma rédea.
O ser que conquista a liberdade, numa luta de coragem e cobardia, dificilmente repete modelos passados, de vivências marcantes.
As etapas da vida eclodem num tempo certo de existência: nem antes nem depois. Querer, num presente imediato, apressar o ritmo próprio de cada nova etapa, alterarando-lhe o timing subjacente que a diferencia das restantes, poderá comprometer o futuro que se idealiza.
Muitas vezes as maiores, as mais longas e as mais fortes caminhadas só se concretizam e enraizam-se se os seres que nelas participam souberem respeitar a dinâmica inerente a cada uma delas nunca esquecendo o factor tempo: nem antes nem depois. Apenas no tempo certo de acontecer.
A vida é um desafio, há que saber gerir com paciência e inteligência os obstáculos a transpor.
Nem antes nem depois, no momento em que tiver de acontecer.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
A importância da amizade
" Todos prestam atenção ao que tu dizes. Os amigos escutam o que tu falas. Os melhores amigos prestam atenção ao que tu não dizes"
Já há cerca de 3 semanas que não publico nada no blog. Vários foram os factores responsáveis por esta interrupção: trabalho, com as inúmeras burocracias a ele associadas, falta de disponibilidade, alterações nas rotinas de vida e por último falta de inspiração. Todos estes factores juntos contribuiram para o silêncio prolongado.
A todos aqueles que me dão a imensa honra de fazer da minha escrita uma vossa leitura,dedico este post como modo de me desculpar pela preocupação provocada com o silêncio a que me remeti.
Gosto de escrever - é uma paixão - desde que a escrita brote espontaneamente do coração e da razão. Ultimamente tal não se tem verificado, apenas e só nada, vazio, silêncio...
Há alturas em que, como alguém amigo fez questão em transmitir, interpretar o silêncio é descodificar um dos códigos mais complexos e difíceis da comunicação humana.
Obrigada pela amizade de todos vós.
Já há cerca de 3 semanas que não publico nada no blog. Vários foram os factores responsáveis por esta interrupção: trabalho, com as inúmeras burocracias a ele associadas, falta de disponibilidade, alterações nas rotinas de vida e por último falta de inspiração. Todos estes factores juntos contribuiram para o silêncio prolongado.
A todos aqueles que me dão a imensa honra de fazer da minha escrita uma vossa leitura,dedico este post como modo de me desculpar pela preocupação provocada com o silêncio a que me remeti.
Gosto de escrever - é uma paixão - desde que a escrita brote espontaneamente do coração e da razão. Ultimamente tal não se tem verificado, apenas e só nada, vazio, silêncio...
Há alturas em que, como alguém amigo fez questão em transmitir, interpretar o silêncio é descodificar um dos códigos mais complexos e difíceis da comunicação humana.
Obrigada pela amizade de todos vós.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Querer
Eu quisera ser o Sol escaldante de um dia de Verão, espalhar os seus raios dourados e tudo iluminar, mas fui apenas uma luz trémula e difusa, com medo de se apagar.
Eu quisera ser a imensidão do oceano, um turbilhão de água e espuma de sal e mar, mas fui apenas uma lágrima solta na melancolia do olhar.
Eu quisera ser fortaleza e baluarte, testemunhas de vitórias a alcançar, mas fui apenas prisioneira de um lugar a conquistar.
Eu quisera...
E na junção de tantos quereres, eu sou, apenas, um ser entre os demais.
Eu quisera ser a imensidão do oceano, um turbilhão de água e espuma de sal e mar, mas fui apenas uma lágrima solta na melancolia do olhar.
Eu quisera ser fortaleza e baluarte, testemunhas de vitórias a alcançar, mas fui apenas prisioneira de um lugar a conquistar.
Eu quisera...
E na junção de tantos quereres, eu sou, apenas, um ser entre os demais.
sábado, 20 de novembro de 2010
Cântico Negro
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
José Régio
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
José Régio
Civilização e cultura
Quando criei o "Desafioos" imaginei-o como uma versão moderna e actualizada do velhinho diário. Era o meu blog, o meu espaço virtual, muito pessoal, de encontro de mim própria, daí o seu carácter intimista em muitos dos textos publicados.
