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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Competitividade ou falta dela


A noção de que uma das causas do nosso atraso face a outros países europeus passa pela falta de competitividade das nossas empresas, é uma realidade. Se dúvidas houvesse, o caso que passo a relatar não só as comprova como as dissipa.
Aquando da minha deslocação à capital, por altura das férias, adquiri, numa das muitas farmácias lisboetas, um determinado produto que, entretanto, terminou. Mais tarde, descobri que a marca oferecia um outro produto mais apropriado à minha idade.
Porque o primeiro se revelara excelente, decidi, já em Coimbra, comprar uma outra embalagem. Dirigi-me à farmácia habitual, não havia nem conheciam. Ficaram com os dados necessários para contactarem o fornecedor e darem-me uma resposta. Até aqui nada de muito estranho. Passou-se um dia, passaram-se dois e ao terceiro, na ausência de notícias, dirigi-me ao estabelecimento, pensando que se tivessem esquecido do assunto. Pelo contrário, estavam fartos de tentar comunicar com a empresa responsável pela distribuição do produto, tarefa quase hercúlea já que começaram por não atender, depois a secção comercial fechava as 15 horas, a seguir não havia aquele específico, só estava comercializado em Espanha e noutros países da Europa, mas podiam enviar um igual ao que encontrara em Lisboa. Quando perguntei o preço, descobri que a periferia paga-se: custava mais 10 euros do que dera pelo primeiro. Como é possível? Descontente com os contornos da situação, resolvi pesquisar na Net. Qual não foi o meu espanto quando, mal entrei na página indicada, fui abordada, simpática e prontamente por um operador da farmácia online que me ajudou nos trâmites necessários para adquirir o dito cujo.
Este estabelecimento virtual encontra-se sediado em Leon, fui atendida num castelhano completamente perceptível, por um profissional dinâmico e competente, espelho da modernidade da empresa, virada para os desafios do presente e vinte e quatro horas depois – pasme-se! – o produto, que veio de Espanha, estava nas minhas mãos por menos 30 euros que o solicitado, aqui,  em terras lusas pelo tal fornecedor.
Ainda agora me custa a acreditar que isto aconteceu!
Muitas das nossas empresas continuam a funcionar subordinadas a modelos sociais ultrapassados e geridas por profissionais aprisionados no tempo, com uma mentalidade pequena, cujo objectivo único parece ser apenas o lucro.
Se as mudanças não ocorrerem, dificilmente conseguiremos competir com os outros e ocuparemos, sempre, a cauda da Europa.
(Já agora: de Espanha, afinal, pode até nem vir bom vento nem bom casamento, mas competência, celeridade, simpatia no atendimento, ai isso afianço-vos que vem!)










domingo, 28 de setembro de 2014

O se da certeza


Hoje, o Partido Socialista arruma a casa. Com os resultados das Primárias decide-se o futuro do maior partido da oposição e redesenham-se estratégias para o futuro.
Quem deve estar ansioso por saber o sentido de voto dos militantes e simpatizantes do PS são os partidos do governo e principalmente o primeiro-ministro com um pezinho do pensamento no imediato e outro nas legislativas de 2015.
Se ganhar o Costa, Pedro Passos Coelho tremerá do alto da sua tecno-fragilidade e 2015 começará a tornar-se uma miragem… Se ganhar Seguro, ainda há uma réstia de esperança.
Independentemente do tonight e do day after, esta bloguista garante aos seus leitores uma inevitabilidade: vence o António!










quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ocaso



Fotografia de Mª Suzete M. Braga
Serra da Lousã

Sem nos apercebermos, passou um dia, um mês, um ano, vários anos e o tempo galopou, levando com ele parte de nós, bocados do que fomos e do que fizemos, do que demos e sonhámos.
Neste percurso de vida, uns partiram, outros ficaram e alguns tornaram-se ténues sombras,  pálidas imagens do que representavam, mas todos levaram consigo pedacitos de nós que se incrustaram nas memórias do que foi, do que existiu, do que significou.
Agora, quando a vida se despede  em aguarelas de ocasos,  pinceladas em deslumbrantes dourados e carmesins, ficam apenas as lembranças de quando não pensávamos no tempo e, simplesmente, acontecia, porque éramos, acreditávamos e não desistíamos ...









sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Improbabilidade ou a dificuldade em desnudar o pensamento


Contextualização (espacial, temporal e situacional): sala de aula; final da primeira semana do ano lectivo; avaliação diagnóstica no domínio da escrita em que se solicitava a redacção de um texto narrativo, no qual o aluno tinha de relatar um episódio inesquecível da sua vida escolar, real ou imaginado, passado numa determinada zona da escola, na companhia de colegas e/ou de professores.
Era este o tema pedido para a composição. O que se seguiu é o assunto da minha reflexão.
A primeira dificuldade dos alunos residiu em encontrarem, nalgum momento das suas memórias, um episódio marcante, digno de ser relembrado. Logo de imediato, para aqueles que não o tinham (ainda eram bastantes) surgiu o segundo grande obstáculo: imaginar, voar com o pensamento, reconstruir a partir do real, esculpir as ideias e modelá-las em palavras.
Estou a falar de jovens com onze, doze anos, a entrarem no sexto ano de escolaridade, com a frequência de cinco anos lectivos, o equivalente a cerca de quarenta e cinco meses de convívio, quase diário, mil trezentos e cinquenta dias de vivências partilhadas, dentro e fora de salas de aula, em contexto escolar e não conseguirem seleccionar, de entre tantas situações ocorridas, nenhuma especial que lhes tivesse tocado? Como se a Escola lhes passasse pela vida, em bicos dos pés, despercebidamente, deixando ténues pegadas neste percurso.
E o convívio? E as brincadeiras geradoras de laços vinculadores da amizade e do companheirismo, essência de relações que perduram para o resto da vida? Restam apenas memórias esbatidas desses momentos, sem significado afectivo, despejados de emoções?
E a capacidade de idealizar a partir do concreto, tão própria desta faixa etária? Onde se encontra? Perdeu-se? Não me parece, continua a existir em cada criança, em cada jovem, apenas se diluiu porque não é exercitada.
Esta geração nasceu e cresceu num tempo em que tudo, para além de ser dado, já vem formatado (os brinquedos; os entretenimentos; as situações; os rituais; os modelos; as manifestações das emoções; a vida, menos a capacidade de imaginar!).
Há muitos anos, num outro contexto, o poeta bradava “Não há machado que corte a raiz ao pensamento (…) ”. Caro poeta, quando o exercício (deveria sentir-se como simples, fácil e natural) de libertar as ideias e recriar novas formas, livres, genuínas, se converte num tormento incorpóreo, então, o improvável, o inimaginável, o impossível, parece ter sido conseguido.










sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O lado negro de


Um destes dias ouvi, com uma certa perplexidade e algum receio, um dirigente religioso do auto-proclamado Estado Islâmico defender, veementemente, a ideia de expansão territorial para os países do Ocidente, com vista à difusão e posterior implantação do Islamismo ou melhor, do fundamentalismo islâmico, cego e déspota - como todos os fundamentalismos - a fazer lembrar o que sucedeu no século VII, aquando da expansão muçulmana.
Se este querer não for contrariado, torna-se poder e fazer e corremos o risco dos paladins desta ideologia ainda nos invadirem!  Não afirmaram já ser a Espanha berço seu por direito histórico (o reino de Granada perdurou na Península Ibérica até ao ano de 1492, finais do século XV)? Tal como no passado, voltarão a querer dominar toda a Al Andalus.
Como não me vejo de burka, nem privada da minha liberdade individual, nem anulada como ser humano só porque nasci mulher (entre muitas outras razões), peço: alguém detenha estes fanáticos perigosos que por onde passam só sabem deixar um rasto de terror, destruição e maldade!
Que o Deus (independentemente do nome pelo qual é invocado) nos proteja de semelhante sorte!










