Desafioos é já por si um desafio lançado em forma de repto: "Andas muito filosófica, tens de criar um blogue!". Porque gosto de desafios, aceitei o desafio e criei este blogue.
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domingo, 17 de outubro de 2010
Intempérie
Como o mar revolto, em dias de intempérie, solto ecos de mim espelhando a tempestade.
Voo na senda da plenitude.
Solto-me e, nas asas do vento, parto, rumo à ilusão da liberdade, em busca de um lugar, algures entre a terra e o mar, e nele, por fim pousar e calmamente me encontrar.
sábado, 16 de outubro de 2010
Se eu pudesse
"..."Se eu pudesse
| Tempestade |
embriagar-me de um poema...
Se a pena que trago
em frases me fizessem chegar
n'algum lugar...
Seria mar, chão batido e luar...
Seria cada gota d'água
desaguando nas letras
de qualquer poemar."
Pedro Miller
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
IF...
(No início de mais uma calma madrugada, lembrei-me deste poema que, de algum modo, há alguns anos atrás, constituiu um marco importante na afirmação do meu Eu consciente, político e ético.
Entrego-me à noite cálida e serena, embalada pela beleza sábia do "If" de Rudyard Kipling, recordando, com carinho, uma etapa do processo que me formou.)
Se...
Se podes conservar o teu bom senso e a calma,
Num mundo a delirar, pra quem o louco és tu,
Se podes crer em ti com toda a força d'alma,
Quando ninguém te crê; Se vais, faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário,
Se à torva intolerância, se à mera incompreensão,
Tu podes responder, subindo o teu calvário,
Com lágrimas de Amor e bençãos de Perdão;
Se podes dizer bem de quem te calunia,
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor,
Mas sem a afetação de um Santo que oficia,
Nem pretensões de Sábio a dar lições de amor;
Se podes esperar sem fatigar a Esperança,
Sonhar, mas conservar-te acima do teu Sonho,
Fazer do pensamento um Arco de Aliança,
Entre o clarão do Inferno e a luz do Sol risonho;
Se podes encarar com indiferença igual,
O Triunfo e a Derrota - eternos impostores;
Se podes ver o Bem oculto em todo o Mal,
E resignar, sorrindo, o Amor dos teus Amores;
Se podes resistir à raiva ou à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega, eivadas de peçonha,
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste;
Se és homem pra arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado
E, calando em ti mesmo a mágoa de perderes,
Voltas a palmilhar todos o caminho andado;
Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Banhadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizer palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio a construir de novo;
Se podes obrigar o coração e os músculos,
A renovar um esforço hà muito vacilante,
Quando já no teu corpo, afogado em crepúsculos,
Só existe a Vontade a comandar "Avante!";
Se vivendo entre os Pobres, és Virtuoso e Nobre
Ou vivendo entre os Reis, conservas a Humildade;
Se amigo ou inimigo, o Poderoso e o Pobre
São iguais para ti, à luz da Eternidade;
Se quem recorre a ti encontra ajuda pronta,
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa, em obra de tal monta
Que o minuto se espraie em séculos fecundos;
Então, ó Ser Sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os Reis, os Tempos, os Espaços,
Mas, 'inda para além, um novo sol rompeu
Abrindo um Infinito ao rumo dos teus passos;
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem recear jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te meu Filho, então... serás um HOMEM.
Rudyard Kipling,
versão portuguesa da autoria de Félix Bermudes
Entrego-me à noite cálida e serena, embalada pela beleza sábia do "If" de Rudyard Kipling, recordando, com carinho, uma etapa do processo que me formou.)
Se...
