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domingo, 28 de agosto de 2011

Rotundas de Albufeira

Hoje em dia, são poucas ou quase nenhumas as cidades que não têm rotundas.

Há-as para todos os gostos, desde as mais simples às mais complexas, com poucos ou muitos enfeites, de acordo com a imaginação e a inspiração dos responsáveis pela sua concepção.




Nas minhas deambulações pelo país, tenho visto muitas e todas elas diferentes entre si. A maior parte resume-se a um espaço ajardinado, bem tratado e decorado com plantas, cheio de verde.


De todas as que conheço, as que mais gosto, pelo pitoresco que encerram, são as rotundas de Albufeira.
Nesta cidade algarvia, algumas das rotundas encontram-se relacionadas, de uma forma ou outra, com o mar, em todas as suas dimensões, com essa imensidão do Atlântico quase Mediterrâneo que banha esta zona costeira, recordando-nos a Expansão Marítima Portuguesa e os Descobrimentos.



Outras há, que parecem não ter nada a ver com nada. Provavelmente, meros elementos decorativos escolhidos ao acaso.



Nesta cidade, as rotundas servem-me de ponto de orientação. Não conheço nome de ruas nem de avenidas. A minha rosa-dos-ventos é cada uma das rotundas que me permite situar e saber para onde me dirigir. Estes locais são espaços encantadores que tipificam, diferenciam e caracterizam a cidade.
Se estas têm nomes, desconheço-os. Para mim serão sempre conhecidas pela rotunda dos relógios; rotunda do globo; rotunda das minhocas; rotunda da esfera armilar; rotunda do pescador.

Acreditem que são engraçadas, únicas e inesquecíveis.


sábado, 27 de agosto de 2011

Leituras

Estou de férias, quase a terminarem, é certo, mas ainda de férias!
 Sempre saboreei este período do ano como um tempo sem tempo de descanso e de prazer. Descanso das rotinas diárias marcadas pelos ponteiros de um monótono relógio.
Prazer para poder usufruir de pequenas coisas que me preenchem e ocupam estes dias de merecido lazer.
Na praia, debaixo da sombra de um chapéu, embalada pelo som das ondas a desfazerem-se na areia ou no silêncio da noite, refrescada por uma brisa que paira, vivo intensamente a mornice preguiçosa destes longos dias de Verão. E como sabe bem a sensação que invade cada bocadito meu!  
A leitura, sempre presente, permite-me momentos de recolhimento, de paz, de bem-estar.
Eu e o livro, eternos companheiros de jornada, entregamo-nos ao cúmplice gozo de decifrar sentidos, reinterpretar palavras numa viagem única à descoberta de cada autor. 
Momentos únicos, porque único é cada livro que eu leio, único é cada autor que eu selecciono, único é cada contexto de leitura em que me insiro.
Então, mergulho nos enredos imaginados, perco-me no silêncio de cada palavra lida, retempero-me no sossego de cada momento vivido.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Grandeza




As causas e as consequências não são meros ditames da vida.
Quando o Homem planeia, Deus sorri.  


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Algarve



No areal dourado, contemplo a vastidão do horizonte, até onde o limite do mar e do céu se confundem na distância do olhar.
Embalada pelo sussurro das ondas que se desenrolam na areia, espumando murmúrios do mar e pelo grito de liberdade no voo das gaivotas, perco-me em pensamentos soltos e leves buscando, na simplicidade da paisagem, a inspiração da escrita: e as palavras emergem na serenidade de mim, na calma do mar e na infinitude do horizonte, como castelos de espuma que se desfazem nas ondas que morrem na praia.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Albufeira



A parte velha da cidade não esconde a influência árabe que a especifica.
As casas, de arquitectura sinuosa, reflectem o branco caiado, característico de um clima mediterrâneo, cheio de sol, luz e calor.
Distraída, na calma de uma tarde que teima em não sorrir, contemplo o casario antigo, incrustado na paisagem a fazer lembrar a moirama de outrora.  
O contraste entre o novo e o velho espelha-se na construção existente: telhados e açoteias intercalam-se num traçado desordenado, como se o presente e o passado se imortalizassem na eternidade do tempo.
Albufeira, moura encantada de porte sereno e belo, onde o mar é mais calmo, a água mais transparente, o céu mais azul e o sol mais radioso.
 Ó cidade, aprisionaste-me, para sempre, na teia dos teus encantos.



