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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Insólito humorístico

Cumprindo o ritual, abri a página on-line do jornal Público e comecei por ver os títulos: devagar, com atenção, saboreando o prazer da leitura, não totalmente completo pela falta do cheiro e do toque do papel!
Dos títulos saltei para as notícias e destas para o corpus textual.
O desenvolvimento de cada notícia é sempre acompanhado da possibilidade de interacção dos leitores através dos comentários feitos. E é aí, nesse espaço, que, muitas vezes, apesar do drama narrado, surgem momentos hilariantes, com autêntico sentido de humor. Outras vezes é o próprio título que faz sorrir pelo disparate que encerra.
Hoje, ri sim, quando li a notícia encabeçada pelo seguinte título: “Homem recebe primeiro duplo transplante mundial de pernas”.
Sem dúvida que a ciência está muito avançada, quer em termos de conhecimento quer em termos de técnicas, mas conseguir transplantar 4 pernas na mesma pessoa?!
Fantástico, senhor jornalista!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Carisma

Dois anos de recessão profunda, prevê o Banco de Portugal”,  “Sem a ajuda do Estado, 43% dos portugueses estariam em risco de pobreza”,são dois dos títulos que se podem  ler na edição digital do Público de hoje.

Os cenários económico e social, para 20011/2012, mais que desanimadores, são completamente preocupantes e frustrantes. Entre outros indicadores – quase todos a diminuírem – o do emprego regista um decréscimo, já este ano de 1,1% e no próximo de 0,9%. Dito assim parece não ser muito significante.
Contudo, as percentagens indicadas traduzem-se numa perda de cerca de 100 mil postos de trabalho, 100 mil portugueses que nos próximos meses irão ficar sem meios de subsistência o que irá fazer aumentar os 43% de portugueses que se encontrariam no limiar da pobreza,  não fosse a ajuda do Estado.
Portugal terá de ter muita força de vontade, fazer muitos sacrifícios e apostar na solidariedade de modo a minimizar os efeitos devastadores que esta crise nos reserva.
É em momentos assim que se vê o carisma de um povo!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Para sempre

"Mesmo que as pessoas mudem, e as suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas emoções."
(Vinícios de Moraes)


De repente bateu uma saudade daquele tempo em que quase só tínhamos tempo para a escola; de um tempo em que das fraquezas fizemos força, dos problemas partilha, do trabalho entreajuda e da solidariedade uma constante.
Saudade daquele espaço, tantas vezes percorrido, acontecido, vivido, repleto de histórias de vida!
 Sim, hoje bateu uma imensa saudade da nossa amizade: forte, verdadeira, nascida da convivência e enraizada, mesmo na distância, mesmo na ausência e no quase silêncio.
Hoje, gritou uma enorme saudade de cada um de vós porque, em cada um de nós, perdurará para sempre um pouco de todos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Oásis



Quando surgem estes dias de Verão, claros e luminosos, com cheirinho a quase férias, sabe bem, pela tardinha, na delícia de uma brisa amena que se levanta, rumar a um dos locais aprazíveis desta cidade, um misto de campo e praia, e rendermo-nos à beleza do sítio.


Aí,  onde o rio e a vegetação se “cumpliciam” em encantos sedutores, desejamos que a calma emanada da paisagem nos contagie e  perdure num tempo sem tempo.
A simplicidade deste recanto, nascido no sopé de uma encosta, atrai todos aqueles que anseiam por agradáveis momentos de convívio descontraído.
Há muito, que elegi este oásis citadino como um local aprazível, onde encontro um ambiente propiciador  à paz e ao bem-estar interior.  
Os apetitosos e deliciosos caracóis, que fazem crescer água na boca, acompanhados por uns finos bem geladinhos, conduzem a tertúlia que se estende pelo final da tarde, neste pitoresco lugar.
À partida, enquanto nos afastamos, pela frágil ponte de madeira, despedimo-nos com a certeza do regresso.

domingo, 10 de julho de 2011

Amanhecer

Imagem retirada da Net
Envolta em silêncio, observo o dia que desponta, clareando o horizonte em tons cada vez mais suaves, numa gradação subtil de nuances azuladas e alaranjadas.
Ouvem-se os primeiros sons da Natureza: ténues, quase envergonhados, meios sons que acordam para o dia, num despertar tranquilo.
Lá fora, a claridade intensifica-se aos poucos. O Sol, encoberto por umas cinzentas nuvens, recusa-se a brilhar.
A madrugada recolhe-se e a vida adormecida desperta para mais uma rotina.
Aqui dentro, olhando o acordar da manhã, relembro um outro acordar, um outro nascer do Sol, numa paisagem soberba de montanhas e vales, envolto no silêncio da Natureza adormecida.
 De repente, na linha do horizonte, uma cor amarelada surgiu e, lentamente, os primeiros raios iluminaram tudo em seu redor: deslumbrante, emocionante. Uma vista esplendorosa, cheia de beleza e rodeada por um  silêncio pacificador, respeitador da grandiosidade da Natureza. O Astro-rei que despertava para mais um dia.
Imagens que sempre recordarei.