Se podes conservar o teu bom senso e a calma,
Num mundo a delirar, pra quem o louco és tu,
Se podes crer em ti com toda a força d'alma,
Quando ninguém te crê; Se vais, faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário,
Se à torva intolerância, se à mera incompreensão,
Tu podes responder, subindo o teu calvário,
Com lágrimas de Amor e bençãos de Perdão;
Se podes dizer bem de quem te calunia,
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor,
Mas sem a afetação de um Santo que oficia,
Nem pretensões de Sábio a dar lições de amor;
Se podes esperar sem fatigar a Esperança,
Sonhar, mas conservar-te acima do teu Sonho,
Fazer do pensamento um Arco de Aliança,
Entre o clarão do Inferno e a luz do Sol risonho;
Se podes encarar com indiferença igual,
O Triunfo e a Derrota - eternos impostores;
Se podes ver o Bem oculto em todo o Mal,
E resignar, sorrindo, o Amor dos teus Amores;
Se podes resistir à raiva ou à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega, eivadas de peçonha,
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste;
Se és homem pra arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado
E, calando em ti mesmo a mágoa de perderes,
Voltas a palmilhar todos o caminho andado;
Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Banhadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizer palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio a construir de novo;
Se podes obrigar o coração e os músculos,
A renovar um esforço hà muito vacilante,
Quando já no teu corpo, afogado em crepúsculos,
Só existe a Vontade a comandar "Avante!";
Se vivendo entre os Pobres, és Virtuoso e Nobre
Ou vivendo entre os Reis, conservas a Humildade;
Se amigo ou inimigo, o Poderoso e o Pobre
São iguais para ti, à luz da Eternidade;
Se quem recorre a ti encontra ajuda pronta,
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa, em obra de tal monta
Que o minuto se espraie em séculos fecundos;
Então, ó Ser Sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os Reis, os Tempos, os Espaços,
Mas, 'inda para além, um novo sol rompeu
Abrindo um Infinito ao rumo dos teus passos;
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem recear jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te meu Filho, então... serás um HOMEM.
Rudyard Kipling,
versão portuguesa da autoria de Félix Bermudes
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Dolce fare niente
Manter-se um blog obriga, necessariamente, à publicação, senão diariamente, pelo menos com frequência.
E se há dias em que as ideias pululam e a escrita escorre célere, outros há, porém, em que o acto de escrever empena, emperra, esbarra no vazio do assunto.
Hoje, é um daqueles em que poderia ter feito as mais variadas abordagens. Contudo, confesso que não me apeteceu. Com a música por companhia, recosto-me e, num abandono assumido, permito-me usufruir do saboroso "dolce fare niente" de final de serão. E como sabe bem o nada fazer após um dia de intenso trabalho!
“Dolce fare niente”, a melhor terapia de contemplação na busca da renovação, da alegria, e da leveza de espírito e de corpo.
Mais do que nenhum outro povo, os latinos percebem bem a importância deste momento catalisador de energias pessoais.
O “dolce fare niente” embala-nos no prazer do nada e do tudo!
E se há dias em que as ideias pululam e a escrita escorre célere, outros há, porém, em que o acto de escrever empena, emperra, esbarra no vazio do assunto.
Hoje, é um daqueles em que poderia ter feito as mais variadas abordagens. Contudo, confesso que não me apeteceu. Com a música por companhia, recosto-me e, num abandono assumido, permito-me usufruir do saboroso "dolce fare niente" de final de serão. E como sabe bem o nada fazer após um dia de intenso trabalho!
“Dolce fare niente”, a melhor terapia de contemplação na busca da renovação, da alegria, e da leveza de espírito e de corpo.
Mais do que nenhum outro povo, os latinos percebem bem a importância deste momento catalisador de energias pessoais.
O “dolce fare niente” embala-nos no prazer do nada e do tudo!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Espelho
Há valores morais e éticos que, independentemente da situação ou contexto em que o ser humano se movimente, serão sempre intemporais, inquestionáveis, imperativos.
Uma das diferenças entre um Homem e um homem reside no modo como o ser humano, numa situação de prevalência sobre outro ser humano, age, interage, reage.
Os momentos de tensão e conflito, geradores de emoções por excelência, reflectem e espelham, de um modo ímpar e nas acções desencadeadas, a verdadeira essência do ser.
Uma das diferenças entre um Homem e um homem reside no modo como o ser humano, numa situação de prevalência sobre outro ser humano, age, interage, reage.
Os momentos de tensão e conflito, geradores de emoções por excelência, reflectem e espelham, de um modo ímpar e nas acções desencadeadas, a verdadeira essência do ser.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
O espírito do dia
Teimosamente, uma chuva miudinha persistiu em cair durante todo o dia.
O tempo, de cara mal disposta e ar zangado, convidava ao aconchego do lar.
Em dias como este, em que o cinzento das nuvens encobre a luminosidade e escurece o humor, sabe bem acender o lume e ficar na penumbra, contemplando a dança executada pelo crepitar do fogo.
O estado de espírito do dia contagia o da alma num convite à evasão dos sentidos.
As horas passam na monotonia compassada da chuva a cair.
Anoitece.
O tempo, de cara mal disposta e ar zangado, convidava ao aconchego do lar.