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cidade eternizada

Sentada de frente para o Mondego, olho a minha cidade, no escuro da noite. As luzes cintilantes, aninhadas no ventre das margens  do rio, reflectem-se na quietude das suas águas que deslizam suavemente.
Tantas vezes a percorri e vendo, não a vi.
Coimbra, cidade antiga, outrora das tricanas e da boémia estudantil, cresceu à sombra da Universidade.
Coimbra do Bazófias, do Calinas e da Briosa, das serenatas e das noitadas, é a tradição no presente.
Coimbra, cidade única, onde o preto é alegria e esperança na capa e na batina dos estudantes.
Coimbra da canção, para sempre eternizada nas palavras do poeta, continua a deixar  saudade na hora da despedida!
Amo a cidade que, há muito, fiz minha.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Dias de Verão

Adoro as férias de Verão. 
Gosto de esquecer o tempo e baralhar as horas. 
Saboreio o ritmo de cada dia comandado por mim. 
Perco-me na calma da noite, curtindo o sossego dos silêncios da madrugada embrenhada na leitura.
Sim, adoro as férias, o Sol, o calor, as praias de  água tépida e calma, os gelados, as Bolas de Berlim e a Bolacha Americana.
 Adoro os finais de tarde, quando o Sol envergonhado se despede do dia e abraça o início da noite espalhando, pelo horizonte, o rubro da sua timidez.
 Deliciam-me as amenas noites de Verão, convidativas ao passeio, à conversa ou a um dolce far niente saboroso e tranquilizador.
Adoro quebrar as rotinas do ano e petiscar cada momento de um dia de férias.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Amigos

Quando os amigos se encontram, o tempo corre num ápice e fica tanto por dizer! Matam-se as saudades alicerçadas no passado e invictas no presente.
À despedida, a alegria baseada na certeza do reencontro e de uma amizade cada vez mais sólida.
Malta, gostei de vos rever!


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Elementar

A propósito de uma notícia publicada no Público online de hoje, comentava assim um leitor:” Hoje li diversas notícias no jornal online e todas elas - sem excepção - apresentavam diversos erros linguísticos. Se não querem comprar correctores então contratem jornalistas que saibam pelo menos ler e escrever.”
A situação que levou este leitor a indignar-se com o modo como o jornalista redigiu a notícia, descurando as regras elementares da gramática da língua portuguesa – a sua ferramenta de trabalho – não é esporádica. Leio o Público  quase todos os dias e já me habituei aos erros constantes.
Não percebo como é que profissionais da Comunicação Social redigem notícias com erros sintácticos e ortográficos. Será que desconhecem o brio profissional?
Tal episódio é inconcebível num país que reclama paridade com os restantes da Europa.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Derroche


 Quando me sento em frente ao computador e embarco no mundo virtual que se abre para além deste ecrã, inicio cada viagem na companhia da música que me acompanha e ajuda a relaxar. 
 Porque através da música que ouço encontro-me na verdade do que sou, porque através da música que escolho desvendo estados de alma de cada momento meu, permito que tu me descubras neste som calmo e tranquilo de uma salsa muito bonita, muito caliente!
Juntos, cumpliciemo-nos na alma da música!


     





Memória de Ti

A vida é tão imprevisível! A vida é tão fugaz! A vida é a consequência dos actos, das decisões, das omissões, das não presenças, das demissões que vamos tomando e tendo em cada momento do nosso presente e que, irremediavelmente, definem, desenham o nosso futuro.
 É nos momentos de entropia da existência que percebemos o quanto somos apenas barro moldado, com defeitos, mas também com qualidades que nos tornam únicos, especiais e imortais para todos aqueles com quem nos cruzamos e, de uma forma ou outra,  marcamos com a nossa maneira de ser, de agir e de sentir.
Hoje, escrevo estas palavras com uma grande tristeza, mas muita serenidade.
Por um tempo que desconheço, despedi-me de alguém que me fez tornar impossível o esquecimento de si.
Acredito que um dia nos reencontraremos.
Até lá, fica a memória. De ti!

