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domingo, 11 de janeiro de 2015

Palavras intemporais


 
Hoje, em Paris, no silêncio da multidão que se manifesta, no sentir e no pulsar de uma nação, de um povo, de uma herança civizacional,  há um pouco de todos nós, os que defendem o respeito pela pluralidade e relatividade de culturas e pela liberdade de expressão, próprias das democracias.
Neste momento, por este mundo fora, milhões de pessoas fazem dos gestos, das acções e das intenções dos que desfilam pelas ruas da Cidade Luz os seus, solidarizando-se e unindo-se com e a todos os que defendem os ideais liberais, herdados da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
É preciso demonstrar a quem defende o fundamentalismo, o radicalismo e a linguagem da violência, onde quer que surja, que as palavras são mais fortes do que as balas, sempre.
A História ensina-nos que estas permanecem na memória dos povos, legado intemporal, enquanto aquelas se esfumam e se esvaziam de conteúdo na destruição e no caos que geram momentaneamente.
Hoje, mais do que franceses ou europeus, somos, sobretudo, cidadãos do mundo, pessoas!

LIF (e)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Eu sou Charlie

 

Quando eu flor…
Quando tu flores…
E ele flor…
Nós flores seremos,
e o mundo florescerá!
 
                         Blog Flor da Ju












 


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Gramática da vida e da morte


A morte é uma ladra imprevista e, por vezes, rouba, demasiado cedo, sonhos, projectos, amanhãs que nunca o serão, percursos interrompidos, hiatos de vida suspensos na eternidade, enquanto espalha enormes pontos de interrogação e muitas reticências no pensamento e no coração dos que ficam …
O que dizer a quem perde alguém assim tão jovem? Como afagar a dor de um amor incondicional que se ausenta para sempre? Gestos, olhares, silêncios solidários de compreensão e apoio, já que as palavras se esgotam perante a não-aceitação e a perda de fé no sofrimento.
O mistério da alegria da vida e da morte entristecida: paradigma da dualidade de toda a existência.










sábado, 3 de janeiro de 2015

Tal como as partículas


Ela anda por aí, em busca dos seres mais incautos, pronta a insinuar-se, de mansinho, como um ladrão, sem fazer barulho e vai-se apropriando do hospedeiro para, no momento certo, atacar e derrubar as defesas de qualquer um.
Nada melhor para começar 2015 do que ficar de molho com uma daquelas gripes gigantescas como há muito não tinha. Não fui eu, mas por este andar o contacto intenso com o vírus quer presente nas urgências do hospital (um mar de gripe inundava aquele espaço) quer cá em casa, só por muita sorte (talvez mais suor do que sorte, já que o exercício físico, presente na ginástica e na dança, é uma boa ajuda para o organismo combater os agentes agressores) eu não serei a próxima vítima a abater na lista do meliante biológico!
Quando se está doente, já dizia o meu pai, nada melhor do que a inactividade e a quietude para o organismo se restabelecer. A Natureza ensina-nos isso, basta observar o comportamento animal em contexto similar (nada que o meu pai também não afirmasse).
É curioso como as ideias se sucedem e atraem outras ideias e ainda mais quando nos apercebemos que os ensinamentos, aparentemente, mais inócuos da meninice, ocorridos em contextos completamente informais, se enraízam em nós e perduram. 
Comecei a escrever sobre  uma simples gripe e termino a abordar mecânica quântica...
Não há dúvida de que, neste texto, as minhas ideias se comportaram como as partículas elementares: deram um salto quântico sem passarem pelos estados intermédios (tirada influenciada pela leitura de “A Chave de Salomão”).









quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Mais um primeiro dia do resto dos meus dias