Em dias como este, em que o cinzento das nuvens encobre a luminosidade e escurece o humor, sabe bem acender o lume e ficar na penumbra, contemplando a dança executada pelo crepitar do fogo.
O estado de espírito do dia contagia o da alma num convite à evasão dos sentidos.
As horas passam na monotonia compassada da chuva a cair.
Anoitece.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Os lapsos da República
Cem anos, cem escolas.
O governo decidiu, num gesto simbólico, senão mesmo forçado, fazer coincidir a inauguração oficial de 100 escolas, algumas reformuladas, com a efeméride do centenário da República.
Na minha modesta opinião, considero tal acção uma mera manobra política de marketing , com vista a diminuir os efeitos negativos que as recentes medidas tomadas provocaram na imagem do governo.
No meio de tanta inauguração – faz-me recordar um passado ainda bem recente – seria inevitável a existência de situações, no mínimo, caricatas.
Ora, numa das escolas hoje inauguradas, no concelho de Coimbra, com pompa e circunstância e na presença da Ministra do Ambiente, a preocupação com a envolvência exterior foi pensada de modo a gerar um ambiente harmonioso, recreador de espaços naturais, com vista a impressionar a responsável por esta pasta ministerial. Para o efeito foram “plantados” cerca de 24 pinheiros nas imediações do espaço circundante.
Mas estas plantações, em vez de serem efectuadas no terreno local, fundeando as raízes das árvores de modo a fixarem-se ao solo, ficaram confinadas a simples vasos que foram, estrategicamente, colocados numa mise en scène.
Os pinheiros, acabada a encenação oficial da inauguração, serão reenviados para a empresa que os cedeu para a ocasião, o que seria complicado de efectuar caso tivessem sido plantados no terreno da nova escola.
Ou seja, continuamos a funcionar como um país de faz de conta, onde o que interessa são as aparências e as encenações com vista à divulgação, em todos os órgãos de comunicação social, de não verdades, meias verdades e omissões!
E viva a República e os republicanos!...
(Um reparo a uma estação televisiva que na sua emissão acerca do centenário da República informava que o último rei de Portugal fora o rei D. Carlos.
O jornalista, que organizou a peça transmitida, esqueceu-se de fazer o trabalho de bastidor, caso contrário ter-lhe-ia sido fácil descobrir que o último rei de Portugal foi sua alteza real D. Manuel II, o qual, aliás, se viu obrigado a partir para o exílio,da Ericeira, acompanhado da família real, primeiro rumo a Gibraltar e mais tarde a Inglaterra.)
Por muito que me esforce não consigo descortinar razões válidas para tanta panóplia à volta deste acontecimento.
Antes uma Monarquia liberal e democrata do que uma Democracia autocrática e impositora!
O governo decidiu, num gesto simbólico, senão mesmo forçado, fazer coincidir a inauguração oficial de 100 escolas, algumas reformuladas, com a efeméride do centenário da República.
Na minha modesta opinião, considero tal acção uma mera manobra política de marketing , com vista a diminuir os efeitos negativos que as recentes medidas tomadas provocaram na imagem do governo.
No meio de tanta inauguração – faz-me recordar um passado ainda bem recente – seria inevitável a existência de situações, no mínimo, caricatas.
Ora, numa das escolas hoje inauguradas, no concelho de Coimbra, com pompa e circunstância e na presença da Ministra do Ambiente, a preocupação com a envolvência exterior foi pensada de modo a gerar um ambiente harmonioso, recreador de espaços naturais, com vista a impressionar a responsável por esta pasta ministerial. Para o efeito foram “plantados” cerca de 24 pinheiros nas imediações do espaço circundante.
Mas estas plantações, em vez de serem efectuadas no terreno local, fundeando as raízes das árvores de modo a fixarem-se ao solo, ficaram confinadas a simples vasos que foram, estrategicamente, colocados numa mise en scène.
Os pinheiros, acabada a encenação oficial da inauguração, serão reenviados para a empresa que os cedeu para a ocasião, o que seria complicado de efectuar caso tivessem sido plantados no terreno da nova escola.
Ou seja, continuamos a funcionar como um país de faz de conta, onde o que interessa são as aparências e as encenações com vista à divulgação, em todos os órgãos de comunicação social, de não verdades, meias verdades e omissões!
E viva a República e os republicanos!...
(Um reparo a uma estação televisiva que na sua emissão acerca do centenário da República informava que o último rei de Portugal fora o rei D. Carlos.