sábado, 9 de julho de 2011

Mudança

Quando se entra pela noite dentro, com a ausência de sono e a presença do cansaço, nada melhor, para ocupar o tempo de espera, que brincar com as imensas possibilidades que o blogger oferece em termos de visualização de página.
Explorar, experienciar, manipular aplicações, mudar o aspecto, descobrir acções e eis que aquele formato, o que se idealizava, há muito, surge quase do nada.
Quando aportarem neste meu, vosso espaço, sereis surpreendidos com um novo modelo.
Sabendo que a imagem que fica gravada na nossa memória visual é sempre a que resulta do primeiro contacto, desejo que o padrão eleito vos transmita as mesmas sensações que presidiram à sua escolha.
Definitivamente, foi uma paixão imediata que tornará, este, o modelo final. 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Detalhes


São nas vivências “entrópicas”, nos borderline (s) da vida, que nos apercebemos dos detalhes, encontramos verdades, descobrimos amigos, revelam-se-nos certezas.
A despedida, quando consequência do fim de um tempo, conjuntamente vivido, partilhado, gerador de amizade, respeito, compreensão e entreajuda, deixa-nos um misto de tristeza, de saudade e a certeza da importância de certas pessoas, determinados lugares, momentos de vida particulares.
Viver não é mais do que, aceitando as determinações que a vida nos impõem, torná-las nossas aliadas e apreciar cada bocadinho de tempo, num contínuo processo dual de (re) construção interior, onde os encontros e desencontros, as chegadas e as partidas, os fins e os recomeços não são meros pormenores da existência.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ética

Os interesses económicos comandam e determinam os destinos de países que, por erros cometidos, vêem-se atirados às mãos sedentas e cobiçosas de grandes grupos financeiros.
Com um governo de apenas 15 dias, que se propõe concretizar medidas duras, indo mais além das recomendadas pela Troika, não é possível compreender a lógica que presidiu à decisão tomada pela agência Moody’s  de reduzir o rating de Portugal a lixo. 
Não sei se Portugal conseguirá erguer-se do atol económico em que se encontra, não sei o que o futuro nos reserva, o que sei é que não é eticamente correcto punir e flagelar quem ainda não prevaricou.
Para o lixo deveriam ir todas essas agências de rating que brincam com a vida de milhões de pessoas.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Formilo

Dizer Formilo é a saudade que se sente de um tempo perdido, no passado, vivido, intensamente sentido, querido!
Recordar Formilo é lembrar espaços, reviver gentes, recuar nas memórias da infância e de novo sentir o cheiro daquele campo que tudo envolve em volúpias de prazer; é olhar o presente reflectido em imagens do passado; é a nostalgia de momentos irrepetíveis, inesquecíveis, inenarráveis.
Viver Formilo é relembrar memórias afectivas que para sempre ficarão gravadas no acervo indelével de uma história de vida.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cidade antiga


  A cidade, altiva e contrastante, aninha-se nas margens de um rio de águas calmas e escuras, outrora senhor das gentes e das labutas.  
Por entre o casario antigo de ruas estreitas e sombrias, a urbe abre-se ao presente, convivendo, lado a lado, com as marcas do seu passado.  
Atento à vida que pulsa nas suas margens, o rio deixa-se navegar, abrindo os braços do seu leito aos pequenos barcos que o conhecem desde sempre.  
De frente, separadas pelo rio que as fez nascer, Gaia e Porto, cidades ribeirinhas, olham-se eternamente, reflectindo-se nas águas calmas de um Douro em busca da foz.

                                                       

terça-feira, 21 de junho de 2011

Dignidade humana

A leitura da notícia sobre o cancelamento de vários espectáculos de Amy Winehouse devido à sua patente dificuldade em se manter em cima de um palco, fruto do estilo de vida que leva, fez-me lembrar um texto que li há muitos anos e que me tocou.

Certo dia, um artista, decidido a pintar, numa cena religiosa, o Menino Jesus e Judas, partiu à procura da expressão ideal que servisse de modelo para cada uma das figuras.
Para o Menino Jesus depressa encontrou, no rosto de uma criança, a pureza, a bondade e a ingenuidade que pretendia. Já só lhe faltava encontrar a face que personalizasse o traidor.
Os anos foram-se passando, a obra continuava por terminar e a notícia daquele quadro inacabado correu mundo.
Certo dia, um pedinte bateu-lhe à porta. Ao ver à sua frente aquele homem, sujo, velho, de face enrugado, de olhar distante e dorido, percebeu que, finalmente, encontrara o modelo que sempre procurara.
Quando o pintor lhe pediu que o deixasse pintar, o homem, chorando, confessou-lhe que fora ele, há anos atrás, o modelo do Menino Jesus.
Amy Winehouse permitiu que o seu Judas interior ganhasse e aniquilasse o bom que tem em si.
É triste ver um ser humano tornar-se um farrapo, perdendo a dignidade e o respeito por si próprio.

