Translate

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Fim de noite


Mais uma noite que desponta: serena, tranquila, pacífica.
Finalmente, abraço aquele momento do dia que é só meu. Saboreio-o sem pressa, prolongando a sensação de bem-estar que busco nele.
Sempre fui uma noctívaga.
Agora que o dia adormece e me obriga a deitar com ele, é que eu irrompia pela madrugada adentro, inspirando-me na companhia da música, da escrita e dos meus pensamentos.
Deixem-me estar! Não me perturbem! Preciso deste bocadinho de tempo para reflectir, repensar a caminhada do dia que finda e preparar o percurso que se inicia em cada nova alvorada.
Neste momento só meu, cabem todos os sentimentos, todas as lembranças, todos os projectos, alguns, eternamente, projectos e, essencialmente, a voz da razão, maturada pela experiência de vida. É ela que me faz perceber quão ténue ou distante pode ser a fronteira que separa o querer do poder.
Que venha então a noite, que desça sobre mim, me cubra com o seu manto lúcido e aconchegante e me envolva nos seus longos braços, sábios e conselheiros.


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Bizarrices ou talvez não


Hoje, divagarei ao sabor de algumas notícias que retive ao longo do dia. Talvez pelas bizarrices que encerrassem me tenham soado mais forte e as recorde agora.
Logo de manhã, a Antena 1 proclamava, em tom crítico, que nem com Vercauteren o Sporting conseguia quebrar este tsunami de adversidade que parece inundar Alvalade e, por fim vencer um jogo. Nem uma semana como treinador o senhor ainda tem e já queriam milagres? É, no mínimo, surreal.
De seguida, alguém, ligado a uma associação relacionada com os sargentos das Forças Armadas, mostrava a sua indignação pelo facto dos militares deixarem de ter isenção – eu diria antes descontos - nos transportes públicos.
Pergunto: mas por que razão sempre o tiveram? Não são cidadãos como todos os outros?
Portugal é um país estruturalmente débil para tantas mordomias e benesses incompreensíveis.
Entretanto, de madrugada, enquanto dormirmos, os americanos decidem sobre o destino da sua nação com a eleição do Presidente.
O processo eleitoral no “Novo Mundo” diverge do utilizado no nosso país. É caso para dizer “Complicados estes americanos! “
Com o colégio eleitoral ou com o voto directo, os meus sonhos, antevêem uma vitória – suada, renhida - do candidato Obama, ainda mais, agora que o nosso CR7 lhe manifestou, publicamente, o seu apoio!
De divagação em divagação, consigo imaginar o ar estupefacto com que terão ficado os larápios que roubaram uma carrinha funerária com “brinde” dentro.
E que reflectir do sentido fraterno do pároco de Travanca ao dispensar um catequista por este tossir muito?
Meras notícias de um dia normalíssimo em pleno século XXI.

 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Como uma bola de neve


Por entre umas peripécias de final de dia, ia ouvindo as últimas notícias sobre a política nacional.
O orçamento foi entregue e com ele fica a certeza de que para o ano as coisas vão piorar, substancialmente, para cada um dos portugueses que vive neste pequeno quase rectângulo.
Sinceramente, não vislumbro solução nas medidas tomadas. Pelo contrário, parece-me que nos vamos enterrar mais e mais e mais e enredarmo-nos no nosso desespero.
Como eu gostaria de estar equivocada e, daqui a um ano, poder reler este texto e concluir que, afinal, estava enganada nos juízos que fizera e que os especialistas na governação do meu país tiveram visão e tomaram as medidas acertadas contra tudo e contra todos.



domingo, 14 de outubro de 2012

In extremis


O amor, independentemente das diversas formas que tome, é, sem dúvida, uma fonte de energia, positiva, que dá carácter às nossas acções, fortalecendo-as e suaviza o olhar com que encaramos o que nos circunda.
Sim, acredito que cada um de nós tem o poder de emanar tanto energias positivas como negativas, poder esse que, inevitavelmente, acaba por influenciar  quem e o que nos rodeia. Quer umas quer outras energias, quando extremadas, tornam-se avassaladoras, devastadoras até.
 Em ambos os casos há, sempre, um sentimento intensíssimo que as alimenta e as faz crescer, mas ao mesmo tempo – o contraponto em forma de ironia – impede o ser que as emana de se libertar e maturar-se como pessoa.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Metáfora


A comemoração oficial deste feriado, em Portugal, rodeou-se de um cómico de circunstância: a pompa cerimoniosa do hastear da bandeira teria sido igual a todas as anteriores, não fosse os protagonistas do acto terem-na colocado de cabeça para baixo.
O símbolo da República, solenemente, içado pela mão do seu legítimo representante, subiu com as quinas viradas ao contrário sem que ninguém dos protagonistas e dos convidados se ter apercebido do facto.
Ironia, das ironias, neste dia em que, pelo menos, nos próximos cinco anos, não se comemorará, oficialmente, a  Queda da Monarquia e a Implantação da República.
Foi, constrangedoramente, um momento repleto de metáforas!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Nuances

