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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Gosto

No próximo dia 27, cumpre-se, uma vez mais, o ritual de entrega das estatuetas douradas pela academia de Hollywood.
De entre os vários filmes nomeados, que competem entre si nas diferentes categorias, apenas ainda vi o Cisne Negro e seguir-se-á o Discurso do Rei.
Tal como a escrita, os livros, a música e a dança, assim o cinema constitui outra das minhas paixões.
Lembro-me nitidamente da primeira vez que entrei numa sala de cinema e assisti à projecção de um filme, num ecrã enorme, agigantado pela minha pequenez. Vivia-se a quadra natalícia e os estúdios da Walt Disney estreavam, nesse Dezembro longínquo, a produção animada “Branca de Neve e os Sete Anões”.
Talvez pela magia da época e o feitiço da tela, gravei, na memória, os sons, a cor, o movimento e as emoções que aquele dia me proporcionou. Para trás, ficou perdido no tempo, mas não nas memórias da história de vida.
Muitos anos se passaram, já vi muitos filmes, mas em cada um deles revivo sempre a magia e o encanto que senti na primeira vez.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Desígnio

Sou crente.
Acredito num Deus - conceito demasiado abstracto, reconheço - de amor, numa entidade suprema cujos desígnios escapam à minha racionalidade, porque sou nada, sei nada perante tamanha perfeição.
Acredito num Deus que me soprou a vida e que não desiste de mim, mesmo quando eu me esqueço Dele!
Acredito num Deus, pai – protector e sempre presente, mesmo quando eu me ausento Dele.
Acredito!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Provérbios

A sabedoria popular, tão bem expressa nos ditados e provérbios, assenta num conhecimento empírico que advém da observação da realidade quotidiana.
O nosso povo, sabiamente, tem traduzido, em parcas palavras, ao longo das memórias do tempo, as conclusões que a vida lhe apresenta.
Os ditados e os provérbios, porque verdadeiros, perpetuam-se nos anais da história e perduram para lá dela.
Esta noite, enquanto assistia ao programa “Prós e Contras” subordinado ao tema “Educação – a prova dos nove” e seguia, atentamente, a intervenção de todos os convidados, com particular destaque para a ministra da educação, professora Isabel Alçada, vieram-me à memória vários provérbios.
Não consigo observar Isabel Alçada, no seu papel de ministra da educação, sem de imediato compará-la com a sua antecessora. Diria que uma é a antípoda da outra.
No decurso do programa, sempre que atentava na ministra da educação com o seu ar cândido, voz melódica e sorriso constante recordava-me do provérbio “mais vale cair em graça do que ser engraçado”.
Que o diga Maria de Lurdes Rodrigues!

sábado, 29 de janeiro de 2011

Quotidiano

O exercício do poder será tanto mais eficaz quanto o grau de conhecimento que se tem sobre as pessoas e o território onde é praticado.
Esta reflexão vem a propósito do sentir quotidiano de um mega agrupamento: a escola-mãe, sede do poder, pulula de vida, qual centro nevrálgico do sistema num quase desconhecimento da periferia que, de tanto abandonada e não sabida, vê-se só, desamparada e amiúde em autogestão.
Rotatividade? Descentralização? “Presidência aberta” pelas partes do todo? Meras sugestões para um exercício do poder quando se quer sábio e consciente.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Palavras soltas

Escrever!
Tenho urgência nas palavras companheiras, confidentes de inquietos pensamentos, de tropel sensações!
Tenho sede de escrever, e no acto criativo, nesta paixão desnudada, solto metáforas de mim, vagueio por entre os sentidos na solidão de mim mesma.
Sinto urgência nas palavras: pressentidas, já geradas, mas ainda não paridas!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Sabedoria popular

Esta noite, alicercei algumas certezas e dissipei certas dúvidas.
O elevado valor da abstenção, que já previra, veio confirmar o que, há muito, era apercebido pelas conversas de café e pelos comentários de gente anónima que retrata em si o pensar e o sentir do português comum: um cansaço e um desgaste pela política e pelos políticos que nos últimos anos nos têm governado.
O discurso de vitória do agora reeleito Aníbal Cavaco Silva surpreendeu-me pela positiva porque, pela primeira vez, senti que alguma coisa tinha abalado os alicerces de um homem que sempre se pautou por um certa sobriedade na sua actuação como Presidente da República.
Esta noite, nas suas palavras de vitória, senti uma mudança de atitude, uma força a brotar, uma maior predisposição para a acção. Esta noite, o Presidente Aníbal Cavaco Silva agigantou-se e soube responder, com as palavras certas e no momento oportuno, a todos os que apostaram em denegrir o seu carácter e honra de homem.
Mais uma vez, o povo, na sua plena sabedoria, tem razão ao afirmar que "quem não sente não é filho de boa gente".

