O feriado que hoje se comemora teve a sua génese no tempo da República.
Ainda mal a revolução acontecera e a recente República fazia sair um decreto-lei, de 12 de Junho de 1910, que estipulava os feriados nacionais. Neste decreto, para além de se abolir a maior parte dos feriados de cariz religioso, laicizar a Sociedade era um objectivo primordial, permitiu-se que os municípios e os concelhos pudessem escolher um dia que representasse as suas festas tradicionais e municipais.
É neste contexto, que surge o feriado de 10 de Junho, como um feriado estritamente municipal, uma vez que resultou da escolha da cidade de Lisboa.
Mais tarde, já em pleno Estado Novo, a sua comemoração alarga-se a todo o país, tornando-o um feriado nacional, “O Dia de Camões”, também apelidado da “Raça”.
O simbolismo, representado pela figura camoniana, enaltecia os ideais nacionalistas e imperalistas e contribuía para a comemoração colectiva histórica, como modo de propagandear o regime.
Com a revolução do 25 de Abril de 1974, manteve-se o feriado, alterou-se a ideologia que o sustentava. A partir de então, passou a denominar-se Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.
Imune às conturbações dos homens que passaram pela História e fizeram a História, e independentemente das ideologias de poder, Luís de Camões permanecerá como um símbolo de um país que se quer letrado, reflexivo, activo, participativo e íntegro!
Desafioos é já por si um desafio lançado em forma de repto: "Andas muito filosófica, tens de criar um blogue!". Porque gosto de desafios, aceitei o desafio e criei este blogue.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Caminhada

Gosto de caminhar. De preferência na serenidade da noite, com a aragem por companhia. Os movimentos compassados, que cansam o corpo, ajudam-me a reordenar o pensamento em monólogos incisivos: As ideias fluem, inspiradas pela cadência dos passos.
Caminhar ajuda-me a reorganizar as ideias, a reflectir, a decidir.
Na mansidão da noite busco o sossego necessário à reflexão. Caminho!
terça-feira, 1 de junho de 2010
Porto de Abrigo

Pensamento de final de dia
A vida esvazia-se, esgota-se de importância e beleza se não tiver, no percurso que se trilha no dia-a-dia, a existência de momentos pessoais únicos, ilhas paradisíacas na trama social, um porto de abrigo seguro e de confiança, no qual se possa, no final de um dia intenso de trabalho, em que múltiplas relações se estabelecem e se cruzam nos mais diversos contextos, aportar, guiados por um vento de feição, num mar de calmaria com a certeza da bonança por companhia, emoldurado por um sol lindo de raios brilhantes e luminosos.
Cada qual terá o seu porto de abrigo, o meu, hoje, permitiu-me alcançar a plenitude na paz interior, desfrutar de um bem-estar físico e psicológico assente na serenidade, na calma, na tranquilidade, na partilha e, sobretudo, no dar e receber.
E como sabe bem um abraço amigo, forte, apertado, sem necessidade do recurso à palavra. O gesto, apenas o gesto acompanhado de um olhar e o diálogo estabelece-se, as “feridas” saram e a magia acontece e, de repente, tudo ganha mais brilho, mais sentido e a sensação de uma segurança que nos dá força para continuar a lutar, não desistir e prosseguir o sonho imaginado, pensado, desejado e, pela vontade, ser concretizado.
É o porto de abrigo protector que acolhe, na sua baía de águas calmas, resguardadas das tempestades, as tempestades da vida que nos enfraquecem e quase derrubam.
E nada mais reconfortante e reparador do que terminar o dia, deslizando suavemente, nas águas serenas de uma enseada sublime, paisagem paradisíaca, no meu porto de abrigo calmo, espelho da tranquilidade que se deseja.
sábado, 29 de maio de 2010
Palavras
Palavras: pequenas, longas, agradáveis, mortais! A força que traduzem é forjada na essência que as forma!
Palavras com alma, mas rosto também! A face de uma palavra é o som que se solta quando entoada, a sua alma é a génese do sentido, a dualidade no significado.
Há palavras lindas, adocicadas, que despertam empatia, outras taciturnas, negras como breu, que entristecem, amargam, gravam-se na memória, pela mágoa provocada!
Há palavras doces, ternas, que fascinam, deslumbram, são palavras de alma grande e face bela!
E há também aquelas que sorriem, em sorrisos contagiantes, rasgados, apetecidos, em rostos alegres.
