Translate

quarta-feira, 4 de maio de 2011

De Novo


Hoje, especialmente hoje, digo-te: A ausência de ti provoca um mar de saudade, mas nunca, alguma vez o esquecimento!
Hoje, especialmente hoje, recordo-te com a nostalgia do tempo passado,  guardado na memória dos momentos, ternamente, vividos.
Hoje, especialmente hoje, é um dia que se repete na sucessão dos anos e encerra em si uma infinita tristeza.
Hoje, especialmente hoje, relembro-te e, de novo, a rosa branca...
Hoje...
Como seria diferente se não fosse o "especialmente hoje"!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dignidade Nacional

Por todas as razões que bem conhecemos, Portugal vive um dos períodos mais difíceis dos últimos anos.
Dia 5 de Junho, decide-se o destino de todos nós.
Infelizmente, parece haver ainda muita gente - cega ou enganada - que continua a acreditar naqueles que nos atiraram para o fundo do poço.
E porque o blog é, também,  um meio de transmissão de informação, nunca é demais a publicação de textos que ajudem a desmontar cenários, interpretar discursos, perceber acções que ludibriam os mais incautos e "distraídos".
Como cidadã, preocupada com o futuro que se avizinha num país à deriva, considero minha obrigação  lutar, com as armas que possuo, de modo a despertar consciências, dar a conhecer opiniões, desmistificar "teatros" bem ensaiados.
O texto que se segue é de uma lucidez de análise surpreendente. Que a sua divulgação contribua, de algum modo, para uma inversão na tendência de voto que parece ainda persistir.
É extenso, mas vale a pena ser lido. 


Dignidade nacional

"Nas próximas eleições existe um elemento fundamental em jogo: Dignidade nacional. Se, como várias vozes alvitram, o partido de José Sócrates tiver um resultado digno, a nossa democracia sofrerá um rude golpe.  Portugal será a chacota mundial.
Não se trata de uma questão de votos, mas de elementar racionalidade. Aqueles dirigentes que presidiram seis anos, quatro dos quais em maioria, aos destinos nacionais, não podem ser poupados. Depois de longos tempos a negar a realidade, a manipular a imagem, a pintar quadros ilusórios em que cidadãos e mercados não acreditam, só ficarão impunes com descrédito para o sistema político.
Nos últimos 32 meses, ou o Governo ignorava a realidade ou sabotou deliberadamente a situação nacional. Não há outra explicação. Se a charada da vitimização tiver êxito eleitoral, isso mostra não a qualidade do Governo mas a tolice dos eleitores. Com a chantagem da instabilidade, ficção da política de sucesso, desplante de negar o óbvio, Sócrates andou anos a dançar na borda do vulcão. Agora que o País caiu lá dentro, o PS não pode ser poupado. Como na Grécia e na Irlanda, Portugal precisa de que ele perca forte a 5 de Junho.
Antigamente, algo evitava estas circunstâncias. Chamava-se vergonha. O responsável pela condução nacional ao colapso, mesmo considerando-se tecnicamente inocente, assumia politicamente a situação e afastava-se para dar lugar a outros. Mas esse pudor político anda muito arredado das praias nacionais, como andou no auge do Liberalismo oitocentista e na ruína da Primeira República. Mais que a incompetência e corrupção, era o descaramento dos responsáveis que então destruía a vida nacional. Foi essa a nossa experiência democrática até meados do século XX.
Por isso, após 1974 tanto se temia o regresso da liberdade, que nunca rodara bem nestas paragens. Surpreendentemente, o regime funcionou. Funcionou mesmo muito satisfatoriamente. Nas três primeiras décadas após Abril, apesar de inevitáveis tropelias e abusos, presentes em todos os regimes, existiu honra, dignidade, elevação, acompanhada por alternância e desportivismo. É isso que tem resvalado ultimamente.  As próximas eleições mostrarão se regressámos à antiga podridão ou se foram lapsos passageiros.
Mas não há situações em que,após o desastre, a administração permanece? Sim, nos casos de Mugabe, Gbagbo e, até há pouco,Mubarak ou Kadhafi. É essa semelhança que nos condena.
Quer isto dizer que o Partido Socialista tem de ser punido? Este PS sim! Aliás, o partido é uma das grandes vítimas da situação. A reeleição estrelar de José Sócrates, consagrada no XVII Congresso deste fim-de-semana,  com votações à Mugabe, apenas manifesta isso de forma pungente. Quando acabar o delírio, será preciso salvar o partido deste longo pesadelo que se arrisca a afectá-lo gravemente. Além dearruinar o País, o consulado Sócrates, na única maioria absoluta socialista, danificará seriamente a sua área ideológica. Na ânsia de se salvar política e pessoalmente, o primeiro-ministro enterra aquilo mesmo que diz defender.
Uma das declarações originantes na nossa democracia deu-se a 26 de Novembro de 1975. O vitorioso major Ernesto Melo Antunes disse na televisão, relativamente aos vencidos: "A participação do PCP na construção do socialismo é indispensável." Agora é bom lembrar que o Partido Socialista é também indispensável à democracia. Estes meses são dos piores da sua ilustre história. Mas o longo delírio socrático, que termina nesta louca corrida para o abismo num autismo aterrador, não pode servir para desequilibrar duradouramente a estrutura partidária nacional. Há que salvar o PS de si mesmo.
No dia 5 de Junho, os portugueses votarão. Costuma louvar-se a sabedoria do povo. É fundamental que os eleitores, entre alternativas mornas e demagogia dura, compreendam a situação. A escolha hoje não é de políticas. Após 32 meses de negação, ilusões e derrapagem, quem for eleito terá grande parte da sua tarefa definida pelos nossos credores.  
O que está em causa é mesmo a dignidade nacional."
  JOÃO CÉSAR DAS NEVES
DN2011-04-11