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Cidadania

Sexta-feira, dia 21 de Janeiro de 2011.
O primeiro dia de um tempo que se advinha difícil.
A campanha eleitoral para as presidenciais termina hoje.
No domingo, dia 23, os portugueses exercem o direito cívico de escolherem, para os próximos cinco anos, o Presidente da República.
Mais do que perspectivar de que lado estará a vitória, move-me a curiosidade quanto à percentagem de abstenção que ocorrerá pelo país.
As notícias diárias de subida de preços, de mais e maiores impostos, de perda de direitos, quais nuvens carregadas, num céu cinzento e escuro, prestes a desabarem em aguaceiros intensos, pressagiam tempos difíceis, de grandes dificuldades económicas.
Perante um país que se pressente e sente ferido, o desinteresse pela política aumenta.
Neste contexto, é importante que os cidadãos não se deixem invadir pelo desânimo e cedam à tentação de se absterem. É importante não desistir, é importante expressar através do voto a opinião, decidir, agir.
É tempo de reflexão!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nostalgia

Sinto saudade…
De um tempo perdido no tempo com cheiro de infância e sabor de pureza;
De um tempo despreocupado, em que o riso das palavras floria na alma e atapetava a inocência dos sentidos;
Da candura de um tempo menino adormecido na nostalgia da memória;
De um tempo em que ansiava que o tempo passasse e não sentia saudade!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Os "des"

Numa abordagem à primeira página do Público on-line, deparei-me com um inquérito que pretende avaliar o grau do interesse dos leitores deste diário relativamente ao modo como a campanha das eleições presidenciais está a ser seguida.
Perante a afirmação “Está a seguir a campanha das eleições presidenciais com:”, o leitor pode optar por três respostas diferentes que variam entre “muito interesse”, “pouco interesse” e “não estou interessado”.
Despertada a curiosidade sobre o sentido de voto dos leitores, quis verificar se a suposição que fizera, antes de ter acesso aos resultados, se confirmaria ou, pelo contrário, desmentiria as minhas previsões.
De facto não me enganara: num universo de 1557 votos, número contabilizado até ao momento em que redijo este post, 7,2% das pessoas responderam que tinham muito interesse, 28% afirmaram que o faziam com pouco interesse e 64,8% dos leitores sustentaram que não estavam interessados.
Admiração com este resultado? De modo algum!
A leitura que faço situa-se em dois campos interpretativos possíveis: ou os leitores, neste momento, já estão bem convictos do candidato da sua preferência e, deste modo, tudo o que rodeia a campanha perde importância ou então é apenas e só a consequência imediata da invasão dos “des” na opinião de uma grande parte dos cidadãos portugueses relativamente à vida política do país, face a todos os casos e escândalos económicos e políticos que se têm sucedido nos últimos tempos: o desinteresse, a desmotivação e o descrédito nos nossos políticos!
No dia vinte e três de Janeiro, a dúvida cessará!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Partida


Maria…
Saborear a vida em cada momento do tempo que passa com a consciência da finitude para a eternidade;
Agarrar a vida e prendê-la na palma da mão, domá-la sem receios e do quase nada fazer tudo;
Enfrentar as adversidades com uma força interior, geradora de coragem, confiança e muito querer;
Lutar, acreditar e com a fraqueza fortalecer-se.
Maria, por fim vencida, derrotada, despojo de guerra na batalha perdida.
Maria afundou-se no naufrágio da Vida e, frágil, partiu!
Na lembrança, para sempre, ficará, o sorriso e a força feita esperança
de Maria!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Aniversário

No passado dia três, fez um ano que me iniciei neste espaço virtual com a criação do “Desafioos”. Um ano de escrita imbuída de cumplicidade, de autoconhecimento, de desabafos, de maturação: na pena e nas ideias.
Ao longo deste ano, “Desafioos” acompanhou-me, quase diariamente, nas tempestades e calmarias provocadas pela vida.
Nas tempestades, foi o porto seguro que me abrigou da fúria das intempéries; foi o ventre protector onde, enfraquecida e fragilizada, busquei a força necessária para me reerguer e prosseguir a caminhada; foi a fonte de água pura que saciou a sede da vontade e do querer.
Nas calmarias, foi o espaço aprazível, tranquilo e pacificador, o quarto secreto no sótão das emoções, onde me soltei, floresci e amadureci em reflexos de mim.
No desafio que foi o “Desafioos”, descobri um lado adormecido que me completa e realiza: o prazer da escrita como um acto assumidamente solitário na sua essência, e o prazer da partilha sempre que me lêem.
E tal como no primeiro post, publicado há um ano atrás, a mesma dúvida formulada “e agora?”
Agora, a firme certeza de que o “Desafioos” continuará a ser um espaço pleno de vida, reflexo de mim, com um carácter, muitas vezes, intimista, outras vezes intervencionista, mas acima de tudo um espaço que continuará a privilegiar a paixão pela escrita.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Espírito de Natal

