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terça-feira, 24 de maio de 2011

Esperança

As sondagens de hoje voltaram a dar a primazia ao PSD. O temível empate técnico que pairava, há já algum tempo, entre os dois maiores partidos, desapareceu. Passos Coelho distanciou-se de José Sócrates em cerca de 6,4%.
Ao ler esta notícia, confesso, senti alegria, alívio e a esperança renasceu.
A esperança de, no dia 5 de Junho, finalmente, Portugal enveredar por outros caminhos, traçar novos rumos.
A esperança de terminar com seis anos de um faz de conta.
A esperança de pôr fim a seis anos de farsa, mentira, facilitismo, enfim, “socratismo”.
A esperança …

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Memórias

Uma das recordações que se insinua de mansinho e invade o meu pensamento é a da Menina Adérita.
Hoje, relembro-a.
Bem, a Menina Adérita, assim chamada desde pequenina, na aldeia que a viu nascer, crescer e morrer era, na realidade, uma senhora idosa que nunca namorou nem casou. 
De menina, cresceu, tornou-se mulher e viu o milagre da vida acontecer às raparigas da sua geração. Ficou solteira e eternamente "Menina".
Conhecia-a no ano em que comecei a trabalhar. O acaso, sábio e oportuno, quis que nos encontrássemos.
Nesse ano, a Menina Adérita, sem o saber, foi o suporte, o alicerce emocional que perdera recentemente, a desconhecida de alma grande e olhar bondoso que me acolheu no vazio da sua solidão e se deu.
O ano lectivo terminou e com ele a minha permanência em sua casa.
 Parti. Rumei novos horizontes, outros percursos.
A Menina Adérita ficou na terra que nunca deixara. Regressou à solidão dos seus dias e o ciclo da vida cumpriu-se.
De vez em quando, talvez apercebendo-se da ternura e do carinho pela sua lembrança, chega de mansinho, sem avisar, instala-se no meu pensamento, enternece o meu coração.
Reencontramo-nos! 

domingo, 22 de maio de 2011

Vidas

Às vezes relembro-me de pessoas que conheci, pessoas com quem me cruzei, pessoas que nunca mais vi, mas que não esqueço.
O recordá-las surge naturalmente, tão natural como a pequena e frágil nascente que brota do interior da terra. Sem me aperceber, as suas imagens surgem de mansinho e, aos poucos, com uma nitidez surpreendente, impõem-se, invadem o meu pensamento e sinto-as de novo, como se o tempo não tivesse passado, como se o ontem fosse presente e o hoje apenas futuro.
Vidas que se cruzam, nos trajectos de cada qual, deixam algo de si, levam um pedacito de nós.
Lembrar alguém não é mais do que uma subtil maneira do coração impedir que a razão esqueça.

sábado, 21 de maio de 2011

Um Sábio Conselho


Nas alegações finais do debate entre os candidatos José Sócrates, do PS e Pedro Passos Coelho do PSD, o ainda Primeiro-Ministro afirmou, com ar circunstancial: ”Portugal precisa de um governo forte e responsável”.
Nunca José Sócrates falou tão verdade! Concordei em absoluto com ele!
Assim, no dia 5 de Junho, sigam este conselho tão sábio e votem em todos os partidos, mas no PS "Socrático" JAMAIS

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tempo

Hoje, aliás ontem, foi um daqueles dias em que as rotinas se sucederam em espirais de tempo numa correria sem fim. Existem dias assim em que o tempo parece brincar, correndo e fugindo em irrequietas tropelias.
De um lado para o outro, em constante movimento, termino o meu dia sem tempo para apreciar a tranquilidade de um tempo esgotado.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Irlanda (foi) do Norte

Foto do Público, 18/05/2011

Esta noite, em Dublin, falou-se português.
Qualquer que fosse a equipa vencedora, só pelo facto de ser uma final portuguesa já seria motivo suficiente para nos encher de orgulho
No entanto, fiquei contente pela vitória do FCP. Uma vitória em tons de azul e branco sobre um vermelho esbatido.
 Pelo menos haja algo que nos alegre o espírito!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Este meu País