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Arrepio

A morte de um ser humano nunca deveria ser motivo de alegria para ninguém.
Morreu Osama Bin Laden, após 9 anos sobre a tragédia do 11 de Setembro que vitimou milhares de pessoas.
 Desde então, procurado pelos Estados Unidos, foi finalmente capturado, esta madrugada, acabando por morrer.
Arrepiam-me a frieza e o vazio com que escrevo estas palavras e invade-me uma infinita tristeza por não me sentir triste com a morte de um ser humano!

domingo, 1 de maio de 2011

Universalidade de ser-se


Pintura a óleo "A mulher, o mar e a criança" de Janine Barrozo

Hoje comemora-se o Dia da Mãe.
Cada um de nós, de uma forma ou outra, homenageia, à sua maneira, a mãe que é a sua.
Em pleno século XXI, ao celebrar este dia, a maior parte das pessoas desconhece que está a perpetuar algo, cujas raízes remontam à Antiguidade.
As mais antigas celebrações do Dia da Mãe têm a sua origem nas comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses.
 Em Roma, as festas comemorativas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a mãe dos deuses romanos, e as cerimónias, em sua homenagem, começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.
Durante o século XVII, a Inglaterra celebrava, no 4º Domingo de Quaresma, um dia chamado “Domingo da Mãe”, que pretendia homenagear todas as mães inglesas. Neste período, a maior parte da classe baixa inglesa trabalhava longe de casa e vivia com os patrões. No Domingo da Mãe, os servos tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe.
À medida que o Cristianismo se espalhou pela Europa, passou-se a homenagear a “Igreja Mãe” –, sentida como a força espiritual que lhes dava vida e os protegia do mal. Ao longo dos tempos a festa da Igreja foi-se confundindo com a celebração do Domingo da Mãe. As pessoas começaram a homenagear tanto as suas mães como a Igreja.
Nos Estados Unidos, a comemoração de um dia dedicado às mães foi sugerida, pela primeira vez, em 1872 por Julia Ward Howe e algumas apoiantes, que se uniram contra a crueldade da guerra e lutavam, principalmente, por um dia dedicado à paz.
Mais tarde, em 1904, Anna Jarvis defendeu, publicamente, a criação deste dia, após a morte da sua mãe.
 Em Portugal, nem sempre se comemorou este dia no primeiro domingo de Maio. 
Mãe, símbolo de pureza, força e resistência, não conhece cor, língua ou credo.
 Mãe, a universalidade de um ser (-se).