Lá fora, o chão, atapetado de folhas caídas, cobre-se de castanhos e amarelos a lembrar a chegada do Outono.
A chuva regressou, acompanhada de baixa de temperatura e de vento.
 É o Verão que se distancia em cada dia que passa, enquanto a Natureza se vai cobrindo de tons frios, preparando-se para o Inverno.
Em dias assim, em que o tempo negro e plangente parece chorar a tristeza da alma, apetece a partilha, o abrigo de um lugar quente, enroscar junto à lareira e aquecer um abraço, um olhar, um silêncio que se desfaz.
Em dias assim, tristonhos e fechados, reinventemo-nos.

domingo, 9 de setembro de 2012

Ilusão

As políticas económicas do Velho Mundo parecem ter chegado a um beco sem saída, principalmente para as economias mais debilitadas como é o caso da portuguesa e da grega.
Insistir, num modelo que se autodestrói, será a solução? Mas, então, qual é a solução? Que alternativas nos restam para diminuir o deficit que nos aprisiona, sufoca e nos torna moribundos? Como solucionar, em tão pouco tempo, os erros de anos consecutivos? Como resgatar sonhos, projectos, vidas adiadas, suspensas, desalentadas ?
Como banir esta tristeza que nos invade, esta preocupação que nos toma e consome?
É a tristeza de um país que se perdeu e não se consegue encontrar; de um país que se tornou vassalo, se escravizou, se deixou cegar por discursos ofuscantes que adornaram a realidade e esqueceram a verdade.
É a tristeza de constatar que, afinal, quase tudo foi apenas ilusão, uma mera sedução que nos cativou e perdeu.
Ainda há esperança?
Queria tanto acreditar!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Bisbilhotice

O Presidente do FCP, Jorge Nuno Pinto da Costa, de setenta e quatro anos de idade, casou-se, recentemente, com uma jovem, cinquenta anos mais nova que ele.
Esta manhã, foi operado ao coração.
É caso para dizer:" Ai Miranda, Miranda que o puseste de banda!"
Quem se mete em cavalgadas...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O poder das palavras

Na recta final de umas férias que passaram muito depressa e quase a iniciar mais um ano de trabalho, ainda resta tempo para terminar as leituras de verão.
Neste mês de férias li, com agrado, alguns bons livros, quer na forma quer no conteúdo, que me deleitaram e cativaram.
Com um sentido muito irónico e mordaz, numa crítica à sociedade actual e ao sistema político em particular, ri-me, deliciosamente, com a mestria que Francisco Moita Flores desenvolve, no seu  "A Opereta dos Vadios", a trama de um grupo de amigos que, a partir de uma ideia mirabolante e numa brincadeira contestatária, resolve boicotar o sistema político e, sem saber como, vê-se preste a vencer as eleições com o recente partido por eles criado: o PUM!
A escrita de Moita Flores tem esta particularidade: a brincar, a brincar, o autor aborda problemas bem actuais e sérios, mas com um sentido de humor contagiante que põe bem-disposto o leitor.

domingo, 26 de agosto de 2012

Despedida

Paulatinamente, os dias, com sabor a sol e terra, vão-se despedindo do Verão, muito de mansinho.
Os finais de tarde cobrem-se de nuances, pintalgadas de cores e aromas que me fazem lembrar Formilo. Como se o tempo, num compasso ilógico e intemporal, me resgatasse do presente e me pousasse num outro presente do passado.
Recuo nas memórias afectivas: intensas, imensas. Afundo-me na tranquilidade e no sossego apaziguador que as recordações me transmitem.
Mais um final de tarde que se desprende e explode em cheiros e cores: doces, agrestes, pintado de cor de laranja e amarelo.
Outrora e hoje, perco o olhar para lá do horizonte. Abandono-me à beleza de um final de dia, ao entardecer. Despeço-me.

sábado, 25 de agosto de 2012

O caderno

Aproveitando a promoção, nos produtos escolares, de uma grande superfície comercial, fui comprar o material que faltava para a minha filha.
Ora, in loco, não tive grande dificuldade nem precisei de muito tempo para confirmar o indiscutível e imensurável poder do marketing/publicidade!
Até eu, adulta, consciente, precavida, me deixei levar ao sabor do designer, dos enfeites, das cores, dos formatos, quando tive de escolher o cadernito - é assim que eu chamo ao caderno onde anoto todo o percurso de um ano lectivo, em termos de informação.
Ora bolas! Então, se vou começar um novo ano, tenho de me rodear, materialmente, do que me alegra a vista, aquece o coração e alicia a vontade!
O dito cadernito - pasme-se - até tem, em cada folha, um local preciso para pôr a data e assinalar o estado do tempo desse dia. Uau! Que minuciosidade!
Já imaginaram, daqui a uns anos, quando pegar no caderno - guardo-os todos, pois cada caderno narra a história do seu ano - poder saber que no dia X estava sol ou chuva ou enublado?
O que é que isso interessa? - pensareis vós. Lá isso é verdade, mas que não deixa de ser uma tentação - bem estudada, a psicologia feminina - em forma de mimo, também é verdade!
A compra do caderno prova-o.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Ilusão

