Tenho saudade do Sol.
Tenho saudade dos dias ronceiros de Verão; das cores intensas e quentes em explosões de tons; dos passeios à beira-mar; das noites quentes de luar.
Tenho saudade das caminhadas e da beleza do rio a serpentear, dos caracóis ao final da tarde e da frescura das ondas do mar.
Tenho saudade das noites serenas, da brisa morna, da lua a cintilar e do cricri dos grilos a ecoar.
Tenho saudade de escutar o silêncio da noite entrecortado pelo gotejar da água da fonte e embalado pelo sussurro da aragem a murmurar.
Tenho saudade da preguiça dos dias e noites sem tempo, do dormir e acordar e o dia acontecer, sem horas a comandar.
Tenho saudade do riso cristalino, das conversas sem fim e da ternura no olhar.
Tenho saudades de ti e de mim.
Desafioos é já por si um desafio lançado em forma de repto: "Andas muito filosófica, tens de criar um blogue!". Porque gosto de desafios, aceitei o desafio e criei este blogue.
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segunda-feira, 14 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
E fez-se História
Ontem, dia 12 de Março, fez-se História neste Portugal à deriva, sufocado, sorumbático.
Ontem, pela primeira, o que se pensava difícil ou mesmo impossível, aconteceu: a concentração de 200 mil pessoas em Lisboa e 80 mil no Porto.
O poder da Internet, através das redes sociais, como elo de ligação entre pessoas distanciadas no espaço e como canal de transmissão de informação, conseguiu mobilizar uma massa enorme de gente anónima que, unida num sentir comum, saiu à rua, disposta a mostrar aos órgãos do poder o descontentamento que a corrói e lhe consome o ânimo.
Ontem, as diferenças anularam-se entre os que se manifestaram na Avenida da Liberdade, em Lisboa, e em todos os outros locais deste Portugal, pequeno fisicamente, mas grande de alma.
Ontem, por entre rostos cansados, desgastados, preocupados com as políticas tomadas e com a falta de perspectivas futuras, ouviu-se um grito uníssono de anseio e esperança na mudança, um grito de quem apenas deseja sonhar e poder concretizar os sonhos que sonhou.
Ontem, em Portugal, fez-se História escrita com acção, emoção e convicção.
Ontem, pela primeira, o que se pensava difícil ou mesmo impossível, aconteceu: a concentração de 200 mil pessoas em Lisboa e 80 mil no Porto.
O poder da Internet, através das redes sociais, como elo de ligação entre pessoas distanciadas no espaço e como canal de transmissão de informação, conseguiu mobilizar uma massa enorme de gente anónima que, unida num sentir comum, saiu à rua, disposta a mostrar aos órgãos do poder o descontentamento que a corrói e lhe consome o ânimo.
Ontem, as diferenças anularam-se entre os que se manifestaram na Avenida da Liberdade, em Lisboa, e em todos os outros locais deste Portugal, pequeno fisicamente, mas grande de alma.
Ontem, por entre rostos cansados, desgastados, preocupados com as políticas tomadas e com a falta de perspectivas futuras, ouviu-se um grito uníssono de anseio e esperança na mudança, um grito de quem apenas deseja sonhar e poder concretizar os sonhos que sonhou.
Ontem, em Portugal, fez-se História escrita com acção, emoção e convicção.
sábado, 12 de março de 2011
Eclipse solar
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| Eclipse solar (imagem obtida em Tábua) |
Aparentemente poder-se-á pensar que quer o Sol quer a Lua, ao verem-se tapados, esmorecem, perdendo todo o seu esplendor, vigor e luminosidade como se, envergonhados, buscassem um refúgio protector.
Mera ilusão, pois quando se libertam do incómodo "intruso" , retornam mais esplendorosos e com um brilho mais intenso na luz que emanam.
E como é belo perscrutar as diferentes formas que se desenham, lá bem no alto, num contraste entre o claro e o escuro!
quarta-feira, 9 de março de 2011
Pensamento
terça-feira, 8 de março de 2011
Paradoxo
Hoje, no primeiro programa da segunda série de “Príncipes do Nada”, transmitido pela RTP1, numa das histórias de vida apresentadas, um menino caboverdeano, da ilha de São Vicente, respondia à jornalista, com uma firmeza no olhar e uma certeza no tom, que o seu sonho era poder estudar.
Por entre a pobreza, a carência e as dificuldades que preenchem a sua vida, este menino, com nove anos apenas, sem apoios, nem subsídios ou escalões, sem cantina e material quase dado, revela um respeito, uma maturidade e uma sabedoria na valorização do estudo e da Escola como garante para o futuro que quer risonho.
