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segunda-feira, 3 de março de 2014

Uma questão de visão


A instabilidade política e social vivida na Ucrânia e a hipótese, cada vez mais viável, do conflito desembocar numa guerra entre este país e a Rússia, despertou-me a curiosidade e levou-me a pesquisar sobre a história desta nação que outrora pertenceu à União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas.
Que percurso histórico mais mirabolante e conturbado, sem dúvida consequência das riquezas naturais que sempre possuiu, aliadas a uma estratégica localização geográfica de parte do seu espaço, sobranceiro ao Mar Negro.
Não sei quais serão os desenvolvimentos políticos para a região, mas tenho a certeza que a Rússia não desistirá do controle da zona da Crimeia e fará de tudo para o manter: com ou sem guerra, permanecendo ou sendo expulsa do G8!
Posso até estar a ter uma visão demasiado simplista, redutora, umbilical do problema, mas continuo a pensar que são momentos como este que, por comparação, me fazem minimizar a crise, esquecer os números deficitários do nosso PIB, desvalorizar o crescimento natural negativo e abençoar este pequeno rectângulo do sudoeste da Europa, esquecido ou nem sequer sabido para a quase totalidade do mundo.
Afinal, os únicos que alguma vez nos quiseram foram os nossos irmãos ibéricos quando tentaram imitar, politicamente, a unicidade sabiamente tecida pelos desígnios da Natureza.
Erros da História. Só não sei se no desejo da independência, se na vontade da união!











 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A incerteza do futuro em forma de manifesto (do meu descontentamento)


Se há dias em que as ideias escasseiam e o ecrã se confunde com a alvura das palavras não escritas, outros parecem transbordar de assuntos, tal a diversidade e a pertinência de acontecimentos ocorridos.
Hoje foi um deles!
Por várias razões em simultâneo, o dia que agora finda, literalmente, tramou-me – isto para não utilizar o sinónimo calão deste tempo verbal que, apesar de não ser bonito de se ler, seria o termo mais correcto e fidedigno para exprimir o meu sentir!
Em nome do Estado, essa entidade sem rosto, mas que serve muitas vezes de desculpa para viabilizar decisões e acções tomadas pelos políticos, o Fisco - qual tentáculo de um polvo monstruoso – lembrou-se de mim e eu de um email, em forma de piada, a propósito da relação estreita, intensa e presente que este faz questão de manter com os contribuintes. Se ao menos tivesse sido para me contemplar com um topo de gama de alta cilindrada!...
No ginásio que frequento, uma das instrutoras foi "amigavelmente convidada" a sair, porque decidiu ser mãe!
Algumas pessoas deste país, na cegueira do imediato, comprometem o seu e o futuro dos outros, com tomadas de decisão muito pouco inteligentes. Esquecem-se que, muitas vezes, para se avançar é preciso recuar!
E a humanidade subjacente aos valores? Omitida, substituída, diluída, em particípios de esquecimento.
Ai! (esta interjeição encerra em si toda uma desilusão e uma dor de alma que há muito deixou de ser conjuntural para se tornar, completamente, estrutural). Há momentos em que, também eu, me apetecia fazer a trouxa, pegar na viola e demitir-me deste país, já que, há muito, o país* parece ter-se esquecido de todos nós, um pouco!




* Entenda-se por país, todos aqueles cujas acções e interacções nos têm vindo a fazer perder a esperança num futuro, cada vez mais delineado em forma de um enorme ponto de interrogação, muitos de exclamação e reticências sem fim...









quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

París - "La Boheme" (Charles Aznavour)





Este tempo sorumbático, vestido de inverno persistente, traz consigo a melancolia e a saudade: de um tempo, de um momento, de algo, de alguém? Não importa! Porque se viveu, porque se vive, porque se foi e se é!
Este tempo entristecido, coberto de um manto invernal, fustiga as palavras que se recolhem. Calam-se.
Resta a linguagem da alma. Também a dos sentidos, entrelaçadas de silêncio e de cumplicidade.