Quando era miúda, os dias pareciam prolongar-se indefinidamente e o tempo arrastava-se num compasso sem pressa, algures entre a sonolência e a dormência.
Nessa altura, na idade da Primavera, em que tudo se afigurava distante e longínquo, a impaciência dominava a ânsia do querer e do acontecer, própria da aprendizagem de ser gente.
Hoje, volvidos tantos anos, os momentos perderam a mansidão de um tempo repleto de tempo e esfumam-se por entre dias apressados e esquecidos da infância de si mesmos.
Uma ironia fina e aguçante, um olhar maturado e a inevitabilidade de um tempo que corre célere sem contemplações nem hesitações.

sábado, 14 de julho de 2012

De(s)mocracia

Aproveitando a pacatez de uma tarde preguiçosa, passeei o olhar pelos títulos dos principais jornais diários, li alguns dos inúmeros mails que me aguardam. 
Lendo ambos, apercebo-me de que este estado de trafulhice, esquemas enganosos, artimanhas fraudulentas em que Portugal mergulhou, há já muitos anos, começou a tornar-se insuportável, mesmo para um povo que se identifica com os brandos costumes. A paciência tem limites e são cada vez menos aqueles que ainda acreditam nas duas classes que vão detendo o poder: a política e a judicial.
A insatisfação e a indignação invadem o comum do cidadão. Basta ler-se os mails que circulam pela Net, que se enviam acrescentados de comentários bem elucidativos do sentir da plebe.
Os tempos actuais são propícios a posições extremas: de um lado os que relembram os ideais revolucionários de Abril, de outro os saudosistas do Antigo Regime.
Sabendo que a saúde moral do país não aguenta mais reveses e que é urgente criar-se um sistema que ponha cobro a tanta falta de vergonha, pergunto-me: entre os dois extremos ideológicos, onde encontrar a solução já que a Democracia demonstrou estar podre e não servir a Res publica? Pelo menos a de(s)mocracia que se instalou no Portugal que Abril criou.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sexta-feira, dia 13

Hoje termina o prazo para as escolas informarem os professores se, no próximo ano lectivo, têm lugar –independentemente de pertencerem ou não ao quadro – ou se são “contemplados” com os denominados horários zero.
No meu agrupamento foram muitos os profissionais - alguns com mais de trinta anos de serviço - a receberem a triste notícia que tanto temiam.
A minha solidariedade com todos estes colegas é tanto maior quanto a certeza que um destes dias, também eu poderei vir a engrossar a lista dos futuros disponíveis. Para isso não é preciso muito: basta apertar-se um pouco mais o cerco, basta a população escolar diminuir, basta legislar-se mais medidas de contenção, basta alterar-se o processo de escolha, basta mudar as regras do jogo, basta... basta... basta tão pouco! Sem dúvida, vivem-se tempos muitos difíceis e o mais preocupante é que a esperança num futuro, pelo menos com condições semelhantes às do presente, é cada vez mais débil!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Até quando?

Será impressão minha ou este final de ano lectivo parece mais infindável, mais complicado que os anteriores? 
Desde que as aulas terminaram que não me consigo ver livre de papéis: PCT, exames, relatórios disto e daquilo, grelhas, actas, uma panóplia de documentos...
Se alguma dúvida ainda me assolasse, a realidade circundante grita-me que não é impressão minha.
A esta hora da noite, de volta da conclusão de um PCT, sinto-me no epicentro da burocracia, aquela que foi sendo, sucessivamente, introduzida, decretada pela vaga de políticos que vão ocupando o pedestal da governação. Burocracia não implica, necessariamente, qualidade ou grau de exigência. Parece-me que os políticos ainda não o perceberam. Geralmente, quando há insegurança no exercício do cargo desempenhado, os tecnocratas do poder refugiam-se na obrigatoriedade da papelada, procurando disfarçar a segurança que não sentem. Ilusões!
São estes políticos que impõem medidas - algumas completamente desnecessárias pois não acrescentam nada à qualidade do ensino e à resolução de alguns dos graves problemas que invadem as nossas escolas -que, na sua vida particular, servem-se dos conhecimentos e dos cargos partidários que desempenham, para ludibriarem o sistema, em proveito próprio e conseguirem obter, por meios muito dúbios – não lhe quero chamar outro nome - em tempo reduzidissímo, as qualificações académicas que têm tudo menos rigor, veracidade, transparência nos trâmites do processo.
Quando é que se começou a perder a vergonha, se fez da mentira, da trafulhice, do jogo baixo, do vale tudo, os valores morais de alguns?
A bola de neve ainda agora começou a rolar!