Na recta final de umas férias que passaram muito depressa e quase a iniciar mais um ano de trabalho, ainda resta tempo para terminar as leituras de verão.
Neste mês de férias li, com agrado, alguns bons livros, quer na forma quer no conteúdo, que me deleitaram e cativaram.
Com um sentido muito irónico e mordaz, numa crítica à sociedade actual e ao sistema político em particular, ri-me, deliciosamente, com a mestria que Francisco Moita Flores desenvolve, no seu "A Opereta dos Vadios", a trama de um grupo de amigos que, a partir de uma ideia mirabolante e numa brincadeira contestatária, resolve boicotar o sistema político e, sem saber como, vê-se preste a vencer as eleições com o recente partido por eles criado: o PUM!
A escrita de Moita Flores tem esta particularidade: a brincar, a brincar, o autor aborda problemas bem actuais e sérios, mas com um sentido de humor contagiante que põe bem-disposto o leitor.
Desafioos é já por si um desafio lançado em forma de repto: "Andas muito filosófica, tens de criar um blogue!". Porque gosto de desafios, aceitei o desafio e criei este blogue.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012
domingo, 26 de agosto de 2012
Despedida
Paulatinamente, os dias, com sabor a sol e terra, vão-se despedindo do Verão, muito de mansinho.
Os finais de tarde cobrem-se de nuances, pintalgadas de cores e aromas que me fazem lembrar Formilo. Como se o tempo, num compasso ilógico e intemporal, me resgatasse do presente e me pousasse num outro presente do passado.
Recuo nas memórias afectivas: intensas, imensas. Afundo-me na tranquilidade e no sossego apaziguador que as recordações me transmitem.
Mais um final de tarde que se desprende e explode em cheiros e cores: doces, agrestes, pintado de cor de laranja e amarelo.
Outrora e hoje, perco o olhar para lá do horizonte. Abandono-me à beleza de um final de dia, ao entardecer. Despeço-me.
Os finais de tarde cobrem-se de nuances, pintalgadas de cores e aromas que me fazem lembrar Formilo. Como se o tempo, num compasso ilógico e intemporal, me resgatasse do presente e me pousasse num outro presente do passado.
Recuo nas memórias afectivas: intensas, imensas. Afundo-me na tranquilidade e no sossego apaziguador que as recordações me transmitem.
Mais um final de tarde que se desprende e explode em cheiros e cores: doces, agrestes, pintado de cor de laranja e amarelo.
Outrora e hoje, perco o olhar para lá do horizonte. Abandono-me à beleza de um final de dia, ao entardecer. Despeço-me.
sábado, 25 de agosto de 2012
O caderno
Aproveitando a promoção, nos produtos escolares, de uma grande superfície comercial, fui comprar o material que faltava para a minha filha.
Ora, in loco, não tive grande dificuldade nem precisei de muito tempo para confirmar o indiscutível e imensurável poder do marketing/publicidade!
Até eu, adulta, consciente, precavida, me deixei levar ao sabor do designer, dos enfeites, das cores, dos formatos, quando tive de escolher o cadernito - é assim que eu chamo ao caderno onde anoto todo o percurso de um ano lectivo, em termos de informação.
Ora bolas! Então, se vou começar um novo ano, tenho de me rodear, materialmente, do que me alegra a vista, aquece o coração e alicia a vontade!
O dito cadernito - pasme-se - até tem, em cada folha, um local preciso para pôr a data e assinalar o estado do tempo desse dia. Uau! Que minuciosidade!
Já imaginaram, daqui a uns anos, quando pegar no caderno - guardo-os todos, pois cada caderno narra a história do seu ano - poder saber que no dia X estava sol ou chuva ou enublado?
O que é que isso interessa? - pensareis vós. Lá isso é verdade, mas que não deixa de ser uma tentação - bem estudada, a psicologia feminina - em forma de mimo, também é verdade!
A compra do caderno prova-o.
Ora, in loco, não tive grande dificuldade nem precisei de muito tempo para confirmar o indiscutível e imensurável poder do marketing/publicidade!
Até eu, adulta, consciente, precavida, me deixei levar ao sabor do designer, dos enfeites, das cores, dos formatos, quando tive de escolher o cadernito - é assim que eu chamo ao caderno onde anoto todo o percurso de um ano lectivo, em termos de informação.