Mas as mais perigosas são as que tapam a face, esvaziam a alma, mascaram as intenções dos que as falam!
Com as palavras amamos, partimos, saudamos, afastamos.
Com as palavras mudamos, lutamos, mostramos.
Com as palavras podemos, alcançamos, desafiamos,
Com as palavras argumentamos, decidimos, renovamos.
Recomeçamos!
Palavras com alma, mas rosto também! A face de uma palavra é o som que se solta quando entoada, a sua alma é a génese do sentido, a dualidade no significado.
Há palavras lindas, adocicadas, que despertam empatia, outras taciturnas, negras como breu, que entristecem, amargam, gravam-se na memória, pela mágoa provocada!
Há palavras doces, ternas, que fascinam, deslumbram, são palavras de alma grande e face bela!
E há também aquelas que sorriem, em sorrisos contagiantes, rasgados, apetecidos, em rostos alegres.
Mas as mais perigosas são as que tapam a face, esvaziam a alma, mascaram as intenções dos que as falam!
Com as palavras amamos, partimos, saudamos, afastamos.
Com as palavras mudamos, lutamos, mostramos.
Com as palavras podemos, alcançamos, desafiamos,
Com as palavras argumentamos, decidimos, renovamos.
Recomeçamos!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Recantos
Num compasso de espera obrigatório, deambulei pela “minha” cidade, redescobrindo a beleza do antigo, ofuscado pelo véu da modernidade.
Remetidas ao esquecimento, calcorreei vielas, ruelas e betesgas repletas de vazios e silêncios, envelhecidas pelo tempo e nele paradas! Fascinou-me a rusticidade das suas formas, o pitoresco dos ambientes, esquecidas no meio de uma outra cidade, moderna e atípica.
A azáfama de outrora, na efervescência quotidiana da vida, cedeu o lugar à calmaria resignada da velhice.
Afundada, no pensamento, caminho, ao acaso, em busca de um lugar de paragem, esperando, pacientemente, pelo movimento dos ponteiros do relógio que parecem emperrados pelo verdete do tempo.
De repente, surge, descubro-a! Encoberta, pelo traçado arquitectónico de uma época passada, uma tasquinha, de ar simples e humilde, surge à minha frente: entro, perante a curiosidade de olhares rotineiros, pouco habituados ao desconhecido.
Sem qualquer esforço, depressa, imbuo-me no espaço ambiente: pequeno e sem pretensões, retrato fiel da calma e tranquilidade de quem o dirige!
Os aromas, que pairam no ar, aguçam-me o apetite e os sabores de uns petiscos caseiros saciam-me a fome. Rendo-me!
O tempo passou a correr. A obrigatoriedade, do que me aguarda, desperta-me para a necessidade da partida. Saio.
Na vontade, gravo a certeza do regresso.
Remetidas ao esquecimento, calcorreei vielas, ruelas e betesgas repletas de vazios e silêncios, envelhecidas pelo tempo e nele paradas! Fascinou-me a rusticidade das suas formas, o pitoresco dos ambientes, esquecidas no meio de uma outra cidade, moderna e atípica.
A azáfama de outrora, na efervescência quotidiana da vida, cedeu o lugar à calmaria resignada da velhice.
Afundada, no pensamento, caminho, ao acaso, em busca de um lugar de paragem, esperando, pacientemente, pelo movimento dos ponteiros do relógio que parecem emperrados pelo verdete do tempo.
De repente, surge, descubro-a! Encoberta, pelo traçado arquitectónico de uma época passada, uma tasquinha, de ar simples e humilde, surge à minha frente: entro, perante a curiosidade de olhares rotineiros, pouco habituados ao desconhecido.
Sem qualquer esforço, depressa, imbuo-me no espaço ambiente: pequeno e sem pretensões, retrato fiel da calma e tranquilidade de quem o dirige!
Os aromas, que pairam no ar, aguçam-me o apetite e os sabores de uns petiscos caseiros saciam-me a fome. Rendo-me!
O tempo passou a correr. A obrigatoriedade, do que me aguarda, desperta-me para a necessidade da partida. Saio.
Na vontade, gravo a certeza do regresso.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Um pensamento
Hoje engoli um pensamento: um daqueles exclamativos, interrogativos, imperativos, até!
Não é que eu goste, particularmente, do sabor que deixam, na alma, ao serem tragados pela decisão, mas há contextos em que a melhor resposta é sem dúvida o silêncio das palavras não ditas.