 









segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O xadrez europeu

A Suíça pronunciou-se, hoje, em referendo, a favor da iniciativa “Contra a imigração em massa”. Este resultado vem pôr em causa o acordo com a União Europeia sobre a livre circulação de pessoas.
Esta vitória foi também a vitória do SVP (coligação de movimentos da direita nacionalista e populista) e possibilita uma leitura pouco simpática em termos de xadrez político: a ideologia defendida pela extrema-direita está a conseguir implantar-se e ganha cada vez mais força junto dos cidadãos.
Em França, a Frente Nacional, o partido da extrema-direita dirigido por Marine Le Pen, agiganta-se e, segundo sondagens recentes, será o mais votado nas eleições europeias da próxima Primavera.
Entretanto, em Inglaterra, o Primeiro-Ministro, David Cameron, pretendeu que a “UE aceitasse impor limites à liberdade de circulação de futuros Estados-membros (só depois de atingirem um determinado PIB per capita seriam levantadas as restrições”).
Com uma Europa debilitada economicamente, a funcionar a duas velocidades, subdividida em Norte e Sul, agudizam-se as divergências ideológicas, políticas, económicas e sociais defendidas pelos diferentes actores políticos e cidadãos de cada estado.
A Europa já deveria ter aprendido com a História que ela própria protagonizou e ajudou a escrever.
O nacionalismo exacerbado conduz a situações limites em que a dignidade humana é esquecida, os valores deturpados e os fins justificam sempre os meios.
As movimentações que vão ocorrendo no xadrez político internacional preocupam-me.
O surgimento, a ascensão e a subida ao poder dos ditadores da Europa do século passado ocorreram em contextos económicos muito semelhantes ao que se vive hoje em dia.
É preciso não esquecer!
É urgente travar iniciativas que conduzam ao xenofobismo!
A desunião nunca foi – nem será - a estratégia mais inteligente para a solução dos problemas!
É urgente os dirigentes europeus ganharem juízo e aprenderem com os erros do passado.
Por que será que o ser humano não consegue viver, permanentemente, em paz?








domingo, 9 de fevereiro de 2014

A verdadeira razão


Que pena, o grande derby da capital acabou por não se realizar!
Não é que a cobertura da “catedral” se começou a desfazer, mal o vento soprou com mais força?
Gozam tanto com o nosso estádio, mas afinal é bem mais seguro! Pelo que sei não lhe aconteceu nada e dista poucos metros do da Luz. O temporal que aí se abateu também se terá feito lá sentir e continua intacto.
Claro que com este incidente e com o sentido de humor que tanto nos caracteriza, as piadas não tardaram a surgir e a invadir as redes sociais.  
Termino este post com aquela que mais me fez rir, demonstrando um grande sentido de humor por parte do seu autor.


Afinal não era lã de vidro o que voava pelo estádio...








 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Axioma

 
“ (...) só morrem verdadeiramente aqueles que, depois de mortos, nós conseguimos matar também."

  Miguel de Sousa Tavares

 

 
 



segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Passado e presente ou a nobre arte de apreciar um bom café


Um dos aromas que muito me delicia é o do café!
Porque beber café é um ritual e, como todos os rituais, requer sabedoria e paciência nos pequenos gestos que o preparam, nos pormenores que o antecipam.
Lembro-me, quando passei por Espanha e depois visitei Paris, que a única ausência rotineira, que me fez crescer a saudade, foi a do café.
A falta do nosso café!
Que saudade daquele sabor penetrante, intenso, único e tão aromático!
Na altura, foi uma saudade superlativada, porque fumava.
A que propósito me recordo agora deste episódio? Porque, no descanso do guerreiro, entenda-se, depois de finalizar a elaboração de um teste de português, nada melhor para relaxar do que beber um delicioso café, bem nacional.
A única particularidade que enevoa o momento é a chuva persistente que não pára de cair, tornando o dia muito escuro e bem ensopado, daqueles que pedem galochas e resguardos para quem se aventurar no exterior.






 

 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Pedido especial


Hoje, preciso de fazer um pedido muito especial a todos os portistas e benfiquistas leitores do meu blogue: não azarem muito o meu Sporting, daqui a pouco, está bem?
Já foram campeões, tantas vezes seguidas, já provaram o gostinho das vitórias, anos a fio, partilhem connosco o sentir dessa emoção e não torçam pela nossa derrota.
Combinado?
(Eu só espero que a minha equipa saiba aproveitar as abébias dadas ontem pelos seus rivais mouros e cristãos).
Começou!