Ora bolas! Então, se vou começar um novo ano, tenho de me rodear, materialmente, do que me alegra a vista, aquece o coração e alicia a vontade!
O dito cadernito - pasme-se - até tem, em cada folha, um local preciso para pôr a data e assinalar o estado do tempo desse dia. Uau! Que minuciosidade!
Já imaginaram, daqui a uns anos, quando pegar no caderno - guardo-os todos, pois cada caderno narra a história do seu ano - poder saber que no dia X estava sol ou chuva ou enublado?
O que é que isso interessa? - pensareis vós. Lá isso é verdade, mas que não deixa de ser uma tentação - bem estudada, a psicologia feminina - em forma de mimo, também é verdade!
A compra do caderno prova-o.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Ilusão
Quando era miúda, os dias pareciam prolongar-se indefinidamente e o tempo arrastava-se num compasso sem pressa, algures entre a sonolência e a dormência.
Nessa altura, na idade da Primavera, em que tudo se afigurava distante e longínquo, a impaciência dominava a ânsia do querer e do acontecer, própria da aprendizagem de ser gente.
Hoje, volvidos tantos anos, os momentos perderam a mansidão de um tempo repleto de tempo e esfumam-se por entre dias apressados e esquecidos da infância de si mesmos.
Uma ironia fina e aguçante, um olhar maturado e a inevitabilidade de um tempo que corre célere sem contemplações nem hesitações.
Nessa altura, na idade da Primavera, em que tudo se afigurava distante e longínquo, a impaciência dominava a ânsia do querer e do acontecer, própria da aprendizagem de ser gente.
Hoje, volvidos tantos anos, os momentos perderam a mansidão de um tempo repleto de tempo e esfumam-se por entre dias apressados e esquecidos da infância de si mesmos.
Uma ironia fina e aguçante, um olhar maturado e a inevitabilidade de um tempo que corre célere sem contemplações nem hesitações.
sábado, 14 de julho de 2012
De(s)mocracia
Aproveitando a pacatez de uma tarde preguiçosa, passeei o olhar pelos títulos dos principais jornais diários, li alguns dos inúmeros mails que me aguardam.
Lendo ambos, apercebo-me de que este estado de trafulhice, esquemas enganosos, artimanhas fraudulentas em que Portugal mergulhou, há já muitos anos, começou a tornar-se insuportável, mesmo para um povo que se identifica com os brandos costumes. A paciência tem limites e são cada vez menos aqueles que ainda acreditam nas duas classes que vão detendo o poder: a política e a judicial.
A insatisfação e a indignação invadem o comum do cidadão. Basta ler-se os mails que circulam pela Net, que se enviam acrescentados de comentários bem elucidativos do sentir da plebe.
Os tempos actuais são propícios a posições extremas: de um lado os que relembram os ideais revolucionários de Abril, de outro os saudosistas do Antigo Regime.
Sabendo que a saúde moral do país não aguenta mais reveses e que é urgente criar-se um sistema que ponha cobro a tanta falta de vergonha, pergunto-me: entre os dois extremos ideológicos, onde encontrar a solução já que a Democracia demonstrou estar podre e não servir a Res publica? Pelo menos a de(s)mocracia que se instalou no Portugal que Abril criou.
Lendo ambos, apercebo-me de que este estado de trafulhice, esquemas enganosos, artimanhas fraudulentas em que Portugal mergulhou, há já muitos anos, começou a tornar-se insuportável, mesmo para um povo que se identifica com os brandos costumes. A paciência tem limites e são cada vez menos aqueles que ainda acreditam nas duas classes que vão detendo o poder: a política e a judicial.
A insatisfação e a indignação invadem o comum do cidadão. Basta ler-se os mails que circulam pela Net, que se enviam acrescentados de comentários bem elucidativos do sentir da plebe.
Os tempos actuais são propícios a posições extremas: de um lado os que relembram os ideais revolucionários de Abril, de outro os saudosistas do Antigo Regime.