Sim, porque mesmo para as palavras há momentos certos, momentos em que estas emprenham-se de sentidos e desferem golpes certeiros na semântica da comunicação!
O pensamento que hoje engoli era cinzento, desmaiado na intensidade dos afectos, talvez por isso não me tenha saciado a fome da acção!
Por entre a rotina apressada, digeri um pensamento! Esvaziei-o!
Remeti-o para o esquecimento!
Não é que eu goste, particularmente, do sabor que deixam, na alma, ao serem tragados pela decisão, mas há contextos em que a melhor resposta é sem dúvida o silêncio das palavras não ditas.
Sim, porque mesmo para as palavras há momentos certos, momentos em que estas emprenham-se de sentidos e desferem golpes certeiros na semântica da comunicação!
O pensamento que hoje engoli era cinzento, desmaiado na intensidade dos afectos, talvez por isso não me tenha saciado a fome da acção!
Por entre a rotina apressada, digeri um pensamento! Esvaziei-o!
Remeti-o para o esquecimento!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
" O Mostrengo"
"O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou trez vezes,
Voou trez vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»
in, MENSAGEM de Fernando Pessoa-
Segunda Parte: Mar Portuguez
- O Mostrengo
Chegaste de olhar precavido, de ser magoado pelas agruras da vida.
Surgiste do nada: a noção temporal da lembrança perde-se na memória esquecida da desatenção.
Soube-te, antes de te conhecer.
E "o mostrengo, que estava no fim do mar", era apenas um ser que queria amar!
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou trez vezes,
Voou trez vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»
in, MENSAGEM de Fernando Pessoa-
Segunda Parte: Mar Portuguez
- O Mostrengo
Chegaste de olhar precavido, de ser magoado pelas agruras da vida.
Surgiste do nada: a noção temporal da lembrança perde-se na memória esquecida da desatenção.
Soube-te, antes de te conhecer.
E "o mostrengo, que estava no fim do mar", era apenas um ser que queria amar!
terça-feira, 25 de maio de 2010
Lembrança de Ti
Pai:
Hoje, particularmente, a lembrança de ti aviva-se com mais intensidade e recordo-te com saudade. Não aquela saudade dorida, triste, que marcou os primeiros momentos da tua ausência, mas a saudade gerida pelo tempo: suave e terna, com um sorriso na lembrança.
Sorrio, sim, serenamente, ao rever a tua imagem bem nítida nas minhas recordações.
Estranhamente, sinto que ainda não partiste de todo. A tua presença é forte, constante; sinto-te, apesar de não te ver; sei que estás por perto; continuas, de um modo que não percebo, a proteger-me.
Sinto-a, mas não consigo explicar esta sensação que me diz que ainda não partiste por completo para o desconhecido!
Induzo a tua presença na ausência física, sei, mesmo sem te ver, que permaneces aí!
Sinto-a, mas não consigo explicar esta sensação de presença constante na ausência.
Sei que no dia em que tiveres de partir definitivamente, eu pressenti-lo-ei: os sentidos despertar-me-ão para o facto e a linguagem do coração, apoiada na intuição, confirmará a nova etapa que iniciarás.
Enquanto esse momento não chega, o desenho que, diariamente, vou traçando no mapa da minha vida, provar-te-á que valeu a pena o investimento que (me) fizeste.
E acima de tudo, tinhas toda a razão...
Parabéns, Páaaa!
Hoje, particularmente, a lembrança de ti aviva-se com mais intensidade e recordo-te com saudade. Não aquela saudade dorida, triste, que marcou os primeiros momentos da tua ausência, mas a saudade gerida pelo tempo: suave e terna, com um sorriso na lembrança.
Sorrio, sim, serenamente, ao rever a tua imagem bem nítida nas minhas recordações.
Estranhamente, sinto que ainda não partiste de todo. A tua presença é forte, constante; sinto-te, apesar de não te ver; sei que estás por perto; continuas, de um modo que não percebo, a proteger-me.
Sinto-a, mas não consigo explicar esta sensação que me diz que ainda não partiste por completo para o desconhecido!
Induzo a tua presença na ausência física, sei, mesmo sem te ver, que permaneces aí!
Sinto-a, mas não consigo explicar esta sensação de presença constante na ausência.
Sei que no dia em que tiveres de partir definitivamente, eu pressenti-lo-ei: os sentidos despertar-me-ão para o facto e a linguagem do coração, apoiada na intuição, confirmará a nova etapa que iniciarás.