Adenda: Que jogo de nervos! Que oportunidade desperdiçada! Que partida tão intensamente disputada, tão bem jogada!
O campeonato, este ano, promete ser renhido até à última jornada!






sábado, 1 de fevereiro de 2014

As ideias são como as cerejas


As ideias são como as cerejas: atrás de umas brotam, espontaneamente, logo, outras, num encadeado, mais que lógico, para quem escreve, mas, por vezes, não percebido pelo leitor.
O texto de hoje testemunha, na íntegra, estas palavras.
Indecisa quanto ao assunto a abordar, para uma apresentação oral a Inglês, no âmbito de “ O Voluntariado”, a minha filha ia afastando as ideias que lhe sugeria, com comentários do género “ Achas que isso dava uma boa apresentação? O que é que eu ia dizer? Num segundo esgotava o assunto!”, incerta na decisão e irritando-me com um dilema de fácil solução.
Por todas as razões, menos pela do mero acaso, lembrei-me da receita que lera na edição digital do Público, na secção “Life&Style Gastronomia”, na rubrica “Na ponta da língua” de Miguel Esteves Cardoso, intitulada “receita de salmão à preguiçoso”.
Afinal, o segredo não está no tema, antes na mestria com que se apresentam as ideias. Se houver arte na ponta da pena, não há de certeza assunto que não possa ser desenvolvido com qualidade.
E foi a partilha dessa conclusão que serviu para encerrar o pseudo dilema.
É difícil ser-se adolescente, mas mais difícil do que isso é ser-se mãe de uma adolescente!
Quanto à receita do salmão, se o resultado gustativo for tão delicioso quanto a subtileza do humor usado no texto instrucional, então está garantido o sucesso do petisco!
As ideias são ou não como as cerejas?












 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Ciência à parte


Somos parte de um todo. Emergimos da Natureza, num estado puro para, mais tarde, nos tornarmos Natureza polida, lustrada de Cultura, qual disfarce com que esquecemos os nossos primórdios, enquanto espécie.
Se somos uma parte do Universo, então, mantemos, com ele, uma relação muito próxima e influenciamo-nos.
Na história da Humanidade, desde os tempos mais remotos, surgem registos desta crença.
O Homem começou por adorar as forças da Natureza, também porque se sentia parte dela.
Já os Gregos e, mais tarde, os Árabes islamizados se interessavam pela observação e estudo dos astros. Desenvolveram a astronomia que não se distinguia ainda da astrologia, tendo-nos deixado um importante legado sobre a forma de conhecimentos.
Enquanto a astronomia é considerada uma ciência, a astrologia é vista como uma pseudociência, já que não é compatível com o método científico.
Ciência ou não ciência, isso não me impede de gostar de ler o espaço dedicado aos signos no Diário de Coimbra ou nas revistas com que me entretenho no cabeleireiro, tendo a plena noção de que pouco ou quase nada do que é escrito possui veracidade em si.
Saber, eu sei, mas continuo a gostar de ler e até consigo descobrir algumas causas e efeitos, tal a subjectividade do que se lê!
Hoje, entre a tinta no cabelo e a leitura, para passar o tempo, decidi comparar o que predizia o zodíaco para o meu signo (e não só) em duas publicações distintas.
Fiquei baralhada de todo. Das duas, uma: ou os astrólogos andam com problemas de leitura astral ou os astros, aborrecidos pela despromoção a que foram remetidos, resolveram pseudo-adivinhar.
Entendam-se, mas não deixem ficar o leitor num impasse.
Afinal o que é que eu faço? Recolho-me e remeto-me ao silêncio, para evitar conflitos e discussões ou lanço-me, de cabeça, nos braços do amor?
(Enquanto os astros não me murmuram a chave vencedora do Euromilhões, vou já jogar antes que me esqueça.)





