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terça-feira, 1 de março de 2011

Post-Prenda

Dar-se um presente a quem faz anos, é tão natural como o fio de água que brota das entranhas da terra e sacia a sede.
A escolha da prenda advém da conjugação de vários factores: idade e interesses do aniversariante, imaginação, gosto e disponibilidade económica de quem oferece. Mas, qualquer que seja a oferta, o que na verdade interessa é ver a alegria e a satisfação, de quem a recebe, espelhadas num olhar de sorrisos.
Sugeriste-me uma prenda: singela, original, confesso que nunca antes oferecida! Diferente, sem dúvida!
E porque a verdadeira amizade perdura para lá do tempo, da distância e dos silêncios, ofereço-te este miminho de palavras em forma de prenda!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Tentação

Hoje, despertei bem cedo para o Domingo!
Os deveres profissionais pendentes obrigaram-me a acelerar o ritmo prazenteiro que qualquer Domingo deveria ter.
E para enfrentar uma tarde inteira de trabalho, nada melhor que uma apetitosa e saborosa refeição, já que mais nenhum prazer, este dia, me iria possibilitar.
Assim, enfrentei a cozinha com ar decidido e pronta a preparar um petisco que me sorrisse.
Uma crepitante quase massa à bolonhesa no forno – a Itália sempre me fascinou na intensidade que coloca em tudo – despertava-me os sentidos, numa provocação descarada ao apetite, pelos sabores pressentidos.
Defrontei com ímpeto o manjar pecaminoso para o corpo, mas balsâmico para o espírito.
Perdida no meio de tanta massa e queijo fondue - com um sentimento de culpa a transbordar, ainda mais que o queijo derretido da massa – consegui finalmente compreender o estado de alma de Elizabeth Gilbert, autora de “Comer, Orar, Amar”, quando atacava os apelativos pratos da cozinha italiana.
Como é difícil resistir a tamanha tentação, pensava eu, enquanto me deliciava com mais uma garfada!

Reflexo

O reformular a estrutura do blog foi uma decisão já há algum tempo pensada. 
Na vida nada é imutável, e se o blog reflecte muito de mim - porque me dou em cada texto escrito, me decifro em cada imagem escolhida, me desvendo nos silêncios e ausências momentâneos - então, esta nova apresentação surge, naturalmente, como a imagem reflectida num espelho: a imagem de mim, como um ser em constante mudança,  em permanente evolução, na descoberta de si próprio. 
Esta tarde, na recente página "Quereres" escrevia "O "Desafioos", que começou por um mero desafio, tem-se vindo a revelar uma surpresa bastante agradável, entusiasmante, apaixonante, um bálsamo para o espírito.
Criado com muita paixão, e escrever sê-lo-á sempre, o "Desafioos" emerge na demanda da lenda pessoal, dando asas à imaginação,com um toque de inspiração por entre estados de alma.
A vida é uma constante aprendizagem, num percurso muito pessoal, em que cada trilho a explorar possibilita viagens (in)imagináveis e desafiantes."
Hoje, iniciei uma nova.  


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Quase texto

Gosto das sextas-feiras. Sabem a descanso e a um doce não fazer, a não ser por prazer.
Gosto das sextas à noite pela sedução do não compromisso, das horas sem hora, do tempo esquecido, perdido, por entre afazeres plenos de lazer.
Gosto das sextas, quase sábados, e do aroma a fim-de-semana.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Fúria da Natureza

O dia chegou ao fim embrenhando-se nas profundezas da noite. Lá fora, o vento tempestivo solta uivos de fúria que nem a doce madrugada consegue aplacar. As nuvens, de humor acinzentado, barafustam entre si, soltando lágrimas num pranto convulsivo, enquanto o ribombar dos trovões parece acompanhar a ira dos elementos.
Algures, num lugar sem nome nem forma, um Deus agastado abriu as comportas do céu e deixou que os raios prateados iluminassem a escuridão da noite fazendo companhia à chuva intensa que jorrava numa torrente contínua.
Lá fora a Natureza zangada parece não acalmar.
Aqui dentro, protegida da fúria enraivecida do vento e da chuva, enrosco-me, no quentinho dos lençóis, solto o pensamento ao encontro de ti, e adormeço.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tecnologia de ponta