Enquanto esse momento não chega, o desenho que, diariamente, vou traçando no mapa da minha vida, provar-te-á que valeu a pena o investimento que (me) fizeste.
E acima de tudo, tinhas toda a razão...
Parabéns, Páaaa!
segunda-feira, 24 de maio de 2010
O arco-íris e a pequena nuvem

Era uma vez um arco-íris, envergonhado, que, lá bem no alto, por entre as nuvens, fazia-se anunciar, sempre que o sol e a chuva mediam forças, numa batalha, já tão antiga como o próprio tempo!
Quando isso sucedia, o arco-íris, espreitava o céu e, timidamente, surgia por entre as nuvens que lhe aconchegavam a existência, sorria e, fazendo-o, deixava transparecer toda a beleza das suas sete cores que pincelavam a paisagem em seu redor. Era um lindo arco-íris, tímido, um pouco teimoso, mas com um coração grande, tão grande como o espaço que as suas cores pincelavam.
Certo dia, em que o sol e a chuva acordaram mais rezingões e a batalha parecia não terminar, o arco-íris, impedido de regressar ao conforto macio do aconchego das nuvens, pairou por mais tempo na curva do céu, intensificando as cores que o compunham. Olhou e reparou numa pequena nuvem branca que, com ar triste, chorava gotas de água. Aproximou-se de mansinho e, com voz meiga, perguntou-lhe porque chorava ela. A nuvem, extasiada com as cores intensas daquele arco, parou o choro, limpou as lágrimas a um farrapinho que se soltara de si própria e, numa vozinha amedrontada, contou-lhe a sua história.
Enquanto passeava pela imensidão do céu, distraíra-se com a paisagem que observava a seus pés. Lá em baixo, via pessoas que corriam atarefadas, com ar sério, como se procurassem o desconhecido e, sem se aperceber, fora ficando para trás. As outras nuvens tinham continuado o passeio e ela perdera-se das suas irmãs e não sabia como as encontrar.
Então, o arco-íris pegou na pequena nuvem, colocou-a nas suas costas arqueadas e, brilhando com toda a intensidade que conseguiu, coloriu o céu, matizando-o de cores fortes e vivas.
Em baixo, as pessoas despertas pelas cores de um arco-íris tão belo e vivo, pararam a azáfama da correria em que viviam e observaram-no, admiradas por verem, no meio do seu arco, uma pequena nuvem tão colorida, irradiando luzes de várias tonalidades.
De repente, parecia que o céu se tinha enfeitado de mil cores para festejar o fim da briga entre o sol e a chuva. A beleza que emanava daquela pequena nuvem, encavalitada nas costas de um arco-íris, despertou a atenção de todas as outras nuvens que depressa correram procurando o foco da luminosidade.
A pequena nuvem, reconhecendo as suas irmãs, desceu das costas do arco-íris, lançou-lhe um sorriso aberto, acenou-lhe e correu para se juntar ao enublado do céu.
O arco-íris, feliz por ver a alegria da pequena nuvem, espreguiçou-se e, aproveitando o final da briga entre o sol e a chuva, retirou-se para o aconchego da sua existência.
Cá em baixo, todos os que testemunharam tamanha beleza, juravam que nunca tinham visto um arco-íris tão belo e intenso nas suas cores.
Ouvindo-os, o arco-íris sorriu e, descansando a cabeça numa fofa almofada de nuvens, adormeceu.
domingo, 23 de maio de 2010
Casarão
O velho casarão, com o seu ar imponente de aspecto secular, adormeceu nos braços do tempo, esquecendo-se do rebuliço contagiante que, uma vez por ano, quebrava a quietude e invadia a solidão forçada.
A chegada à aldeia dos donos, interrompia o sono hibernal que o assolava desde o Outono até ao início do Verão.
A alegria e a imaginação espontâneas da criançada da casa, animavam e despertavam-no da letargia em que caíra.
Construção antiga, assente em paredes de pedra rude, mas fortes e vigorosas e sustentado por vigas de madeira de carvalho, o casarão vibrava ao sentir que a vida pululava no seu interior.
Conjunto harmonioso, na rusticidade que o forma, o velho casarão conviveu com gerações de gente: riu, chorou, foi refúgio no despertar de emoções e sentires, cumpliciou e partilhou, encerrando, no interior das suas grossas paredes de pedra granítica, ecos de segredos, sussurrados, murmurados, lamentados.
O tempo passou, as gentes desapareceram e o velho casarão continua implantado na terra que o viu nascer.