A noção de que o meu país anda à deriva, desencontrado, perdido nas mãos de políticos que da arte de governar pouco ou nada percebem, é cada vez mais evidente.
Tomam-se decisões que pecam pela falta de congruência. A lógica que as preside varia consoante os interesses a atingir (e geralmente são sempre políticos ou económicos).
Neste meu país, parece que tudo funciona ao contrário, tal como uma imagem devolvida por um espelho: o normal passa a anormal e o insólito já não admira.
Os exemplos são mais que muitos e rodeiam-nos. Basta estar-se atento.
Neste meu país, o Estado, dirigido pelas mãos de políticos “imberbes”, tudo pode: legaliza quase tudo, paga quase tudo, até as/das coisas mais inacreditáveis: casamentos homossexuais, interrupção voluntária da gravidez, toxicodependência, preservativos nas cadeias, não há entraves de qualquer espécie!
No entanto, experimentem tentar comprar os habituais comprimidos para dormir sem receita médica e verão os entraves que logo, aí, se levantam: olham-vos com ar suspeito, duvidam da razão da compra e aconselham-vos a dirigirem-se às urgências de um qualquer hospital onde, após várias horas de espera – porque afinal não é um caso urgente – são recebidos por um médico estagiário que, depois de ouvir o discurso, já gasto de tanto ser dito, acaba por passar a bendita receita.
Entre muitas ilações a fazer, realço esta: A lei permite que qualquer mulher possa impedir o acontecer do destino de um ser humano indefeso, abortando, mas não permite que um ser humano adulto, consciente e lúcido se responsabilize pela compra de uns simples comprimidos para dormir!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Imprevistos

A vida é uma dama imprevisível, surpreendente e desconcertante.
Quando menos se espera, eis que nos rodeia, ora em sedutores e voluptuosos acasos ora em angustiantes e perturbadoras realidades.
O limite entre estas duas consistências é frágil, escasso. A maior parte das vezes acontece de surpresa e apanha desprevenidos os pobres incautos.
Numa pequena fracção de um momento, a rotina de uma vida muda completamente por um certo e determinado tempo: planos adiados, concretizações suspensas e as horas que parecem não passar. 
E à noite, no silêncio sorumbático da frieza do lugar, a angústia e o desânimo preenchem cada bocadinho de nós próprios.
O tempo parece agigantar-se em horas dilatadas pela inactividade forçada.
Nestas ocasiões, quando só resta esperar, há que reflectir e tirar ilações. 

domingo, 15 de maio de 2011

Cegueira

Depois de uma tarde de trabalho, sabe bem saborear o descanso do final de dia no sossego da noite.
A leitura do Público e do Expresso, no formato digital, fez-me esquecer o tempo e naveguei ao sabor das palavras de artigo em artigo.
E é surpreendente as conclusões a que se chega quando se presta atenção aos pormenores, àquelas notícias cujos títulos não são apelativos, aos comentários dos leitores atentos e esclarecidos.
Se dúvidas houvessem relativamente à responsabilidade pela situação em que nos encontramos, a análise comparativa dos indicadores económicos e a sua evolução, desde que José Sócrates subiu ao poder, esclareciam-nas. 
Não há cor política ou simpatia partidária que desminta o que os números gritam.
Só quem quer ser cego é que não vê. E em terra de cegos quem tem olho é rei! 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Detalhes

Bem - aventurados os pobre de espírito; porque deles é o reino dos Céus.” (Mateus, V.5)

Só nos apercebemos do ritmo alucinante das rotinas diárias e de como nos esquecemos de valorizar a simplicidade e a genuinidade de certos detalhes, quando a azáfama distraída do trabalho é interrompida por momentos surpreendentes de pureza e bondade.
Ontem, um grupo de jovens da APPCDM de Anadia, delegação de Casal Comba, presenteou-nos com uma actuação musical cheia de sentir e entrega.
A naturalidade na forma como se deram e o prazer genuíno, na partilha do saber, constituiu um momento especial e diferente da manhã, que a todos tocou.
No cruzamento dos olhares sobressaiu a imagem da generosidade, da humanidade e da humildade espelhadas no ser-se de gente que a vida tornou diferente.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Karma