O jornalista, que organizou a peça transmitida, esqueceu-se de fazer o trabalho de bastidor, caso contrário ter-lhe-ia sido fácil descobrir que o último rei de Portugal foi sua alteza real D. Manuel II, o qual, aliás, se viu obrigado a partir para o exílio,da Ericeira, acompanhado da família real, primeiro rumo a Gibraltar e mais tarde a Inglaterra.)
Por muito que me esforce não consigo descortinar razões válidas para tanta panóplia à volta deste acontecimento.
Antes uma Monarquia liberal e democrata do que uma Democracia autocrática e impositora!
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Triste fado
Portugal é um país(eternamente) adiado e pequeno.
Adiado, pela recusa em assumir-se como responsável, dinâmico, coerente, correcto, íntegro.
Pequeno em toda a acepção da palavra.
Pequeno, na extensão do seu território, formado pelos 92.446 km2.
Pequeno, no sonho de Ser, de alcançar, enfim cumprir-se!
| Castelo de Torres Vedras |
Portugal é um país(eternamente) adiado e pequeno.
Adiado, pela recusa em assumir-se como responsável, dinâmico, coerente, correcto, íntegro.
Pequeno em toda a acepção da palavra.
Pequeno, na extensão do seu território, formado pelos 92.446 km2.
Pequeno, no sonho de Ser, de alcançar, enfim cumprir-se!
Erro do sistema
A propósito de uma série de situações que se sucederam no decorrer de instâncias processuais, no mínimo caricatas, a certa altura apercebi-me do uso sistemático, por parte de instituições e serviços, públicas e privadas, de uma expressão que, pretendendo explicar tudo, reduz-se a nada.
Os “erros do sistema”, chavão muito em voga, inundou, nos últimos tempos, o rol de motivos apresentados para desculpar a inoperância, o descuido, a incompetência de certos funcionários que prestam serviços a terceiros.
Hoje em dia, é comum ouvir-se um qualquer funcionário, de ar compenetrado, afirmar, convictamente, que se algo não funcionou, tal se deveu a um “erro do sistema”.
Portugal foi invadido por "erros do sistema".
Aliás, o nosso país acarinhou, apadrinhou, tornou-se compadrio dos “erros do sistema”.
Com tantos "erros no sistema" é inevitável concluir-se que ou o sistema está obsoleto e necessita, urgentemente, de ser reformulado, alterado, em última instância, substituído ou, então, é o próprio Portugal um grande erro do sistema!...
Os “erros do sistema”, chavão muito em voga, inundou, nos últimos tempos, o rol de motivos apresentados para desculpar a inoperância, o descuido, a incompetência de certos funcionários que prestam serviços a terceiros.
Hoje em dia, é comum ouvir-se um qualquer funcionário, de ar compenetrado, afirmar, convictamente, que se algo não funcionou, tal se deveu a um “erro do sistema”.
Portugal foi invadido por "erros do sistema".
Aliás, o nosso país acarinhou, apadrinhou, tornou-se compadrio dos “erros do sistema”.
Com tantos "erros no sistema" é inevitável concluir-se que ou o sistema está obsoleto e necessita, urgentemente, de ser reformulado, alterado, em última instância, substituído ou, então, é o próprio Portugal um grande erro do sistema!...
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
U2
2 de Outubro: O dia despertou e Coimbra espreguiçou-se, enquanto se aquecia com os reflexos dourados dos primeiros raios de sol.
3 de Outubro: A cidade acordou fustigada pelas primeiras chuvadas de Outono que vieram saudar a Natureza.
Ronceiramente um movimento invulgar envolveu a cidade. A cadência das rotinas quotidianas foi quebrada e, de súbito, a urbe fervilhou, desperta pela turba, gente anónima, unida pela mesma paixão: a música.
A “minha” cidade abraçou, num gesto de ternura, todos os que vieram assistir ao concerto dos U2.
A vida, a luz e a cores que contagiaram a cidade, desde as primeiras horas do dia, tornaram-na ainda mais bela e sedutora.
Coimbra, enfeitada para os espectáculos, dançou e vibrou ao som dos acordes musicais que a embalaram. Extasiada, quedou-se, seduzida pelo ritmo e pelo som.
Por fim, desperta pela presença da madrugada, despediu-se da noite e aninhou-se nos braços protectores do Mondego, adormecendo, enfeitiçada pelos reflexos prateados das águas do rio.
3 de Outubro: A cidade acordou fustigada pelas primeiras chuvadas de Outono que vieram saudar a Natureza.