Ouvindo-o, não pude deixar de pensar noutros meninos que, tendo quase tudo, desvalorizam o estudo e a Escola nas suas vidas e impedem, com a sua postura, que os restantes usufruam, em pleno, das aprendizagens a que têm direito.
Paradoxo de uma dormência social!
segunda-feira, 7 de março de 2011
Perfeição
| Pôr-do-Sol |
Ver o mar, escutar o som das ondas que se espraiam pelo areal, perder o olhar na imensidão do horizonte, render-me ao feitiço de um nostálgico pôr-do-sol, contemplar a beleza natural da paisagem que se estende sem fim, admirar a harmonia dos elementos: céu, terra, nuvens, mar, iluminados pelo amarelado envergonhado de um Sol quase a pôr-se, num final de tarde, faz-me perceber a grandiosidade da Natureza, a perfeição na criação.
domingo, 6 de março de 2011
Ao Sabor de
De vez em quando sabe bem escrever sobre nada em concreto.
Escrever, ao sabor da tecla, meras banalidades embaladas pelo som cadenciado e melódico de ritmos calmos e tranquilos, como a noite que se abre para a madrugada em hipérboles de sensações.
Escrever ao sabor do pensamento que brota em cascata de recordações: “Deixa-te ir, solta-te”, ecos que se desprendem no silêncio da noite, sussurros que se repercutem no sossego adormecido da madrugada, murmúrios…
Sorrio.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Essência de mim
O ritmo agitado e alucinante do quotidiano citadino contrasta com a tranquilidade e a calma, ainda existentes na periferia.
Em oposição ao rebuliço barulhento da cidade, em que quase tudo acontece freneticamente, trabalhar numa zona implantada entre pinhais, permite apreciar, com mais sabor, os momentos de descanso em que o trabalho dá lugar ao lazer. E a hora do almoço é um desses momentos.
Todas as quintas, após uma manhã repleta de aulas, sabe bem esquecer a escola e, durante pelo menos uma hora, mudar de ambiente em busca de um sítio aprazível, acolhedor, que sacie a vontade de comer e a fome de silêncio, pacatez e descanso.
Em busca do sossego, calcorreio as ruas do lugar, por entre espaços ainda não contagiados pela azáfama da vida moderna. Como é agradável percorrer, sem pressa, em passo distraído, a distância que me separa do local que elegi como refúgio para a pausa do almoço. É um passeio deveras agradável. Por entre casas e campo, as ruas da povoação, pouco movimentadas, fazem lembrar o que resta de um ambiente aldeão. Ouvir o trinado dos pássaros, num chilreio contagiante, cheirar o cheiro da terra e do campo, das urzes e das plantas aromáticas, inspirar os primeiros aromas da Primavera, sentir, na cara, a carícia do calor solarengo, encher o peito de ar puro e deixar-me invadir por uma sensação de bem-estar, sabe bem, é agradável, retempera forças e anima o espírito. Vagueando em passadas lentas, enquanto o olhar se perde pela vastidão do horizonte aberto, como se o céu e a terra se tocassem numa carícia suave, dirijo-me de encontro ao pitéu que espera por mim.
Em busca do sossego, calcorreio as ruas do lugar, por entre espaços ainda não contagiados pela azáfama da vida moderna. Como é agradável percorrer, sem pressa, em passo distraído, a distância que me separa do local que elegi como refúgio para a pausa do almoço. É um passeio deveras agradável. Por entre casas e campo, as ruas da povoação, pouco movimentadas, fazem lembrar o que resta de um ambiente aldeão. Ouvir o trinado dos pássaros, num chilreio contagiante, cheirar o cheiro da terra e do campo, das urzes e das plantas aromáticas, inspirar os primeiros aromas da Primavera, sentir, na cara, a carícia do calor solarengo, encher o peito de ar puro e deixar-me invadir por uma sensação de bem-estar, sabe bem, é agradável, retempera forças e anima o espírito. Vagueando em passadas lentas, enquanto o olhar se perde pela vastidão do horizonte aberto, como se o céu e a terra se tocassem numa carícia suave, dirijo-me de encontro ao pitéu que espera por mim.
Entro e a simpatia de quem me recebe faz-me sentir bem e desejar voltar.
A hora do almoço passa rápida e, de novo, percorro o caminho de regresso, com uma serenidade de espírito e um bem-estar total.
Como é aprazível pressentir a chegada da Primavera, no ritmo cíclico da Natureza, que contagia animais e plantas.
Que pacatez! Que serenidade!