Sabendo que a saúde moral do país não aguenta mais reveses e que é urgente criar-se um sistema que ponha cobro a tanta falta de vergonha, pergunto-me: entre os dois extremos ideológicos, onde encontrar a solução já que a Democracia demonstrou estar podre e não servir a Res publica? Pelo menos a de(s)mocracia que se instalou no Portugal que Abril criou.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Sexta-feira, dia 13
Hoje termina o prazo para as escolas informarem os professores se, no próximo ano lectivo, têm lugar –independentemente de pertencerem ou não ao quadro – ou se são “contemplados” com os denominados horários zero.
No meu agrupamento foram muitos os profissionais - alguns com mais de trinta anos de serviço - a receberem a triste notícia que tanto temiam.
A minha solidariedade com todos estes colegas é tanto maior quanto a certeza que um destes dias, também eu poderei vir a engrossar a lista dos futuros disponíveis. Para isso não é preciso muito: basta apertar-se um pouco mais o cerco, basta a população escolar diminuir, basta legislar-se mais medidas de contenção, basta alterar-se o processo de escolha, basta mudar as regras do jogo, basta... basta... basta tão pouco! Sem dúvida, vivem-se tempos muitos difíceis e o mais preocupante é que a esperança num futuro, pelo menos com condições semelhantes às do presente, é cada vez mais débil!
No meu agrupamento foram muitos os profissionais - alguns com mais de trinta anos de serviço - a receberem a triste notícia que tanto temiam.
A minha solidariedade com todos estes colegas é tanto maior quanto a certeza que um destes dias, também eu poderei vir a engrossar a lista dos futuros disponíveis. Para isso não é preciso muito: basta apertar-se um pouco mais o cerco, basta a população escolar diminuir, basta legislar-se mais medidas de contenção, basta alterar-se o processo de escolha, basta mudar as regras do jogo, basta... basta... basta tão pouco! Sem dúvida, vivem-se tempos muitos difíceis e o mais preocupante é que a esperança num futuro, pelo menos com condições semelhantes às do presente, é cada vez mais débil!
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Até quando?
Será impressão minha ou este final de ano lectivo parece mais infindável, mais complicado que os anteriores?
Desde que as aulas terminaram que não me consigo ver livre de papéis: PCT, exames, relatórios disto e daquilo, grelhas, actas, uma panóplia de documentos...
Se alguma dúvida ainda me assolasse, a realidade circundante grita-me que não é impressão minha.
A esta hora da noite, de volta da conclusão de um PCT, sinto-me no epicentro da burocracia, aquela que foi sendo, sucessivamente, introduzida, decretada pela vaga de políticos que vão ocupando o pedestal da governação. Burocracia não implica, necessariamente, qualidade ou grau de exigência. Parece-me que os políticos ainda não o perceberam. Geralmente, quando há insegurança no exercício do cargo desempenhado, os tecnocratas do poder refugiam-se na obrigatoriedade da papelada, procurando disfarçar a segurança que não sentem. Ilusões!
São estes políticos que impõem medidas - algumas completamente desnecessárias pois não acrescentam nada à qualidade do ensino e à resolução de alguns dos graves problemas que invadem as nossas escolas -que, na sua vida particular, servem-se dos conhecimentos e dos cargos partidários que desempenham, para ludibriarem o sistema, em proveito próprio e conseguirem obter, por meios muito dúbios – não lhe quero chamar outro nome - em tempo reduzidissímo, as qualificações académicas que têm tudo menos rigor, veracidade, transparência nos trâmites do processo.
Quando é que se começou a perder a vergonha, se fez da mentira, da trafulhice, do jogo baixo, do vale tudo, os valores morais de alguns?
A bola de neve ainda agora começou a rolar!
Desde que as aulas terminaram que não me consigo ver livre de papéis: PCT, exames, relatórios disto e daquilo, grelhas, actas, uma panóplia de documentos...
Se alguma dúvida ainda me assolasse, a realidade circundante grita-me que não é impressão minha.
A esta hora da noite, de volta da conclusão de um PCT, sinto-me no epicentro da burocracia, aquela que foi sendo, sucessivamente, introduzida, decretada pela vaga de políticos que vão ocupando o pedestal da governação. Burocracia não implica, necessariamente, qualidade ou grau de exigência. Parece-me que os políticos ainda não o perceberam. Geralmente, quando há insegurança no exercício do cargo desempenhado, os tecnocratas do poder refugiam-se na obrigatoriedade da papelada, procurando disfarçar a segurança que não sentem. Ilusões!