Há que saber acompanhar a evolução dos tempos e apropriarmo-nos, para nosso benefício, das consequências positivas que a mesma comporta. As novas tecnologias de informação abriram as portas do mundo ao mundo, em fracções de tempo nunca antes imaginadas, anulando, definitivamente, o isolamento e o desconhecimento.
Por esta razão, defendo que um blog poderá também servir como veículo transmissor de cultura.
Como dizia Almada Negreiros "Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura."
E o nosso país tem um acervo cultural tão rico!
Divulguemo-lo!
Há que saber acompanhar a evolução dos tempos e apropriarmo-nos, para nosso benefício, das consequências positivas que a mesma comporta. As novas tecnologias de informação abriram as portas do mundo ao mundo, em fracções de tempo nunca antes imaginadas, anulando, definitivamente, o isolamento e o desconhecimento.
Por esta razão, defendo que um blog poderá também servir como veículo transmissor de cultura.
Como dizia Almada Negreiros "Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura."
E o nosso país tem um acervo cultural tão rico!
Divulguemo-lo!
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Os (in)amigos
Quando se ocupam determinados cargos de chefia, há que ter bom senso, clareza de espírito, argúcia, inteligência e, acima de tudo, ser-se um bom estratega. O desempenho das funções inerentes a um cargo e a responsabilidade a ele subjacente deverão ser modelares para a defesa dos interesses da empresa e ou instituição e para a confiança que é desejável transmitir-se ao exterior.
Este preâmbulo surge a propósito da intervenção do governador do Banco de Portugal, Doutor Carlos Costa, durante um almoço com empresários na Câmara de Comércio Luso-Espanhola, quando defendeu que os mercados financeiros internacionais têm razões para ter dúvidas em relação a Portugal, devido ao desempenho orçamental do país e aos elevados níveis do défice e da dívida pública do país.
O que se questiona não é a veracidade de tais palavras, mas antes a falta de sentido de oportunidade demonstrada por alguém que deveria pesar as consequências que determinadas afirmações e tomadas de posição podem provocar. Há contextos e contextos e há que saber distinguir a altura ideal para as palavras certas.
Dada a instabilidade económica de Portugal e a desconfiança dos mercados internacionais que em nós recai, parece-me que este discurso peca por ser inoportuno.
Só faltava mesmo acrescentar que não vale a pena investir no nosso país pois está falido, desacreditado e não oferece qualquer segurança e confiança económica.
Convenhamos, há que se ter bom senso e perceber que o peso das palavras e as consequências que elas provocam variam consoante os contextos políticos e económicos em que são proferidas.
Parece-me que esta afirmação, vinda do responsável máximo pela instituição que encima o sistema bancário português, deixa muito a desejar e denota uma certa dose de ingenuidade.
Com "amigos" assim, os de “Peniche” ou da “Onça” são meros aprendizes!
Este preâmbulo surge a propósito da intervenção do governador do Banco de Portugal, Doutor Carlos Costa, durante um almoço com empresários na Câmara de Comércio Luso-Espanhola, quando defendeu que os mercados financeiros internacionais têm razões para ter dúvidas em relação a Portugal, devido ao desempenho orçamental do país e aos elevados níveis do défice e da dívida pública do país.
O que se questiona não é a veracidade de tais palavras, mas antes a falta de sentido de oportunidade demonstrada por alguém que deveria pesar as consequências que determinadas afirmações e tomadas de posição podem provocar. Há contextos e contextos e há que saber distinguir a altura ideal para as palavras certas.
Dada a instabilidade económica de Portugal e a desconfiança dos mercados internacionais que em nós recai, parece-me que este discurso peca por ser inoportuno.
Só faltava mesmo acrescentar que não vale a pena investir no nosso país pois está falido, desacreditado e não oferece qualquer segurança e confiança económica.