Calmamente retomo o caminho de regresso, absorta nos meus pensamentos e, embalada pelos silêncios barulhentos da Natureza, retorno à essência de mim.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Gestos
Gestos que se repetem no prolongamento dos dias.
Gestos que se estendem em meses e anos sem fim e, de tanto serem feitos, esgotam-se na essência que os criou.
Gestos mecanizados, não pensados, esvaziados de emoções.
Gestos atropelados pela correria dos dias sempre iguais, de quem esqueceu a razão e já não busca os porquês.
Apenas gestos!
Gestos que se estendem em meses e anos sem fim e, de tanto serem feitos, esgotam-se na essência que os criou.
Gestos mecanizados, não pensados, esvaziados de emoções.
Gestos atropelados pela correria dos dias sempre iguais, de quem esqueceu a razão e já não busca os porquês.
Apenas gestos!
terça-feira, 1 de março de 2011
Post-Prenda
Dar-se um presente a quem faz anos, é tão natural como o fio de água que brota das entranhas da terra e sacia a sede.
A escolha da prenda advém da conjugação de vários factores: idade e interesses do aniversariante, imaginação, gosto e disponibilidade económica de quem oferece. Mas, qualquer que seja a oferta, o que na verdade interessa é ver a alegria e a satisfação, de quem a recebe, espelhadas num olhar de sorrisos.
Sugeriste-me uma prenda: singela, original, confesso que nunca antes oferecida! Diferente, sem dúvida!
E porque a verdadeira amizade perdura para lá do tempo, da distância e dos silêncios, ofereço-te este miminho de palavras em forma de prenda!
A escolha da prenda advém da conjugação de vários factores: idade e interesses do aniversariante, imaginação, gosto e disponibilidade económica de quem oferece. Mas, qualquer que seja a oferta, o que na verdade interessa é ver a alegria e a satisfação, de quem a recebe, espelhadas num olhar de sorrisos.
Sugeriste-me uma prenda: singela, original, confesso que nunca antes oferecida! Diferente, sem dúvida!
E porque a verdadeira amizade perdura para lá do tempo, da distância e dos silêncios, ofereço-te este miminho de palavras em forma de prenda!
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Tentação
Hoje, despertei bem cedo para o Domingo!
Os deveres profissionais pendentes obrigaram-me a acelerar o ritmo prazenteiro que qualquer Domingo deveria ter.
E para enfrentar uma tarde inteira de trabalho, nada melhor que uma apetitosa e saborosa refeição, já que mais nenhum prazer, este dia, me iria possibilitar.
Assim, enfrentei a cozinha com ar decidido e pronta a preparar um petisco que me sorrisse.
Uma crepitante quase massa à bolonhesa no forno – a Itália sempre me fascinou na intensidade que coloca em tudo – despertava-me os sentidos, numa provocação descarada ao apetite, pelos sabores pressentidos.
Defrontei com ímpeto o manjar pecaminoso para o corpo, mas balsâmico para o espírito.
Perdida no meio de tanta massa e queijo fondue - com um sentimento de culpa a transbordar, ainda mais que o queijo derretido da massa – consegui finalmente compreender o estado de alma de Elizabeth Gilbert, autora de “Comer, Orar, Amar”, quando atacava os apelativos pratos da cozinha italiana.
Perdida no meio de tanta massa e queijo fondue - com um sentimento de culpa a transbordar, ainda mais que o queijo derretido da massa – consegui finalmente compreender o estado de alma de Elizabeth Gilbert, autora de “Comer, Orar, Amar”, quando atacava os apelativos pratos da cozinha italiana.
Como é difícil resistir a tamanha tentação, pensava eu, enquanto me deliciava com mais uma garfada!
Reflexo
O reformular a estrutura do blog foi uma decisão já há algum tempo pensada.
Na vida nada é imutável, e se o blog reflecte muito de mim - porque me dou em cada texto escrito, me decifro em cada imagem escolhida, me desvendo nos silêncios e ausências momentâneos - então, esta nova apresentação surge, naturalmente, como a imagem reflectida num espelho: a imagem de mim, como um ser em constante mudança, em permanente evolução, na descoberta de si próprio.
Esta tarde, na recente página "Quereres" escrevia "O "Desafioos", que começou por um mero desafio, tem-se vindo a revelar uma surpresa bastante agradável, entusiasmante, apaixonante, um bálsamo para o espírito.
Criado com muita paixão, e escrever sê-lo-á sempre, o "Desafioos" emerge na demanda da lenda pessoal, dando asas à imaginação,com um toque de inspiração por entre estados de alma.
A vida é uma constante aprendizagem, num percurso muito pessoal, em que cada trilho a explorar possibilita viagens (in)imagináveis e desafiantes."