sábado, 30 de abril de 2011

A Solução

Passando os olhos por um jornal diário, despertou-me a atenção o título de uma das notícias.
Esta falava de um dos heróis mais conhecidos da banda desenhada, que marcou a minha infância e juventude e a de muitos outros jovens de geração em geração: O Super-Homem.
O diálogo travado entre este herói e um agente secreto norte-americano, no último fascículo da revista das histórias de banda desenhada da DC Comics (número 900) sobre o super-herói, intitulado “The Incident”, está a provocar uma enorme celeuma entre a classe política americana.
Nesta história, o Super-Homem renuncia à sua nacionalidade e afirma que passará a ser um herói global, ao serviço de todas as nações, porque o mundo é demasiado pequeno e está todo ligado. A missão de defender e proteger toda a gente não se restringe à sua cidadania: É uma missão universal.
Assim, este herói “renascido” promete não dar tréguas à luta contra o mal e os vilões, onde quer que ela ocorra.
Que tal se o convidássemos a vir a Portugal?
Troika e o Super-Homem: Quarteto imbatível na luta contra a máfia e a corrupção!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Associação de Ideias

Informação
Por entre os vários emails que recebi, como já é usual, lá vinha mais um a parodiar o nosso primeiro-ministro. Brincando com duas notícias, divulgadas nos órgãos da comunicação social, que de comum apenas apresentavam os números, a charge surgia. 
"Cerca de 30% dos portugueses sofrem de perturbações mentais".
 "Sócrates recolhe 30% da preferência de voto dos Portugueses"

Constatação
Porque os deveres profissionais me obrigam a deslocações diárias, tornei-me uma cliente assídua das estações de serviço. A maior parte das vezes, devido ao excesso de carros para abastecer, com o inevitável  tempo de espera, para não desesperar, distraio-me a observar o que se passa em redor.
Hoje, ao final da tarde, numa das mais concorridas estações de combustíveis da cidade, o movimento era pouco para o costume. Alguns carros abasteciam-se e as duas cabines, de serviço, para se efectuar o pagamento, bastavam para o tráfego existente.
Numa das cabines formou-se uma fila de veículos, enquanto na outra, situada no extremo oposto, não havia movimento algum. As pessoas que permaneciam na fila, vendo a outra cabine desimpedida, em vez de aí se dirigirem, poupando no tempo de espera e no combustível gasto no pára arranca, preferiram ficar na fila e aguardar. Situação, no mínimo, paradoxal e pouco inteligente.
Perante isto, lembrei-me imediatamente dos 30% referidos no email...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Homenagem

Este pequeno texto é a minha modesta homenagem a um grande homem da cultura. 


Aos noventa e dois anos, Vitorino Magalhães Godinho, historiador e professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, iniciou uma outra etapa da sua existência.
Ao ler a notícia da sua morte recuei ao tempo de faculdade e relembrei o primeiro de cinco anos inesquecíveis.
Vitorino Magalhães Godinho ministrava a cadeira de “História das Mentalidades”.
As suas aulas eram autênticas dissertações de cultura. O conhecimento que demonstrava, fazia-nos sentir muito pequenos.
De todos os professores era o que se mantinha mais distante dos alunos: ar sério, porte distinto, voz monocórdica, provocava em nós, meros caloiros, uma sensação de pânico perante a simples hipótese de sermos interpelados.
Naquele ano, nenhum aluno ficou dispensado do exame final que consistia numa oral.
O nervosismo sentia-se nas conversas de corredor, nos risos despropositados, nos gestos efusivos, enquanto esperávamos o início da prova.
O acto solene começou logo pela manhã: Um a um, lá íamos entrando para o “calvário”. A inquietação e o desassossego aumentavam à medida que os examinados iam saindo, da “sala da tortura”, desfeitos em pranto.
Perante tal cenário, era impossível não se ser invadido por um medo contagiante: o medo de pouco sabermos face ao pilar do conhecimento, o medo de expormos a nossa ignorância.
Por entre a solidariedade que se estabeleceu, recordo claramente as palavras maduras, de alguém bem mais velho, que me têm acompanhado desde então e que continuam a surtir efeito em situações semelhantes: “Em cuecas, o professor é igual a outro homem qualquer, não há que ter medo!”.
Hoje sorrio ao relembrar o sucedido.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Rotinas