domingo, 17 de julho de 2011

A fuga da evidência

Imagem da Net
Meus caros colegas, hoje, este post é-vos dedicado.
Este final de ano lectivo tem sido bastante atribulado, movimentado, alucinante. As tarefas oficiais acumulam-se e há que ser célere e metódica: as datas de entrega dos documentos marcam o ritmo do trabalho.
Depois de me desembaraçar de um PCT, acompanhado de um relatório de Direcção de Turma, abracei a minha avaliação: dimensões, domínios, evidências e um teor demasiado burocrático de texto que em nada contribui ou altera a minha prática lectiva e me torna uma melhor profissional.
Bem, não imaginam a papelada que me rodeia: é na secretária, na estante, nos dossiers, no chão!
Enfim, sinto-me afogada em tanta celulose.
Há pouco, andava eu à procura de uma evidência e a malandreca escapa-se-me por entre os dedos e salta-me da mão. Era uma evidência importantíssima para aquela dimensão, não a podia deixar fugir! Fui-lhe no encalço e, na atrapalhação do momento, não é que lhe pus um pé em cima e sujeia-a com a pantufa?! 
Agora, tenho uma evidência que me "descalçou" a avaliação! 

sábado, 16 de julho de 2011

Nights In White Satin




Ouvir Nights In White Satin é recuar no tempo, é resgatar um período muito preciso da vida, é recordar, com meiguice e nostalgia, a inconsciência não reflectida da adolescência. De um tempo de utopia, de sonhos, de uma certa irresponsabilidade, da imaturidade da vida por acontecer, da vida por fazer. De um tempo despreocupado, em que tudo parecia possível, alcançável,  realizável pela inocência da idade.
Ouvir este clássico, hoje, é, simultaneamente, caminhar no presente que se constrói com dúvidas e certezas, com receios corajosos, redescobrindo gentes e lugares, afectos e emoções,  na compreensão da unicidade do ser, na aceitação da diversidade do ser-se, com a doçura das memórias.
Perder-me nos acordes desta música - Nights in white satin, never reaching the end... - é passado e presente.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Insólito humorístico

Cumprindo o ritual, abri a página on-line do jornal Público e comecei por ver os títulos: devagar, com atenção, saboreando o prazer da leitura, não totalmente completo pela falta do cheiro e do toque do papel!
Dos títulos saltei para as notícias e destas para o corpus textual.
O desenvolvimento de cada notícia é sempre acompanhado da possibilidade de interacção dos leitores através dos comentários feitos. E é aí, nesse espaço, que, muitas vezes, apesar do drama narrado, surgem momentos hilariantes, com autêntico sentido de humor. Outras vezes é o próprio título que faz sorrir pelo disparate que encerra.
Hoje, ri sim, quando li a notícia encabeçada pelo seguinte título: “Homem recebe primeiro duplo transplante mundial de pernas”.
Sem dúvida que a ciência está muito avançada, quer em termos de conhecimento quer em termos de técnicas, mas conseguir transplantar 4 pernas na mesma pessoa?!
Fantástico, senhor jornalista!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Carisma

Dois anos de recessão profunda, prevê o Banco de Portugal”,  “Sem a ajuda do Estado, 43% dos portugueses estariam em risco de pobreza”,são dois dos títulos que se podem  ler na edição digital do Público de hoje.

Os cenários económico e social, para 20011/2012, mais que desanimadores, são completamente preocupantes e frustrantes. Entre outros indicadores – quase todos a diminuírem – o do emprego regista um decréscimo, já este ano de 1,1% e no próximo de 0,9%. Dito assim parece não ser muito significante.
Contudo, as percentagens indicadas traduzem-se numa perda de cerca de 100 mil postos de trabalho, 100 mil portugueses que nos próximos meses irão ficar sem meios de subsistência o que irá fazer aumentar os 43% de portugueses que se encontrariam no limiar da pobreza,  não fosse a ajuda do Estado.
Portugal terá de ter muita força de vontade, fazer muitos sacrifícios e apostar na solidariedade de modo a minimizar os efeitos devastadores que esta crise nos reserva.
É em momentos assim que se vê o carisma de um povo!