São estes políticos que impõem medidas - algumas completamente desnecessárias pois não acrescentam nada à qualidade do ensino e à resolução de alguns dos graves problemas que invadem as nossas escolas -que, na sua vida particular, servem-se dos conhecimentos e dos cargos partidários que desempenham, para ludibriarem o sistema, em proveito próprio e conseguirem obter, por meios muito dúbios – não lhe quero chamar outro nome - em tempo reduzidissímo, as qualificações académicas que têm tudo menos rigor, veracidade, transparência nos trâmites do processo.
Quando é que se começou a perder a vergonha, se fez da mentira, da trafulhice, do jogo baixo, do vale tudo, os valores morais de alguns?
A bola de neve ainda agora começou a rolar!
quinta-feira, 5 de julho de 2012
A propósito do feriado municipal
Ontem, foi o feriado municipal em Coimbra, comemorando o dia da Rainha Santa Isabel.
Já agora, uma curiosidade relacionada com esta personagem da nossa História. Ao que parece, o seu esposo, El-Rei D. Dinis, não resistia aos encantos e à sedução de certas damas da corte - e não só! -, o que entristecia e tornava infeliz a nossa rainha. Pelo menos é o que dizem as autoras do livro “As Amantes dos Reis de Portugal”, leitura que iniciei há pouco.
Para quem gosta de estudar o lado mais humano das personagens históricas, este é o livro ideal para as férias. Sem ser maçudo nem excessivamente descritivo, retrata o papel social e jurídico desempenhado pelas esposas e pelas amantes dos nossos reis ao longo da História, permitindo-nos compreender, sem qualquer juízo de valor, a mentalidade dessa época.
Não nos esqueçamos que os reis e as rainhas também eram seres humanos como todos nós!
As esposas resultavam da concretização de acordos, de alianças políticas. Eram como peças de um jogo de xadrez, imprescindíveis, na maior parte das vezes, para o xeque-mate estratégico e diplomático na política internacional. Legalmente, encarnavam a ordem e a continuidade da respectiva dinastia.
As amantes, as amigas, as favoritas, as barregãs, eram as mulheres escolhidas pelos reis, não pela obrigação institucional, mas antes pelo prazer que lhe despertavam. Constituíam o símbolo do prazer, dos sentimentos e dos afectos.
Estórias da nossa História!
Já agora, uma curiosidade relacionada com esta personagem da nossa História. Ao que parece, o seu esposo, El-Rei D. Dinis, não resistia aos encantos e à sedução de certas damas da corte - e não só! -, o que entristecia e tornava infeliz a nossa rainha. Pelo menos é o que dizem as autoras do livro “As Amantes dos Reis de Portugal”, leitura que iniciei há pouco.
Para quem gosta de estudar o lado mais humano das personagens históricas, este é o livro ideal para as férias. Sem ser maçudo nem excessivamente descritivo, retrata o papel social e jurídico desempenhado pelas esposas e pelas amantes dos nossos reis ao longo da História, permitindo-nos compreender, sem qualquer juízo de valor, a mentalidade dessa época.
Não nos esqueçamos que os reis e as rainhas também eram seres humanos como todos nós!
As esposas resultavam da concretização de acordos, de alianças políticas. Eram como peças de um jogo de xadrez, imprescindíveis, na maior parte das vezes, para o xeque-mate estratégico e diplomático na política internacional. Legalmente, encarnavam a ordem e a continuidade da respectiva dinastia.
As amantes, as amigas, as favoritas, as barregãs, eram as mulheres escolhidas pelos reis, não pela obrigação institucional, mas antes pelo prazer que lhe despertavam. Constituíam o símbolo do prazer, dos sentimentos e dos afectos.
Estórias da nossa História!
sexta-feira, 22 de junho de 2012
O Euro e nós
A propósito do jogo de ontem, algumas considerações. Efectivamente, o Cristiano Ronaldo é um portento: a arte com que brinca com a bola, a facilidade com que a maneja e a domina, a força e a destreza dos seus movimentos, tudo nele – independentemente de marcar ou não – o coloca entre o melhor dos melhores e que orgulho em o termos!