A sua beleza não esmoreceu nas mãos do tempo, continua com um ar imponente, apesar da tristeza que se pressente.
A emoção sentida pela alegria contagiante da pequenada, que todos os verões, animava o seu espaço, há muito desapareceu.
O tempo passou e as memórias do casarão cruzam-se com as memórias da infância perdida, tornada adulta.
Distanciados no espaço, separados pelo tempo, ambos pertencem-se e recordam-se na infinidade da lembrança!
A chegada à aldeia dos donos, interrompia o sono hibernal que o assolava desde o Outono até ao início do Verão.
A alegria e a imaginação espontâneas da criançada da casa, animavam e despertavam-no da letargia em que caíra.
Construção antiga, assente em paredes de pedra rude, mas fortes e vigorosas e sustentado por vigas de madeira de carvalho, o casarão vibrava ao sentir que a vida pululava no seu interior.
Conjunto harmonioso, na rusticidade que o forma, o velho casarão conviveu com gerações de gente: riu, chorou, foi refúgio no despertar de emoções e sentires, cumpliciou e partilhou, encerrando, no interior das suas grossas paredes de pedra granítica, ecos de segredos, sussurrados, murmurados, lamentados.
O tempo passou, as gentes desapareceram e o velho casarão continua implantado na terra que o viu nascer.
A sua beleza não esmoreceu nas mãos do tempo, continua com um ar imponente, apesar da tristeza que se pressente.
A emoção sentida pela alegria contagiante da pequenada, que todos os verões, animava o seu espaço, há muito desapareceu.
O tempo passou e as memórias do casarão cruzam-se com as memórias da infância perdida, tornada adulta.
Distanciados no espaço, separados pelo tempo, ambos pertencem-se e recordam-se na infinidade da lembrança!
sábado, 22 de maio de 2010
Retalhos
Sentada, no banco do jardim, contemplo o horizonte e aprecio o cair da noite na sua forma mais bela e serena.
A brisa suave, que corre de mansinho, acaricia-me o rosto, refresca-me o corpo, despertando o pensamento para recordações avivadas pelos sentidos.
Num outro tempo, num outro espaço, a mesma sensação de paz e tranquilidade percorreu-me, possuindo o todo de mim, numa comunhão com o ambiente envolvente.
Deixo-me transportar na viagem ao passado sem oferecer resistência! Recordo, revivo e revejo pessoas, espaços, ambientes. Os retalhos de imagens, que se soltam da arca da memória, sacodem o pó da saudade e aprimoram um sorriso carinhoso no rosto da lembrança.
Entrego-me!
A brisa suave, que corre de mansinho, acaricia-me o rosto, refresca-me o corpo, despertando o pensamento para recordações avivadas pelos sentidos.
Num outro tempo, num outro espaço, a mesma sensação de paz e tranquilidade percorreu-me, possuindo o todo de mim, numa comunhão com o ambiente envolvente.
Deixo-me transportar na viagem ao passado sem oferecer resistência! Recordo, revivo e revejo pessoas, espaços, ambientes. Os retalhos de imagens, que se soltam da arca da memória, sacodem o pó da saudade e aprimoram um sorriso carinhoso no rosto da lembrança.
Entrego-me!
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Quiproquó
A conjuntura económica, que se tem agravado nos últimos tempos, com as inevitáveis repercussões no dia-a-dia de cada um de nós, desanima o mais comum dos cidadãos, face às dificuldades que se avizinham!
As conversas de café giram todas à volta do mesmo assunto e o ar de preocupação estampa-se na cara dos intervenientes. O desânimo, patente na voz dos que se ouvem, contagia o ambiente: este torna-se pesado, sorumbático pelo peso da preocupação consciente e reflexiva.
No meio de um cenário assim, com contornos melodramáticos, qualquer assunto que combata o desânimo (pre)sentido é uma risada franca e cristalina, uma lufada de ar fresco que faz renascer a esperança no futuro, mesmo que por breves momentos.
E, hoje, aconteceu uma situação dessas, um quiproquó na e da comunicação, que, de o ser, gerou um episódio hilariante, com contornos surrealistas a tocar o “non sense”. Por momentos a boa disposição abriu os braços à alegria e juntas riram num riso franco e sincero, deixando transparecer o sentido de humor, tão característico de nós próprios.
E o soltar do riso, aquele que brota do mais fundo do ser, por quão verdadeiro que é, desencadeou uma sensação de bem-estar despreocupado, ajudando a esquecer, por instantes, os problemas e reavivando emoções há muito adormecidas!