Convenhamos, há que se ter bom senso e perceber que o peso das palavras e as consequências que elas provocam variam consoante os contextos políticos e económicos em que são proferidas.
Parece-me que esta afirmação, vinda do responsável máximo pela instituição que encima o sistema bancário português, deixa muito a desejar e denota uma certa dose de ingenuidade.
Com "amigos" assim, os de “Peniche” ou da “Onça” são meros aprendizes!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Dignidade
Quando nos deparamos com a velhice, na sua forma mais cruel e desumana em termos de perda de dignidade, devido às alterações físicas e psicológicas a que o ser humano fica sujeito – algumas demasiado inumanas pelo grau de dependência e de inoperância que comportam – aprendemos melhor a relativizar as nossas vivências.
A alma fica pequenina, a tristeza invade-nos e uma sensação de impotência tolda-nos perante a visão de um ser humano desprovido das faculdades que lhe permitiram ser autónomo, consciente e dignificado.
Como agir, quando nada podemos alterar?
Carinhosamente, afagar uma mão que se estende na tentativa de suavizar o sofrimento final.
A alma fica pequenina, a tristeza invade-nos e uma sensação de impotência tolda-nos perante a visão de um ser humano desprovido das faculdades que lhe permitiram ser autónomo, consciente e dignificado.
Como agir, quando nada podemos alterar?
Carinhosamente, afagar uma mão que se estende na tentativa de suavizar o sofrimento final.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
"A montanha pariu um rato"
Nos últimos anos a Escola Pública tem sido alvo de uma série de imposições, fruto de umas quantas teorias da educação, que mais não fizeram do que burocratizar e complicar o processo do ensino-aprendizagem e a vida nas escolas.
Todavia, porém, tal facto seria entendível e aceite se os resultados obtidos, demonstrassem a validade de tais medidas, o que não acontece.
A missão de ensinar tem vindo a diluir-se na burocratização/politização dos processos a ela subjacentes. Quando não há certezas nos actos, multiplicam-se os instrumentos de trabalho – grelhas, descritores, indicadores, entre outros - buscando neles a segurança não existente. Enfim, inventa-se uma panóplia de termos e materiais para concretizar a avaliação daquilo que, devido à referida burocratização, não se tem tempo para ensinar.
Definitivamente, por muito que o barroco da Educação nos obrigue, já não há paciência para tantos artificialismos e exageros.
Já é hora de se alterar o estilo existente!
Todavia, porém, tal facto seria entendível e aceite se os resultados obtidos, demonstrassem a validade de tais medidas, o que não acontece.
A missão de ensinar tem vindo a diluir-se na burocratização/politização dos processos a ela subjacentes. Quando não há certezas nos actos, multiplicam-se os instrumentos de trabalho – grelhas, descritores, indicadores, entre outros - buscando neles a segurança não existente. Enfim, inventa-se uma panóplia de termos e materiais para concretizar a avaliação daquilo que, devido à referida burocratização, não se tem tempo para ensinar.
Definitivamente, por muito que o barroco da Educação nos obrigue, já não há paciência para tantos artificialismos e exageros.
Já é hora de se alterar o estilo existente!
domingo, 7 de novembro de 2010
Trilogia
Iniciada a madrugada, invade-me um torpor imenso, consequência de um dia bastante “moído”.
Mais uma vez rumei até à capital - o centro nevrálgico deste país - para demonstrar o meu descontentamento em relação à conjuntura política actual.
Neste momento, caros leitores, muitos de vós tereis esgaçado um sorriso compassivo. O vosso pensamento, inevitavelmente, direccionou-se e a pergunta surgiu: “E tu pensas que o governo vai deixar de tomar as medidas anunciadas só porque cerca de 100 mil pessoas resolveram invadir a capital para protestarem?”
Respondo. No contexto económico actual, o governo vai continuar a seguir a sua linha condutora de governação, as medidas anunciadas virão, outras se seguirão e não há manifestação ou greve que altere este cenário.