Quando jogamos com um espírito de equipa, quando a união do grupo é verdadeira, quando “esquecemos” o protagonismo de alguns e acreditamos no todo, ultrapassamos obstáculos, vencemos desafios, vamos longe!
Todos são importantes para a concretização de um objectivo, até aqueles que, na sombra dos sonantes, passam despercebidos. A sua importância é capital para o colectivo - João Moutinho é um dos exemplos.
E, por último: pobre país em que, já há muito tempo, as únicas alegrias que o animam e o fazem ter orgulho em ser um nobre povo, sãos protagonizadas pelo futebol!
Quando jogamos com um espírito de equipa, quando a união do grupo é verdadeira, quando “esquecemos” o protagonismo de alguns e acreditamos no todo, ultrapassamos obstáculos, vencemos desafios, vamos longe!
Todos são importantes para a concretização de um objectivo, até aqueles que, na sombra dos sonantes, passam despercebidos. A sua importância é capital para o colectivo - João Moutinho é um dos exemplos.
E, por último: pobre país em que, já há muito tempo, as únicas alegrias que o animam e o fazem ter orgulho em ser um nobre povo, sãos protagonizadas pelo futebol!
terça-feira, 19 de junho de 2012
Para se cumprir
Esta tarde, bem perto da minha escola, ocorreu mais uma tragédia, semelhante a tantas outras que, ultimamente, fazem título de manchete.
Em Portugal, os crimes passionais têm vindo a aumentar a um ritmo demasiado rápido proporcionalmente ao número de habitantes que temos.
Não sei se é este tempo conturbado que atravessamos, se é uma espécie de delírio provocado pelas dificuldades crescentes que enubla o presente e, de certo modo, silencia o futuro, que provoca nas pessoas impaciência, irritabilidade, incompreensão e as leva a agir impetuosamente, sem se aperceberem da gravidade e consequências dos seus actos.
Quando a emoção se sobrepõem à razão e se age “de cabeça quente”, geralmente, dá mau resultado.
A vida é feita de derrotas e vitórias.
O passado é importante quando ajuda o presente e prepara o futuro.
Por muito difícil que seja, é imprescindível saber-se lidar com as emoções que os ganhos e as perdas afectivos geram em cada qual.
“Ninguém é de ninguém” e cumprir-se como ser implica, também, saber aceitar a partida-ausência de quem escolheu um outro caminho para trilhar.
Em Portugal, os crimes passionais têm vindo a aumentar a um ritmo demasiado rápido proporcionalmente ao número de habitantes que temos.
Não sei se é este tempo conturbado que atravessamos, se é uma espécie de delírio provocado pelas dificuldades crescentes que enubla o presente e, de certo modo, silencia o futuro, que provoca nas pessoas impaciência, irritabilidade, incompreensão e as leva a agir impetuosamente, sem se aperceberem da gravidade e consequências dos seus actos.
Quando a emoção se sobrepõem à razão e se age “de cabeça quente”, geralmente, dá mau resultado.
A vida é feita de derrotas e vitórias.
O passado é importante quando ajuda o presente e prepara o futuro.
Por muito difícil que seja, é imprescindível saber-se lidar com as emoções que os ganhos e as perdas afectivos geram em cada qual.
“Ninguém é de ninguém” e cumprir-se como ser implica, também, saber aceitar a partida-ausência de quem escolheu um outro caminho para trilhar.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
A pergunta
Agora que as aulas terminaram e o trabalho a desenvolver tem características muito próprias, retomei o hábito de ler por puro prazer.
Já desde o Natal que repousava, na mesinha de cabeceira, o “Último Papa" – temos bons autores portugueses. Na semana passada terminei a sua leitura e peguei na “Dama de Espadas”.
Com que delícia de escrita nos presenteia Mário Zambujal neste seu livro!
De uma ironia e um sentido de humor incríveis, como já nos habituara anteriormente, o autor diverte-nos com uma história a lembrar um pouco os ingredientes de certos romances de Eça de Queirós. Até o cenário nos remete para o paradisíaco e romântico ambiente natural de Sintra, tão querido a este autor realista do século XIX.
Cada livro que eu leio faz aumentar em mim a estranheza de haver pessoas que não gostam de ler.
Como é possível?