Aquele preciso momento em que o ponteiro de um relógio, num movimento cadenciado, muda de posição, anunciando o final de um período temporal e o início de outro, provoca em nós uma série de emoções como se, de facto, a diferença de um segundo ou de um milionésimo de segundo alterasse a realidade circundante.
Infelizmente, as únicas modificações que ocorrem são mesmo as do tempo cronológico já que a macro realidade que nos rodeia não se altera por muito que, psicologicamente, os efeitos da mudança de ano nos influencie, criando uma noção ilusória de tudo ser possível.
Esta magia da mudança do ano é quase universal, contagiante, eufórica mesmo, poucos ou nenhuns lhe são indiferentes. É um daqueles momentos ritualizados que marca e caracteriza as vivências da humanidade. Quando é que este fenómeno terá começado? Não terá sido sempre assim e quais as razões que lhe serão subjacentes? Não sei, mas gostaria de descobrir e aprofundar as origens e a evolução deste ritual, facto incontestável que também influiu comigo.
O primeiro dia do ano presenteou-nos com um sol maravilhoso, com uma temperatura deveras agradável, quase parece Primavera e comigo a filosofar…
Este ano não vou elaborar uma lista de objetivos a cumprir como fiz no ano anterior, até porque muitos deles são esquecidos nos momentos cruciais – sou humana e utópica - (na concretização, não na intenção).
Assim, o que poderei eu desejar para este 2015, fora as habituais formulações? Em termos profissionais, uma continuidade na estabilidade, em termos pessoais, conservar e cultivar a amizade e o amor de todas aquelas pessoas que são, efectivamente, importantes na minha vida, porque me aceitam  como sou, ser com defeitos e com erros, me ajudam a ser melhor, fazem-me sorrir e a sentir plena como pessoa.  
Abençoado ano para todos!











 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O seguro morreu de velho


Hoje o Sporting joga com o Guimarães para a Taça da Liga.
Tendo em conta os acontecimentos ocorridos após o jogo com a mesma equipa, mas para o campeonato da 1ª Liga com dois adeptos leoninos, é compreensível a tomada de posição do Presidente Bruno de Carvalho ao decidir não permitir a venda de bilhetes em Alvalade para o jogo.
O desporto gera paixões, mas nunca se deveria coadunar com violência.
O ditado diz” Gato escaldado de água fria tem medo”, só que, dadas as circunstâncias, considero ser mais apropriado e pertinente empregar um novo ditado, cujo look  em tons de verde se adequa melhor à situação, ou seja “ Gato esfaqueado, em Guimarães, nunca mais é apanhado".
Nada como jogar pelo seguro, por isso, mais logo, os gatos cá de casa vão torcer pelo seu parente nobre, equipados como manda a etiqueta,  mas no conforto do sofá!

 Um já se adiantou...



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Postal de Natal





Apesar de ultimamente a imaginação andar pouco fértil, escolhi um postal de Natal genuíno, inconfundível e único (sim, porque somos todos criação divina) para expressar os meus votos nesta quadra festiva.
A todos vós que me lêem, desejo um Santo e Feliz Natal repleto de muita paz, compreensão, serenidade e amor ao próximo.
FELIZ NATAL!
(Ho, ho, ho!)









terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A vida


A vida não é, antes de mais, consumir, mas percepcionar, sentir, provar e saborear.
Não é a quantidade de coisas que eu tomo para mim que decidem se eu vivo realmente, mas o modo como eu percepciono e experimento aquilo que me é oferecido. Tem a ver, sobretudo, com a intensidade da vida. E essa precisa de sossego, serenidade, liberdade, admiração, entrega àquilo que verdadeiramente é importante.

Anselm Grün.
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Sabor a Natal


Declaro aberta, oficialmente, a interrupção lectiva, mais conhecida por férias de Natal! O mesmo é dizer que a partir de hoje até ao dia cinco de Janeiro está interdito o uso do despertador, o acordar obrigatório, a correria desenfreada no escoar dos minutos que, de manhã, misteriosamente, parecem ter apenas escassos segundos.
Nesta altura, de Natal, sabe bem sentir o frio lá fora, saborear o conforto aconchegante da casa, o calor da família que se junta, o riso e a conversa desfiada, os serões prolongados, a pequena árvore iluminada perto de um Presépio simples e humilde, símbolo inequívoco do que vem anunciar.
As gerações sucedem-se, mas a tradição mantém-se nos rituais da quadra: é certo que o peru cedeu lugar ao cabrito assado, no entanto, as rabanadas, as fatias douradas, os sonhos e o bolo-rei permanecem, perpetuam memórias adocicadas, fazem recordar sabores de outrora que atravessam o tempo enraizados no legado do passado.
Decididamente, gosto do Natal!