Ronceiramente um movimento invulgar envolveu a cidade. A cadência das rotinas quotidianas foi quebrada e, de súbito, a urbe fervilhou, desperta pela turba, gente anónima, unida pela mesma paixão: a música.
A “minha” cidade abraçou, num gesto de ternura, todos os que vieram assistir ao concerto dos U2.
A vida, a luz e a cores que contagiaram a cidade, desde as primeiras horas do dia, tornaram-na ainda mais bela e sedutora.
Coimbra, enfeitada para os espectáculos, dançou e vibrou ao som dos acordes musicais que a embalaram. Extasiada, quedou-se, seduzida pelo ritmo e pelo som.
Por fim, desperta pela presença da madrugada, despediu-se da noite e aninhou-se nos braços protectores do Mondego, adormecendo, enfeitiçada pelos reflexos prateados das águas do rio.
domingo, 3 de outubro de 2010
Amor é síntese
Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
Mário Quintana
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.
Mário Quintana
sábado, 2 de outubro de 2010
Há dias
Há dias em que sorrimos para a vida, brilhamos em reflexos de cores fortes, espelhamos a alegria que irradia de dentro.
Há dias em que as palavras tristeza e desânimo,só existem no dicionário.
Nesses dias, em que as emoções e os afectos se entregam na cumplicidade consentida, desejada, procurada, compreendemos a importância da presença e sentimos a saudade na ausência.
Há dias em que as palavras tristeza e desânimo,só existem no dicionário.
Nesses dias, em que as emoções e os afectos se entregam na cumplicidade consentida, desejada, procurada, compreendemos a importância da presença e sentimos a saudade na ausência.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Mera sugestão
Ainda a propósito do mesmo assunto, quando ouvia as notícias na TVI, a certa altura, o jornalista convidado, Nicolau Santos, do Expresso, comentava que" No próximo ano, todos os ministérios vão fazer praticamente de mortos" a propósito das medidas anunciadas e do objectivo a que se propunham.
Já agora e face ao rigor na contenção das despesas por parte do Estado, que implicará um poder de decisão nulo por parte dos outros ministérios, logo passarão a uma situação de existirem mas não servirem para nada, do género ministérios fantasmas, lanço o seguinte repto ao Senhor Primeiro-Ministro:
De fantasmas está o país farto, acabe-se então com eles todos, já que só existirão de corpo presente, porque impedidos de tomarem qualquer decisão e assim o erário público amealhava uns bons milhares de euros com menos ministros, subsecretários de estado, secretárias, moços de frete, carrões, futuras pensões chorudas, e toda a panóplia inerente à sua existência.
Diga lá senhor Primeiro-Ministro se não seria uma forma do governo dar o exemplo e tomar ele medidas que demonstrassem a todos os portugueses o quanto está interessado em contribuir para ajudar a suavizar a grave situação em que nos encontramos por culpa de Vossa Excelência e da equipa com que se rodeou.
Uma mera sugestão, senhor Primeiro-Ministro!
Já agora e face ao rigor na contenção das despesas por parte do Estado, que implicará um poder de decisão nulo por parte dos outros ministérios, logo passarão a uma situação de existirem mas não servirem para nada, do género ministérios fantasmas, lanço o seguinte repto ao Senhor Primeiro-Ministro:
De fantasmas está o país farto, acabe-se então com eles todos, já que só existirão de corpo presente, porque impedidos de tomarem qualquer decisão e assim o erário público amealhava uns bons milhares de euros com menos ministros, subsecretários de estado, secretárias, moços de frete, carrões, futuras pensões chorudas, e toda a panóplia inerente à sua existência.
Diga lá senhor Primeiro-Ministro se não seria uma forma do governo dar o exemplo e tomar ele medidas que demonstrassem a todos os portugueses o quanto está interessado em contribuir para ajudar a suavizar a grave situação em que nos encontramos por culpa de Vossa Excelência e da equipa com que se rodeou.
Uma mera sugestão, senhor Primeiro-Ministro!
Responsabilidades
Inevitavelmente o assunto do post de hoje prende-se com a actualidade política portuguesa e com o anúncio feito pelo Primeiro-Ministro à saída da reunião do Conselho de Ministros.
Poderia redigir um texto que espelhasse todo o desânimo, desalento, raiva que me inunda face à inoperância de quem, nos últimos anos, nos tem governado e mal!