Acordo para o dia com uma dormência na vontade...
O fim de semana prolongado terminou e com ele cinco dias de descanso.
Bem cedo, mal o despertador toca , eis que a rotina se (re)instala numa correria desenfreada. O tempo escoa-se e os minutos diluem-se em segundos.
De novo o vaivém matinal comandado pelos ponteiros de um relógio autoritário e pontual que não dá tréguas.
Saio, já bem desperta. Sorrio ao dia que me acolhe num luminoso e solarengo abraço.
Recomeço!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Liberdade, Responsabilidade

Portugal soube sempre, nos momentos mais críticos da sua história, lutar pela defesa e preservação da sua identidade e da sua liberdade como povo e como nação.
Sendo uma das mais antigas da Europa, Portugal nasceu da persistência e da vontade de um homem que acreditou na força do sonho que o conduziu à vitória.
Ainda antes de se tornar um reino, corria já, nas suas veias, a garra, a força e a determinação que veio a caracterizar este povo: lutou contra mouros e cristãos, lutou contra os seus próprios irmãos, mas nunca desistiu de defender a alma de ser português.
Ontem, 25 de Abril de 2011, comemorou-se 37 anos da última grande revolução portuguesa que ocorreu no século XX.
Durante 48 anos de uma vivência marcada pelo autoritarismo e falta de liberdade, num Estado que se auto intitulava como Novo, o país fechou-se numa redoma opressora que o formatou profundamente.
Mas como todos os regimes totalitários, autoritários e repressivos, o Estado Novo “suicidou-se” devido à teimosia e à falta de visão dos seus dirigentes.
Muito já se escreveu sobre este período da nossa história, que como todos os períodos teve um lado positivo e um lado negativo, e muito ainda se irá escrever, pois nunca é de mais dar a conhecer às gerações actuais o preço e a importância de se viver em LIBERDADE.
É um bem imprescindível para a saúde social de qualquer povo soberano.
No entanto, é cada vez mais importante fazer perceber aos mais novos que a liberdade implica sempre e acima de tudo uma grande responsabilidade: nos nossos actos, nas nossas tomadas de posição, no modo como conduzimos a nossa vida e no modo como nos relacionamos com os outros. Ser-se livre é ser-se responsável, é ser-se cidadão consciente, é exercer os seus deveres cívicos, é respeitar, mesmo que não concordando, as opiniões dos que pensam de modo diferente. Ser-se livre é saber que, na sociedade, todos os seus elementos têm direitos, mas também deveres. Ser-se livre é colocar-se os interesses da nação acima dos interesses pessoais. Ser-se livre é, antes de mais, uma maneira de se estar na vida, é um projecto que se constrói com pequenas conquistas.
Neste momento difícil e tão crítico que Portugal atravessa, saibam os dirigentes políticos que nos governam, com as suas acções e decisões, honrar o passado histórico que nos enriquece como povo e nação e respeitar os ensinamentos que Abril nos deu. 




domingo, 24 de abril de 2011

A Chama Eterna

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem, ou sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender.
E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta."
(Nelson Mandela)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ponto de Encontro

Sensivelmente há um ano, quando me iniciei na blogosfera, não pensei em formatos, estilos ou padrões para este espaço. Os textos e as imagens foram surgindo, naturalmente, de acordo com os estados de espírito e opiniões.
O meu blog, para além de ser um sítio muito personalizado, pretende ser um ponto de encontro de todos os que partilham o gosto pela leitura e escrita, pelas palavras e imagens.
Esta semana, agradavelmente, soube que o Desafioos fora visitado do exterior: Internacionalizou-se!
Terá sido um mero acaso? Provavelmente! Ter-me-ão compreendido? Dificilmente!
No entanto, alegrou-me saber que este espaço alargara as suas fronteiras e que parece ter passado a fazer parte da rotina de alguém.
E porque a Internet diminui as distâncias e esbate as diferenças, desejo-vos uma Páscoa Feliz, happy Easter, joyeuses Pâques,  frohe Ostern,  复活节快乐,
Todos são bem-vindos!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Metáfora

Há dias assim: Inesperados, surpreendentes, intensos!
Há dias em que o céu é mais azul, mesmo que escondido no cinzento das nuvens.
Há dias que parecem querer brincar: De manhã, distantes e esquivos; à tarde, enérgicos e decididos; à noite, brilhantes e efusivos.
Hoje, o dia adjectivou-se, personificou-se, intensificou-se num azul metafórico!
Há dias assim...