Hoje, iniciei uma nova.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Quase texto
Gosto das sextas-feiras. Sabem a descanso e a um doce não fazer, a não ser por prazer.
Gosto das sextas à noite pela sedução do não compromisso, das horas sem hora, do tempo esquecido, perdido, por entre afazeres plenos de lazer.
Gosto das sextas, quase sábados, e do aroma a fim-de-semana.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Fúria da Natureza
O dia chegou ao fim embrenhando-se nas profundezas da noite. Lá fora, o vento tempestivo solta uivos de fúria que nem a doce madrugada consegue aplacar. As nuvens, de humor acinzentado, barafustam entre si, soltando lágrimas num pranto convulsivo, enquanto o ribombar dos trovões parece acompanhar a ira dos elementos.
Algures, num lugar sem nome nem forma, um Deus agastado abriu as comportas do céu e deixou que os raios prateados iluminassem a escuridão da noite fazendo companhia à chuva intensa que jorrava numa torrente contínua.
Lá fora a Natureza zangada parece não acalmar.
Lá fora a Natureza zangada parece não acalmar.
Aqui dentro, protegida da fúria enraivecida do vento e da chuva, enrosco-me, no quentinho dos lençóis, solto o pensamento ao encontro de ti, e adormeço.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Tecnologia de ponta
Que sensação boa, após um dia de trabalho, roubar um tempinho ao tempo e, em cumplicidade com a noite, saborear os prazeres que as rotinas do lazer permitem!
A leitura do Público on-line é uma delas. “Abrir” a página principal, ler as “gordas”, procurar o desenvolvimento das notícias são alguns dos actos interiorizados que preenchem o tal tempo roubado ao tempo.
Na edição de anteontem, das inúmeras notícias, realço uma pelo caricato da situação. Desde Novembro que o antigo sistema utilizado para a vigilância da nossa costa se encontra inactivo. Os radares, que ajudavam a controlar e vigiar os 1.600.000 km² de área marítima sob jurisdição nacional, foram desligados.
Enquanto se conclui a montagem do novo sistema, a Unidade de Controlo Costeiro da GNR, não obstante a falta de meios sofisticados e modernos, continua a desempenhar, briosamente, com mérito e perícia, dado os resultados obtidos, a sua missão, recorrendo ao uso de 50 binóculos.
Não, não me enganei, binóculos!
Confesso que, quando li esta parte da notícia, soltei uma franca gargalhada, emprenhada de humor pois, imediatamente, imaginei os rígidos e competentes agentes, colocados em pontos estratégicos do mar ou da costa, a vasculharem o território nacional de binóculo ao peito!
E, continuando a dar asas à imaginação, o riso tornou-se hilariante quando os visualizei sob umas capas protectoras do mau tempo, agachados no convés de uma qualquer embarcação, ou no alto de um farol, enfrentando vendavais e tempestades, mas sempre de binóculo ao peito, porque a segurança da Nação acima de tudo o resto!
Ah, como é reconfortante ser-se português na vigência "Socrateana"!
A leitura do Público on-line é uma delas. “Abrir” a página principal, ler as “gordas”, procurar o desenvolvimento das notícias são alguns dos actos interiorizados que preenchem o tal tempo roubado ao tempo.
Na edição de anteontem, das inúmeras notícias, realço uma pelo caricato da situação. Desde Novembro que o antigo sistema utilizado para a vigilância da nossa costa se encontra inactivo. Os radares, que ajudavam a controlar e vigiar os 1.600.000 km² de área marítima sob jurisdição nacional, foram desligados.
Enquanto se conclui a montagem do novo sistema, a Unidade de Controlo Costeiro da GNR, não obstante a falta de meios sofisticados e modernos, continua a desempenhar, briosamente, com mérito e perícia, dado os resultados obtidos, a sua missão, recorrendo ao uso de 50 binóculos.
Não, não me enganei, binóculos!
Confesso que, quando li esta parte da notícia, soltei uma franca gargalhada, emprenhada de humor pois, imediatamente, imaginei os rígidos e competentes agentes, colocados em pontos estratégicos do mar ou da costa, a vasculharem o território nacional de binóculo ao peito!
E, continuando a dar asas à imaginação, o riso tornou-se hilariante quando os visualizei sob umas capas protectoras do mau tempo, agachados no convés de uma qualquer embarcação, ou no alto de um farol, enfrentando vendavais e tempestades, mas sempre de binóculo ao peito, porque a segurança da Nação acima de tudo o resto!
Ah, como é reconfortante ser-se português na vigência "Socrateana"!
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