Para o desempenho de um cargo é necessário ter-se o perfil adequado, caso contrário corre-se o risco de se cometerem demasiados erros e comprometerem-se os objectivos que se pretendiam alcançar, com as nefastas implicações que o mau exercício do cargo acarreta.
A ideia de que na vida política a punição pelos desaires se paga no sentido de voto nas eleições seguintes, como solução para a responsabilização do mau desempenho dos maus profissionais já não chega!
Quando a economia de um país chega ao estado em que nos encontramos, após anos de medidas de contenção, a recaírem sempre sobre os mesmos por tomadas de decisão erradas, por dinheiros mal empregues, por políticas económicas desastrosas, não basta esperar pelas próximas eleições para demonstramos o nosso desagrado e pedirmos responsabilidades a quem de direito.
Na Irlanda o Estado meteu em tribunal o Primeiro-Ministro que exercia o cargo aquando da falência da sua economia.
Será que o Estado português não tem fibra suficiente para enfrentar os pseudo políticos que em cerca de 5 anos conseguiram piorar toda a estrutura de um país?
A paciência esgotou-se!
Poderia redigir um texto que espelhasse todo o desânimo, desalento, raiva que me inunda face à inoperância de quem, nos últimos anos, nos tem governado e mal!
Para o desempenho de um cargo é necessário ter-se o perfil adequado, caso contrário corre-se o risco de se cometerem demasiados erros e comprometerem-se os objectivos que se pretendiam alcançar, com as nefastas implicações que o mau exercício do cargo acarreta.
A ideia de que na vida política a punição pelos desaires se paga no sentido de voto nas eleições seguintes, como solução para a responsabilização do mau desempenho dos maus profissionais já não chega!
Quando a economia de um país chega ao estado em que nos encontramos, após anos de medidas de contenção, a recaírem sempre sobre os mesmos por tomadas de decisão erradas, por dinheiros mal empregues, por políticas económicas desastrosas, não basta esperar pelas próximas eleições para demonstramos o nosso desagrado e pedirmos responsabilidades a quem de direito.
Na Irlanda o Estado meteu em tribunal o Primeiro-Ministro que exercia o cargo aquando da falência da sua economia.
Será que o Estado português não tem fibra suficiente para enfrentar os pseudo políticos que em cerca de 5 anos conseguiram piorar toda a estrutura de um país?
A paciência esgotou-se!
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Emoções
Tal como o sol que coloriu o dia com os seus raios dourados em tons de Outono, assim o meu eu, emotivo, inspirado pelas tonalidades dos afectos, resplandeceu em raios de sentires.
Entre o espaço que separa um descanso quase a terminar, e o trabalho prestes a recomeçar, fundo-me com o tempo, abandono-me às recordações: é o momento da noite em que a noção temporal perde importância. O tempo abre-se num hiato em espiral onde os afectos e as emoções constituem as memórias mais importantes do dia que finda: olhares que se entendem, silêncios que comunicam, gestos que traduzem sensações.
No final deste hiato temporal, uma hipérbole de sentires toca-me o todo: sinto-me elevada a um plano superior, onde a serenidade e a tranquilidade invadem-me o ser e calmamente, prenhe de uma paz interior, abandono-me nos braços de Morfeu e entrego-me aos deleites do sono, vigiado pelas ninfas inspiradoras que o guardam pela noite dentro.
A serenidade invadiu-me, sinto-a percorrer cada bocadinho meu, enquanto, vencida pelo cansaço, abandono-me na inconsciência do sono.
Adormeço, repleta de um bem-estar interior, pacificador de mim!
Entre o espaço que separa um descanso quase a terminar, e o trabalho prestes a recomeçar, fundo-me com o tempo, abandono-me às recordações: é o momento da noite em que a noção temporal perde importância. O tempo abre-se num hiato em espiral onde os afectos e as emoções constituem as memórias mais importantes do dia que finda: olhares que se entendem, silêncios que comunicam, gestos que traduzem sensações.
No final deste hiato temporal, uma hipérbole de sentires toca-me o todo: sinto-me elevada a um plano superior, onde a serenidade e a tranquilidade invadem-me o ser e calmamente, prenhe de uma paz interior, abandono-me nos braços de Morfeu e entrego-me aos deleites do sono, vigiado pelas ninfas inspiradoras que o guardam pela noite dentro.
A serenidade invadiu-me, sinto-a percorrer cada bocadinho meu, enquanto, vencida pelo cansaço, abandono-me na inconsciência do sono.
Adormeço, repleta de um bem-estar interior, pacificador de mim!
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