A sensação que se retira de uma boa e divertida risada, gostosa e franca, é como um sol resplandecente que emana a sua luminosidade, em raios de afecto, aquecendo o coração das gentes simples e verdadeiras!
Hoje o sol aqueceu o meu: ri como há muito não o fazia!
As conversas de café giram todas à volta do mesmo assunto e o ar de preocupação estampa-se na cara dos intervenientes. O desânimo, patente na voz dos que se ouvem, contagia o ambiente: este torna-se pesado, sorumbático pelo peso da preocupação consciente e reflexiva.
No meio de um cenário assim, com contornos melodramáticos, qualquer assunto que combata o desânimo (pre)sentido é uma risada franca e cristalina, uma lufada de ar fresco que faz renascer a esperança no futuro, mesmo que por breves momentos.
E, hoje, aconteceu uma situação dessas, um quiproquó na e da comunicação, que, de o ser, gerou um episódio hilariante, com contornos surrealistas a tocar o “non sense”. Por momentos a boa disposição abriu os braços à alegria e juntas riram num riso franco e sincero, deixando transparecer o sentido de humor, tão característico de nós próprios.
E o soltar do riso, aquele que brota do mais fundo do ser, por quão verdadeiro que é, desencadeou uma sensação de bem-estar despreocupado, ajudando a esquecer, por instantes, os problemas e reavivando emoções há muito adormecidas!
A sensação que se retira de uma boa e divertida risada, gostosa e franca, é como um sol resplandecente que emana a sua luminosidade, em raios de afecto, aquecendo o coração das gentes simples e verdadeiras!
Hoje o sol aqueceu o meu: ri como há muito não o fazia!
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A força das palavras
Para quem pensa e faz da escrita um refúgio muito pessoal no atribulado rebuliço do dia-a-dia, para aplanar pensamentos e emoções, em momentos de recolha interior, inevitavelmente, depara-se com o problema da escolha das palavras para exprimir as ideias a transmitir.
O acto de escrever, exteriorizando, por palavras, a linguagem do pensamento e a do coração, revela-se um exercício minucioso e de máxima precisão em que a inspiração pessoal não lhe é alheio: exige muito cuidado, correndo-se o risco de, na utilização das palavras escolhidas, perder a força da ideia, a torrente do pensamento, os afectos da alma.
No exercício da escrita, a opção por uma ou outra palavra diferencia e categoriza um bom texto, aprazível de se ler, de um texto comum, que de banal na normalidade, perde-se nos recônditos da memória.
Quando na vida e na escrita, corajosamente, se desnuda a alma, abrindo-a ao outro, num partilhar de afectos, descobrindo a máscara com que, diariamente, nos protegemos das agressões exteriores, quer sejam sucessos ou desaires, alegrias ou tristezas, a empatia surge, a cumplicidade estabelece-se, a comunicação acontece e a diferença esbate-se.
A força da afectividade, colocada em cada um dos mais ínfimos gestos, que nos acompanha ao longo do dia, a entrega sincera, a veracidade do que se proclama e o brilho reflectido no olhar - espelho da alma - enaltece o carácter do sujeito e fá-lo perdurar nas memórias do Outro.
O acto de escrever, exteriorizando, por palavras, a linguagem do pensamento e a do coração, revela-se um exercício minucioso e de máxima precisão em que a inspiração pessoal não lhe é alheio: exige muito cuidado, correndo-se o risco de, na utilização das palavras escolhidas, perder a força da ideia, a torrente do pensamento, os afectos da alma.
No exercício da escrita, a opção por uma ou outra palavra diferencia e categoriza um bom texto, aprazível de se ler, de um texto comum, que de banal na normalidade, perde-se nos recônditos da memória.
Quando na vida e na escrita, corajosamente, se desnuda a alma, abrindo-a ao outro, num partilhar de afectos, descobrindo a máscara com que, diariamente, nos protegemos das agressões exteriores, quer sejam sucessos ou desaires, alegrias ou tristezas, a empatia surge, a cumplicidade estabelece-se, a comunicação acontece e a diferença esbate-se.
A força da afectividade, colocada em cada um dos mais ínfimos gestos, que nos acompanha ao longo do dia, a entrega sincera, a veracidade do que se proclama e o brilho reflectido no olhar - espelho da alma - enaltece o carácter do sujeito e fá-lo perdurar nas memórias do Outro.
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