Consciente deste facto, continuo, no entanto, a defender que é e será sempre importante, como cidadã de um país democrata, ter a hipótese e concretizá-la de demonstrar, ao poder político, o grau de insatisfação que me assola e o quanto discordo da sua linha de acção.
Finalizando, um aparte: Ao longo do dia, apercebi-me de como a trilogia silêncio, atenção e observação permitem captar sentidos e informações que de outro modo escapariam.
Mais uma vez rumei até à capital - o centro nevrálgico deste país - para demonstrar o meu descontentamento em relação à conjuntura política actual.
Neste momento, caros leitores, muitos de vós tereis esgaçado um sorriso compassivo. O vosso pensamento, inevitavelmente, direccionou-se e a pergunta surgiu: “E tu pensas que o governo vai deixar de tomar as medidas anunciadas só porque cerca de 100 mil pessoas resolveram invadir a capital para protestarem?”
Respondo. No contexto económico actual, o governo vai continuar a seguir a sua linha condutora de governação, as medidas anunciadas virão, outras se seguirão e não há manifestação ou greve que altere este cenário.
Consciente deste facto, continuo, no entanto, a defender que é e será sempre importante, como cidadã de um país democrata, ter a hipótese e concretizá-la de demonstrar, ao poder político, o grau de insatisfação que me assola e o quanto discordo da sua linha de acção.
Finalizando, um aparte: Ao longo do dia, apercebi-me de como a trilogia silêncio, atenção e observação permitem captar sentidos e informações que de outro modo escapariam.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Ao meu país
Portugal! Será que na longevidade da tua história ainda conservas, com nitidez, a lembrança da tua origem?
Começaste por ser pequeno, tão pequeno como os sabres que te feriram na ânsia da conquista e na sede do poder.
Pelo sonho de um "bastardo" e a coragem de um povo cresceste como nação. Expandiste-te até onde o mar permitiu e a vontade dos homens anuiu. Percorreste os séculos por entre conturbações e calmarias, amadureceste!
Um dia, preconizaste os teus sonhos e compreendeste que eram maiores que o espaço que te limitava. Partiste à aventura, agigantaste-te perante o tenebroso desconhecido. Deste a conhecer ao Mundo, novos mundos.
Foste sangue e dor no imenso labor da massa anónima que edificou o teu esplendor.
Um passado com história notabiliza-te entre os demais.
Eis-te no presente. Foste "coisa" usada, abusada, explorada por gente infame que não soube honrar o teu nome, Portugal!
Choras, e as tuas lágrimas espelham o desânimo, o desalento e a tristeza de um povo.
És nação ferida nas profundezas do teu ser.
Que destino te reservam? Oh nação imortal!
Ergue-te, sacode o jugo, liberta-te dos fracos acobardados e, com altivez, glorifica, de novo, o teu nome, oh Portucale!
Começaste por ser pequeno, tão pequeno como os sabres que te feriram na ânsia da conquista e na sede do poder.
Pelo sonho de um "bastardo" e a coragem de um povo cresceste como nação. Expandiste-te até onde o mar permitiu e a vontade dos homens anuiu. Percorreste os séculos por entre conturbações e calmarias, amadureceste!
Um dia, preconizaste os teus sonhos e compreendeste que eram maiores que o espaço que te limitava. Partiste à aventura, agigantaste-te perante o tenebroso desconhecido. Deste a conhecer ao Mundo, novos mundos.
Foste sangue e dor no imenso labor da massa anónima que edificou o teu esplendor.
Um passado com história notabiliza-te entre os demais.
Eis-te no presente. Foste "coisa" usada, abusada, explorada por gente infame que não soube honrar o teu nome, Portugal!
Choras, e as tuas lágrimas espelham o desânimo, o desalento e a tristeza de um povo.
És nação ferida nas profundezas do teu ser.
Que destino te reservam? Oh nação imortal!
Ergue-te, sacode o jugo, liberta-te dos fracos acobardados e, com altivez, glorifica, de novo, o teu nome, oh Portucale!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Olhares
Após uns dias de um tempo enfurecido, por entre pragas chuvosas e vendavais de vociferações, sucedeu-se-lhes uma manhã calma e serena, antevendo a paz e a tranquilidade próprias da bonança.