Já desde o Natal que repousava, na mesinha de cabeceira, o “Último Papa" – temos bons autores portugueses. Na semana passada terminei a sua leitura e peguei na “Dama de Espadas”.
Com que delícia de escrita nos presenteia Mário Zambujal neste seu livro!
De uma ironia e um sentido de humor incríveis, como já nos habituara anteriormente, o autor diverte-nos com uma história a lembrar um pouco os ingredientes de certos romances de Eça de Queirós. Até o cenário nos remete para o paradisíaco e romântico ambiente natural de Sintra, tão querido a este autor realista do século XIX.
Cada livro que eu leio faz aumentar em mim a estranheza de haver pessoas que não gostam de ler.
Como é possível?
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Reinterpretar
Desde o Natal que repousava, discretamente, num sossego absoluto, escondido no meio de outros.
O tempo – pretexto invariável para o não acontecer – ou melhor, a falta dele, remetera-o para a estante daquela prateleira e ali ficara, aguardando ser lido.
Numa destas noites, em que o sono tardava, peguei-o por companhia e libertei-o do silêncio.
No sossego discreto da noite, apropriei-me de palavras, deliciosamente trabalhadas, urdidas pela imaginação do autor e reinterpretei-as num outro olhar: o meu olhar.
O tempo – pretexto invariável para o não acontecer – ou melhor, a falta dele, remetera-o para a estante daquela prateleira e ali ficara, aguardando ser lido.
Numa destas noites, em que o sono tardava, peguei-o por companhia e libertei-o do silêncio.
No sossego discreto da noite, apropriei-me de palavras, deliciosamente trabalhadas, urdidas pela imaginação do autor e reinterpretei-as num outro olhar: o meu olhar.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Especialização
Os finais de período e, particularmente, os de ano lectivo, com a carga burocrática a eles associada – cada vez aumenta mais - provocam uma angústia crescente que sufoca e manieta. São tantos os documentos a preencher, é tamanha a burocracia exigida que, por vezes, sinto-me perdida entre o papel e o digital, tragada pelas vagas de celulose virtual obrigatórias. Relatórios de Apoio, de Direcção de Turma, Tutorias, FICA, PIA, ACTA, PCT e a lista continua, infindável, irritável.
Cada vez mais, para além de professores, vamo-nos transformando nuns tecnocratas da documentação/papel.
Até quando?
Cada vez mais, para além de professores, vamo-nos transformando nuns tecnocratas da documentação/papel.
Até quando?
sábado, 9 de junho de 2012
Acordar
O vendaval intensificou-se e, num redemoinho em espiral, sorveu tudo por onde passou, aniquilando, sem piedade nem remorsos, vidas, esperanças, sonhos.
Há muito que os indícios – despercebidos para a maior parte - apontavam para o desfecho que ninguém ousava sequer pensar, tal a força devastadora que ameaçava emergir da tempestade.
Na ignorância de muitos e no fingimento de poucos, vivia-se na abundância, mera quimera, utopia enganadora com prazo marcado.
Teciam-se planos, rendilhavam-se ilusões e o futuro imaginava-se tranquilo e risonho.
Sem mais, a realidade impôs-se: dura, preocupante, desesperante. O acordar para a verdade tragou, na força da enxurrada, vontades, certezas, quereres.
Nos rostos marcados, nos espíritos doridos, vincados de rugas, dormentes de raiva, a angústia do devir, a incerteza do amanhã.
Porém, uma réstia trémula de luz esbate as sombras escuras do presente, entreabrindo um rasgo de esperança.
Porém, uma réstia trémula de luz esbate as sombras escuras do presente, entreabrindo um rasgo de esperança.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Fim de tarde
Mais um dia que termina na sucessão infindável do tempo. Um dia feriado que deixará de o ser durante uns bons anos.
Sabe sempre bem, principalmente nesta recta tão atarefada de final de ano, um dia de descanso no trabalho obrigatório.
Por entre testes e mais testes, quebrando momentaneamente a azáfama de tanta correcção, aproveitei uma nesga de tempo e deliciei-me com um pratito de caracóis e um fino por entre dois dedos de conversa que se estendeu pelo final da tarde.
São momentos de descanso que retemperam as forças e acalentam a vontade para o que ainda falta acontecer.
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