Mentalidade

A propósito do convite de Passos Coelho a  Fernando Nobre para, como independente, ingressar nas listas do PSD para as próximas legislativas, não faltaram, desde logo, criticas e piadas sobre o assunto.
O facto do senhor ter aceite o convite não o torna militante do PSD.
Quantos independentes não concorreram já em listas de partidos a que não pertenciam?
As piadinhas, que põem em causa as convicções ideológicos do senhor e o seu  carácter, não têm razão de ser, uma vez que o cargo para que foi convidado - Presidente da Assembleia da Republica -  requer, acima de tudo, um distanciamento e uma descolagem de qualquer partido. E quem melhor reúne essas condições? Um independente, sem dúvida! Assim sendo, não entendo a polémica levantada  e o alarido que foi feito acerca  deste assunto, quando há questões tão mais graves e importantes a serem discutidas e resolvidas.
O nosso povo sempre teve  muita facilidade em julgar os outros sem estar por dentro dos conhecimentos e sem saber os factos.
Já dizia o professor Vitorino Magalhães Godinho que " o que demora mais tempo a mudar, numa sociedade, são as mentalidades".
Portugal, nos últimos 37 anos, sofreu profundas alterações conjunturais, mas estruturalmente pouco se alterou. A diversidade merece tanto respeito como a unicidade.
Quem não defende as mesmas ideias , não tem de ser, forçosamente, inimigo e muito menos ser alvo de gozo e chacota.
No campo da ética, Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer e muito a aprender!

sábado, 16 de abril de 2011

E o Vento...

Aqui, sentada no sossego da noite, escuto.
Lá fora, o vento brame, buliçoso e travesso. Num desassossego constante, sinto-o correr por entre prédios e casas. Não pára quieto! Será o mesmo que o poeta cantava na sua trova?
Chamo-o.
Num reboliço intenso, eis que aparece. Pergunto-lhe notícias do meu país.
Desta vez, o vento conta a desgraça, o vento tudo me diz.
Antes de partir, contempla-me seriamente, quem sabe se recordando uma outra situação?
Olha-me, e na tristeza do seu olhar espelha-se a angústia da verdade encerrada nas respostas.
Retira-se, soltando-se na noite escura.
De novo, leva consigo sementes de esperança.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Beijo

De entre as inúmeras manifestações de afecto inerentes ao ser humano, o beijo é-a por excelência.
Hoje, comemora-se o "Dia Mundial do Beijo". Para muitos, este dia passará despercebido, senão mesmo nem sabido.
Num tempo em que as conturbações e os conflitos caracterizam, amiúde, os mais diversificados tipos de relações que se estabelecem no seio da sociedade, a existência de um dia, no qual se comemora um gesto de afecto, tão simples e genuíno como um beijo,deveria despertar a consciência humana para o modo como aquela tem(des)estabelecido e (des)entroncado os laços afectivos, gerados no seu interior.
O beijo, "aquele beijo", bálsamo revigorador dos que se gostam, é o néctar das sensações, é o suco adocicado que flui por entre os lábios, é a sensualidade dos afectos, é a consumação das emoções, é o início apetecido de uma dádiva partilhada, é o clímax, no erotismo dos sentidos, na certeza do querer, na cumplicidade da entrega.
O beijo conflui, em si, a intensidade máxima da procura interior do outro, na descoberta de sentires, no prazer da entrega desejada, promissora de horizontes intensos, radiosos, plenos de bem estar interior.
O beijo, apetecido, ansiado, dado, desperta desejos, inflama sentires.
Que o digam todos os que já provaram este nectár dos sentidos!