Ontem deliciei-me ao ver o debate entre o candidato José Sócrates e o candidato Paulo Portas na TVI.
O jogo de esgrima verbal, entre estes dois políticos, foi deveras aliciador para um início de serão.
Apesar de José Sócrates “safar-se” muito bem neste tipo de combate, Paulo Portas conseguiu enfrentá-lo e desarmá-lo com estocadas reveladoras de uma grande perícia na arte da oratória.
Em contrapartida, o engenheiro Sócrates continuou, mais uma vez, a insistir num discurso que já cansa, de tão repetitivo e monótono que é.
Ao vê-lo, com ar pujante e melodramático – um excelente actor – escudar-se por detrás do chumbo do PEC IV, da culpa da oposição, da não necessidade de ajuda externa, para desresponsabilizar-se pelas consequências dos seus actos, como chefe do governo e líder do partido que há seis anos governa Portugal, senti pena: dele, por passar uma ideia de alguém alheado da realidade e sem soluções para o problema que atravessamos, de nós, por termos de o aturar e sofrer as consequências da sua (des) governação.
Desde o tempo em que Álvaro Cunhal retorquia a Mário Soares com a inesquecível frase: “ Olhe que não Doutor, olhe que não…”muitos anos já se passaram e Portugal, pela terceira vez, vê-se obrigado a recorrer à ajuda internacional para solucionar o deficit da sua economia.
Quando é que, finalmente, aprendemos? 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Hino à Vida

Quando espreitam estes dias com sabor a Primavera, tudo parece mais belo, mais luminoso, mais natural.
As ledas e frescas madrugadas despontam para o dia, em manhãs com cheiro a Natureza e música no ar: chilreios, zumbidos e trinados orquestram-se entre si num cântico à vida que desperta no cíclico renascer.
Seduzida pela suave melodia, num sossego pacificador, sinto o pulsar da vida, entrego-me ao acto criador e a escrita acontece.  


domingo, 8 de maio de 2011

A brincar, a brincar...


"Pescadinha de rabo na boca...

Tenho um Nokia e já tive outro antes. Estas compras também contribuíram para a dívida. Se a Finlândia boicotar o empréstimo, rebento com o meu Nokia de 500 euros na parede e passo a berrar em vez de falar ao telemóvel. Até me vai fazer bem à garganta. Depois compro outro telemóvel, mas feito em Marrocos, que eles ainda precisam mais do que nós. E não quero ver mais nenhum finlandês na minha frente! Decisão esta que não inclui as finlandesas por motivos exuberantemente evidentes!"
in comentário Público online, edição de hoje

 Ainda sobre a situação política e económica que o país atravessa.
Mais do que a leitura das notícias, nos jornais online, agrada-me, particularmente, os comentários dos leitores. Através deles percebe-se perfeitamente não só o modo como nós, os portugueses, encaramos a situação política e económica do nosso país, mas também como julgamos a classe política (governo e oposição).
Mesmo preocupados e zangados, continuamos a demonstrar uma capacidade única de brincar com a própria desgraça e um sentido de humor ímpar!

sábado, 7 de maio de 2011

Encenação

Afinal para que servem as Provas de Aferição?
Segundo o Ministério para comparar os conhecimentos dos alunos a nível nacional e verificar os desvios em relação à norma.
Mas então, se o Ministério considera ser imprescindível uma prova que sirva para evidenciar os conhecimentos dos alunos, é porque não confia nas estruturas pedagógicas existentes nas escolas: Professores, Coordenadores, Departamentos, Conselhos Pedagógicos e Direcções.
Todas as escolas seguem o Currículo Nacional, elaborado por equipas com o aval do Ministério da Educação, o qual está na base das planificações que são feitas no início do ano lectivo e que, sempre que necessário, sofrem reformulações. Há uma monitorização constante dentro da própria escola.
A não ser que um professor falte bastante, o que hoje em dia é quase impossível, e que os alunos não trabalhem mesmo nada – acontece em alguns casos - de uma maneira geral, em qualquer momento do ano, os discentes deverão encontrar-se todos no mesmo patamar de conhecimentos. Claro que há sempre situações desviantes – a excepção confirma a regra – e factores exteriores ao sistema.
Assim sendo, para quê movimentar tantos recursos humanos e materiais, despender tantos gastos – estamos em crise – em nome de uma prova que serve apenas, de uma maneira encapuçada, para aferir, não alunos, mas antes a proficiência dos docentes?
Se é assim tão importante, então porque não a transformam num exame nacional, decisivo para a passagem dos alunos?
Talvez porque fosse demasiado arriscado para as estatísticas nacionais.
Os professores correctores não têm acesso às cotações da prova, apenas lhes é fornecido um código constituído por letras e números, posteriormente convertido em níveis pelo Ministério da Educação.
Tal processo é falacioso e pode dar origem a manipulação de dados, o que seria de todo impossível num Exame!


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sossego

Que agradável final de noite!
A perspectiva do fim-de-semana, amenizou o cansaço; o serão, na companhia de Misse Marple, recompensou a fadiga de um dia preenchido; uma final portuguesa na Europa, especialmente nortenha, completou, com uma subtil ironia, o desfecho deste dia!