 

domingo, 26 de janeiro de 2014

Salsa



Em cerca de dois minutos, uma breve e esclarecedora explicação sobre o porquê de quem gosta de dançar salsa.
Eu acrescentaria, e também, Som Cubano.
Porque dançar é uma outra forma de comunicar: mais completa, mais verdadeira, mais autêntica, livre de interpretações dúbias ou segundos sentidos.
Porque para dançar é preciso sentir: com alma, com paixão, com emoção e com pureza de pensamentos!








sábado, 25 de janeiro de 2014

Retalhos de escrita e de pensamento


Hoje apeteceu-me escrever sobre nada em definido.
Uma espécie de escrita retalhada, levada por ideias soltas, pensamentos fragmentados que me desconcentram e abstraem do trabalho da escola.
O pensamento… Por vezes parece querer fugir, afastar-se para bem longe, libertar-se do meu domínio e partir.
Por momentos, por breves momentos, distraidamente, cedo. Então, agarro-me às suas asas e voamos.
Leva-me consigo numa deriva aparente. Sobrevoamos a Terra do Sempre, onde nascem os sonhos, onde tudo é possível e conduz-me aqui e ali.
Perco-me no emaranhado das linhas de rumo da carta de marear que me orienta por caminhos de memórias esquecidas ou apenas adormecidas. Avivam-se.
Por fugidios instantes, tão fugazes como o voo do meu pensamento, revejo momentos, recordo rostos, relembro locais, paisagens pintadas de aromas e de cores: afectos e sentires gravados em mim.
Por momentos, tão breves como o som da palavra desfeita no eco de si, perdi-me nas ideias entrelaçadas do meu pensamento.
 (De tanto se entrelaçar, acaba por tropeçar em palavras repetidas).





segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O melhor contra ventos tempestades e Blatter's




Imagem tirada da internet

Há momentos em que as palavras dizem mais se silenciadas.
Cristiano Ronaldo, YESSSSSSSSSSSSSSSS!





 

Um bom livro


Aproveitando o descanso de uma tarde de domingo muito cinzenta e molhada, daquelas que apetecem as pantufas e o pijama, enrosquei-me no quentinho do edredon e mergulhei na leitura.
Presa à força poderosa das palavras, soberbamente tecidas pela mão e pela imaginação de Joel Dicker, conclui a leitura de “A verdade sobre o caso Harry Quebert”.
Que final inesperado! Nem a minha faceta detectivesca, alguma vez, suporia um desfecho destes! Surpreendente!
“- Um bom livro, Marcus, não se mede apenas pelas últimas palavras, mas pelo efeito colectivo de todas as que as precederam. Cerca de meio segundo depois de terminar o livro, depois de ler a última palavra, o leitor deve sentir-se dominado por um sentimento poderoso; por um instante, só deve pensar em tudo o que acaba de ler, olhar para a capa e sorrir com uma ponta de tristeza porque vai sentir a falta das personagens. Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter acabado de ler.”
Palavras de um epílogo que espelham, na perfeição, o sentimento final do leitor perante este romance. 











domingo, 12 de janeiro de 2014

Acasos


 As Letras e as Humanidades sempre me fascinaram, tanto que, quando, no antigo 6º ano do Liceu, tive de decidir acerca da área a seguir, no que, naquele tempo, correspondia ao actual 10º ano, optei por estas, em detrimento da área das Ciências.
A subjectividade do saber, inerente a todas as ciências que envolvem o Homem ou os produtos da sua acção, como objecto de estudo, sempre me apaixonou, atraiu e acabou por determinar os percursos que trilhei, os momentos que abracei, influenciar a profissão que hoje exerço, orientar a rota do mapa traçado na palma da vida.
Às vezes, os frutos do acaso, afinal, não são assim tão do acaso como pudéramos supor…
Hoje, nas certezas possíveis de uma vida aprendida, percebo que os acasos são, apenas, uma, das várias maneiras, mais que sub-reptícias, de Deus nos trocar as voltas, nas contravoltas da vida.
Perdi-me no fio condutor do raciocínio? Não, apesar de o poder parecer.
verbum nem sempre faz transparecer todo o pensamento e, muitas vezes, resguarda tímidas ideias.
As palavras são como as cerejas e os pensamentos também!