 

 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Os desfazedores da democracia


Quando vi estas imagens fiquei perplexa, ainda pensei que me tinha enganado e, em vez de estar a assistir a um episódio ocorrido, ontem, na Assembleia da República, entre o deputado do PS e o secretário de estado Paulo Núncio, estava era a ver uma cena de um qualquer filme (entre o trágico e o cómico) português!
Alguma coisa se passa ali para os lados de São Bento…
Outro dia foi o ministro da Economia a intervir, falando como se estivesse a contar uma história a criancinhas muito, muito pequeninas, de infantário e com dificuldades de compreensão. 
Ontem, foi o deputado do PS, Eduardo Cabrita, partido que pugna pelo respeito e pela liberdade, a “brincar” com o microfone do género: “agora falo eu, falo eu, falo eu e tu não!”.
Será que o ar contaminado, sabe-se lá porquê, voou de Vila Franca até Lisboa e está a provocar alterações comportamentais nos nossos deputados e membros do governo, levando-os a comportarem-se como se fossem crianças?
Isole-se a Assembleia! Quarentena imediata!
Já não há paciência para estes desfazedores de democracia!  










quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Grammy (numa noite sem estrelas)


Daqui a pouco, em Las Vegas, Carlos do Carmo será agraciado com o Prémio Grammy Latino de Carreira, num reconhecimento, da academia, à qualidade do seu trabalho e ao modo como sempre se entregou à música ligeira portuguesa e ao fado canção em particular.
 Uma vida preenchida de música a cantar e a encantar, em belas e genuínas interpretações, de grandes poetas e músicos portugueses.
Na memória das memórias importantes, marcantes, a recordação de um dos muitos belos poemas de Ary dos Santos, musicado por Fernando Tordo e soberbamente interpretado por Carlos do Carmo: um hino ao amor, à esperança e ao querer.
Simplesmente, belo, único, de arrepiar!

sábado, 15 de novembro de 2014

Rrrrrreeeeerrrreeeeee


 Deambulando pela Internet, descobri um vídeo que falava da importância de se ter um gato como animal de estimação e, entre outros assuntos abordados, desmistificava uma série de ideias feitas, enraizadas num imaginário colectivo que quem tem gatos sabe muito bem não corresponder à realidade. Tudo o que ouvi só veio corroborar o que eu já pensava sobre gatos, a sua maneira de ser e de agir, traços da personalidade de quem prefere gatos a cães, entre outras informações.
A verdade é que os gatos participam na história da humanidade, são personagens intervenientes de períodos importantes e tiveram um papel primordial. Por exemplo, durante a Idade Média, a Inquisição não perseguiu e matou apenas as “bruxas”, mas também os seus gatos, considerados, desde então, o símbolo das feiticeiras, ligados ao mágico, ao oculto, às energias. De tal modo que quando a Peste Negra surgiu na Europa, trazida pelas pulgas dos ratos, foi fácil a sua propagação porque não existiam gatos em número suficiente para controlar a população roedora. Já para não falar do papel de relevo que os gatos desempenhavam na cultura egípcia.
Ter animais de estimação, e particularmente gatos, faz bem. Duvidam? Então vejam 
Enquanto isso, eu vou fazer uma festinha ao meu!


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Coisas que não há que há


Uma coisa que me põe triste
é que não exista o que não existe.
(Se é que não existe, e isto é que existe!)
Há tantas coisas bonitas que não há:
coisas que não há, gente que não há,
bichos que já houve e já não há,
livros por ler, coisas por ver,
feitos desfeitos, outros feitos por fazer,
pessoas tão boas ainda por nascer
e outras que morreram há tanto tempo!
Tantas lembranças de que não me lembro,
lugares que não sei, invenções que não invento,
gente de vidro e de vento, países por achar,
paisagens, plantas, jardins de ar,
tudo o que eu nem posso imaginar
porque se o imaginasse já existia
embora num lugar onde só eu ia...


                                                 Manuel António Pina.











 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Plenitude


Este estado de tempo assim: chuvoso, cinzento e escuro, entristece e melancoliza o dia e a nostalgia em mim.
Em dias como este, taciturno e acabrunhado, a recordação de todos os que marcaram o nosso percurso de vida aviva-se, invade-nos num crescendo de saudade.
Partiram, mas deles ficaram muito mais que as lembranças, talvez o maior dos legados: os valores transmitidos, os ensinamentos ministrados e (por vezes) a arte do silêncio, essa sabedoria milenar!
A memória dos dias que foram impõe-se, ajuda-nos a perceber o legado da nossa existência, os pilares da nossa essência.
Em dias assim, resguardo-me na plenitude das palavras que não escrevo: matizadas de afectos (de nós); ensinamentos (de ti) e imortalizadas em mim.









 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014