Era a época natalícia. As lojas espelhavam, nas montras enfeitadas, as variadíssimas hipóteses para as prendas procuradas. Num vaivém apressado, as pessoas percorriam atarefadas os corredores daquele centro comercial de olhar distraído aos pormenores em busca do presente ideal.
Um cântico de Natal entoava pelo ar e aquecia os corações de todos os que por ali cirandavam. Os pormenores foram pensados com toda a minúcia para que o espírito do Natal preenchesse os corações e as mentes de quem por ali passasse, contagiando o ambiente envolvente num enorme abraço de paz e tranquilidade.
Por entre a gente anónima que percorria os corredores carregada de sacos e embrulhos, um rapaz, de aspecto simples e humilde, vagueava ao acaso vendendo, a um preço simbólico, os jornais que transportava. Por entre a gente distraída e despreocupada aquele gaiato, de olhar triste e melancólico, destoava do conjunto: era apenas um menino amadurecido pelas agruras da vida que contemplava avidamente as montras repletas de brinquedos que nunca tivera. O seu olhar perdia-se por entre os artefactos desejados como sonhos idealizados numa fuga à realidade dura e fria que era a vida que tinha.
E nesse momento, nesse instante fugaz, por entre a multidão apressada e distraída, houve alguém que reparou naquele petiz e na tristeza que o seu olhar denunciava ao contemplar o que sabia nunca poder ser seu.
E nesse momento, nesse preciso instante, esse alguém anónimo pensou, numa promessa interior, que um dia, se o acaso o bafejasse, compraria todos os presentes daquela loja, de muitas lojas e distribuiria por todos os meninos de olhar triste e aspecto humilde que na véspera de Natal não tinham uma família para se aconchegarem, não tinham miminhos para receberem; meninos que a vida, precocemente, fizera homens, mas que eram apenas gaiatos ávidos de amor e carinho.
O menino partiu, carregando no olhar o sonho de um brinquedo, negado-lhe pelas injustiças da vida, enquanto as pessoas, indiferentes e ausentes, continuavam apressadas à procura dos presentes ideais para oferecerem, preparando-se para celebrarem o espírito de Natal!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O tempo certo

Os pássaros que voam na imensidão do céu dificilmente se adaptam à clausura da gaiola.
Os cavalos que galopam, em sôfrega liberdade, na vastidão da planície, dificilmente obedecem ao comando de uma rédea.
O ser que conquista a liberdade, numa luta de coragem e cobardia, dificilmente repete modelos  passados, de vivências marcantes.
As etapas da vida eclodem num tempo certo de existência: nem antes nem depois. Querer, num presente imediato,  apressar  o ritmo  próprio de cada  nova etapa, alterarando-lhe o timing  subjacente que a diferencia das restantes, poderá comprometer o futuro que se idealiza.
Muitas vezes as maiores, as mais longas e as mais fortes caminhadas só se concretizam e enraizam-se se os seres que nelas participam souberem respeitar a dinâmica inerente a cada uma delas nunca esquecendo o factor tempo: nem antes nem depois. Apenas no tempo certo de acontecer.
A vida é um desafio, há que saber gerir com paciência e inteligência os obstáculos a transpor.
Nem antes nem depois, no momento em que tiver de acontecer.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A importância da amizade

" Todos prestam atenção ao que tu dizes. Os amigos escutam o que tu falas. Os melhores amigos prestam atenção ao que tu não dizes"

Já há cerca de 3 semanas que não publico nada no blog. Vários foram os factores responsáveis por esta interrupção: trabalho, com as inúmeras burocracias a ele associadas, falta de disponibilidade, alterações nas rotinas de vida e por último falta de inspiração. Todos estes factores juntos contribuiram para o silêncio prolongado.
A todos aqueles que me dão a imensa honra de fazer da minha escrita uma vossa leitura,dedico este post como modo de me desculpar pela preocupação provocada com o silêncio a que me remeti.
Gosto de escrever - é uma paixão - desde que a escrita brote espontaneamente do coração e da razão. Ultimamente tal não se tem verificado, apenas e só nada, vazio, silêncio...
Há alturas em que, como alguém amigo fez questão em transmitir, interpretar o silêncio é descodificar um dos códigos mais complexos e difíceis da comunicação humana.
Obrigada pela amizade de todos vós.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Querer

Eu quisera ser o Sol escaldante de um dia de Verão, espalhar os seus raios dourados e tudo iluminar, mas fui apenas uma luz trémula e difusa, com medo de se apagar.
Eu quisera ser a imensidão do oceano, um turbilhão de água e espuma de sal e mar, mas fui apenas uma lágrima solta na melancolia do olhar.
Eu quisera ser fortaleza e baluarte, testemunhas de vitórias a alcançar, mas fui apenas prisioneira de um lugar a conquistar.
Eu quisera...
E na junção de tantos quereres, eu sou, apenas, um ser entre os demais.