Que sensação boa, após um dia de trabalho, roubar um tempinho ao tempo e, em cumplicidade com a noite, saborear os prazeres que as rotinas do lazer permitem!
A leitura do Público on-line é uma delas. “Abrir” a página principal, ler as “gordas”, procurar o desenvolvimento das notícias são alguns dos actos interiorizados que preenchem o tal tempo roubado ao tempo.
Na edição de anteontem, das inúmeras notícias, realço uma pelo caricato da situação. Desde Novembro que o antigo sistema utilizado para a vigilância da nossa costa se encontra inactivo. Os radares, que ajudavam a controlar e vigiar os 1.600.000 km² de área marítima sob jurisdição nacional, foram desligados.
Enquanto se conclui a montagem do novo sistema, a Unidade de Controlo Costeiro da GNR, não obstante a falta de meios sofisticados e modernos, continua a desempenhar, briosamente, com mérito e perícia, dado os resultados obtidos, a sua missão, recorrendo ao uso de 50 binóculos.
Não, não me enganei, binóculos!
Confesso que, quando li esta parte da notícia, soltei uma franca gargalhada, emprenhada de humor pois, imediatamente, imaginei os rígidos e competentes agentes, colocados em pontos estratégicos do mar ou da costa, a vasculharem o território nacional de binóculo ao peito!
E, continuando a dar asas à imaginação, o riso tornou-se hilariante quando os visualizei sob umas capas protectoras do mau tempo, agachados no convés de uma qualquer embarcação, ou no alto de um farol, enfrentando vendavais e tempestades, mas sempre de binóculo ao peito, porque a segurança da Nação acima de tudo o resto!
Ah, como é reconfortante ser-se português na vigência "Socrateana"!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Gosto

No próximo dia 27, cumpre-se, uma vez mais, o ritual de entrega das estatuetas douradas pela academia de Hollywood.
De entre os vários filmes nomeados, que competem entre si nas diferentes categorias, apenas ainda vi o Cisne Negro e seguir-se-á o Discurso do Rei.
Tal como a escrita, os livros, a música e a dança, assim o cinema constitui outra das minhas paixões.
Lembro-me nitidamente da primeira vez que entrei numa sala de cinema e assisti à projecção de um filme, num ecrã enorme, agigantado pela minha pequenez. Vivia-se a quadra natalícia e os estúdios da Walt Disney estreavam, nesse Dezembro longínquo, a produção animada “Branca de Neve e os Sete Anões”.
Talvez pela magia da época e o feitiço da tela, gravei, na memória, os sons, a cor, o movimento e as emoções que aquele dia me proporcionou. Para trás, ficou perdido no tempo, mas não nas memórias da história de vida.
Muitos anos se passaram, já vi muitos filmes, mas em cada um deles revivo sempre a magia e o encanto que senti na primeira vez.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Desígnio

Sou crente.
Acredito num Deus - conceito demasiado abstracto, reconheço - de amor, numa entidade suprema cujos desígnios escapam à minha racionalidade, porque sou nada, sei nada perante tamanha perfeição.
Acredito num Deus que me soprou a vida e que não desiste de mim, mesmo quando eu me esqueço Dele!
Acredito num Deus, pai – protector e sempre presente, mesmo quando eu me ausento Dele.
Acredito!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Provérbios

A sabedoria popular, tão bem expressa nos ditados e provérbios, assenta num conhecimento empírico que advém da observação da realidade quotidiana.
O nosso povo, sabiamente, tem traduzido, em parcas palavras, ao longo das memórias do tempo, as conclusões que a vida lhe apresenta.
Os ditados e os provérbios, porque verdadeiros, perpetuam-se nos anais da história e perduram para lá dela.
Esta noite, enquanto assistia ao programa “Prós e Contras” subordinado ao tema “Educação – a prova dos nove” e seguia, atentamente, a intervenção de todos os convidados, com particular destaque para a ministra da educação, professora Isabel Alçada, vieram-me à memória vários provérbios.
Não consigo observar Isabel Alçada, no seu papel de ministra da educação, sem de imediato compará-la com a sua antecessora. Diria que uma é a antípoda da outra.
No decurso do programa, sempre que atentava na ministra da educação com o seu ar cândido, voz melódica e sorriso constante recordava-me do provérbio “mais vale cair em graça do que ser engraçado”.
Que o diga Maria de Lurdes Rodrigues!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Quotidiano

O exercício do poder será tanto mais eficaz quanto o grau de conhecimento que se tem sobre as pessoas e o território onde é praticado.
Esta reflexão vem a propósito do sentir quotidiano de um mega agrupamento: a escola-mãe, sede do poder, pulula de vida, qual centro nevrálgico do sistema num quase desconhecimento da periferia que, de tanto abandonada e não sabida, vê-se só, desamparada e amiúde em autogestão.
Rotatividade? Descentralização? “Presidência aberta” pelas partes do todo? Meras sugestões para um exercício do poder quando se quer sábio e consciente.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Palavras soltas