Envolto numa neblina, quase nevoeiro, o despontar do dia escondia, por entre a cortina matinal, um sol tímido, um pouco envergonhado pela ausência prolongada.
Acordei para este dia com uma vontade sublime de apreciar a beleza dos pormenores. A abundância da luminosidade permitiu-me distinguir diferentes aspectos da realidade, até então não saboreados.
O que mudara nesta manhã? O meu olhar? Não sei! Apenas sei que da simbiose dos meus dois olhares - emoção e razão -, despontava um novo dia rasgado por raios dourados, prenunciando a mudança.
Envolto numa neblina, quase nevoeiro, o despontar do dia escondia, por entre a cortina matinal, um sol tímido, um pouco envergonhado pela ausência prolongada.
Acordei para este dia com uma vontade sublime de apreciar a beleza dos pormenores. A abundância da luminosidade permitiu-me distinguir diferentes aspectos da realidade, até então não saboreados.
O que mudara nesta manhã? O meu olhar? Não sei! Apenas sei que da simbiose dos meus dois olhares - emoção e razão -, despontava um novo dia rasgado por raios dourados, prenunciando a mudança.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Rotinas
Os serões das quintas-feiras repetem-se, deliciosamente, numa rotina um tanto ou quanto enigmática, assaz perspicaz e repleta de savoir faire. Hercule Poirot, personagem deliciosamente esculpida pela mão de Agatha Christie, anima as noites de quinta-feira, numa viagem ao passado, através da RTP- Memória.
Confesso que, desde que soube desta programação, não perco nenhum episódio.
Todas as quintas, sensivelmente por volta das 22. 20h, liberto a minha faceta “detectivesca” e embrenho-me nos mistérios a solucionar, competindo com as celulazinhas cinzentas do detective belga, Hercule Poirot.
Durante cerca de uma hora e meia saboreio, com prazer, os desafios lançados nos dois episódios transmitidos. E como sabe bem exercitar o raciocínio lógico-dedutivo sem ser na área da matemática!
Bem, confesso que, muitas vezes, não consigo competir com a argúcia de Poirot, e as minhas congeminações ficam muito aquém dessa personagem, cuja cabeça em forma de ovo e senhor de um cuidado bigode surrealista o tornam único e inesquecível.
Os serões de quinta-feira tornaram-se, assim, um ritual ansiado, um momento desejado de prazer e participação. Com eles a lembrança do tempo em que, na minha adolescência, devorava todos os livros policiais da velhinha colecção Vampiro pertencente a meu pai e de quem fui buscar o gosto por este género de literatura.
Rever esta série, adaptada das obras de Agatha Christie, será sempre um prazer inolvidável.
Confesso que, desde que soube desta programação, não perco nenhum episódio.
Todas as quintas, sensivelmente por volta das 22. 20h, liberto a minha faceta “detectivesca” e embrenho-me nos mistérios a solucionar, competindo com as celulazinhas cinzentas do detective belga, Hercule Poirot.
Durante cerca de uma hora e meia saboreio, com prazer, os desafios lançados nos dois episódios transmitidos. E como sabe bem exercitar o raciocínio lógico-dedutivo sem ser na área da matemática!
Bem, confesso que, muitas vezes, não consigo competir com a argúcia de Poirot, e as minhas congeminações ficam muito aquém dessa personagem, cuja cabeça em forma de ovo e senhor de um cuidado bigode surrealista o tornam único e inesquecível.
Os serões de quinta-feira tornaram-se, assim, um ritual ansiado, um momento desejado de prazer e participação. Com eles a lembrança do tempo em que, na minha adolescência, devorava todos os livros policiais da velhinha colecção Vampiro pertencente a meu pai e de quem fui buscar o gosto por este género de literatura.
Rever esta série, adaptada das obras de Agatha Christie, será sempre um prazer inolvidável.
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