quarta-feira, 3 de setembro de 2014

As incertezas do presente


O Homem, desde que inventou as religiões, tem-se servido delas e dos deuses de cada qual para justificar algumas tomadas de decisão e consequentes acções contra os seus irmãos.
A História demonstra-nos a veracidade desta realidade.
Como podem os seres humanos invocar um deus – Aquele em que acreditam - para legitimar atitudes: vis, brutais, frias, desprovidas de positividade, contra os seus semelhantes e criar um clima de terror e instabilidade, escondendo-se do exterior, dos outros, envoltos em trajes negros - sempre as vestes negras-  (assim eram as dos Jesuítas, assim são as dos Jihadistas, como a negritude da sua alma)?
De repente, parece que o Homem desencadeou um processo de negação dos valores humanistas e, com as suas acções, se encaminha para um tempo caracterizado pelo retorno à barbárie, à lei do mais forte (física e socialmente, entenda-se), baseada na força das armas, na posição e estatuto sociais, no desencadear de um clima de medo e de pavor, em que a justiça, a inteligibilidade e a palavra, como forma de entendimento, como veículo de comunicação, perderam importância.
Para onde caminhamos?










segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Gestos de grandeza


No final do derby da capital, um jovem adepto benfiquista, trajado a rigor, exibia um cartaz dizendo "Rui Patrício, dá-me a tua camisola". O guarda-redes da nossa Selecção não ficou indiferente a tal pedido e ofereceu-lhe as luvas.
Bonito gesto a demonstrar a grandeza de dois seres humanos: do adepto e do jogador.
(Não resisto: obrigada, Artur!...)










domingo, 31 de agosto de 2014

Portugal no seu melhor ou os insólitos de um país






Nada como uma boa, objectiva, directa e personalizada indicação, para precaver enganos e evitar atrasos...
Se a moda pega, em Coimbra não haverá problemas, pois estas construções rodoviárias há muito que invadiram a cidade, desde o mandato do antigo e agora actual Presidente da Câmara, Manuel Machado.
Até já estou a imaginar a rotunda da Solum, ou das Palmeiras, ou mesmo da Casa Branca invadidas de setinhas com os mais variados recados ou indicações particulares.
Haja imaginação e sentido de humor!
Melhor do que isto só mesmo a informação pespegada na fronte do edifício do quartel dos bombeiros locais, perto da Costa da Caparica, em que se pode ler “associação de voluntários para incêndios”.
Como a falta de uma palavrinha compromete e lixa o sentido e as boas intenções dos rapazes…










sábado, 30 de agosto de 2014

Verdade em si

 

Faz e acontece já que 
 
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Momentos

Palácio da Vila
 
 
 
 
Do Castelo até à Vila
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


domingo, 24 de agosto de 2014

A eterna bela e romântica Sintra


Regressar aos locais da minha infância e juventude, passear por lugares outrora já percorridos é reviver momentos, instantes, recordar episódios, pessoas, histórias.
As mudanças operadas com a passagem do tempo apenas são notórias nos espaços que rodeiam o núcleo arquitectónico e paisagístico da parte antiga da vila de Sintra. Aqui, a mesma ruela íngreme e estreita a esgueirar-se pela encosta acima, rumo ao castelo altaneiro que se mantém vigilante depois de tantos séculos passados; ali, no sopé da serra, uma construção palaciana, avistada, no horizonte, através das suas altíssimas chaminés, um postal ilustrado ao natural para quem chega, repleto de cores, animação e muito movimento.
Debruçado sobre a vila, o verde exuberante e luxuriante, legado intemporal D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gota, II de Portugal, marido de D. Maria II, o rei que se apaixonou por Sintra e decidiu erigir um espaço natural, todo ele idealizado de acordo com o romantismo da época, onde, ainda hoje perduram as suas fontes e caminhos, jardins e quintas de majestosos solares, espécies vegetais de várias partes do mundo, conferindo ao local um misticismo único e genuíno, em comunhão com a Natureza, as mesmas dos Maias e do Mistério da Estrada de Sintra, de Eça e de Ramalho e de Lord Byron, a perpetuarem-se no tempo, testemunhos de outras histórias, de outras vivências, de outras gerações, gente que como eu guardou memórias afectivas ligadas àquele espaço deslumbrante. Enamorar-se de Sintra é imediato.
Esta vila, aninhada entre o sopé e as encostas da serra, é sem dúvida um dos locais mais belos e magníficos do nosso país e por isso encruzilhada das mais diversas nacionalidades, sempre repleto de turistas.
Um sítio a conhecer, uma visita obrigatória para quem prima pelo bom gosto e pelo requinte.

