domingo, 19 de junho de 2011

Amiga da onça

Ao ler a notícia que, na próxima terça-feira, haverá um Jackpot de 101 milhões no Euromilhões, sonhei, imaginei, divaguei.
O que faria eu com 101 milhões de euros? A primeira sensação é de que me perderia entre tanto dinheiro, mas depois, ah depois!...
Tantos planos idealizados, imaginados em momentos de divagação! Sim, concretizá-los-ia, colorindo, em tons quentes e alegres, os dias porvir.
Se o dinheiro não traz felicidade, pelo menos ajuda a optimizá-la.
Pelo sim pelo não, vou já jogar a minha chave fixa. Quem sabe?
Os números? Não vos posso dizer. Esqueci-me! 

sábado, 18 de junho de 2011

Urgentemente

Hoje, perdoem-me todos aqueles que me lêem, mas não resisto a servir-me do blog para postar um texto escrito pela minha filha.
Faço-o, não por ser quem é, mas pela qualidade que apresenta, para quem tem apenas 12 anos. 
Num tempo em que o sistema educativo se banalizou no “eduquês”, exemplos destes permitem-nos ter esperança no futuro. 

Urgentemente

É urgente um sorriso.
É urgente, muito urgente.

É urgente a paz,
A alegria, a felicidade.
É urgente um beijo
Ou apenas um abraço.

É urgente acabar com a mentira,
Com a injustiça e com a arrogância.
É urgente descobrir um amigo,
Algo que nos dê esperança.

É urgente tudo isto
E muito mais…
Para a felicidade existir,
Muitos passos temos a dar.


PS: O poema resultou de uma proposta feita pela professora de LP em darem continuidade ao poema de Eugénio de Andrade " Urgência", mas com base na Felicidade. 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Cheeseburger pecaminoso

Passeando pelos largos corredores do centro comercial, percorro-o distraidamente, absorta com os pensamentos e atraída pelas apelativas montras recheadas de colecções a cheirar a Verão.
Sem pressa, vagueio, saboreando este bocadinho de tempo roubado aos afazeres autoritários, enquanto observo cada detalhe, cada pormenor que me rodeia. Pelo caminho, cruzo-me com pessoas que passam e deixam no ar palavras risonhas, silêncios ausentes, distantes, como o olhar que espelham.
Somos apenas gente que passa e repassa despercebida, no mesmo espaço, com o mesmo percurso, meros desconhecidos.
Algures, um som quente e ritmado anima o vazio de uma loja acolhedora e simpática: os aromas adocicados espalham-se pelo ar e convidam a entrar.
Entretida, com a vida que pulsa e anima aquele espaço, nem me apercebo do passar das horas.
Antes de partir, ainda me perco num gostoso e pecaminoso double cheeseburger emprenhado de maionese, um autêntico afrodisíaco gustativo.
De vez em quando sabe bem dar umas escapadelas inocentes às rotinas.
Regresso.





quinta-feira, 16 de junho de 2011

Que futuro?

“Indícios de que 137 auditores que estão no Centro de Estudos Judiciários (CEJ) a formarem-se para serem magistrados copiaram num teste levou à anulação do exame. Face à impossibilidade de encontrar uma data para repetir o teste a direcção da instituição decidiu atribuir nota dez a todos os futuros magistrados.
Público, 16 de Junho de 2011

 O texto acima apresentado integra a notícia veiculada no Público online de hoje.
Que confiança, integridade e sentido de dever transmitem estes jovens, futuros magistrados, no dia de amanhã, quando iniciarem o exercício do cargo para o qual se encontram a estudar?
Os candidatos a juízes, quanto mais não seja por inerência de funções, deveriam, obrigatoriamente, estar livres de suspeitas e adoptar posturas baseadas na verdade, na integridade de carácter e na moralidade.  
Que segurança, que confiança e que imagem transmitem estes jovens candidatos para a opinião pública? Pouca ou nenhuma.
A medida a aplicar, num caso destes, que demonstra uma falta de valores incompatível com quem quer exercer a justiça e será responsável por decisões futuras que poderão alterar por completo a vida de qualquer cidadão, não era de certeza atribuir a nota dez a todos. Não!
Se não apresentam o perfil necessário em termos morais e éticos para a prática da magistratura, então, rua com eles.
O futuro constrói-se hoje cada vez que se tomam decisões.
Há que ser-se menos complacente e expugnar-se pela competência e excelência. Caso contrário, estaremos a hipotecar o futuro do país e em nada contribuímos para a solução dos problemas com que nos debatemos.
Há que parar, pensar, reflectir, remediar políticas educativas erradas, implementar as que se coadunam com a realidade do país que somos, da gente que temos, da realidade que nos rodeia.
Não hipotequemos o futuro deste país tão sui generis, mas que é o nosso lar!