Escrever!
Tenho urgência nas palavras companheiras, confidentes de inquietos pensamentos, de tropel sensações!
Tenho sede de escrever, e no acto criativo, nesta paixão desnudada, solto metáforas de mim, vagueio por entre os sentidos na solidão de mim mesma.
Sinto urgência nas palavras: pressentidas, já geradas, mas ainda não paridas!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sabedoria popular

Esta noite, alicercei algumas certezas e dissipei certas dúvidas.
O elevado valor da abstenção, que já previra, veio confirmar o que, há muito, era apercebido pelas conversas de café e pelos comentários de gente anónima que retrata em si o pensar e o sentir do português comum: um cansaço e um desgaste pela política e pelos políticos que nos últimos anos nos têm governado.
O discurso de vitória do agora reeleito Aníbal Cavaco Silva surpreendeu-me pela positiva porque, pela primeira vez, senti que alguma coisa tinha abalado os alicerces de um homem que sempre se pautou por um certa sobriedade na sua actuação como Presidente da República.
Esta noite, nas suas palavras de vitória, senti uma mudança de atitude, uma força a brotar, uma maior predisposição para a acção. Esta noite, o Presidente Aníbal Cavaco Silva agigantou-se e soube responder, com as palavras certas e no momento oportuno, a todos os que apostaram em denegrir o seu carácter e honra de homem.
Mais uma vez, o povo, na sua plena sabedoria, tem razão ao afirmar que "quem não sente não é filho de boa gente".

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cidadania

Sexta-feira, dia 21 de Janeiro de 2011.
O primeiro dia de um tempo que se advinha difícil.
A campanha eleitoral para as presidenciais termina hoje.
No domingo, dia 23, os portugueses exercem o direito cívico de escolherem, para os próximos cinco anos, o Presidente da República.
Mais do que perspectivar de que lado estará a vitória, move-me a curiosidade quanto à percentagem de abstenção que ocorrerá pelo país.
As notícias diárias de subida de preços, de mais e maiores impostos, de perda de direitos, quais nuvens carregadas, num céu cinzento e escuro, prestes a desabarem em aguaceiros intensos, pressagiam tempos difíceis, de grandes dificuldades económicas.
Perante um país que se pressente e sente ferido, o desinteresse pela política aumenta.
Neste contexto, é importante que os cidadãos não se deixem invadir pelo desânimo e cedam à tentação de se absterem. É importante não desistir, é importante expressar através do voto a opinião, decidir, agir.
É tempo de reflexão!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nostalgia

Sinto saudade…
De um tempo perdido no tempo com cheiro de infância e sabor de pureza;
De um tempo despreocupado, em que o riso das palavras floria na alma e atapetava a inocência dos sentidos;
Da candura de um tempo menino adormecido na nostalgia da memória;
De um tempo em que ansiava que o tempo passasse e não sentia saudade!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os "des"

Numa abordagem à primeira página do Público on-line, deparei-me com um inquérito que pretende avaliar o grau do interesse dos leitores deste diário relativamente ao modo como a campanha das eleições presidenciais está a ser seguida.
Perante a afirmação “Está a seguir a campanha das eleições presidenciais com:”, o leitor pode optar por três respostas diferentes que variam entre “muito interesse”, “pouco interesse” e “não estou interessado”.
Despertada a curiosidade sobre o sentido de voto dos leitores, quis verificar se a suposição que fizera, antes de ter acesso aos resultados, se confirmaria ou, pelo contrário, desmentiria as minhas previsões.
De facto não me enganara: num universo de 1557 votos, número contabilizado até ao momento em que redijo este post, 7,2% das pessoas responderam que tinham muito interesse, 28% afirmaram que o faziam com pouco interesse e 64,8% dos leitores sustentaram que não estavam interessados.
Admiração com este resultado? De modo algum!
A leitura que faço situa-se em dois campos interpretativos possíveis: ou os leitores, neste momento, já estão bem convictos do candidato da sua preferência e, deste modo, tudo o que rodeia a campanha perde importância ou então é apenas e só a consequência imediata da invasão dos “des” na opinião de uma grande parte dos cidadãos portugueses relativamente à vida política do país, face a todos os casos e escândalos económicos e políticos que se têm sucedido nos últimos tempos: o desinteresse, a desmotivação e o descrédito nos nossos políticos!
No dia vinte e três de Janeiro, a dúvida cessará!