 

Castelo dos Mouros

 
 
Sintra










Palácio da Vila

 
 
Sintra
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A exemplo do BES


As férias são aquele momento ideal do ano para a tomada de decisões já que permitem um tempo sem tempo, propício à reflexão e à interiorização.
A exemplo do que sucedeu ao BES, também eu decidi dar um novo rumo à minha pessoa.
Deste modo, a partir de hoje, o meu nome muda para Nova Luz Câmara.
Esta subdivisão do meu eu altera algumas rotinas: as minhas obrigações, empréstimos, juros, dívidas e aborrecimentos (lixo tóxico) ficarão a cargo da antiga Luz Câmara (serão saldadas logo que possível), enquanto os activos bons, ou seja, os valores, a família, os amigos, os animais de estimação, as paixões (dança), as poupanças, a casa e o carro passarão, automaticamente, para a Nova Luz que se continuará a relacionar com os seus depositantes (amigos) como fazia a antiga. Para estes nada mudou!
Com esta resolução, acabaram-se, de vez, as preocupações e tenho a certeza de que a minha vida se tornará mais calma e suave, sem inquietações, nem encargos: adeus trabalho; adeus toque irritante do despertador antes das sete da manhã; adeus colegas de profissão, escravos da burocracia e do sistema; adeus reuniões prolongadas nas horas e enredadas em palavras sem fim; adeus…; adeus…; adeus… Afinal, as obrigações já não são da minha responsabilidade, ficam com a antiga Luz Câmara!

Nova Luz Câmara
 
Nota: O presente texto baseou-se numa ideia retirada de uma publicação no Facebook e qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência.
 
 
 
 
 
 

domingo, 20 de julho de 2014

Sem resposta


Quando penso na Humanidade, quero muito acreditar que a essência primordial que a define é uma condição intrínseca de paz e de entendimento, constituindo-se as guerras e os conflitos como a excepção que ciclicamente confirma a regra.
No entanto, se nos lembramos de todas as contendas, discórdias, lutas que marcaram e continuam a marcar a História do Homem, a dúvida instala-se dando lugar a questões como “Qual será a essência da Humanidade? Uma apetência inata para a guerra ou um estado natural de paz? Qual o traço matricial das relações sociais? O conflito latente, sempre pronto a manifestar-se por entre um ilusório e aparente entendimento ou o oposto? Como interpretar à luz destas duas visões opostas ou em que campo incluir episódios marcantes da nossa História como as Guerras Santas; a subjugação e a tentativa de extermínio de um povo sobre outro; o Holocausto; mais recentemente a guerra na Ucrânia e o assassinato de civis inocentes; os conflitos permanentes entre Israel e a Palestina, as ditaduras castradoras dos direitos fundamentais do ser humano, entre tantos e tantos outros diferendos que parecem realçar o monstro que se acoita na nossa espécie e faz-nos esquecer que também albergamos um lado positivo?
Somos uma espécie eminentemente pacífica com momentos de forte entropia na sua evolução política e social ou, pelo contrário, somos de uma belicosidade natural mascarada pela cultura?